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19 de julho de 2008

O caminho para o Tetra...

O início dos trabalhos, na pré-temporada, foi aquilo que poderemos chamar de ponto 0, na procura de mais um feito para a história do clube. Ultrapassadas as questiúnculas jurídicas na intensa batalha legal que marcou o defeso, o Porto clube saiu fortalecido. Venceu o rancor e a inveja, podendo agora concentrar-se, finalmente, no que interessa. A bola a rolar...

A época será longa. Intensa. Repleta de escolhos. Mas o plantel dá garantias para mais uma temporada de êxitos. De forma rápida, importa dissecar alguns pormenores nos azuis e brancos, depois dos confrontos amigáveis com PAOK e Hannover...

- Desde logo, o colmatar da saída de Paulo Assunção. Sem dramas, após a fuga do brasileiro, achei que, pese a qualidade reconhecida ao ex-jogador do Nacional, o seu lugar seria facilmente garantido, através do existente no plantel ou com recurso a reforços. A competição, para o posto de médio-defensivo, é muita. Bollati, que passou a sua primeira temporada de dragão ao peito na sombra, terá agora uma oportunidade de mostrar as credenciais de que veio munido. Mas nestes dois jogos específicos, quem tem dado nas vistas é o colombiano Guarín, vindo de terras gaulesas. Apresentando bons indíces físicos, o jovem sul-americano começa a mostrar alguns predicados que o poderão tornar rapidamente um indiscutível de Jesualdo. Raçudo, batalhador, dono de um remate poderoso, generoso fisicamente. Temos homem!

- A defesa foi o sector da equipa que viu mais caras novas a chegarem. Ressalvando que será ainda demasiado cedo para tirar ilações conclusivas, continuo a achar que a aposta na juventude de Rolando foi acertada. Poderoso fisicamente, com enorme capacidade no jogo aéreo, o internacional jovem luso tem mostrado poder ser uma alternativa válida aos previsíveis titulares Bruno Alves e Pedro Emanuel. Se Rolando tem vindo a coleccionar pontos, nessa luta intensa mas leal pela luz da ribalta, o sérvio Stepanov continua a viver uma espécie de dejá-vu. Erros crassos, lapsos infantis, desbaratando num momento o que de bom faz no restante tempo. Parece continuar a viver da síndroma do nervosismo extremo, incapaz de se libertar dos grilhões mentais que o tolhem. No lado direito, ando deliciado com Sapunaru. Sólido a defender, com enorme propensão atacante, parece fadado a ser o substituto de Bosingwa. No flanco oposto, Benitez continua a cheirar a...flop. Algo indeciso na abordagem dos lances, pouco lesto na defesa, muito discreto no apoio ofensivo, não tem justificado a sua contratação. A rever...

- Tomas Costa tem vivido um pouco ao sabor das experiências de Jesualdo. Ontem, frente aos alemães, jogou num 4-3-3 onde lhe cabia a tarefa de jogar no lado direito do ataque, posição que demonstrou claramente não lhe ser muito natural e confortável. É nas zonas interiores do meio-campo que o argentino respira o seu futebol. Feito de nervo e aço, lutador nato, poderá ser uma peça importante na coesão defensiva do tridente do meio-campo. Resta saber como lidará com a forte concorrência para o sector. É que ainda falta Meireles...

- Na frente, Lisandro e Farías parecem ser os únicos com qualidade suficiente para merecerem a responsabilidade de converter em golos o caudal ofensivo da equipa. Denotando ainda os problemas de sempre na finalização, o Porto terá que forçosamente ser reforçado. Com Renteria a levar nova guia de marcha, aguarda-se com alguma expectativa a chegada de um reforço. Imperioso!

Em suma, a luta pela manutenção do título não será facil, nem isso seria expectável, mas o plantel portista parece dar garantias para que esse desiderato seja atingido, no final da temporada. Nós estaremos cá, para o apoio de sempre...

30 de maio de 2008

Dias complicados...

Têm sido uns dias complicados. Para o Porto e para mim. Umbilicalmente ligados. Tenho andado numa azáfama extraordinária. É o que dá aventurarmo-nos em mudanças de casa. Um autêntico pesadelo. Caixotes, caixotes e mais caixotes, num nunca mais acabar de esforços hercúleos que me têm mantido sem qualquer tempo para acompanhar, fiel e atentamente, a actualidade noticiosa...

O Porto teve uma semana difícil. A saída, por rescisão sem justa causa, ancorada na lei Webster, de Paulo Assunção, tem sido difícil de digerir. Os sinais, desde à muito tempo, indiciavam uma certa tensão entre o clube e o atleta. A renovação do contrato, sucessivamente adiada, era um sinal claro de que haveria desencontros de verbas, com o atleta a querer, provavelmente, realizar o contrato da sua vida, atendendo à idade...
Não gostei, e afirmo-o peremptoriamente, da atitude do jogador. Resgatado ao opróbrio de jogar em clubes medianos, viu a sua carreira relançada de azul e branco vestido, jogando em palcos e competições com as quais a maioria dos jogadores apenas pode sonhar...

De Dragão ao peito, Paulo Assunção foi de um profissionalismo exemplar. Jogador tacticamente irrepreensível, fazia o trabalho de sapa na zona nevrálgica do terreno, adquirindo com o tempo um estatuto de imprescindível. O carácter, no entanto, só se revela quando posto à prova. E, neste caso, o brasileiro mostrou bem o que vale. Pouco. Moral e eticamente, Paulo Assunção desnudou-se, perante o público, como um mero mercenário, interessado na cobiça do vil metal, sem qualquer preocupação com aqueles que, jogo após jogo, o vitoriavam e incentivavam...

Mostrou a face mais negra do futebol. Aquela onde o Desporto-rei há muito deixou de ser um jogo, para passar a ser um negócio. Paulo Assunção poderia ser um nome, gravado com letras douradas, no álbum eclético de um clube grandioso, como o Porto. Optou por outra via. Será apenas mais um. Rapidamente esquecido.

A saída do jogador será suprida, sem grandes sobressaltos. A posição de trinco é, felizmente, uma das que possuem mais oferta, no mercado de trabalho. Não será por aí que o tetra perderá solidez...

A outra notícia, amplamente noticiada pelos media, tem a ver com a instauração de um procedimento disciplinar por parte da UEFA, relativamente à futura participação do Porto na Champions. Não serei hipócrita. Fui um dos que defendeu a medida tomada pela SAD. Achei-a a mais correcta, face às circustâncias. Continuo a achar o mesmo. O recurso do Porto só aparentemente viria a defender a honra do clube. O recurso seria aproveitado para a dilatação do prazo processual e a punição desportiva teria apenas lugar na próxima época. Começar com 6 pontos negativos, numa temporada onde apenas o 1º classificado terá lugar assegurado na elitista prova de clubes, equivaleria a um hara-kiri desportivo...

