Mostrar mensagens com a etiqueta Bwin Liga 07/08. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bwin Liga 07/08. Mostrar todas as mensagens

10 de maio de 2008

O de sempre...

Bwin Liga, 30.ª jornada

Estádio José Bento Pessoa, na Figueira da Foz.

Naval, o - Porto, 2

[farías, os 2]

Hora: 19.45

Árbitro: Marco Ferreira (Madeira)

FC PORTO:Ventura; Fucile, Stepanov, João Paulo e Lino; Bolatti, Kazmierczak e Mariano Gonzalez; Tarik, Farías e Adriano.
Suplentes: Nuno, Pedro Emanuel, Cech, André Pinto, Paulo Assunção, Castro e Hélder Barbosa.

Treinador: Jesualdo Ferreira

O Porto é como o algodão. Raramente engana. Hoje, na ventosa cidade costeira da Figueira, o desaire caseiro perante o Nacional foi rectificado. Com eficiência. Mostrando que a qualidade azul e branca não se esgota no onze geralmente titular.


Confesso que gosto destes jogos a "feijões". Acompanhados sem pressão, no doce torpor que o sofá causa num corpo cansado, os 90 minutos nunca se esgotam nas peripécias dentro do relvado. Sobretudo se o jogo for televisionado na TVI. Imagem de marca a marcação cerrada de JM Delgado, acérrimo inimigo do emblemado Dragão, incapaz de viver longe do seu ódio de estimação. E assim, os jogos ganham outra dimensão. Num registo que se divide entre o trágico/cómico. Adoro vê-los assim. Aos nossos detractores. Vestindo aquela fina camada de pseudo-jornalistas imparciais, mas facilmente perceptível que lá no fundo, no âmago, são corroídos pela bílis. E como geralmente o Porto cumpre com o seu código genético, vencendo sistematicamente, chega a ser confrangedor assistir às tentativas de explicações técnicas com que aquelas mentes doentias debitam, como paliativo à própria frustração...


Não haverá muito a dizer do jogo que colocou um ponto final da Superliga 2007/08. Agradável de seguir, sem grandes espartilhos tácticos, numa toada de parada e resposta, com a evidente falta de sincronização do onze escalado por Jesualdo a equilibrar a contenda.


Apesar de mais perigosos, os navalistas foram surpreendidos pela eficácia portista, tremendamente eficazes, resolvendo o jogo em aenas 4 minutos, quando os ponteiros caminhavam vagarosamente para o intervalo. Dois golos de rajada de "Tecla" Farías sentenciaram a partida, premiando o labor dos atletas portistas...


Nos azuis e brancos destaca-se o prémio oferecido pelo treinador portista ao jovem Ventura, estreando-se com uma exibição segura na guarda das redes do tricampeão. O 3º guardião da Invicta não tremeu, na altura das responsabilidades, mantendo uma postura sóbria e atenta ao longo do encontro...


Gostei também do esforço denodado de Adriano, sempre muito activo e, claro, de alguns rasgos de génio de Tarik, fulgurante nas suas arrancadas, oferecendo um golo de bandeja ao argentino Farías. Este, novamente reconciliado com as redes contrárias, mostrou os seus dotes de goleador, com a codícia a iniciar-se num perfeito golpe de cabeça, após cruzamento de Adriano...


Na segunda metade, novo bónus de Jesualdo, dando minutos a Helder Barbosa e a Castro, promessa do clube, com indicações excelentes dadas na Taça Intercalar...


Fecha-se o pano sobre uma edição da Superliga onde o domínio portista foi avassalador, obtendo uma margem pontual obscenamente grande sobre os patéticos rivais do sul. Para o ano há mais e, como alguns não vão ter a "mama" de começarem com pontos de avanço, lá terão que gramar connosco, a caminho do TETRA!

3 de maio de 2008

Descompressão Nacional...

Bwin Liga, 29.ª jornada
Porto, o - Nacional, 3
[fábio coentrão, por 2 vezes; juninho]

Estádio do Dragão, Porto

Hora: 19:30
Árbitro: Paulo Paraty (Porto)

FC PORTO: Helton; Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Lino; Paulo Assunção e Raul Meireles; Mariano Gonzalez, Lucho Gonzalez e Quaresma; Lisando López.
Suplentes: Ventura, Fucile, Stepanov, Bolatti, Adriano, Farías e Tarik.
Treinador: Jesualdo Ferreira

Numa semana em que o País regressou à normalidade, com os moralistas bacocos a não se preocuparem, desta feita, com a equipa apresentada por Jesualdo, os madeirenses do Nacional voltaram a pregar uma partida no Dragão...

Os comandados de Jokanovic conseguiram uma proeza que merece ser salientada. Numa época em que os Dragões foram donos e senhores do campeonato nacional, dominando a prova a seu bel-prazer, os madeirenses venceram os azuis e brancos...por duas vezes.

Se na visita à Madeira, esse feudo "democrático" de Alberto João Jardim, os portistas efectuaram uma primeira parte longe dos pergaminhos do clube, podendo queixar-se dos ferros da baliza adversária, na segunda metade, e de um penalty do tamanho dos Clérigos, por assinalar, desta feita a culpa pode ser apontada à...descompressão.

Foi um Porto atípico aquele que hoje pisou, pela última vez, o relvado do Dragão. Abúlico, desconcentrado, pouco pressionante, concedendo espaços aos velozes opositores, mostrando um lado até agora desconhecido...

Compreendo a descompressão, sendo esta mais psicológica do que um voluntário "levantar o pé". Uma diferença de qualidade abissal para os mais directos adversários, uma margem pontual obscena e um título vencido com justiça, de forma antecipada, retiraram aos Dragões a motivação necessária para encarar estas últimas partidas...

Foi pena. Uma carreira caseira praticamente imaculada, apenas com um mísero golo sofrido, que teve hoje um epílogo inesperado, ao género do "twist" tão em voga nos filmes americanos...

Se no género cinematográfico a surpresa, o tal "twist" ou reviravolta, acontece sempre nos minutos finais, no bem cuidado relvado do Porto ela começou a ganhar forma bem cedo. O Nacional, jogando numa toada de contra-ataque, soube sempre tornear a defensiva portista, lançando o pânico em investidas velozes, tecnicamente irrepreensíveis.

Foi um justo vencedor. Dois golos de belo efeito, ambos na primeira parte, concretizados por uma jovem promessa portuguesa, fizeram adivinhar o descalabro no resultado. A segunda metade mostrou um Porto esforçado mas claramente desinspirado, pouco letal na finalização, não conseguindo marcar o golo que, possivelmente, catapultaria a equipa para um forcing final...

Uma triste despedida da Superliga, nos jogos na Invicta, mas sabendo também que, apesar do travo amargo da derrota, esta surgiu na altura certa. Quando não podia fazer mossa na classificação.

29 de abril de 2008

Uma mão...que não embala o Berço!

A visão do jogo de Guimarães, pela pena do inevitável Bruno Rocha, com direito a título cinéfilo e tudo...

" E tudo o Dragão conquistou…poderia até começar assim o esmiuçar da partida no Afonso Henriques, já lá vamos. Um Porto em versão económica, atiravam uns, Dragão beneplácito clamavam outros, Azul sério defendia em alto som o líder dos Dragões.

Imprevisível, depois da semana especulativa e da Ode a santa aliança entre Vimaranenses e Dragões, este FCPorto foi um hino a seriedade, uma prova cabal do profissionalismo que habita a génese das cores campeãs nacionais.

Imbuídos da mentalidade e da seriedade competitiva, Jesualdo apresentou uma equipa onde não abrindo mão da matriz de jogo Azul e branca passeou classe e os números ate podiam ser outros. Sem 4 dos habituais titulares e onde todos os sectores foram tocados pela teoria da rotatividade, assistiu-se a uns 45m iniciais foram incipientes sem gosto pelo risco onde, entraram melhor os Portistas, prontamente postos em sentido com a boa resposta dos comandados de Cajuda, maior domínio das acções do jogo, mais posse de bola, mais cantos conquistados, maior nota de perigo em lances junto a área de Helton, ainda que sempre debaixo do domínio consentido por parte dos da cidade invicta.

Efervesciam as bancadas, os vitorianos tentavam lançar mão das suas habituais manobras ofensivas com Alan elevado a expoente máximo do futebol dos da cidade berço, Ghilas a tentar usar da sua criatividade para irromper no último reduto dos forasteiros e onde Miljan era o farol dos cruzamentos, vivia deste expediente a equipa anfitriã para sobressaltar os pupilos de Jesualdo.

Com Bruno Alves a capitanear e a ser o ancoradouro de toda a manobra do futebol azul e branco, emancipava-se outra figura por esta altura no jogo, Mariano Gonzalez, corria e fazia da abnegação o espelho da exibição portista…trabalho era a palavra de ordem, com Lisandro sempre no seu tom, pertencia-lhe o único remate digno desse nome no 1º tempo a baliza de Nilson. Com a defensiva azul a chegar para as encomendas, apesar de alguns erros de apreciação e abordagem aos lances por parte de Stepanov, o que mais se notava era o jogo pastoso e parco em transições onde Bollati não fazia esquecer Lucho nem dava margem de manobra a Raúl Meireles, disso se ressentindo o poder de fogo e ofensividade do futebol portista.

Ao intervalo o nulo era uma espécie de pacto de não agressão mas que servia apenas interesses terceiros, os da casa não aceleravam, tímidos e previsíveis sem assumir o jogo e sem grandes riscos jogavam com sentido no golo. O mister dos Tricampeões no regresso dos balneários voltava a mexer no sector intermediário conferindo agora novo figurino ao tridente, explanava-se agora no relvado um 4*4*2 com Quaresma aparecer mais solto na frente de ataque em cunha com Licha Lopez, dava sinais de poder explodir para um grande fim de tarde, Lino continuava a obstar as subidas de Andrezinho e seus pares, Desmarets procurava o remate de longe, mas era agora o Porto a muscular forças no meio campo com Kaz a dar também centímetros ao espaço aéreo.

Bola cá, ataque lá, e foi pelo espaço aéreo que o Castelo começou a ruir, falta cobrada na direito do ataque azul e branco com Bruno Alves aparecer e antecipar-se no 1º poste ao seu marcador directo e a conferir o 1 tento. Murro no estômago dos milhares de adeptos dos da casa, a primeira batalha estava ganha, mas estava longe o fim da guerra para com a falta de respeito, não sucumbiram as vozes vitorianas emanadas das bancadas, mas era agora mais gélida a torrente de apoio ao invés aquecia a luta pelo 2º lugar milionário. O FCPorto assenhoreava-se do jogo e começava a desferir estocadas de morte na muralha vimaranense e quando Harry Potter se desenvencilhou na esquerda e bateu em arco ao poste mais distante fazendo o 2º golo portista, uma preciosidade só ao alcance dos predestinados, golo digno dos compêndios da bola bem ao jeito do seu autor, ninguém percebeu que a derrocada estava iminente. Quaresma abriu o livro, estava endiabrado, egoísta como é seu timbre puxava a si as despesas de finalização e bisava na partida ficava demonstrada a crença nas suas virtudes, (enorme a disponibilidade física e roubo de bola de Mariano no inicio do lance).

