LIGA - 17.ª JORNADA
SPORTING, 2-FC PORTO, 0
Estádio Alvalade, Lisboa
Hora: 20:00
Árbitro: Carlos Xistra (Castelo Branco)
FC PORTO: Helton; Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Fucile; Paulo Assunção, Lucho González, Marek Cech(Farias) e Raul Meireles (M.Gonzalez); Lisandro López e Ricardo Quaresma (H.Barbosa)
Treinador: Jesualdo Ferreira
Suplentes: Nuno, Stepanov, Mariano, Bolatti, Farías, Hélder Barbosa e Adriano
Título afrancesado? Porquê, perguntarão alguns. Ora, porque me apetece, porque estou fod**o, porque detesto perder e, tenho que confessar, sempre odiei o professor Pardal, essa personagem mítica da BD [ou gibi, como dizem os brasileiros], inventor a tempo inteiro.
Não consigo ver futebol de outra forma. Aliás, existe outra forma?
Os 14 pontos de avanço não são suficientes, nesta altura, para me tirar o travo amargo da boca. Há quem confunda isto com azia. Não é. Detesto perder. Seja com 1 de avanço, ou com 15, mas o sabor daí resultante é, podem crer, amargo. Não sou daqueles que acha que o campeonato se encontra definitivamente fechado. Não está. E é bom que, para além de mim, alguém naquele plantel pense da mesma forma.
Não está em causa, sequer, a diferença qualitativa dos portistas para os seus mais directos adversários. Algo estranho de se dizer, logo após uma derrora com um dos eternos rivais, calcorreando as ruas da amargura, por esta altura. Mas é a mais pura verdade, indesmentível e atestada no quase imaculado percurso que os Dragões têm feito, intra-muros.
Digo isto, sem pudor, por achar a 2ª volta do Porto terrivelmente complicada, com um sem número de saídas de alto risco. Se aliarmos ao valor dos opositores que nos caberão em conta, essa tendência inata para o desperdício de golos inacreditáveis, a margem pontual pode sofrer alguma redução. Adicione-se a pressão indesejável já colocada nos ombros dos homens do apito, com o ressuscitamento das declarações de sempre do Orelhas [finalmente passou-lhe a azia provocada pela trivela] e temos um belo caldo morno, pronto a ser servido a preceito. Preparem-se porque isto ainda não acabou.
Quanto ao jogo de hoje, sinceramente, não me apetece tecer grandes considerações. Foi mais do mesmo. E isso cansa. Farto-me das invenções, em jogos de grau de dificuldade elevado. Chateia-me solenemente a disparidade entre o discurso técnico agressivo e atacante e a postura de contenção que a equipa apresenta.
E, no meio disto tudo, o que mais me chateia ainda é este repisar, minha imagem de marca, que após uma derrota disseca vezes sem conta as oportunidades desperdiçadas ingloriamente, que poderiam dar um rumo diferente à partida. Voltas e voltas na cama, amargurado não pela derrota, mas pela forma como ela apareceu. Evitável.
Foram tantas. Tão flagrantes. Hoje, logo aos 28 segundos de jogo, viu-se que os deuses da fortuna nos tinham virado as costas. Lucho, magistralmente isolado, remata ao lado. Não foi necessário esperar muito mais, para ver o perigo a rondar a área leonina. Golo [bem] anulado a Lisandro, num cabeceamento imparável do argentino, aos 10', e menos de um minuto depois, novamente Lucho, numa excelente combinação com o compatriota das pampas, a desperdiçar um soberano ensejo de visar com êxito a baliza de Rui Patrício.
Lá diz o ditado, tornado lugar-comum, que quem não marca sofre. O Porto sentiu isso na pele. Em duplicado. Castigo atroz e injusto, penalizando os Dragões em dois lances fortuitos, com a defensiva portista a ficar mal na fotografia, em ambas as ocasiões. Helton, que se tinha cotado com algumas intervenções decisivas nas últimas partidas dos azuis e brancos, aparecerá como principal réu, no golo inaugural, deixando a bola passar pelo meio das pernas.
Os Dragões sentiram o toque. Abanaram, mas nem por isso deixaram de comandar a partida, com o beneplácito do adversário, mais preocupado em suster a previsível reacção portista. Mas esta surgiu apenas pós-intervalo. Jesualdo, sem nada a perder, substitui Cech, metendo na partida o avançado argentino Farías.
E, cá por casa, as imprecações aumentaram de volume, ao ver a forma inacreditável como a bola se recusava a perfurar as redes do Sporting. Atentem nestes lances:
54' - Excelente passe de Paulo Assunção a servir Lucho na área leonina, com o argentino, sem oposição, a cabecear ao lado do poste direito.
57' - Excelente jogada dos dragões, com Fucile a cruzar da esquerda e Farías a rematar para Polga evitar o golo sobre a linha.
58' - Farías novamente em evidência, agora a cabecear à trave da baliza de Rui Patrício após centro da esquerda.
66' - Falhanço incrível de Lucho, que surgia completamente à vontade no coração da área após assistência de Lisandro da direita. A bola sai ao lado do poste direito da baliza de Patrício.
72' - Lisandro remata, de pé esquerdo, ao lado do poste direito após centro de Quaresma da esquerda.
82' - Lisandro remata em jeito após jogada de Lucho, mas a bola sai ao lado do poste esquerdo.
Decididamente, nada mais se poderia fazer. Derrota justa? Atendendo ao número de oportunidades criadas pelos Dragões e à personalidade demonstrada, até ao golo inaugural, apetecia-me gritar um rotunda NÃO. Apetecia, mas não o faço.
Foram 45 minutos de avanço dados aos leões receosos, em nova invenção que, como sempre, em nada beneficiou a equipa. Mordo a língua, neste momento, para não alongar a dissertação sobre o que tolhe o técnico azul e branco, em jogos deste calibre. Seria caso para uma tese, se eu tivesse tempo. Haverá quem faça a apologia do 4-4-2, quem teça loas à forma como os Dragões se assenhorearam do controlo da partida mas, quanto a mim, o habitual 4-3-3, com Farías na frente, seria o indicado. Será sempre mais fácil dizê-lo agora, no final, é certo, mas parece-me algo consensual que é nesse sistema de jogo que o Porto explana melhor as suas virtudes.
nota: Espantoso também como alguns fora-de-jogo são vistos ao longe, entusiasticamente marcados, e outros [2º golo do Sporting] rapidamente desculpados pelos tarefeiros de serviço. Mais do mesmo, numa situação que, aposto, não será motivo de polémica nem grandes parangonas nos jornais. Nem essa, nem o empurrão nada inocente de Ronny a Quaresma, dentro da área leonina. E aí é que está o busílis da questão. Não foi inocente, e a premeditação será, com o aproximar do final da Superliga, mais despudorada. Não tenham dúvidas. Vai valer tudo. Hoje, o Xist[r]ema no seu melhor!