Contudo, como se vê, o simples facto de não se recorrer deu redobradas energias aos nossos detractores. A decisão, conhecida de forma célere, será tornada pública no dia 4 de Junho. Quero crer que esta será favorável às pretensões dos Dragões, que justificaram dentro das quatro linhas o seu direito à participação. Mas, se a decisão não for favorável, como desejado pelos abutres conhecidos, a SAD apenas terá um caminho a seguir. Demissão.

ps: Noutra latitude, depois de Yebda vem Djebbour. Em comum, para além dos nomes quase impronunciáveis, têm o empresário. Coincidência do destino, segundo fontes encarnadas, o dito cujo é...primo do novel director desportivo do clube das águias. Começa bem.

ps2: A Selecção está quase de partida para o Euro. Graças a Deus. O enorme circo mediático montado à volta da turma das quinas não é benéfico. A míseros 7 dias do jogo inaugural, chegou a hora da concentração competitiva. E já vem tarde...

14 de novembro de 2007

Bad Karma

É daquelas sensações quase palpáveis, como se existisse uma espécie de predisposição sensorial para antecipar catástrofes.

Começou bem, o Domingo. Deitado na cama, naquela preguiça confortável que antecede a sincronização dos sentidos, dei por mim a constatar que tinha dormido 9 horas. Facto digno de registo, para quem, desde que foi pai, não dorme muito mais do que míseras 6 horas diárias. Eufórico, saltei da cama, sentindo a energia a percorrer o corpo revigorado. Sentei-me na poltrona predilecta, abri o livro que ando a ler [para satisfazer a vossa curiosidade, "Morte em Viena", do Daniel Silva] e mergulhei num mundo de espiões, com os serviços secretos israelitas a perseguirem denodadamente um antigo criminoso de guerra nazi. Durou 5 minutos, esta sensação de bem-estar.

Até a gritaria inconfundível de dois pequenos terroristas invadir o silêncio que pairava na sala. Aguentei as birras, os choros, os pequenos amuos, convicto de que o dia iria ser óptimo. Pois...

Aquela sensação indefinida, como se uma tragédia pairasse no horizonte, atacou-me novamente. 10.30 da manhã. Tudo pronto para se aproveitar o sol matinal, num tradicional passeio até à praia. Faltava apenas o essencial. A chave do carro...

Perguntará agora o leitor mais atento, "mas que raio, existem duas não?". Não. A outra foi-se. Sumiu-se. Em plenas férias algarvias. Mas isso é outra história...

Não havia chave. Não houve passeio para ninguém. Dito assim, com a frieza resultante do distanciamento cronológico, até parece que foi algo aceite de forma asséptica. Não foi. "A culpa foi tua.." ou "Ai sim, quem é que as deixa sempre à mão de semear do míudo, quem é?" fizeram com que os níveis de tensão atingissem o ponto de ebulição...

Ainda pensei, "porra, eu até dormi bem como o caraças. O resto do dia vai ser diferente". Pois.

14.15. Apareceu a chave do carro. Resolvemos enfrentar o trânsito domingueiro e ir espairecer a cabeça. Má ideia. Café, umas compras de ocasião no shopping do costume e uma visita a uns amigos. Tempo feito, e regresso a casa, que a hora do lanche era chegada...

O que é que podia correr mal? Nada de muito especial. A chave. Não a do carro, desta feita, mas a de casa. "Acho que deixei a carteira em casa deles...". Cerrei os punhos no volante, sentindo nova onda de fúria a invadr-me. "Achas? Mas o que é achas? Ou deixaste ou não?". Com um pouco de má vontade lá surgiu a confirmação. "Deixei". Pois...

16 quilómetros para lá, mais 16 para cá, com um puto histérico e esfomeado a espernear na cadeira do banco de trás, berrando desalmadamente, enquanto atirava a chupeta para a frente [o car***o do puto tem pontaria] e eis que, finalmente, se chegou a casa...

Aí já considerava a hipótese de aquele Domingo estar assinalado, num qualquer mapa cósmico, como contraproducente aos nativos de Touro. Senti a primeira fisgada de medo. Tentei controlar o pânico. Lembrei-me do que tinha sentido na véspera, em relação ao jogo. Acreditava numa exibição dominadora e um resultado a condizer. Pois.

Finalmente, refastelado no sofá, com os míudos a dormir, consegui ser magnânimo. Eu, monopolizador do comando da tv, permiti que a esposa fizesse um zapping e ficasse a assistir a algo inenarrável chamado "Família Superstar". Acompanhei pela internet o desenrolar da partida. E tudo corria bem...

Esbocei um sorriso de escárnio, abanando a cabeça a condizer, quando o Porto marcou o 1º. Murmurei para mim próprio: "vês, tá tudo a correr bem...". Pois.

A 2ª parte iniciou-se da melhor forma. 2-0, jogo tranquilo, a sensação de reconfortante alegria, que só a vitória dá a um adepto. Sereno, não resisti mesmo assim à tentação. Resolvi ver os últimos minutos do jogo. E deu para o torto. Supersticioso q.b, ainda hoje acho que foi esse simples gesto [o esticar do dedo em direcção ao botão do comando] que desencadeou uma série de fenómenos paranormais, que tiveram o epicentro no relvado da Amadora. Juro que foi isso...

Senti-me mergulhado numa outra dimensão, quase uma espécie de realidade alternativa, só faltando mesmo a música do "twilight zone" a acompanhar. O 1º golo, quase fortuito, do adversário, apanhou-me desprevenido, mas foi capaz de desenterrar velhos medos. A serenidade fugiu a sete pés, dando lugar ao nervosismo habitual na maior parte dos jogos. "Porque é que carreguei no botão?", ainda me martirizei, antes de ficar siderado, quando vejo o árbitro a apontar para a marca da grande penalidade. Não senti nada. Nem vontade de chorar, nem a torrente de fúria que deveria explodir, nem o velho hábito de insultar os familiares do juiz. Fiquei ali, especado, absorto, quase como se aquilo não tivesse acontecido. Mas aconteceu. E tudo, volto a teimar, porque eu carreguei no botão...

28 de setembro de 2007

Parabéns!


114º aniversário! Um clube secular, um orgulho da Nação. O clube português com melhor palmarés, além fronteiras. É preciso dizer mais alguma coisa?

20 de setembro de 2007

2.627.529

Não, não é o número de visitantes aqui do blog. Tomaria eu. É o astronómico número de espectadores do Chelsea-Porto, da última edição da Champions. 2.627.529. O programa mais visto em 2007, no dia 6 de Março, na RTP.

Já não bastava o domínio no campo, também fora dele o Porto é o aglutinador das preferências das pessoas. Mais um prego no caixão do mito dos 6 milhões!