O técnico dos conquistadores com 20m para o final não atirou a toalha ao chão, abriu o jogo aos flancos retirou unidades da zona tampão do seu futebol, mas as oportunidades seguiam-se em catadupa na baliza de Nilson que por esta altura era um gigante obstando ao avolumar do placard, as restantes trocas fizeram perigar ainda mais o parco balanço defensivo vimaranense Já com Adriano em campo por troca com o artilheiro das pampas passava o Brasileiro a ser o aríete apontado as redes, ameaçou por 2 vezes assistiu de calcanhar Farias para o 4 golo portista e viria a ter o retorno da benesse com a inversão de papéis, recolhendo um passe açucarado e conferindo o encerrar da contenda com o seu 1º golo no campeonato e o 5 nas contas finais.

Para quem pensava na retórica de “Vamos todos dar as Mãos” bem ao jeito das canções de intervenção de um Abril revolucionário, pois bem os Dragões não foram em cantigas e aplicaram chapa 5 que tem apenas o condão de embalar os ensejos e ambições dos rivais da capital pelo acesso a liga milionária. No dia em que jogaram líder e vice-líder ficou a insofismável certeza quando alguém pede uma mão este campeão é de mão cheia, depois da meia dúzia que carimbaram a certeza do Tri, um golo por cada ponto que nos ameaçam retirar no âmbito do Apito Dourado, desta feita um golo por cada dedo da mão que outros temiam ser a mão que embalaria os de Guimarães para uma Europa.

Deste jogo ficam ainda alguns aspectos prementes e dignos de realce, Helton parece caminhar de encontro as melhores exibições, hoje foi gigante e respondeu com competência, assinando alguns momentos de grande valia na defesa das suas redes. Mariano Gonzalez, o Presidente Azul e branco apareceu esta semana a terreiro falando na possibilidade de compra do passe do Argentino, sem ter provado ainda tudo aquilo de quem vem rotulado, parece-me que a sua polivalência, alicerçada numa pré-época de Dragão ao peito e ainda nos vai dar um jeitaço, hoje foi um dos melhores em campo, espero só que não esteja a jogar para o contrato. Lino aquele que pensei ir ser o elo mais fraco na partida de hoje, cotou-se em bom plano tendo ainda tempo para cobrar a falta que esta na origem do 1º golo, pendular a defender participou a preceito em algumas manobras ofensivas do ataque portista.

Pela negativa Bollati e Stepanov, o primeiro nem foi carne nem foi peixe, passou pelo jogo tal e qual o jogo passou por ele, depois de vir rotulado de craque e apesar das poucas oportunidade prefiro Paulo Assunção só com uma perna que este Argentino com as duas, o Sérvio alterna o poder físico e jogo aéreo com entradas a destempo e de pouca construção, fazia-lhe bem ver uns vídeos de Bruno Alves transformado aos dias de hoje num central de excelência internacional. Quem sabe Jesualdo não o transformará num grande activo da SAD portista, mas de momento não me convence, dará um bom par de jarras com Rolando."

Bruno Rocha

27 de abril de 2008

Os Campeões são assim...

Bwin Liga, 28.ª jornada

Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães

Hora: 18:00
Árbitro: Paulo Costa (Porto)

Guimarães, 0 - Porto, 5
[bruno alves, quaresma(2), farias, adriano]

FC PORTO: Helton, Fucile, Stepanov, Bruno Alves e Lino; Paulo Assunção, Bolatti e Raul Meireles; Mariano, Quaresma e Lisandro
Suplentes: Nuno, João Paulo, Pedro Emanuel, Kazmierczak, Adriano, Farías e Hélder Barbosa
Treinador: Jesualdo Ferreira

...respeitam a camisola que envergam. São profissionais. Orgulham-se do Dragão que trazem ao peito. E não fogem ao ADN, onde está escrito a vontade indómita de vencer. Sempre...

O Guimarães teve azar. Todos têm. Hoje foi a vez deles. Não sei se reconfortados pelos mesquinhos que habitam neste cantinho à beira mar plantado, os jogadores vimaranenses poderiam pressupor que o jogo seria fácil. Até, vejam bem, nem jogava o Lucho. Nem o Tarik. Ou o Bosingwa.

Os raivosos de serviço nos me[r]dia escreviam, frustrados, contra este aparente alheamento de Jesualdo na questão da luta pelo 2º lugar. Os pobres de espírito teciam conjecturas mirabolantes, mais parecendo verdadeiras paranóias de conspiração...

Só que ninguém, aparentemente, contou com o mais óbvio. Informar o convidado disso tudo. E o convidado fez aquilo que, em 99% dos casos, faz. Jogou para ganhar. Fê-lo justamente. Com qualidade. Sem grandes sobressaltos. E o País respirou de alívio.

Momento burlesco 1: Um País inteiro, parado à hora do jogo, fervorosamente ansiando pela vitória da equipa de azul e branco. Quase que chegou a ser comovente...

Momento burlesco 2: Está escrito, na edição online do Record:
"62' - Lance polémico na área do FC Porto: os jogadores e adeptos vimaranenses reclamam a marcação de um penálti por mão na bola de Bolatti. O jogador argentino parece, efectivamente, ter desviado a trajectória da bola, mas Paulo Costa nada assinalou."

O lance, de fácil percepção: Cruzamento da direita, o argentino do Porto a saltar, procurando estorvar a acção, com as mãos visivelmente atrás das costas. A cabeça virada para o lado oposto aquele onde se encontrava o autor do cruzamento. A bola a bater casualmente na mão de Bolatti. E, a não ser que o louro compatriota de Lucho e Lisandro possua um sentido extrasensorial que lhe permitisse ver o que se passa nas suas costas, o lance foi bem analisado pela arbitragem. Mas é bom sabermos que existem coisas imutáveis. Como o ódio da escumalha que escreve nesse pasquim...

Não escrevo mais nada. E até podia. Muito para escrever. Mas não. Sinto-me pesaroso. Bastante. E não, não queria que o Porto vencesse. Isso que fique bem frisado. Mas, por outro lado, gostei. Da bofetada de luva branca. Dada por Jesualdo e sus muchachos. Doeu, não doeu?

21 de abril de 2008

Lisandro marcou...ao Dragão foi quanto bastou!

A visão de Bruno Rocha do clássico de Domingo...

"Depois de semanas entretido na futurologia do perspectivar das partidas do emblema Tricampeão, volto esta semana ao vosso convívio na qualidade de comentadeiro bloguista e logo na ressaca do último grande clássico desta Bwin. Bem sei que haverá quem personifique para a próxima jornada novo clássico e até lhe confira a denominação de derby minimalista na Capital (Vermelhos Vs Azuis do Restelo), onde nos tempos que correm estes depauperados termos só tem mesmo a intenção de conferir uma competitividade inexistente ao nosso futebol.

Directo ao que me trouxe e sem mais delongas tal qual algumas das transições ofensivas patenteadas meses afio, jornada após jornada, pelo ataque dos Dragões a minha primeira impressão do clássico era acicatar e humilhar ainda mais os ditos 6 Milhões, em tom jocoso, tiradas tais como “ASAE fecha a Luz”, por falta de qualidade do futebol apresentado, equipa imprópria para consumo ou ainda resultado do Dragão viciado visto um dos placards mais vezes registado em confrontos a Norte ser 2-1, tudo isto teria o condão de calcar e recalcar os verdadeiros adeptos das papoilas, mas confesso que no meio de tudo isto sinto alguma complacência, não que o emblema das águias mo mereça mas apenas e só pelos amigos que tenho e que apesar de tudo se mostram fieis as cores por si eleitas. Complacente também porque apesar de tudo me choca ver alguém como Rui Costa jogo após jogo encerrar a sua época de despedida quase de lágrima no olho como que ansiando por um milagre e renasça das cinzas uma Águia qual Fénix, apelando ao orgulho benfiquista…um orgulho que se manifesta na grandeza proporcional dos 150 adeptos presentes no Anfiteatro Azul.

Enquanto o leão sucumbia em pleno Magalhães Pessoa, um feudo, região onde habita um dos últimos bastiões das cores verdes, as ditas aves de rapina subiam ao relvado do Dragão a voar baixinho, esperançadas que o ambiente envolvente conferisse aos Azuis e brancos um fato de gala e que em face disso o Onze de Jesualdo, relaxado não carburasse e triturasse este Benfica de Chalana… óptima oportunidade para retemperar a alma encarnada, só que quando a passagem do minuto 7 o senhor do costume no seu 1º remate a baliza forasteira, faz balançar as redes sem apelo nem agravo, os rosinhas viram-se sem argumentos para sarar as feridas, Lisandro acabava de por o dedo na ferida fazendo sangrar um sector defensivo que leva um registo anormal de 10 golos sofridos em 3 partidas. Terão pensado a nós tudo nos acontece, ainda assim num assomo de dignidade esticou a corda, procurou ajuda da Maria, pedia ao Manuel (R.Costa) que na sua mestria pautasse a investida contras as cores infiéis, o MAXimo que conseguiu foram 2 a 3 incursões pelo flanco direito e um ou outro sobressalto no ultimo reduto Azul.

Sensaborona a 1ª parte, sobranceira ate diria a exibição dos comandados de Jesualdo, incapazes de pôr velocidade no jogo, desligados nas transições, sem grandes destaques individuais, sem os habituais raides do sprinter Bosingwa o protagonismo era do Magic Gipsy pela também incapacidade de fazer bem o que quer que fosse, remate aqui, frisson ali ate no capitulo arbitral a imagem era de acalmia, ao intervalo o merecido era um jogo sem golos seria castigo justo e resultado ajustado ao desenrolar do clássico.

Com 45 minutos pela frente a única coisa que pedia era um embate mais empolgante capaz de me fazer dar por bem empregue o tempo dispendido no televisionamento da partida. E logo de entrada o jogo acelerou, mais expedito com um Lucho agora mais laborioso e a rendilhar o futebol portistas iam-se somando ataques e investidas as redes de Quim, uma diferença notória de prestação e de intenções mais próximos agora de um registo competente e de seriedade, via-se finalmente o Porto a pressionar alto, pondo em palpos de aranha a defensiva encarnada, antevia-se novo golo azul, que só a ineficácia e inépcia a mistura iam adiando, perante este hiato e conjuntura de partida só um tal de Cebola aparecia a rematar de longe, mas falhará o alvo o potente remate desferido tendo apenas o condão de fazer chorar o resistentes adeptos vermelhos tal foi o destino conferido a bola.

Habitue a troca de Tarik por um outro qualquer jogador do banco Azul, desta feita não entrou Farias, minutos depois sim, agora era Mariano e desta feita muito bem, seguro tacticamente e a imprimir velocidade começava a entortar os adversários embora com passos pouco dados ao tango dos outros argentinos. Com Nulo Golos encravado entre os centrais sem ganhar uma bola no espaço aéreo, Chalana atira as feras Cardoso e Makukula, talvez por força do receio e do medo que a zona intermediaria portistas engolisse o futebol encarnado, impedindo assim de subir a ultima linha defensiva, mas estava escrito que o artilheiro mor deste campeonato havia de deixar nova marca e após ameaças, Licha faz o segundo e põe termo ao jogo se ele não estava já acabado desde o 7 minuto, pouco mais tempo havia para jogar e já só o apito de Paixão era esperado para que passassem a ser 24 os pontos que separam a melhor equipa dos últimos 10 anos do melhor emblema em terras lusas.

Dois remates certeiros e um funeral, Pinto da Costa na sua passagem pela Morgue do Hospital da Luz havia dito que tinha visto parte do Benfica por lá, pois bem os restantes despojos seguiram via A1, com passagem por Leiria para em conjunto com P.Bento carpirem magoas de um fim há muito anunciado.

Momentos da Noite

Destaco dois, um que tem o seu que de hilariante, Binya ainda antes da expulsão, feliz e contente junto à lateral esquerda do seu ataque, aprontava-se para fazer uso da sua força de braços e através do forte lançamento fazer pingar a bola na área contraria, não terá percorrido a bola um terço do seu percurso, pois Bruno Paixão feriu de morte tal jogada estudada, mostrando que os Srs. Do apito quando querem fazem os trabalhos de casa. O outro só a magia do zapping me conferiu tal observância, Filipe Soares Franco incrédulo, pensativo ou mesmo interrogativo como é importante a acústica dos balneários no futebol moderno.

RTP Memória

Por estes dias e como é timbre do canal revisitam-se os clássicos e anteriores partidas do nosso futebol, consentâneas com o trajecto que por ora se desenvolve na Bwin, pois bem este fim de semana e a propósito do clássico foi revisitado o confronto de 1997, nessa altura António Oliveira era o mister Azul e branco onde pontificava Jardel, vem isto a propósito para ao visionar parte do jogo ter que conferir alguma justeza a célebre frase do melhor Benfica dos últimos 10 anos, é que naquele onze pontificavam nomes como Calado, Valdir e um tal Martin Pringle entre outras jóias raras não sendo difícil perceber as declarações do Rei dos Pneus com orelhas de Dumbo."

Bruno Rocha

20 de abril de 2008

"Não fomos humilhados..."

LIGA - 27.ª JORNADA

Estádio do Dragão, no Porto

Hora: 20.30
Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal)

Porto, 2 - Benfica, 0

[lisandro, aos 8 e 82]


FC PORTO:Helton; Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Fucile; Paulo Assunção, Lucho González e Raul Meireles; Tarik Sektioui, Lisandro López e Quaresma

Suplentes: Nuno, Lino, Stepanov, Bolatti, Kazmierczak, Mariano e Farías

Treinador: Jesualdo Ferreira

O ar de alívio que alguns [muitos] adeptos benfiquistas tinham no rosto, após o apito final de Bruno Paixão, não engana. Não se tratava de nenhuma coincidência. Os apaniguados do clube da águia sentiram uma onda de agradecimento pelos Deuses do Futebol. Viram a honra do clube sair quase incólume do Dragão...

O panorama negro em que o "melhor plantel dos últimos 10 anos" se encontrava submergido, fez muitos sentirem a boca seca, antes do jogo. Palpitações no coração. Respiração acelerada. Mãos transpiradas. Um nó na garganta. Perda de apetite. Tonturas.

Mas não era qualquer maleita de difícil tratamento. O que eles sentiam era medo. Puro medo. Quase pânico. Depois da chamada da Polícia, ainda no Bessa, os resultados viciados apareceram em força...

A Académica, inclemente, deu uma lição na pomposa catedral. Os vizinhos da 2ª circular seviciaram-nos, na última réstea de esperança de vencerem algo, esta temporada. E vinha o Porto, logo de seguida. Os 6 milhões engoliram em seco...

Qual Adamastor vestido de Azul e Branco, o Porto parecia um obstáculo quase impossível de contornar. E foi. Mesmo um Porto com 21 pontos de avanço e sem nenhuma motivação efectiva, na disputa da partida.

Um Porto seguro. Dominante. Personalizado. Controlador. E essa foi mesmo a palavra que marcou este clássico. Controlo. O Porto pareceu um manuseador de marionetas...

Imprimiu o ritmo à partida que mais lhe convinha. Acelerava, na procura do golo, quando lhe aprouvia. Circulava a bola, pelas suas linhas defensivas, quando pretendia pausar o esforço. Simples. Prático. Eficaz.

Sem grande esforço, mostrando os seus predicados, o golo surgiu. Cedo. O inevitável Lisandro, deambulando pela frente de ataque, num remate mortífero. Pé esquerdo na bola, e o couro amestrado a anichar-se nas redes encarnadas...

A reacção, ténue, aconteceu mais por imposição do que por mérito de um conjunto que trouxe, para a caçada aos Dragões, umas fisgas que apenas faziam cócegas na couraça indestrutível.

Num jogo de sentido único, sentia-se palpável que bastaria um esticão, um aumento da pressão, para os portistas colocarem outros números no marcador. Exceptuando um remate intencional de Rodriguez, um batalhador nato, a única equipa que precisava de vencer naquele relvado limitou-se...a correr.

O Porto ameaçou, várias vezes, mas estava escrito que seria através do melhor marcador da Liga que o resultado sofreria alterações. Parece fácil, vendo em casa as inúmeras repetições, o trabalho e o instinto predatório do argentino. Mas não é. E alguém devia fazer alguma coisa. Tipo colocar, em rodapé, um aviso para que ninguém tente imitar as proezas de Lisandro. Sob risco de lhes correr mal...

A verdade aparece em todo o seu esplendor. Sem paliativos. Sem filtros. É demasiado Porto para esta superliga da treta. Para o final, encerrando o pano sobre esta produção, ficam as palavras de Chalana: "Não fomos humilhados". Ai o medo, meus amigos, o medo...

12 de abril de 2008

Passeio ao Sado - parte I

LIGA - 26.ª JORNADA

V. SETÚBAL, 1-FC PORTO, 2
[hugo; lisandro, mariano]

Estádio do Bonfim, em Setúbal
Hora: 21:15
Árbitro: Elmano Santos (Madeira)

FC PORTO: Nuno; Lino, Stepanov, João Paulo e Fucile; Kazmierczak e Bolatti, Lucho González, Quaresma e Mariano; Lisandro. Suplentes: Ventura, Bruno Alves, Paulo Assunção, Bosingwa, Farías, Hélder Barbosa e Adriano.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

Na semana em que o Porto e Setúbal se defrontam duas vezes, a saga começou bem. Com uma vitória. Num jogo em que seriam previsíveis alterações, sobretudo nos Dragões, já com o título ganho, a meia-final da Taça esteve sempre presente. Na mente. De ambos os lados.

O jogo, para os azuis e brancos, parecia uma repetição do derby da Invicta. Se bem se lembram, uma mini-revolução pontuou a partida, no onze titular apresentado por Jesualdo. Agora, em Setúbal, na terra que viu nascer Mourinho, a rotatividade foi novamente a palavra de ordem...

Nem por isso o Porto se ressentiu. Tomou, desde o apito inicial do árbitro, conta das operações, dominando a seu bel-prazer o opositor. Quaresma, bastante activo, procurava amiúde o remate, visando a baliza de Eduardo. Quando o jogo entrava numa toada algo inconsequente, os azuis e brancos marcam dois golos de rajada, com sotaque argentino...

Quaresma a centrar, saída em falso de Eduardo, Kaz a aproveitar para cabecear para a baliza, surgindo o inevitável Lisandro, a facturar o 22º da temporada. Aberto o marcador, sustida a ténue tentativa de reacção sadina, o Porto chega ao segundo, após um mau alívio da defesa sadina.

Mariano, aproveitando os minutos que lhe são concedidos, limitou-se a fazer um chapéu ao guarda-redes da equipa da casa, colocando os tricampeões com uma vantagem apreciável.

Os Dragões, apesar da vantagem, continuaram sem levantar o pé do acelerador. Lucho, o pêndulo do meio-campo, fuzilou a barra da baliza sadina. No melhor período da partida, com o adversário totalmente controlado, Hugo remata de muito longe, conseguindo reduzir ainda antes do intervalo. Nuno, titular na ausência de Helton, limitou-se a seguir a bola com o olhar, dando a sensação de que poderia ter feito algo mais...

A 2ª parte, com as alterações introduzidas por ambos os treinadores, foi mais sensaborona. Quaresma continuou a perseguir o golo, sempre negado por Eduardo, algumas vezes em grande estilo. Os últimos minutos mostraram a normal reacção da excelente equipa comandada por Carvalhal, com o perigo a rondar a baliza forasteira. Nuno redimiu-se do golo, realizando uma espantosa intervenção, aos 80 minutos, para quase no final da partida ser Stepanov a salvar em cima da linha de baliza.

Novo triunfo portista, em clara demonstração de classe, mostrando que o plantel tem várias soluções para colmatar as ausências do núcleo duro. Moralizadores 3 pontos, criando uma vantagem psicológica sobre o opositor da meia-final da Taça.

Mas atenção ao Setúbal, que apoiado pelo seu público e jogando a época nesses 90 minutos, nos fará a vida negra. Continua o passeio azul e branco nesta Superliga, cada vez com menos motivos de interesse...

5 de abril de 2008

C-A-M-P-E-Õ-E-S!

LIGA - 25.ª JORNADA

FC PORTO, 6 - E. AMADORA, 0
[lucho, tarik, quaresma, maurício p.b, bruno alves e lisandro]

Estádio do Dragão, no Porto
Hora: 20:45
Árbitro: João Vilas Boas (Braga)

FC PORTO:Helton; Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Fucile; Paulo Assunção, Lucho González e Raul Meireles; Tarik Sektioui, Lisandro López e Ricardo Quaresma
Suplentes: Nuno, João Paulo, Kazmierczak, Bolatti, Mariano González, Farías e Adriano
Treinador: Jesualdo Ferreira

"Campeões, campeões, nós somos campeões..."