5 de setembro de 2007

Bitaites

Ando preguiçoso como o caraças. Confesso. Sem ponta de inspiração, arrastando-me no trabalho, contando os minutos que faltam para as [merecidas] férias. Míseros dois dias e meio. Mas parece uma eternidade. Pensando nisso, no que falta para o ócio tomar conta da minha vida, durante 3 semanas, dei-me conta que o fim-de-semana será ele, também, atípico. Isto é, sem jogos de futebol. Pelo menos, daqueles a sério. Sim, eu sei que joga a Selecção, e que ela até terá jogos decisivos. Mas, fazendo minhas as palavras do Bruno Rocha, num dos últimos artigos, o meu coração sofre é pelo Porto. Sei que com isto poderei despertar a ira dos nacionalistas exacerbados, já descontentes com a naturalização [e convocação] de Pepe, mas lições de patriotismo não levo de ninguém, e as paixões não se escolhem. Será, por certo, um fim-de-semana sensaborão, sem o jogo do Chelsea no sábado à tarde, o do Porto à noite. Enfim, hábitos enraizados que se ressentem destes compromissos nacionais.

E aqui, dei por mim a meditar [também um hábito enraizado] noutra prolongada paragem do campeonato, coincidente com as festividades de Natal e Ano Novo, em 2006. Aqui, bati 3 vezes na madeira [toc.toc.toc], não vá o diabo tecê-la de novo. Não sei se estarão recordados, mas um campeonato liderado com conforto transformou-se, num ápice, num pesadelo vivido com apreensão até final. 3 belas semanas de "dolce faire niente" colocaram os garbosos atletas portistas num ritmo diferente, mais molengão, aproveitado pelos adversários para nos inflingirem derrotas, algumas com sabor a escândalo [quo vadis, Atlético?]. E é bom que o exemplo não se repita. Que seja lembrado. Em especial, pelo Mister. O Mister que, não contente com as referidas semanas de descanso, resolveu poupar a equipa principal no confronto da Taça. E correu mal. E o correu mal é um eufemismo. Porque aquilo correu foi pessimamente. Vem isto a propósito da paragem, como referido, mas também da proximidade do jogo inaugural da Champions. Porque, também num hábito enraizado, os técnicos nacionais acham que os seus atletas não aguentam [ou fazem-no com dificuldade] dois jogos consecutivos, em 3 dias. O meu temor é esse. No confronto com o Marítimo, no afã de poupança [pomposamente chamado de rotatividade], Jesualdo poderá proceder a várias alterações. Se o plantel do Porto, teoricamente, deverá dar garantias de manutenção de qualidade, com as alterações introduzidas, na prática a história é outra. Segundo um artigo lido ontem, no Jogo, do José Manuel Ribeiro, a maior parte dos pontos perdidos, tendo como exemplo o Porto de Mourinho e o Chelsea do mesmo treinador, acontece em vésperas de confrontos europeus. Será que ninguém arranja uma cópia do artigo para Jesualdo ler?

Por isso, please, nada de invenções, um Porto na máxima forma contra o Marítimo [não nos esqueçamos que eles também são líderes] e, só depois, é que se começa a pensar no Liverpool.

ps: Por falar nos reds de Benitez, alguns amigos meus andam literalmente a salivar, com a perspectiva de que a máquina bem oleada do espanhol nos dê um correctivo exemplar. Estão embuídos de falsas esperanças. Relembrei-os do Arsenal e Chelsea, só para referir a última temporada, que "piaram" fininho no Dragão. Com o clube da cidade dos Beatles não será diferente. Venham eles!

23 de agosto de 2007

Entras na "geração mudasti"?


Domingo, frente ao Sporting, Postiga poderá muito bem ter a sua última chance, de Dragão ao peito. Uma conjugação favorável ao jogador terá, para já, impedido a sua venda ou empréstimo. À lesão de Ernesto Farías, uma das grandes apostas do Porto para esta época, juntou-se a do melhor marcador portista na época transacta, no jogo frente ao Braga. Com Renteria emprestado, Edgar provavelmente demasiado "verde" para um jogo deste calibre e Lisandro sem rotina de posição, a escolha de Scolari para titular frente à Arménia vai ter mais uma oportunidade para convencer Jesualdo da sua utilidade num plantel de campeões. Não é situação virgem no plantel do bicampeão, pois Adriano teve, em Dezembro último, as malas feitas e o destino escolhido. A teimosia arreigada numa confiança extrema em si mesmo fizeram com que, descartado o empréstimo, o brasileiro renascesse das cinzas, qual fénix, para assumir a responsabilidade da finalização no ataque dos azuis e brancos.

Custa-me ver Postiga numa situação tão periclitante. O jovem nado e criado no clube tem um potencial que provoca inveja em muitos dos seus colegas de profissão. Não será por isso que é colocado em xeque. Técnica acima da média, uma maneira de tratar a bola que roça o carinho, amaciando o couro tratado, em afagos suaves, como se travasse com ela um diálogo amoroso. Mas, se o futebol fosse só isso, aqueles míudos de rua, que num qualquer lugar perto de si se perdem em diabruras próprias da idade, chutando bolas de trapos, criando fintas e reviengas que pasmam quem os vê, eram os futebolistas do futuro. Mas não são. Ser jogador de futebol não é saber chutar em direcção a uma baliza. Para chegar ao topo, é necessário mais do que malabarismos circenses. É necessário trabalho, entrega, sabendo que o sucesso anda de mão dada com eles. Postiga sempre pensou que não. Que lhe bastava entrar em campo, marcar um golo de vez em quando, para as bancadas se curvarem reverencialmente.

Um dia, ele estranhou. De onde vinham palmas, incentivos e gritos de júbilo, começaram a chegar, com maior frequência, apupos e raivosos insultos. Postiga, pelos vistos, julgou que não eram para ele. Afinal, o que aqueles tipos, que viam os jogos das bancadas, podiam perceber de futebol? Ele não marcava golos? E isso não chegava? Com estes pensamentos reconfortantes, Postiga continuou na sua curva exibicional descendente. Só ele é que não se apercebia. Até um dia em que se sentou no banco. E depois disso, fora dele, vendo o jogo junto daqueles tipos, nas bancadas, que nada percebiam de futebol. A porta de saída foi escancarada. A guia de marcha carimbada. Mas, como em todos os contos de fadas, o autor da história teve pena de um final infeliz. É que, não sei se já vos disse, mas eu gosto de Postiga. E, como eu, muitos outros. Assim, nesse conto de fadas em que tudo pode acontecer, Postiga teve (mais) uma oportunidade.

Provando que, possivelmente, aprendeu a lição, Postiga jogou. Postiga correu. Postiga lutou. Postiga contribuiu, com o seu esforço, para a vitória do Porto em Braga. Será desta, Helder, que entras na "geração mudasti"?

31 de julho de 2007

Director de comunicação

Pois é, a partir de agora, o FC Porto vai ter um novo DIRECTOR DE COMUNICAÇÃO.

Rui Cerqueira, 35 anos , jornalista que fez carreira na RTP e que era também presença assídua nos microfones da Antena 1, será o novo responsável pela voz do Dragão.

Caber-lhe-á dirigir o departamento de comunicação, assumindo-se como porta-voz oficial do clube. Essa área estava por ocupar e ganha agora um elemento experimentado. De resto, como escreveu O JOGO há dias, os portistas vão refrescar o modelo de comunicação, adoptando um relacionamento mais aberto. De acordo com o que está previsto, além do treinador, também um jogador deverá dar uso à sala de Imprensa. Rui Cerqueira, co-autor do livro sobre Jorge Costa, passará a ser o rosto dessa nova política, juntando-se aos elementos que já faziam parte desse sector específico.


Pela minha parte, nada contra. Bem vindo!

10 de julho de 2007

Pepe, el central perfecto!

Não sei se ria se chore, com a venda de mais um dos intocáveis do plantel. Procurando ser realista, atendendo aos números envolvidos, seria difícil ao Porto não ceder a tanto dinheiro. É, sem dúvida, mais uma venda só alcançável, cá no burgo, pelo Porto. Ponto prévio e que não merece a mínima discussão. Os outros bem que tentam impingir centrais, médios ou extremos e ninguem lhes pega. Mas, com o mal dos outros posso eu bem e, confesso, a perda de Pepe, pese o dinheiro envolvido, parece-me dificíl de ser colmatada. Podia munir-me de números e estatísticas, para destacar a importância crescente do brasileiro na equipa portista, mas basta ver como a "Marca", jornal espanhol tido como próximo dos merengues, se refere à nova contratação do Real Madrid: "Pepe, el central perfecto"!
E não é exagero. Pela idade, Pepe é um jogador próximo da perfeição. Jogo aéreo imperial, velocidade acima da média, sentido posicional que lhe permite a antecipação de 99% dos lances, foi um dos esteios da defesa portista nos dois últimos títulos nacionais. Sofreu uma transformação quase metafórica, ao nível do patinho feio. Vaiado em alguns jogos, aquando da sua vinda do Funchal, Pepe evoluiu naturalmente, deixando a imagem de central trapalhão de lado, operando a metamorfose em cisne.

O Porto enche os cofres, com mais uma venda milionária, mas perde um jogador de inegável categoria. Se a nível interno a competitividade do plantel me parece assegurada, o busílis da venda reside naquilo que se pretende, não só para esta época, mas para um futuro próximo na Europa. Não é utopia, parece-me, exigir um Porto ao nível das equipas de um passado recente, não me referindo apenas aos títulos alcançados por Artur Jorge, Ivic e Mourinho. Um Porto competitivo é o que se quer. Capaz de ombrear, pese a disparidade de orçamentos, com os colossos europeus. E isso, quer-me parecer, tornou-se indubitavelmente muito mais difícil, com as saídas de Anderson e Pepe.

ps: Respondendo ao que se pretende. Sim, concordo com a venda do central, apesar de tudo. Um ordenado chorudo, quase principesco, inalcançável pelo jogador em Portugal, seria motivo mais do que suficiente para uma época deficitária, caso a transferência não fosse concretizada por intransigência do Porto. Quero, e penso que isto será unânime na família portista, que a maior parte desse dinheiro sirva para amortizar o passivo do clube, felizmente não tão monstruoso como o dos clubes de Lisboa.

8 de julho de 2007

Entrevista de Jesualdo Ferreira

Uma maior utilização do 4-4-2 pode ser a novidade da época, pelo menos foi o que de mais importante resultou da primeira conferência de imprensa de Jesualdo Ferreira após a semana inicial da pré-temporada.


P Depois de uma semana de trabalho qual é a ideia que tem acerca do plantel?

R Foi uma semana dura, os jogadores estão cansados e procurámos fomentar algum reforço muscular. O trabalho é contínuo e sem fugir das estruturas que o clube tem, uma equipa base que foi campeã. O jogo com o Tourizense foi apenas um treino, cujo objectivo era permitir mais minutos de trabalho, neste caso já com questões de natureza táctica. Terminou bem a primeira fase de trabalho e o estágio na Holanda terá características diferentes, de natureza táctica e com o objectivo de subida gradual de forma.
P Tendo também em conta a possibilidade de perdas de jogadores, há lugares ainda por preencher?

R Estamos a viver um período difícil ao nível do futebol internacional. Há competições a decorrer e nem sabemos se são de fim de época ou de princípio. Portanto, foi necessário organizarmo-nos de maneira a podermos ter as melhores condições. Há um conjunto de assuntos que vocês gostariam de saber, mas que com o tempo serão devidamente esclarecidos. Não faz sentido estar a falar neste momento de situações que não são definitivas. Para já é este o grupo de jogadores que vai para a Holanda e esperamos, para encerrar as perguntas seguintes, que até ao dia da primeira competição, a 11 de Agosto, possamos ter praticamente definido do plantel.
P Depois da saída do Anderson, incomoda-o poder perder jogadores como Lucho e Quaresma?

R Não vou fazer comentários. Não vou falar de coisas que podem nem acontecer. Neste momento essas questões não têm resposta porque não existe nada para responder.
P Mas o FC Porto está preparado para a possibilidade de perder Quaresma ou Lucho?

R Por é que dizem Quaresma e Lucho? Podem ser outros. Pepe, Bosingwa... O FC Porto foi campeão nacional, fez uma boa Liga dos Campeões e os seus jogadores saíram fortemente valorizados. Mas o FC Porto tem capacidade para poder resolver questões que venham a colocar-se, de saídas.
"Nem podemos dizer que o grupo está definido"
P Tendo ainda em conta a saída do Anderson e a entrada dos novos jogadores, considera que a equipa está mais forte ou mais fraca, com mais ou menos soluções?

R Para já, e antes que me façam a pergunta, gostaria de dizer que este é o plantel do FC Porto, como era no ano passado, e não é o plantel do Jesualdo Ferreira, como também diziam que na época passada era o plantel de Co Adriaanse. O que definimos foi uma filosofia quanto à política de aquisições, respeitando uma concepção clara que existe no clube. O que vamos fazer é operacionalizar tudo isso. A equipa mantém a estrutura base, com excepção do Anderson, e por isso é sobre ela que vamos trabalhar. Aquilo que perspectivámos em relação ao mercado, e aos nosso objectivos, está a ser cumprido. Gostaria que não dissessem que este plantel é meu, não faz sentido. O que faz sentido compreender é que há jogadores com contrato, preocupações financeiras, estratégias definidas do ponto de vista global do clube e um conjunto de situações que não são alteradas porque se pretende. Há que seguir as regras e os princípios, que o FC Porto tem. Não podemos nem sequer dizer que temos o plantel definido, porque não temos cá todos os jogadores. Faltam-nos jogadores.
P Já se percebeu que não quer falar muito da composição do plantel, mas, ainda assim, deixaria sair Jorginho?

R O Jorginho está cá, tal como estão outros jogadores, num total de 24. Não vou individualizar qualquer assunto.