A música, ouvida regularmente nos estádios portugueses, habitualmente cantada em uníssono por adeptos vestidos de azul e branco, voltou a ouvir-se hoje, num engalanado Estádio do Dragão.A festa, anunciada há muito, desde que a superioridade portista se tornou demasiado notória para ser disfarçada com os remoques arbitrais costumeiros, conheceu hoje o epicentro...

Numa Invicta ansiosa pela folia, desejosa de retribuir a dádiva ofertada pelos jogadores, o Porto vestiu o seu melhor fato. O de verdadeiro campeão, para o qual nunca existe descanso. Profissionalismo inabalável, numa entrada em jogo pressionante, decidida a marcar a diferença qualitativa...

Sabia-se que seria uma mera questão de minutos, até a contenda ficar decidida. Bastaram 11. Onze voltas do ponteiro dos minutos para que os 3 pontos ficassem acomodados no recinto do Dragão. Lucho e Tarik marcaram e foram os responsáveis pelas primeiras explosões de alegria...

Ficou um longo período pela frente. 79 minutos, para ser mais preciso. Nem por isso os pupilos de Jesualdo substituiram a sua postura por uma mais relaxada. Continuando empenhados, com alguns adornos pelo meio, as jogadas foram-se sucedendo, mostrando a este cantinho à beira-mar plantado de que massa são feitos os campeões. Os golos surgiram com inevitável naturalidade. Foram apenas o culminar qualitativo que demonstra a diferença entre esta equipa e as restantes. Sem opositor interno digno desse nome, restou aos portistas abrilhantarem a época com um inequívoco cunho pessoal. Apenas 12 pontos perdidos, à 25ª jornada, são bem elucidativos da esmagadora supremacia azul e branca, que ameaça perpetuar-se...

Seria demasiado fácil ter começado a crónica com o habitual lugar-comum do "vencemos contra tudo e contra todos". Não que este não seja verdadeiro. É. Mas, sinceramente, num dia de festa, não me apetece recordar todos os escolhos que nos foram colocados no caminho. Os mesquinhos, os azedos, os vis, os biliosos, esses estarão em casa, remoendo mais um sapo que terão que engolir...

Fomos melhores. Incomensuravelmente melhores. Provam-no a margem pontual obscenamente enorme de avanço do 2º classificado. O melhor ataque, impiedoso na finalização. A melhor defesa, intratável na guarda da baliza. Por isso, por momentos, sejamos magnânimos. Vamos beber champanhe, cantar os hinos do clube, e esquecer os tristes que nos odeiam...

ps: Pinto da Costa deu hoje mais uma resposta aos seus detractores. De forma subtil. A chamada bofetada de luva branca.Passou a ser o dirigente desportivo com mais títulos, a nível mundial, ultrapassando o mítico Santiago Bernabéu. Onde alguns vêem fruta, eu vejo uma capacidade sobrenatural de colocar nos trilhos do sucesso um clube honrado, que soube ser digno e crescer, até se tornar o que é, nos dias de hoje: a MELHOR EQUIPA.

ps2: A vida encerra estas ironias. Um dos mais odiosos inimigos portistas, o pouco ético jornalista, mero fantoche travestido de escriba, prestando vassalagem sistematica ao seu clube de coração, foi o comentador convidado pela TVI. José Manuel Delgado deve ter amaldiçoado a sua sorte. Lá, no Dragão, rodeado de azul e branco, vendo o vendaval futebolístico que varreu o relvado, assistindo impotente à consagração dos campeões. Engole lá mais esta, meu caro...

ps3: Somos claramente uma equipa à parte, nesta monotonia que impera na Superliga. Merecíamos mais. Pese a eliminação dolorosa nos oitavos da Champions, somos a única equipa de topo deste País, aquela que tem mais hipóteses de ombrear com os colossos europeus...

ps4: É evidente e salta à vista. Cada vez mais jovens aderem à religião portista. Miúdos que, acompanhados por familiares, alguns deles adeptos de outras cores, rejubilam com os êxitos do Dragão. Assim se ganha o futuro...

ps5: Para finalizar, só falta mais uma década. Míseros 10 anos. Quando eu tiver 47 de idade, o Porto será o clube nacional com maior número de campeonatos conquistados. E, se fizerem bem as contas, até já permito duas escorregadelas...

ps6: Agora vou apitar com o carro, de bandeira e cachecol desfraldados ao vento. Ninguém dorme cá na santa terrinha...

30 de março de 2008

Preparem a festa...

LIGA - 24.ª JORNADA
BELENENSES, 1 -FC PORTO, 2
[weldon, lisandro e lucho]

Estádio do Restelo, Lisboa
Hora: 19:00
Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal)

FC PORTO:Helton, Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves, Fucile; Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho González; Lisandro López, Farías e Quaresma

...pois ela será de arromba. Vitória arrancada a ferros, surpreendentemente carimbada em tempos de descontos com um golo de Lucho, na transformação de uma grande penalidade. Surpreendente porque o árbitro era...Lucílio Baptista, conhecido nos meandros futebolísticos pela sua aversão ao azul e branco. Surpreendente também por ser o 2º castigo máximo, se não me falha a memória, neste longo campeonato...

Com a euforia reinante no final da partida, numa empatia enorme entre os adeptos e os futebolistas, pouco importa o que se passou ao longo dos 90 minutos. Neste momento estou feliz. A festa, merecida, está perto. Apenas à distância de uma semana. E de 90 minutos. Num Estádio do Dragão repleto, o ambiente será arrepiantemente feérico. O TRI, segundo da história deste clube secular, ficará marcada a letras de ouro. É o 3º campeonato consecutivo, na era do Apito Dourado. Prova evidente de que NÃO NOS ABATEM. Venceremos, SEMPRE, contra TUDO e TODOS!

O jogo teve vários protagonistas e um Porto de duas caras. Descomprimido, pouco concentrado, sem acertar nas marcações, durante a primeira metade, e uum conjunto mais dominador, com a qualidade condizente com o seu estatuto, na segunda parte...

A essa mudança não será alheia a desvantagem no marcador, com o golo de Weldon a mostrar que a qualidade do Belenenses, louvada pelos amantes do pontapé na bola, era uma séria ameaça à imbatibilidade dos Dragões.

A segunda metade iniciou-se da melhor forma. Um belo trabalho individual de Lisandro, sempre incansável, permitiu o restabelecimento da igualdade no marcador. Remate frontal, poderoso, fazendo explodir de felicidade os inúmeros adeptos portistas que se deslocaram à capital. Foi o início do melhor período dos dragões, acutilantes em termos ofensivos, chegando com aparente facilidade ao último reduto do opositor.

Farías, opção para a frente de ataque, teve nos pés uma oportunidade soberana, desperdiçada de forma escandalosa. A partida, aberta e sem grandes espartilhos tácticos, entrou numa toada de parada e resposta, sempre com uma excelente réplica dos azuis da cruz de cristo. Helton ía chegando para as encomendas, segurança personificada nos seus vôos na área, afastando o esférico.

Os últimos minutos trouxeram outro protagonista, um homem que desperta sentimentos contraditórios entre os adeptos: Quaresma. Endiabrado, bola colada ao pé, começou a gizar jogadas individuais, esgueirando-se entre atletas adversários com uma capacidade sobrenatural. Ameaçou uma...ameaçou a segunda...até que, finalmente, numa altura cirúrgica, foi carregado em falta, dentro da área, permitindo que os 3 pontos aterrassem no colo de Jesualdo...

Já se sabe que, vivendo num País de gente mesquinha, o lance capital será alvo de análises, reanálises, artigos de opinião, repetições exaustivas e tudo o mais. É um lance que não permite opiniões dúbias. É penalty. Claro. Quaresma é carregado ostensivamente em falta, impedido de disputar o esférico. O que me espanta, apenas, foi o rebate de consciência de Lucílio Baptista. Logo ele, persona non grata no Reino do Dragão, famigerado juiz de reputação duvidosa, conseguiu ajuizar convenientemente. Parece-me que o medo de alguns personagens da Justiça Divina começa a surtir o efeito desejado...

Agora, resta-nos contar os dias, afinar as gargantas, preparar os adereços, porque Sábado é dia de festa.

A frase da semana:

José Alberto Costa, comentador SportTV
"Este empate satisfaz mais o Belenenses. Impede o Porto de fazer a festa para a semana"[sic]

Descontando a idiotice natural vigente naquele estúdio de televisão, parece-me que se pretendia criar a ideia de que o Porto, sabe-se lá porque, teria insucesso se não conseguisse ser campeão para a semana. Como se não faltassem jornadas suficientes para conquistar o ceptro. A não ser que, indirectamente, achem que, perante a mediocridade que campeia nos rivais, o Porto deveria vencer com 30 pontos de avanço...

15 de março de 2008

Reviravolta

LIGA - 23.ª JORNADA

LEIXÕES, 1-FC PORTO, 2
[1-o, roberto; 1-1, lisandro; 1-2, tarik]

Estádio do Mar, em Matosinhos

Hora: 21:15
Árbitro: Jorge Sousa (Porto)

FC PORTO: Helton, Fucile, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Cech; João Paulo, Raul Meireles e Lucho González; Farías, Quaresma e Lisandro
Treinador: Jesualdo Ferreira
Suplentes: Nuno, Stepanov, Lino, Castro, Kazmierczak, Tarik e Adriano

As dores de garganta de ontem já prenunciavam algo. O despertar de hoje, terrível, só veio confirmar. A maleita tinha-se abatido, em todo o seu esplendor, sobre mim. Fiquei literalmente de "molho", o dia inteiro, com a cama a servir de local de refúgio, E foi assim, neste estado febril, que procurei assistir ao Leixões-Porto. Um jogo com história. Um jogo para homens de barba rija. Um embate de grau de dificuldade acima da média. A míngua de pontos dos homens de Matosinhos fazia antever dificuldades acrescidas...

E elas nem apareceram. Numa primeira parte avassaladoramente dominada pelos azuis e brancos, com o onze previsível, excepção à troca de Tarik, relegado para o banco, pelo argentino Farías, a dominar amplamente os acontecimentos, fiquei a praguejar contra os caprichos dos Deuses da Fortuna.

Ultimamente, cada saída do Porto acaba invariavelmente num festival de golos falhados e exibições portentosas dos guardiões contrários. Beto, o titular da baliza leixonense, não foi excepção à regra. Duas defesas portentosas, evitando dois golos certos, fizeram com que o nulo ao intervalo fosse lisonjeiro para os da casa.

Com aparente facilidade, o Porto criou vários lances de ataque, esbarrando numa defesa porfiada, com o destaque já referido, e na embirração crónica de um fiscal de linha, capaz de vislumbrar pretensas irregularidades e anular lances perigosos de ataque dos Dragões, nos primeiros 15 minutos. Espantoso o poder que um homem, munido de uma bandeira, tem para esconjurar o perigo das imediações da área matosinhense.

O momento alto dos 45 minutos iniciais foi, sem dúvida, o remate violento de Quaresma, à trivela, para uma defesa de elevadíssima qualidade de Beto, lesto a sacudir o perigo.

A 2ª metade não poderia ter começado pior. Um balde de água fria, com o golo de Roberto, num rápido lance de contra-ataque, aproveitando uma perda de bola de Lucho, com o brasileiro a desfeitear Helton, depois de uma falha de Bruno Alves.

Injusto, numa espécie de lotaria saída aos da casa, que nada tinham feito de relevante em termos ofensivos. O Porto não se desuniu, pese novo imediato lance de perigo, com Jorge Gonçalves a ameaçar Helton...

Se o Leixões tinha defendido denodadamente na 1ª parte, após o golo adoptou a táctica do Schalke. Estacionou o autocarro em frente da área, arregaçou as mangas e tratou de disputar cada lance como se dele dependesse a felicidade do Mundo...

Apostando tudo no ataque, Jesualdo foi recompensando com o inevitável golo de Lisandro, beneficiando de uma assistência primorosa do marroquino Tarik. A 12 minutos do fim, o Leixões estava completamente encostado às cordas, desesperando pelo apito final. Adriano ainda ofereceu o golo, numa bandeja de prata, ao melhor marcador do campeonato. Inacreditavelmente, com a baliza escancarada a míseros metros, o argentino cabeceou para fora...

Mas estava escrito que o Porto assinaria, no Estádio do Mar, a sua 1ª reviravolta na Superliga. Passe magistral de Lucho para Tarik, num lance rápido de ataque, e o marroquino a contornar o guardião adversário, com direito a chapéu e tudo, para finalizar com frieza. Estava feito o 2º golo, inteiramente justo, numa recompensa aos adeptos que enfrentaram uma copiosa intempérie...

O Tri está cada vez mais perto! Fomos bravos. Merecemos vencer. E eu vou recuperar as forças, debilitadas pela gripe, para o leito, depois de mais uma dose de comprimidos. Não está fácil. Tantos benfiquistas no Mundo e eu é que sou presenteado com enxaquecas, dores de garganta, febre e espirros sucessivos?

9 de março de 2008

Depois da tempestade...a bonança!

BWIN LIGA - 22.ª JORNADA

FC PORTO, 1 -ACADÉMICA, 0
[quaresma]

Estádio do Dragão, no Porto
Hora: 19:00
Árbitro: Cosme Machado (Braga)

FC PORTO:Helton, Fucile, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Cech; Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho González; Tarik, Lisandro López e Quaresma
Suplentes: Nuno, João Paulo, Lino, Kazmierczak, Mariano, Farías e Adriano
Treinador: Jesualdo Ferreira

Se eu fosse Paulo Bento [não sou e tenho melhor gosto no corte de cabelo] diria que o jogo de hoje no Dragão foi gerido com...tranquilidade. Jogado sob o espectro da recente e dolorosa eliminação na Champions, existia alguma curiosidade em saber como os jogadores portistas iriam reagir ao desaire...

Reagiram bem. Sem deslumbrar, com o carburador a meio gás, mas dando sempre a sensação de que o golo surgiria, para materializar o ascendente, surgido logo após o 1º minuto. O adversário, sem ser uma pêra doce, não era um bicho de sete cabeças. Numa posição algo incómoda, com alguns jogadores tecnicamente evoluídos, mas sem conseguirem criar sobressaltos de maior ao último reduto azul e branco...

Confesso que vi o jogo de forma algo apática. Sejamos sinceros. O tri é uma questão de semanas. Apenas nos separa da consagração a matemática. O sonho era a Champions. Essa prova mítica, onde apenas a elite tem acesso. Bela e fascinante, capaz de nos hipnotizar com os jogos, mas cruel e caprichosa, quando as derrotas doem na alma...

Esta, frente ao Schalke, deixou-me abalado. Pareço um paciente a recuperar de um qualquer trauma psicológico. Lentamente. Onde nada parece ter encanto...

Sendo um pró-forma, o jogo foi também gerido dessa forma. Nada de equívocos. Não faltou abnegação e empenho. Nada de sobrehumano, mas a raça estava lá. Mas o jogo foi algo sensaborão. Ou então é impressão minha...

Mas parece-me demasiado Porto para esta Superliga, feita de jogos medianos e adversários medíocres. Como se fossemos um corpo estranho. Estamos a mais. Isso é notório. É a nossa sina. Jogar por aqui. É que o nosso campeonato, a Champions, só começa lá para Setembro. Vêem porque é que eu estou depressivo?

Ah, quase que me esquecia de falar alguma coisa sobre o embate de hoje. Pois. Ganhamos. Bem. Tivemos poucas oportunidades de golo, à excepção dos últimos 5 minutos. Não me lembro de um jogo no Dragão com tão poucas, da nossa parte. Ninguém sobressaíu da letargia reinante. Lucho jogou quanto baste, com um ou outro passe de qualidade galáctica. Lisandro correu, procurou a bola, rematou. Mas não marcou. Quaresma foi ele próprio. Fez fintas, cruzou, complicou. E marcou. O 5º da temporada. Com a cumplicidade de Pedro Roma. Levou também um amarelo. O 7º da época. É o mais "galardoado" do plantel. Vêem que não houve mesmo novidades?

Aliás, rectifico. Quaresma foi substituído aos 80 minutos. Por Mariano. Para a standing ovation. Ou, como se diz em bom português, para a saraivada de palmas. O público correspondeu. Menos mal. E, na imensa monotonia, a defesa não adormeceu. A Briosa limitou-se a fazer cócegas. Como se sabe, não é o mais indicado quando se pretende caçar Dragões.

Na gestão do plantel, Paulo Assunção não tem lugar. Joga. Joga sempre. Viu um amarelo. Justo. Não joga em Matosinhos. E também não renovou, ainda, o contrato. Mariano optou por uma forma diferente de procurar renovar o vínculo profissional com os azuis e brancos. Entrou aos 80 e foi expulso aos 90. Justamente. Pontapeasse ele assim a bola, como pontapeou as pernas do opositor, e já teria a assinatura reconhecida notarialmente, para a permanência definitiva no plantel.

O melhor momento do jogo, à falta de jogadas espectaculares, foi mesmo o pós golo. Aquele momento da celebração. Deixou-me dividido. Entre o sorriso benevolente e a irritação latente. Foi à Cantona. Para quem não sabe, não se comemora. Levanta-se a gola. Olha-se, num misto de desdém e arrogância, para o público. Que rejubila nas bancadas. Mas, génio como Cantona existem muito poucos. Em território nacional, não conheço nenhum...

1 de março de 2008

Teoria da Rotatividade...

Bwin Liga, 21.ª jornada
Estádio do Bessa, no Porto
Árbitro: Duarte Gomes (Lisboa)

Boavista, 0 - Porto, o

FC PORTO:Helton, Fucile, João Paulo, Stepanov e Cech; Paulo Assunção, Lucho Gonzalez e Kazmierczak; Mariano González, Adriano e Farias.
Suplentes: Nuno, Bruno Alves, Lino, Raul Meireles, Hélder Barbosa, Quaresma e Tarik.
Treinador: Jesualdo Ferreira

Rotatividade ou revolução, eis a questão...

Haverá, por certo, opiniões discordantes quanto às mudanças. Eu sou assumidamente a favor, mas desde que a rotatividade seja feita de forma mais...comedida.

Rotatividade ou revolução, eis a questão...

Parece uma fala de uma qualquer peça de Shakespeare, mas desta feita encenada por Jesualdo. Amparado por uma mais que confortável margem pontual, nesta Superliga que já tem campeão anunciado, o treinador portista não se mostrou avarento na altura de dar...

Dar minutos a algumas pedras, habitualmente remetidas para o incómodo banco de suplentes, e conceder minutos benfazejos de descanso a armas nucleares. Isso já se sabia ou, pelo menos, suspeitava. Aos ventilados pela imprensa nomes de Pedro Emanuel, Lisandro e Bosingwa como potenciais espectadores privilegiados do derby tripeiro, juntaram-se, algo surpreendentemente, o mago dos dribles - Quaresma himself - Bruno Alves - numa arrojada aposta em inovadora dupla de centrais - Raul Meireles - cedendo o lugar a Kaz - e Tarik - Mariano Gonzalez a merecer a confiança, após a boa exibição para a Taça.

Estavam assim lançadas as premissas para o jogo, com um Porto remendado mas nem por isso menos dominador. Os axadrezados, jogando teoricamente em casa - 10.000 adeptos de azul e branco, num colorido fabuloso - optaram pelo contra-ataque, sempre a cargo das gazelas Laionel e Zé Kalanga.

O início do jogo, rápido e nervoso, poderia desde logo ter escrito uma história diferente, tivesse aquele remate que levava fogo de Fucile entrado. Teria sido um início fantástico para os Dragões. Pois. Mas não foi. E os resto foi mostrando o que um atento espectador adivinharia...

Falhas gritantes nas rotinas de jogo, pese o denodo empregue pelos titulares portistas, um corredor direito, a cargo de Fucile, que parecia uma auto-estrada com via verde para os avançados boavisteiros tentarem a sua sorte na baliza à guarda de Helton...

O jogo foi decorrendo, com pontuais motivos de interesse, sem grandes aparatos cénicos, jogado à base do músculo, do nervo e da velocidade. Um jogo leal, mas para homens de barba rija...

Sem grandes oportunidades de parte a parte, os Dragões, pese a sua supremacia na posse de bola, só conseguiam criar algum frisson pela arte de Lucho, continuamente soberbo no passe, e de Mariano Gonzalez, confiante nos lances individuais, cheio de vontage e energia para mostrar algo mais do que a imagem pálida que tem deixado aos adeptos.

O intervalo, geralmente bom conselheiro, trouxe nova substituição e novidade, daquelas de deixar um tipo atónito. Lucho ficou a tomar um retemperador duche, com Quaresma a entrar no seu lugar. Literalmente. Quaresma a fazer de argentino. Bem no meio da zona nevrálgica...