Mario Bolatti foi a contratação mais difícil que o FC Porto protagonizou até agora e, por via desse facto, fez aumentar consideravelmente a expectativa acerca do argentino. O médio trabalha no Olival há uma semana e Jesualdo Ferreira já ficou com uma ideia mais concreta do que vale. "É um médio-centro típico, um número seis, que na Argentina é cinco. Tem características físicas muito fortes e boas do ponto de vista do futebol europeu. É um jogador que tem de fazer uma progressão táctica e a adaptação social a um clube novo e a uma realidade competitiva nova. É esta a base de partida do Bolatti", explicou.

28 de junho de 2007

Equipamentos 2007/08

Foram hoje apresentados, e começarão a ser comercializados a 1 de Julho, os novos equipamentos do FCPorto, para a época 2007/08.

O equipamento principal terá como grande novidade o regresso da gola, com o equipamento das famosas listas azuis e brancas a ser bastante parecido com o utilizado na época em que o Porto conquistou a UEFA. Maior número de listas, parecendo também que são mais pequenas.














O equipamento alternativo parece-me uma excelente escolha, pela adopção do branco como a cor principal, fugindo um pouco ao colorido que tem travestido os equipamentos alternativos do Porto nas últimas épocas. Se nos lembrarmos que um clube sediado na capital vai ter o equipamento alternativo em cor-de-rosa, até acho que tivemos muita sorte.












Agora, o que importa, é que com um ou com outro, o Porto faça aquilo que melhor sabe: VENCER!



Estádio do Dragão

Pode parecer, à primeira vista, daquelas coisas comezinhas, sem grande importância. Por acaso, até tenho uma opinião diferente. É algo que é sempre bom saber, pois aumenta o ego de um adepto.

Os mais familiarizados com os jogos de consola e pc, sabem sem dúvida que a série Pro Evolution Soccer é imbatível. Jogo fluido, próximo da realidade, numa feliz conversão gráfica, a série é considerada, muito justamente, como o melhor jogo de futebol disponível para os “taradinhos” das novas tecnologias.

A Konami, a empresa responsável pelo jogo, colocou novas imagens no seu site, publicitando desde já o novo lançamento, a sair apenas em Novembro. E, como podem ver pela imagem ao lado, em centenas e centenas de estádios, quem é que eles haveriam de escolher? Pois, o fantástico ESTÁDIO DO DRAGÃO! O único a ser presenteado com tal honraria.
Confiram e orgulhem-se. Afinal, também isto serve de prova da grandeza granjeada pelo Porto, a nível planetário.

13 de junho de 2007

Novas funções de Baía

Está desvendado o mistério, que alguns alimentaram como se de um tabu se tratasse. 20 anos de carreira que terminam no campo, onde recolheu o respeito a admiração de adeptos e adversários, mas continuam no seu cube do coração. Empossado agora na qualidade de director, Vitor Baía pretende dar seguimento ao brilhantismo patenteado por essa Europa fora. Hoje, ladeado pelo grande presidente PINTO DA COSTA, no Estádio do Dragão, VITOR BAÍA explicou que não foi uma decisão fácil, esta de pendurar as chuteiras. O agora responsável como Director das Relações Externas da FC Porto SAD pretende estar "à altura das responsabilidades do clube", proferiu, evidenciando alguma emoção na hora do adeus.
A partir de agora, Vitor Baía será o responsável pelas relações com as diversas entidades internacionais e pelo plano de relançamento da marca FC Porto.
Pinto da Costa sossegou os adeptos. Eles terão oportunidade de se despedir do seu ídolo num jogo a realizar no Estádio onde todos os sonhos se transformam em realidade. Assim sim, é um daqueles finais felizes, que fazem a delícia de quem acompanha a realidade portista.

10 de junho de 2007

Campeões!


A equipa do FC Porto de juniores sagrou-se hoje campeã nacional de futebol, no seu escalão, após a vitória por 1-0 frente ao Benfica. Bastou um golo de Tiago Silva, aos 80 minutos, para fazer explodir de alegria os milhares de adeptos que se deslocaram ao Centro de Estágio. Pinto da Costa, também a assistir à partida, viu o cruzamento teleguiado de Ukra, que permitiu a finalização vitoriosa do substituto de Fredson. Curiosamente, 2 minutos após o golo, Tiago Silva recebeu ordem de expulsão. Contudo, nem esta contrariedade impediu os Dragões de conquistarem o primeiro título do escalão de juniores, desde a época de 2000/01. Foi o 19º ceptro, no historial do FC Porto.


ps1: Percebem-se assim as indirectas de LF Vieira ontem, ao acusar o Porto de imitar o clube da Luz. E não é que o Orelhas tem razão? Senão atente-se: os juniores portistas imitaram os seniores de futebol, a equipa de andebol, a equipa de basquetebol e a de hóquei em patins. Denominador comum a todas elas: a facilidade em se desembaraçarem dos "vermelhos".
ps2: E quem é que imita quem, ó meu cabrão? O Porto contratou Del Neri e, num ápice, veio Trapattoni. O Porto optou pela escola holandesa, ao escolher Adriaanse e, numa resposta plagiada, veio o louro Koeman. Já sem falar da quantidade astronómica de jogadores que, após deixarem o clube azul e branco, são logo alvo da cobiça da águia. O Orelhas deita-se a pensar no Porto, dorme a pensar no Porto, tem pesadelos com o Porto e, como não consegue vencer nada, trata de atirar areia aos olhos dos apaniguados, criando pequenos fait-divers. Vai antes roubar pneus, que é o que sabes fazer na vida, ó camelo...

9 de junho de 2007

Novos equipamentos


"O FC Porto apresentará os novos equipamentos no dia 1 de Julho, no arranque da nova temporada, sabendo-se já que o branco será a cor alternativa. Depois de apostas tão variadas como o roxo, o azul-claro, o azul-escuro, o amarelo ou o laranja, umas comercialmente mais bem sucedidas que outras, os portistas optaram agora por um tom mais discreto para o segundo equipamento, que apresentará, ma parte de traz da gola, a pequena imagem de um dragão, em vermelho. O equipamento principal também sofrerá alterações, ainda que pouco significativas. De acordo com o desenho aprovado, as actuais listas azuis vão estreitar-se, aproximando-se de um modelo mais tradicional. A mudança de equipamentos é um hábito anual contratualizado com a Nike, numa iniciativa que visa ampliar as receitas. A data escolhida para o lançamento também não é inocente: Julho e Agosto são tradicionalmente, dois dos meses mais fortes nas vendas, capitalizando a presença maciça dos emigrantes. A rivalizar com esse período, só mesmo o Natal."
In "o Jogo", edição de 8 de Julho de 2007
É o marchandising a falar mais alto, com a necessidade de alterar os equipamentos, ano após ano. Pelas fotografias, o equipamento principal poucas alterações terá, mantendo o padrão original, com as tradicionais listas verticais. O equipamento alternativo, depois da profusão colorida que marcou os últimos anos, terá um look mais soft, com o branco a imperar. É esperar para ver, sabendo-se apenas que será com estas camisolas que o Porto irá vencer o tri.