O Porto tentava, almejava e procurava, mas sempre em esforço, procurando apoquentar o último reduto da pantera. O espectáculo fazia-se...fora das quatro linhas. Cânticos entoados em uníssono, numa demonstração vibrante de alma de campeão, com uns inexcedíveis adeptos, empurrando a equipa para a vitória.

O Porto decresceu, na segunda metade. De forma nítida. Jesualdo não escondia alguma apreensão no banco, apesar da sua esfíngica face quase não se mover. O Boavista ameaçou, com 3 belas oportunidades de golo, colocando os portistas em sentido...

Até à expulsão, por segundo amarelo, a Diakité. Com mais uma unidade em campo, a pressão azul e branco acentuou-se, parecendo que o golo da vitória poderia surgiu a qualquer momento...

Surgir, ele surgiu, pela cabeça do sérvio Stepanov, mas um olho-de-lince com uma bandeira na mão invalidou-o, por pretenso fora-de-jogo. Pois. O do costume...

Depois da Madeira, no campo do Nacional, e de Alvalade, no embate com os leões, a sorte voltou a ser madrasta para os pupilos de Jesualdo. Se o Porto tinha entrado no embate a desperdiçar uma grande oportunidade de golo, acabou a contenda com nova e soberana ocasião. Quaresma a encher o pé, mas a bola a embater caprichosamente na barra da baliza adversária.

Estava escrito que não venceríamos...

Acabei o jogo com um travo amargo na boca. Frustrado pela perda de 2 pontos. Possivelmente, pouco importantes, mas a cultura de vitória que se instalou, faz décadas, no clube, origina este sentimento nos adeptos.

Jogador +: Paulo Assunção. O habitual pêndulo do meio-campo fez o trabalho de sapa, com a qualidade costumeira. Esforçado, sempre no caminho da bola, soube ser um farol no nevoeiro que assolou a produção da equipa.

Arbitragem: Mais do mesmo. Expulsou Diakité, mas foi conivente com outras entradas duríssimas dos axadrezados, pactuando com o anti-jogo dos minutos finais. A cereja no topo do bolo: a anulação, com o beneplácito do seu fiscal-de-linha, do golo da vitória. Já tem (mais) uma história para contar aos netos...

23 de fevereiro de 2008

Paços de Tango

LIGA - 20.ª JORNADA
Estádio do Dragão, no Porto
Hora: 20.15
Árbitro: Paulo Costa (Porto)
PORTO, 3 - PAÇOS de FERREIRA, 0

FC PORTO:Helton; Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Cech; Paulo Assunção, Lucho González e Raul Meireles; Tarik, Farías e Lisandro
Suplentes:Nuno, Fucile, João Paulo, Kazmierczak, Mariano, Hélder Barbosa e Adriano
Treinador: Jesualdo Ferreira

A "massa assobiativa" que, durante alguns momentos da 1ª parte, participou na sinfonia do apito, acabou rendida à beleza dos paços de tango, com os intérpretes oriundos das pampas argentinas a interpretarem da melhor forma o recital.

Não foi, e julgo que ninguém estaria à espera disso, um jogo fácil, sobretudo durante a primeira metade. Os comandados de José Mota tiveram carácter. Carácter e personalidade. E numa equipa de futebol isso costuma vir de braço dado com empenho. Os "castores" procuraram fazer aquilo que já se conhece [e aplaude] na equipa. Jogar o jogo pelo jogo. De forma desinibida. A postura pacense provocou dificuldades acrescidas aos comandados do "mestre" Jesualdo.

Elucido desde já que o "mestre" em questão foi extemporâneamente usado por Pinto da Costa, na entrevista dada à SIC. Reconheço alguma sapiência ao actual treinador dos azuis e brancos, mas parece-me prematuro [e algo infeliz] equipará-lo a alguns notáveis que já passaram por aquele lugar.

O Porto de hoje, orfão de Quaresma e da sua "gipsy magic", jogou no modelo preconizado, com Tarik a readquirir a titularidade perdida por alturas da CAN. Farías, com algum fulgor desaparecido nas duas partidas anteriores, ocupava o espaço na área destinado aos homens-golo. No outro extremo, um nome que provoca arrepios de medo aos opositores: Lisandro Lopez.

O jogo, animado pela referida réplica dos "castores", mostrou um sinal mais inicial dos forasteiros, nada constrangidos na hora de visarem a baliza de Helton. Wesley, provavelmente o melhor jogador do Paços, procurava amiúde o remate, mostrando facilidade e espontaneidade na hora de chutar o couro.

Os Dragões, rápidos mas pouco esclarecidos, viviam dos esticões de Bosingwa, com o lateral-direito portista a não parecer nada afectado pelo tempo de paragem, e dos sprints diabólicos do marroquino que caiu literalmente no goto dos adeptos.

Se uns, com a arrogância costumeira, prometem "continuar a surpreender muita gente", o Porto continua a...não surpreender ninguém. Classe com fartura, qualidade a rodos e uma postura pragmática ajudam, e de que maneira, a vencer jogos.

O primeiro sinal de perigo dos homens da casa foi dado por Farías. Esbarrou na trave. Ingloriamente, o avançado argentino via o seu belo trabalho aniquilado na madeira da baliza de Peçanha.

Não entrou essa, nem a seguinte. Fabuloso trabalho de Lisandro, oferecendo a bola redondinha a Farías, mas o remate deste a encontrar a oposição, numa zona privilegiada, da defensiva contrária.

Adivinhava-se o golo. Não o anulado a Farías, por pretenso fora-de-jogo, mas um regular. Cirúrgico, Lisandro escolheu a mesma altura com que tinha visado com êxito a baliza dos madeirenses, na pretéria jornada: minuto 44'. Letal e psicológicamente importante, num tónico reconfortante antes do descanso.

Passe milimétrico de Lucho [mais uma sólida exibição para o currículo] e o argentino a não perdoar.

A segunda parte foi quase um passeio. Um Porto mandão, nada benevolente, procurando desde o apito para o reatamento resolver cedo a questão dos 3 pontos. Lisandro ameaçou, com a bola a esbarrar no poste, mas redimiu-se de seguida, noutra bela iniciativa atacante dos Dragões, com Farías a assistir na perfeição o compatriota. Segundo da noite e um ponto final na discussão do resultado.

Seguiu-se o período de descompressão. Deu para tudo. A "standing ovation" ao goleador-mor, substituído por Helder Barbosa. Para uma mão cheia de oportunidades desperdiçadas [destaque para o míssil teleguiado saído dos pés de Paulo Assunção] e, pasme-se, para o 3º da noite, também com sotaque argentino.

Mariano Gonzalez estreia-se a marcar, com o emblema mítico do Porto, noutro lançamento sobrenatural de Lucho. Impressionante a regularidade do patrão do meio-campo portista, palmilhando o campo com uma leveza impressionante, praticamente omnipresente em todas as situações.

Venha o próximo!

15 de fevereiro de 2008

Com classe

BWIN LIGA - 19.ª JORNADA

MARÍTIMO, 0 - FC PORTO, 3
marcadores: 0-1, Lisandro; 0-2, Tarik; 0-3, Lisandro

Estádio dos Barreiros, no Funchal
Hora: 20:30
Árbitro: Pedro Henriques (Lisboa)

FC PORTO:Helton; Fucile, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Cech; Paulo Assunção, Lucho González e Raul Meireles; Lisandro López, Farías e Quaresma

Suplentes: Nuno, Stepanov, João Paulo, Lino, Kazmierczak, Tarik Sektioui e Mariano González

Treinador: Jesualdo Ferreira


Eu, que não sou nem um pessimista inveterado nem um optimista nato, tive uma premonição. De vitória. A sério. Televisores lado a lado dão nisto. Num as imagens vinham dos Barreiros. Do outro, o programa sintonizado era o "Quem quer ser milionário", concurso de perguntas/respostas seguido avidamente pela minha esposa.

E, apesar do grau de concentração no jogo, uma das perguntas iniciais ao concorrente do momento chamou-me de imediato a atenção.

"Quem foi a equipa que conquistou o hexacampeonato em 2006/07, na modalidae de hóquei e patins?". Parecia fácil, não parecia?

O concorrente, com o seu melhor ar intelectual, começa a dissertar, mais ou menos nestes termos:
"Sinceramente, não acompanho a modalidade. Sou só adepto de futebol. Mas acho que foi a minha equipa."

Arqueei as sobrancelhas, criando logo um laço de empatia com o indivíduo. Até que...

Após questionado pelo apresentador sobre a sua preferência clubista, ele sai-se com um arrogante "Benfica, claro".

A partir daí comecei a rezar. Baixinho, mas fervorosamente. Ele que escolhesse o clube dele então, como resposta à pergunta. E ele fez-me a vontade. Escolheu o Benfica. Soltei uma gargalhada com prazer. Mais um que, enquanto durar a sua existência miserável nesta vida, nos vai odiar eternamente.

Posto isto, que só podia ser um sinal divino, vamos lá ao que interessa...

Ao jogo.E não foi nada fácil. Nada mesmo. Mas isso já era esperado. No feudo de Alberto João, o Porto costuma encontrar uns escolhos de difícil trato. Hoje, o Marítimo não fugiu à regra. Foi um adversário complicado, raçudo, disposto a dificultar ao máximo a tarefa dos Dragões, neste regresso à ilha do Atlântico, após a derrota fente ao Nacional. Coincidentemente ou talvez não, fazendo recordar o discurso de Jesualdo antes do jogo, o árbitro do encontro foi o mesmo. Desta feita com reforços. Um dos seus fiscais de linha foi aquele que vislumbrou a pretensa mão na Amadora, nos descontos, no jogo da Taça da Liga, que permitiu aos encarnados salvarem-se de uma eliminação precoce...

O jogo, algo sensaborão, foi demasiado disputado sobre o meio-campo, sem grande supremacia de parte a parte. O Porto, algo lento na circulação de bola e sem grandes rasgos atacantes, era uma presa fácil para os defensores insulares, atentos a eventuais diatribes de Quaresma e Cª...

E assim, paulatinamente, os minutos foram decorrendo, com alguns sobressaltos na área azul e branca, quase todos na sequência de lances de bola parada. Várias oportunidades de remate para os visitados, que felizmente foram incapazes de visarem com êxito as redes da baliza à guarda de Helton.

Tirando o lance que refiro mais abaixo, no momento "déja vu" do jogo, o Porto voltou a criar perigo mesmo à beirinha do intervalo. De forma letal. Cirúrgico, Lisandro foi o mentor de um golo pleno de oportunidade, criando e inventando um lance de perigo numa bola perdida na área. Mostrando que continua "on fire", o argentino fez sorrir o treinador e os adeptos do clube, num bailado que teve tanto de belo como de precioso.