7 de junho de 2007

Helton



Num justo prémio pela época realizada - excepção feita ao perú londrino - Helton integra o lote de 22 convocado da Selecção brasileira que irá participar na Copa América, de 26 de Junho a 15 de Julho, na Venezuela. Reconhecimento do trabalho efectuado no FC Porto e motivo de orgulho para todos aqueles que seguem a causa portista. Bem...todos se calhar não, atendendo às críticas injustas e injustificadas que Miguel Sousa Tavares lhe dirigiu num dos seus últimos artigos, publicado na "Bola".

4 de junho de 2007

Entrevista do Mister!


A actualidade portista foi hoje marcada por...não, não é por aquilo que estão a pensar. Não aterrou mais nenhum reforço no Aeroporto Sá Carneiro. A actualidade foi marcada pela entrevista do técnico do campeão nacional, Jesualdo Ferreira, ao jornal "O Jogo". Uma extensa entrevista, de sete páginas, onde o mister portista abre a alma e fala sobre tudo. Ou praticamente tudo...


Ser campeão

“A verdade é que as condições que encontrei no FC Porto e a felicidade que tive após últimos anos bons criaram essa possibilidade. Quase que direi que me vi obrigado a ser campeão. No Benfica não estavam criadas boas condições para poder ganhar. Nos últimos anos, o Benfica apenas ganhou uma vez o campeonato e passaram por lá bons treinadores. Fiz o que pude mas foi no FC Porto que encontrei as condições para ser campeão.”
”Não senti da parte de ninguém que o FC Porto não seria campeão. Sabíamos que o jogo com o Aves tinha corrido relativamente bem na 1.ª parte. Sentíamos alguma ansiedade que foi controlada com o golo, o golo do Aves não me pareceu que tenha perturbado a equipa. Foi apenas pedido ao intervalo, de grande intensidade, que jogassem bem e que confiassem nas suas capacidades.”


Heranças


”Todos sabem que a minha entrada no FC Porto não foi normal porque entrar a 4 dias do primeiro jogo no campeonato não é normal. Não é normal ter que ganhar sempre, no FC Porto é. Não é normal também a forma como a ruptura aconteceu entre o treinador e os jogadores. Encontrei um clima que não era de todo favorável. Entrei e em pouco tempo fiz um curso acelerado para conhecer tudo – não é fácil, a de ter que ganhar sempre. Ganhar não é fácil.”
”Herdei uma equipa que era do FC Porto, não era do senhor Adriaanse, seguramente com jogadores que terão sido escolha do senhor Adriaanse. 70% dos jogadores não são jogadores que tenham sido escolhidos pelo treinador, é uma situação normal. Vamos ser acima de tudo sérios na forma como abordamos as coisas. O que eu encontrei foi uma equipa campeã, que tinha feito um trajecto bom no ano anterior, uma equipa que tinha um modelo assegurado pelo seu.”
”Não é normal uma equipa fazer tantos jogos com 2 derrotas (Arsenal e Braga) num contexto de 20 jogos, 14 mais 6 jogos. Perdemos duas vezes em que os jogadores tiveram 4/6 semanas de trabalho em conjunto. Foram jogadores que foram capazes de apanhar com alguma facilidade o que se pretendia. O senhor Adriaanse fez um bom campeonato, ganhou a taça e fez uma má Champions. Era um treinador extremamente rigoroso e havia uma equipa de ataque, tudo o que fosse contrário a isto seria por baixo. A primeira volta foi melhor que a primeira volta do senhor Adriaanse, o sistema foi sempre posto em comparação, a verdade é que chegamos ao fim e marcamos mais golos que no tempo do senhor Adriaanse. O que foi mais importante foi termos passado a fase de grupos e discutir com o Chelsea até 10 minutos do fim passagem aos quartos-de-final. O FC Porto foi campeão, passou aos oitavos e num quadro de 2 anos foi duas vezes campeão, ganhou uma taça e foi aos oitavos de final da Champions, isso é que foi importante.”


Férias de Natal

”As férias que os jogadores tiveram foram menores que no ano anterior (tempo em que estiveram sem treinar). A diferença que existiu é que o calendário foi diferente. Para o FC Porto, até nos era favorável. Tínhamos um jogo com o Atlético que era o primeiro pós recomeço. O FC porto tinha jogo no dia 7, tinha o Aves a 14, voltava a ter taça, e este enquadramento, com 2 jogos em casa, seguia-se sequência até à Champions, a lógica estava correcta, o que não estava no programa era sermos eliminados pelo Atlético e a partir daí perdemos percurso. E nesse período Pepe, Lucho e Bruno Alves apresentaram algumas dificuldades e não participaram na Taça. Não ganhamos ao Atlético porque fomos incompetentes. O FC Porto não perdeu um jogo, perdeu uma competição que queríamos ganhar e retirou-nos a sequência normal de preparação que a equipa teria que ter.”
Arbitragens”A arbitragem de Leiria retirou-nos a possibilidade de ganhar aquele jogo, dificilmente as outras equipas poderiam chegar a nós. Há uma análise de um assistente que já tinha alguma coisa com o próprio Quaresma no passado e aconteceu um golo em cima do mesmo assistente onde não existiu qualquer falta (falta idêntica à do Fucile sobre o Simão que deu origem ao golo do Benfica, as tais faltas impensáveis). O que aconteceu em Leiria e na Luz, as únicas vezes que falei de arbitragem, é que não falei porque tivesse de justificar nada. Para investigar não é necessário que sejam dados recados de ninguém, tem a ver com a forma como o jogo foi apitado. Deviam ver aquele jogo, deviam investigar bem. De facto, durante muito tempo, e nós fomos aguentando… e quero recordar que na Luz, que era o jogo decisivo na perspectiva da comunicação social, o FC Porto levou com um amarelo aos 2 minutos Bruno Alves e o Simão aos 4 não foi punido. É muito fácil chegar ao jogo com o Sporting e dizer que o FC Porto perdeu porque o treinador foi incompetente. Limitei-me a fazer uma observação. No fim do jogo com o Benfica não falei de arbitragem, só disse que o golo do Benfica foi fora-de-jogo.”


Adversários e a época

”O Benfica e o Sporting acabaram 1.ª volta a 8 e 7 pontos do FC Porto, seis jornadas depois o Sporting chegou aqui com 9, ou seja, mesmo com o mau trabalho do FC Porto, o Sporting conseguiu fazer pior. E depois disso vocês, imprensa, criaram um novo campeonato, branquearam claramente a primeira volta do Benfica e as 22 jornadas do Sporting. Se formos observar com todo o rigor, o Benfica fez melhor campeonato do que o Sporting. Durante o tempo em que estivemos em primeiro lugar, era uma fatalidade o FC Porto ir à frente e os outros estarem tão distantes. O FC Porto na 2.ª volta foi colocado em níveis baixíssimos e o gáudio geral era ver o Chelsea esmagar o FC porto, foi uma coisa inacreditável a que pude assistir em termos de imprensa. A realidade foi que nós, FC Porto, tivemos alguns problemas decorrentes do que é o trajecto normal de uma equipa de futebol, tivemos algumas lesões de jogadores importantes que causaram problemas de táctica, e o FC Porto resistiu a tudo isto e a uma imprensa hostil durante todo o campeonato. Quando fomos à luz, a um ponto do Benfica, estava claro que o Benfica seria campeão e ganharia o jogo e de repente nós empatamos e ficamos a 1 pontos do Benfica e 4 do Sporting e a imprensa disse, pronto, o FC Porto é campeão. É um processo digamos de lavagem cerebral, era tão perceptível… Parece que o campeonato só teve 7 jornadas.”


O colo do FC Porto

”O que sinto é quem leva ao colo o FC Porto são os seus adeptos, é a sua organização. O colo do FC Porto é a sua própria estrutura, são os seus adeptos. Esse é o colo. O exterior não tem colo para o FC Porto.”


Baía

”O Vítor Baía estava numa situação que não é fácil, quem não tem alguns anos de balneário talvez não possa verificar na sua amplitude o que é ter um jogador como ele no banco e o que é que esse jogador sente naquela posição. Por essas razões é que entendi na chegada ao FC Porto que havia uma equipa que tinha um balneário com 4 capitães e entendi que não tinha de mexer em nada, apenas o Lucho com 1 ano de Porto participava, os outros não… Não é uma situação normal. O que o Vítor Baía fez foi o papel de jogador e capitão de equipa e isso ele assumiu, durante muito tempo de uma forma que fazia parte da estratégia de envolver o FCPorto em situações menos correctas, de amolecimento, de intrigas, de boca, daquilo que é normal fazermos em Portugal. Falou-se que era adjunto, depois principal, depois ele é que mandava. A mim não me tocou minimamente, ele sabia que aquilo não era verdade, todo o plantel também. O Vítor Baía tinha o seu papel, e bem, era um jogador que treinava, e bem, e que tinha as atribuições de capitão que tinha naturalmente e que eu reforcei ainda mais porque entendi que era um jogador importante. O Vítor Baía marcou uma época no FC Porto, foi importante durante muito tempo enquanto jogador e este ano era jogador que não jogava mas foi sempre de uma postura irrepreensível, direi mesmo que dificilmente encontraria um jogador capaz de enfrentar assim uma situação destas.”


Imprensa


”O FC Porto foi hostilizado pela imprensa e pelas empresas que gerem a comunicação social. Revelaram a determinado momento um gáudio muito grande que me enojou. O que se pretendeu dizer foi que o FC Porto ficou sem liderança. Não é verdade. Falei o que falaria se houvesse mais alguém a falar. O que estavam habituados era que houvesse outras vozes.”


Apito Dourado


”O apito dourado não mexeu com a liderança, é que o FC Porto foi campeão mesmo sem apitos dourados. É estranho entregar o apito dourado ao Norte e ao FC Porto, mais ninguém está envolvido? A conotação com o FC Porto e o Boavista é uma forma de alterar o circuito. É essa a estratégia e deixaram a equipa entregue ao treinador e às suas competências e aos jogadores, portanto, o apito dourado não teve consequências e o FC Porto foi campeão e isto custa até para o próprio processo. O FC Porto ganhou o campeonato em pleno julgamento do apito dourado, o que deu um gozo muito grande ao presidente. Custa o FC porto ganhar, entendo agora porque é que custa. Era perceptível quando estava fora porque ganhava o FC Porto e não era por causa do apito dourado, era porque era melhor.”

Bebés chorões!


Atentem na seguinte pérola:

"A confiança estava lá e quando o treinador nos dá confiança é mais fácil marcar. No Porto não marcava porque o mister decidiu deixar-me no banco. É impossível marcar golos no banco". Postiga, após o final do jogo da Selecção na Bélgica.


Parece ter-se tornado moda, nos últimos tempos, a crítica sem quartel a Jesualdo. Confesso que me provoca alguma confusão que jogadores, principescamente pagos, ao serviço da uma entidade patronal, não se coibam de publicamente criticar o "chefe", neste caso personificado pelo treinador portista. Já não bastavam os bébes chorões brasileiros (Ibson e Bruno Moraes), escudados em pais empresários, agora também Postiga, dando ideia de que algo não vai bem nos domínios do Dragão. O mal-estar, latente durante grande parte da época, mas mesmo assim perceptível em episódios regulares - Bosingwa e supostamente Paulo Assunção, em Paços de Ferreira - parece agora estilhaçado, em alturas do defeso, provavelmente alimentado por empresários sem escrúpulos.
Estranho é que, até agora, a única voz a fazer a defesa e apologia dos métodos de Jesualdo, foi Vitor Baía. Quanto aos insatisfeitos, quanto a mim, têm bom remédio: desaparecem da vista e vão auferir o ordenadinho para outro lado, já que estão tão descontentes. Com Mourinho, a situação de Postiga era facilmente resolvida. Umas belas semanas na equipa B e aposto que a humildade rapidamente se sobreporia às pretensões de protagonismo individual.

1 de junho de 2007

Época 2007/08


Antes que se vendam mais dois ou três dos jogadores nucleares, e o artigo fique desactualizado, importa começar a pensar em 2007/08, a época de novo ataque ao tri, que ficará mais difícil, digam o que quiserem, com a saída de Anderson. Com Jesualdo Ferreira no banco, como é que será a constituição do plantel?


Guarda-redes: Helton é indiscutível. Ponto. Os outros serão apenas e só para fazer número. Com a anunciada saída de Baía para outras funções, ficará Paulo Ribeiro e um 3º, que para mim seria Ventura. Assim como assim, não é para jogar mesmo, aposta-se na prata da casa e dá-se algum traquejo ao míudo. Composição: Helton, Paulo Ribeiro e Ventura.

Defesa: Indiscutíveis Pepe, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Bosingwa, Fucile e Cech. Fica Lino e saíam, quanto a mim, Ricardo Costa (e já vais tarde), Mareque (espero que tenhas gostado do clima) e João Paulo (atraiçoado pelas lesões, pois acho-o bom jogador). Fica a faltar um central. Sugestões? Eu apostava em Rolando ou Nivaldo, ambos do Belenenses. A SAD, só para chatear, há-de ir buscar o Devic ao despromovido Beira-Mar. Composição: Bosingwa, Fucile, Pepe, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Lino, Cech e outro central.