A segunda metade inicia-se com novo valente susto para o guarda-redes brasileiro do FCP, num remate traiçoeiro que quase restabelecia a igualdade. Foi o canto do cisne do Marítimo.

O Porto, finalmente, começou a funcionar como um rolo compressor, criando várias ocasiões de golo, ingloriamente desperdiçadas. Tudo ficou mais fácil após a infantilidade de Djalma, colocando a mão na bola, já com um cartão amarelo no currículo. Demasiado evidente para Pedro Henriques contemporizar. Reduzido a 10, os insulares tornaram-se uma presa fácil para os esfaimados portistas.

Foi sem surpresa para ninguém que o Porto chegou ao segundo tento. Tarik, preterido no onze inicial, entra aos 66' para o lugar de Farías e, logo depois, aproveita uma bola solta na área para finalizar com sucesso. O lance, que Pedro Henriques deixou seguir, mostrou novamente à evidência a dificuldade crescente que os juízes têm de apitar um penalty a favor dos azuis e brancos. Lisandro é literalmente atropelado na área.

Como as palavras contenção e descanso não fazem parte do vocábulo de Lisandro, a autoria do 3º golo foi sua. Uma jogade de envolvimento, uma passe açucarado e...bola na rede.

Estava feito, de forma mais fácil do que aquela que se antevia antes e mesmo durante o jogo. Bela e importante vitória, ultrapassando um osso duro de roer na corrida rumo ao TRI, obtendo também um tónico revigorante a nível psicológico, antes da deslocação a essa terra mítica: GELSENKIRCHEN!

Momento "déja vu" do jogo:

Mais um motivo para sorrir, encolher os ombros e exclamar "esta malta não tem emenda". Não tem mesmo. Record online, no acompanhamento do jogo. Atentem nesta pérola:

"43' - Farías tenta ganhar um penálti "fantasma" numa disputa com Djalma, mas não convence Pedro Henrique, que estava muito perto do lance. "

Gostei da utilização do termo fantasma. Como se o penalty, de tão evidente, não tivesse existido. Pedro Henriques no seu melhor, aconpanhado pelo exemplo de jornalismo que por cá vamos tendo...

2 de fevereiro de 2008

Com a "Tecla" afinada...

BWIN LIGA - 18.ª JORNADA

FC PORTO, 4-U. LEIRIA, 0
(Bosingwa, Farias, Lisandro, Farias)

Estádio do Dragão, Porto
Hora: 19:15
Árbitro: Paulo Baptista (Portalegre)

FC PORTO:Helton, Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Fucile; Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho González; Lisandro López, Farías e Quaresma
Suplentes: Nuno, Adriano, Castro, Marek Cech, Hélder Barbosa, João Paulo e Mariano González
Treinador: Jesualdo Ferreira

Se psicologicamente o embate frente ao Leiria se revestia de enorme importância, pela derrota consentida na última jornada, no depauperado relvado leonino, a permissividade do adversário, a atravessar um período negro de resultados, deixava antever uma tarde/noite descansada para os Dragões...e seus adeptos.

E assim foi. Uma exibição agradável, sem forçar muito, permitiu aos pupilos de Jesualdo Ferreira passearem a sua imensa classe, para gáudio da assistência, sedenta de nova vaga de conquistas...

O jogo, entre os seus vários protagonistas, elegeu uma figura maior: Ernesto "Tecla" Farías, argentino de nacionalidade, avançado de profissão, marcador compulsivo de golos. Alvo de várias especulações quanto à sua real mais valia, o compatriota de Lisandro e Lucho aguentou estoicamente a onda de suspeição, procurando retemperar as forças enfraquecidas por uma arreliadora lesão e...voltou, qual fénix renascida das cinzas. Rápido, felino, correpondeu da melhor forma, em ambos os golos, a cruzamentos efectuados com mestria. Deixou água na boca, para o futuro imediato.

No regresso ao tradicional 4*3*3, o carrocel atacante portista, embalado ao som do tango, adornado pelo flamenco cigano, numa mistura de talento explosiva, colocou desde cedo a nú as fragilidades dos leirienses, longe dos tempos áureos na Superliga.

Rapidamente se percebeu que a tónica da partida apontava em sentido único: a baliza à guarda do desamparado Fernando, o guardião leiriense, provavelmente o melhor homem vindo da cidade do Lis.

Com rápidas mudanças de velocidade, aliadas aos passes rasgados de Lucho e Meireles, o autocarro estacionado em frente da baliza do Leiria foi sofrendo mossas, abanando na sua estrutura, até à derrocada final. Já destacado o neófito argentino da fente de ataque, que teve como companhia Quaresma.Este, depois dos arrufos das últimas semanas, esteve igual a ele próprio: genial, com pormenores de pura magia, e complicativo, adornando em demasia lances onde se pedia simplicidade. Lisandro, um demónio à solta, pesadelo de qualquer defesa, continua sem saber jogar mal.

Ela começou numa cavalgada impressionante do supersónico Bosingwa, o lateral mais rápido do Mundo, cujo remate é desviado, inadvertidamente em Farías. A bola, caprichosamente, anichou-se com suavidade nas redes, inaugurando as hostilidades no marcador.

Aqui, abre-se um ligeiríssimo parentesis para comentar o mais que provável coro de virgens ofendidas, que se farão sentir nos próximos dias, ao comentar a irregularidade [Farias estava em fora-de-jogo] do 1º golo azul e branco. Os mesmo que se mantiveram a assobiar para o alto, tentando passar despercebidos, no rescaldo do clássico Sporting-Porto, incapazes de analisar os erros prejudiciais aos Dragões, virão agora, de pena afiada, destilando o fel do costume.

Não foi por isso que o Porto venceu. Nem terá sido pelos erros arbitrais em Alvalade que perdeu. Em ambos os jogos foi melhor. Nas duas partidas demonstrou superioridade massiva. Falhou, em Alvalade, na finalização. Acertou hoje, no Dragão, nas redes do opositor. É futebol...

Com uma confortável margem ao intervalo, a segunda parte foi de poupanças, permitindo a substituição de El Comandante, para a habitual ovação e do marcador de serviço, "Tecla", saboreando pela primeira vez o carinho dos adeptos portistas. Castro, jovem promessa do clube, pisou o palco dos sonhos. Está ali o futuro das famosas riscas verticais azuis e brancas...

Pouco mais haverá a dizer, num jogo que colocou ironicamente em confronto os opostos da classificação. Demasiado Porto para um Leiria já moribundo...

nota: a habitual e esperada dissecação da partida, num dos próximos dias, por Bruno Rocha.

29 de janeiro de 2008

Indomável...ineficácia!

Ainda mexe, o último Sporting-Porto. Não, não se preocupe, caro leitor. Não existiu o sumaríssimo a Liedson, pela entrada brutal sobre Helton. O futebol português continua o mesmo:). Aí vai a crónica do Bruno Rocha:

"Ai vão 2, as derrotas e com elas o reacender das esperanças rivais. Quando em jeito de antevisão falará de fazer as unhas ao leão, estava bem longe de imaginar que com pouco mais de um quarto de hora de jogo as afiadas garras tivessem já estripado as asas ao Dragão, e para quem tem asas Jesualdo voou baixinho de cara*!#*&!!!!.

Havia deixado no ar espaço aos devaneios do Prof. e de como eles são nefastos à identidade do Dragão…pois bem o embate de ontem trouxe o reavivar das nuances tácticas fez-me lembrar Stanford Bridge e se me custa digerir o travo amargo da derrota mais me custa entender como é que o Mister do Dragão com tantos anos de futebol se deixa armadilhar e se deixa engodar uma vez mais por P.Bento.

Leões sem surpresas no onze onde durante toda a semana se havia prescrito um zona média composta por 5 unidades, deixa-me siderado a incapacidade táctica azul de obstar ao fluxo de jogo canalizado a esquerda pelo ataque verde (Vukcevic, Romagnoli, Izmailov) e a inobservância de colocar Quaresma a refrear os ímpetos de Pereirinha e explorar a sua possível intranquilidade dado o cariz do jogo. Se causava receio confrontar o nosso trio de meio campo com o quinteto leonino porque raio haveria de acabar então a jogar só com duas unidades e a dar conta do recado???

O lateral improvisado dos viscondes meteu no bolso muitos dos Azuis que pisaram aquelas zonas do terreno, tendo tempo ainda para algumas incursões ofensivas que fizeram de Fucile um banal lateral esquerdo, pondo a nú a total descoordenação com Cech. Postas assim as coisas e até podia começar aqui a explicação da derrota Portista, mas não!!!!

O Porto embora no pouco habitual 4*4*2 entrou bem e a passagem da dezena de minutos para alem do bem invalidado golo a Lisandro já o seu compatriota de outros tangos Lucho falhara soberanas oportunidades de fazer balançar as redes de Rui Patrício, os dragões não mostravam qualquer incomodo com a sua veste táctica mas como diria alguém o futebol as vezes é ingrato e as máximas quando em vez aplicam-se…quem não mata morre!!! Ou quem muito falha acaba a sofrer!!!

Minuto treze, Helton abre a capoeira a raposa montenegrina, ávida de espontaneidade, exponencia a lei da gravidade e o valor da força de atracção da bola pelo fundo das redes azuis e os lagartos saiam na frente ao 2 remate….Cruel!!!

Sem tempo para lamber as feridas, novo lance, um sem número de chances para afastar a bola da zona de tiro acaba com a bola no flanco esquerdo e novo golo, ainda que ferido de ilegalidade a luz do off-side. Atónitos, incrédulos daqui para a frente mais Porto se haveria de ver, sem que qualquer um dos nossos artistas deslindasse o caminho para o golo que nos colocasse na mira daquilo que seria um volte face épico pouco visto nos campeonatos Lusos. Grande vontade, enorme raça e querer inverter do sentido contra natura do clássico, os dragões tinham momentos de assomo e excessiva qualidade, o Harry Potter sem ser brilhante dava um ar da sua graça com alguns truques, Lucho bailava com sucessivas desmarcações e movimentações capaz de sozinho atormentar o ultimo reduto leonino, Licha era um poço de espírito Dragão deambulava toda a frente de ataque acorrendo e lutando por toda e qualquer posse de bola.

Com o 2º tempo o Porto recuperava com Farias o 4*3*3 e dava um cheirete de bola que só não resultava em amargos de boca para o adversário dada a indomável inoperância e aselhice na hora da finalização, chegou a ser avassalador o domínio, a qualidade de jogo ofensivo do campeão nacional em titulo, ficava bem a vista e ao cimo do relvado a diferença que separa por ora os 2 emblemas, mas….há sempre um mas!?!!?