Meio-Campo: Muitos galos para poucos poleiros. Gosto de Andres Madrid e Kaz e acredito que ambos teriam condições para jogar no FCP. Mas, onde? É que temos Paulo Assunção, Lucho, Raul Meireles e Ibson. E é uma pena, quanto a mim, desperdiçar o talento de Ibson que, apesar das notórias oscilações de Lucho, nunca chegou a ser opção por parte de Jesualdo. Castro, ao que tudo indica, fará parte do plantel. Paulo Machado, pelos vistos, será novamente usado como moeda de troca. E quem para o lugar de Anderson? Um jogador de características idênticas, ou opta-se por dotar o meio campo de maior consistência física? E o que fazer a Jorginho, que nunca se impôs no plantel portista? Composição: Paulo Assunção, Raul Meireles, Lucho e mais alguns, a escolher do leque de opções internas.

Ataque: Para as alas, nada melhor do que comprar uma via verde, dar guia de marcha e desejar boa viagem ao Alan. Quaresma e Lizandro, apesar de algumas oscilações, são indiscutíveis, podendo promover-se o regresso de Helder Barbosa. E o que fazer com Vieirinha, que tanto prometeu na última pré-temporada, para depois se eclipsar? Também se poderá encaixar o sevilhano Duda na equipa, parecendo-me uma excelente opção. Adriano e Postiga parecem-me intocáveis e, se pagamos 1,5 milhões pelo Mareque em Janeiro e o despachamos agora, convêm não fazer o mesmo com Renteria. Eu sei, também torço o nariz ao tipo, mas quem sabe, até pode ser que nos dê algumas surpresas (positivas). Bruno Moraes poucas condições terá de ficar, após as últimas declarações, claramente a forçar a saída. Precisavamos de mais um. Aceitam-se sugestões. Sem a opção for apenas e só interna, talvez Linz, adaptado ao campeonato português. Não temos, logicamente, a obrigação de vencer a Champions, mas se queremos vincar, de forma assídua, uma presença consistente na Europa, então temos que optar por um grande nome. E aqui pode encaixar Louis Saha. O problema é a motivação e provavelmente o ordenado obsceno que o francês aufere. Motivação nula, por mudar do mais excitante campeonato mundial para a Superliga, apesar do bónus de disputar a Champions. Numa aposta mais arrojada, pela idade do atleta, porque não Pauleta? Num contrato por objectivos, por uma época?

Importante: Nunca, em circunstância alguma, contratar, só para chatear os rivais, Carlos Martins (cruz credo) ou Miccoli (pequeno por pequeno, prefiro o Rui Barros que é mais magro).


Agora agradecia a vossa participação, numa salutar troca de ideias. Fico a aguardar...

20 de maio de 2007

Bicampeões

1. Ufaaaaaa! Deixem-me, antes de mais, suspirar profundamente de alívio. É um peso que desaparece, depois de uma maratona de 30 jornadas, sempre no comando. Já se sabia, pelos últimos resultados e exibições, que a equipa estava em quebra. As razões deverão ser dissecadas, mas mais tarde. Agora, é tempo de festa! Da genuína, daquelas que mostram que ser do Porto é mais do que pertencer a um clube. Mas que raio de sofrimento foi este, meus caros. Durante todo o dia. Ansioso, irritadiço, esperando pelas 19.15 horas. E o raio do relógio que não havia meio de avançar. O tempo de espera faz a imaginação disparar. "E se eles marcam primeiro?", pensava, incapaz de afastar estes temores que me assolavam cada vez mais. Finalmente, numa tarde que parecia interminável, resolvi aplacar algum do nervosismo. Sentei-me confortavelmente no sofá, liguei a net, fui ao youtube, e comecei a ver vídeos. Do Porto, claro. Recordei 1987, com o golo de Juary que me fez vibrar intensamente. Dei uma saltada a Sevilha (faz amanhã 4 anos que vencemos a UEFA) e passei por Gelsenkirchen. Tive tempo ainda de fazer coro, com os cânticos dos SuperDragões. Fez-me passar o nervosismo? Não, mas acentuou a importância de ser portista, de pertencer a este clube, de sofrer por estas cores, das razões históricas que nos fazem resistir, como se saídos da pena de Goscinny, o criador de Asterix. Não é uma comparação descabida. Tal como esses irredutíveis gauleses, também o Porto vive cercado pelo inimigo. Soa algo beligerante, mas é a pura realidade. Não tememos ninguém, muitas vezes lutamos com armas desiguais, mas julgo que é isso que nos molda, que nos faz ser diferentes. SER PORTISTAS! Um orgulho incomparável...

2. Para não variar, a jornada não começou bem. Como habitualmente, o golo madrugador do Sporting, que aos 20' já tinha resolvido o encontro. E o Porto que entrou tão mal. Nervoso, incapaz de segurar a bola, permitindo veleidades proibidas a um Aves, faça-lhes justiça, que lutou orgulhosamente pelo melhor resultado. Dois calafrios, uma pressão pouco acentuada e a ausência de oportunidades de golo aumentaram os níveis de ansiedade para limites pouco aconselháveis. Até que, saído dos pés mágicos de Quaresma, um cruzamento milimétrico para a cabeça de Adriano. "Já está!", exclamei, berrando com o meu filho ao colo. "Agora acalmamos e vamos sentenciar antes do intervalo", comentei para a minha esposa, imbuído de fé. Sol de pouca dura...



3. O argumento desta Superliga parece ter sido escrito por um qualquer talentoso argumentista de Hollywood, capaz de aliar a acção a um suspense extremo. Golo do Aves, autêntico balde gelado na euforia reinante nas bancadas. E o Porto abúlico, incapaz de reagir. Prostrado no sofá, amaldiçoava a sorte, como se ela fosse a culpada de tudo. Intervalo. Tempo para carregar baterias. Porra, estava mesmo nervoso.

4. Início da segunda parte e, como num pase de mágica, tudo resolvido em 3 minutos. Primeiro Lizandro, com a sua entrega habitual, a conseguir espaço para um remate letal. Quase nem deu tempo para comemorar. Canto e auto-golo de Jorge Ribeiro. 3-1 e os temores a desaparecerem, dando lugar a uma alegria incontrolável. Senti que estava ganho. O 22º da nossa rica história. O tão desejado bicampeonato. E, para terminar com chave de ouro, a oportunidade de consagrar um símbolo da casa, um atleta brilhante, um verdadeiro DRAGÃO: Vitor Baía! 700 jogos no maior escalão do futebol luso, 1o campeonatos vencidos, 31 títulos no total, que o tornam o mais galardoado a nível nacional. Uma despedida? Saber-se-á brevemente mas, por tudo o que nos fez viver, só me resta dizer um singelo OBRIGADO VITOR. Continuas a ser o maior de todos...

Hoje não é altura de escalpelizar a exibição, nem de destacar ninguém. Hoje é dia de festa, de comemoração. Hoje, foram todos autênticos heróis. Vencemos, e isso basta...

CAMPEÕES, CAMPEÕES, NÓS SOMOS CAMPEÕES!