Apesar de tudo o que ficou bem patenteado a flor da relva os Azuis somaram em determinadas fases de construção um invulgar número de passes errados e de inconsequentes remates, Bosingwa poucas vezes foi a habitual gazua (muito por mérito de Izmailov). O Sporting superava-se em entrega e abnegação pelo defender do resultado, sem nunca descurar pôr os olhos na baliza nortenha e é bem verdade que em mais um par de ocasiões esteve perto do dilatar da vantagem dando assim contornos ainda mais mentirosos ao resultado final. Manter-se-ia inalterável o resultado bem como o caminho dos remates desferidos pelos dianteiros azuis, as alterações preconizadas pelos técnicos em nada influenciaram o desenrolar do jogo. Consumada a derrota, a 2ª em outras tantas partidas além Dragão, depois da supra eficácia frente aos Arsenalistas no virar do campeonato não haverá motivos de grande alarmismo face ao que foi a exibição Azul e branca, contudo convêm avivar a memoria que mais saídas com grau de dificuldade elevado se afiguram no horizonte e mesmo com uma almofada de pontos respeitável face aos directos perseguidores há ainda muita Bwin pela frente.

Amargurado pelo desaire, não deixo de concordar com a leitura de jogo feita pelo técnico portistas, não me lembro de uma exibição tão qualitativa e quantitativa em posse de bola, de um caudal ofensivo onde tenha parecido tão fácil ganhar em Alvalade excepção feita a um Porto de Mourinho onde mesmo com um sem numero de penaltys sonegados saímos vitoriosos. No que a destaques individuais diz respeito fica difícil apesar da derrota mantenho que o Porto fez um bom jogo com as habitais prestações laboriosas e de qualidade de Lisandro, Lucho fez talvez um dos melhores clássicos e/ou derbies em Portugal, P.Assunção sempre pendular e Farias que mostrou pormenores de qualidade deixando prever muitas alegrias nas entre linhas.

Negativamente Helton pelo momento de facilitismo e desconcentração apenas atenuado e amenizado pelo esforço estóico de resistir mesmo inferiorizado fisicamente, Cech uma vitima dos sistema e todo o último reduto defensivo, Bosingwa porque pela boca morre o peixe (vide a ultimas declarações sobre adversários e opositores do flanco), os centrais porque nunca se entenderam nas movimentações dos leões da frente.

Momento Arbitral
O Xistema, apesar do golo mal validado onde não se lhe podem ser assacadas culpas pois o erro é do árbitro assistente que acompanhava o ataque leonino tirando uma outra má interpretação da lei da falta, no 1º tempo deixou rolar o jogo e os jogadores não complicaram. Perdeu-se para o jogo quando foi incapaz de expulsar Liedson , poupando dai em diante outros lance de excesso de virilidade (B.Alves), um 2º tempo bem mais complicado onde só Vukcevic fez uma dezena de faltas sem direito ao amarelo…incrível!!?!? Não o ligo directamente ao resultado mas para quem se afigura como novo internacional não teve estreia auspiciosa e o hoje ate quase que era a feijões. Sobre o penalty salvo melhor opinião já vi serem assinalados por menos…

Momento Televisivo
Quaresma e o seu indomável espírito de mustang selvagem, depois dos assobios e das palavras de Jesualdo ao seus débeis e sensíveis pavilhões auriculares sabia-se que as câmaras estariam em cima dele, pois bem após a substituição vai ajudar os pasquins a vender e a terem tema de conversa para um tempo…santa ingenuidade e imaturidade!!!!

Escalpelizados o antes e o depois, o melhor momento da resanha desportiva sobre o clássico foi quando nas já adiantadas horas a Tvi exibiu o resumo do jogo e por alturas do lance da lesão de Helton, esperava eu pela veemente retaliação ao lance agreste de Liedson e deparo-me com estas palavras “…Helton foi vitima do seu próprio excesso de confiança…”, fica tudo dito, para meu espanto quando chamados a exibir os lances e casos do jogo para a prosa do Coroado, tínhamos o lance de B.Alves mas não o anterior, por isso é melhor ir-mos para intervalo. Assim rola a bola em tal canal!!!

Bruno Rocha"

27 de janeiro de 2008

Je suis trés inventive...

LIGA - 17.ª JORNADA

SPORTING, 2-FC PORTO, 0

Estádio Alvalade, Lisboa
Hora: 20:00
Árbitro: Carlos Xistra (Castelo Branco)

FC PORTO: Helton; Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Fucile; Paulo Assunção, Lucho González, Marek Cech(Farias) e Raul Meireles (M.Gonzalez); Lisandro López e Ricardo Quaresma (H.Barbosa)
Treinador: Jesualdo Ferreira
Suplentes: Nuno, Stepanov, Mariano, Bolatti, Farías, Hélder Barbosa e Adriano

Título afrancesado? Porquê, perguntarão alguns. Ora, porque me apetece, porque estou fod**o, porque detesto perder e, tenho que confessar, sempre odiei o professor Pardal, essa personagem mítica da BD [ou gibi, como dizem os brasileiros], inventor a tempo inteiro.

Não consigo ver futebol de outra forma. Aliás, existe outra forma?

Os 14 pontos de avanço não são suficientes, nesta altura, para me tirar o travo amargo da boca. Há quem confunda isto com azia. Não é. Detesto perder. Seja com 1 de avanço, ou com 15, mas o sabor daí resultante é, podem crer, amargo. Não sou daqueles que acha que o campeonato se encontra definitivamente fechado. Não está. E é bom que, para além de mim, alguém naquele plantel pense da mesma forma.

Não está em causa, sequer, a diferença qualitativa dos portistas para os seus mais directos adversários. Algo estranho de se dizer, logo após uma derrora com um dos eternos rivais, calcorreando as ruas da amargura, por esta altura. Mas é a mais pura verdade, indesmentível e atestada no quase imaculado percurso que os Dragões têm feito, intra-muros.

Digo isto, sem pudor, por achar a 2ª volta do Porto terrivelmente complicada, com um sem número de saídas de alto risco. Se aliarmos ao valor dos opositores que nos caberão em conta, essa tendência inata para o desperdício de golos inacreditáveis, a margem pontual pode sofrer alguma redução. Adicione-se a pressão indesejável já colocada nos ombros dos homens do apito, com o ressuscitamento das declarações de sempre do Orelhas [finalmente passou-lhe a azia provocada pela trivela] e temos um belo caldo morno, pronto a ser servido a preceito. Preparem-se porque isto ainda não acabou.

Quanto ao jogo de hoje, sinceramente, não me apetece tecer grandes considerações. Foi mais do mesmo. E isso cansa. Farto-me das invenções, em jogos de grau de dificuldade elevado. Chateia-me solenemente a disparidade entre o discurso técnico agressivo e atacante e a postura de contenção que a equipa apresenta.

E, no meio disto tudo, o que mais me chateia ainda é este repisar, minha imagem de marca, que após uma derrota disseca vezes sem conta as oportunidades desperdiçadas ingloriamente, que poderiam dar um rumo diferente à partida. Voltas e voltas na cama, amargurado não pela derrota, mas pela forma como ela apareceu. Evitável.

Foram tantas. Tão flagrantes. Hoje, logo aos 28 segundos de jogo, viu-se que os deuses da fortuna nos tinham virado as costas. Lucho, magistralmente isolado, remata ao lado. Não foi necessário esperar muito mais, para ver o perigo a rondar a área leonina. Golo [bem] anulado a Lisandro, num cabeceamento imparável do argentino, aos 10', e menos de um minuto depois, novamente Lucho, numa excelente combinação com o compatriota das pampas, a desperdiçar um soberano ensejo de visar com êxito a baliza de Rui Patrício.

Lá diz o ditado, tornado lugar-comum, que quem não marca sofre. O Porto sentiu isso na pele. Em duplicado. Castigo atroz e injusto, penalizando os Dragões em dois lances fortuitos, com a defensiva portista a ficar mal na fotografia, em ambas as ocasiões. Helton, que se tinha cotado com algumas intervenções decisivas nas últimas partidas dos azuis e brancos, aparecerá como principal réu, no golo inaugural, deixando a bola passar pelo meio das pernas.

Os Dragões sentiram o toque. Abanaram, mas nem por isso deixaram de comandar a partida, com o beneplácito do adversário, mais preocupado em suster a previsível reacção portista. Mas esta surgiu apenas pós-intervalo. Jesualdo, sem nada a perder, substitui Cech, metendo na partida o avançado argentino Farías.

E, cá por casa, as imprecações aumentaram de volume, ao ver a forma inacreditável como a bola se recusava a perfurar as redes do Sporting. Atentem nestes lances:

54' - Excelente passe de Paulo Assunção a servir Lucho na área leonina, com o argentino, sem oposição, a cabecear ao lado do poste direito.

57' - Excelente jogada dos dragões, com Fucile a cruzar da esquerda e Farías a rematar para Polga evitar o golo sobre a linha.

58' - Farías novamente em evidência, agora a cabecear à trave da baliza de Rui Patrício após centro da esquerda.

66' - Falhanço incrível de Lucho, que surgia completamente à vontade no coração da área após assistência de Lisandro da direita. A bola sai ao lado do poste direito da baliza de Patrício.

72' - Lisandro remata, de pé esquerdo, ao lado do poste direito após centro de Quaresma da esquerda.

82' - Lisandro remata em jeito após jogada de Lucho, mas a bola sai ao lado do poste esquerdo.

Decididamente, nada mais se poderia fazer. Derrota justa? Atendendo ao número de oportunidades criadas pelos Dragões e à personalidade demonstrada, até ao golo inaugural, apetecia-me gritar um rotunda NÃO. Apetecia, mas não o faço.

Foram 45 minutos de avanço dados aos leões receosos, em nova invenção que, como sempre, em nada beneficiou a equipa. Mordo a língua, neste momento, para não alongar a dissertação sobre o que tolhe o técnico azul e branco, em jogos deste calibre. Seria caso para uma tese, se eu tivesse tempo. Haverá quem faça a apologia do 4-4-2, quem teça loas à forma como os Dragões se assenhorearam do controlo da partida mas, quanto a mim, o habitual 4-3-3, com Farías na frente, seria o indicado. Será sempre mais fácil dizê-lo agora, no final, é certo, mas parece-me algo consensual que é nesse sistema de jogo que o Porto explana melhor as suas virtudes.

nota: Espantoso também como alguns fora-de-jogo são vistos ao longe, entusiasticamente marcados, e outros [2º golo do Sporting] rapidamente desculpados pelos tarefeiros de serviço. Mais do mesmo, numa situação que, aposto, não será motivo de polémica nem grandes parangonas nos jornais. Nem essa, nem o empurrão nada inocente de Ronny a Quaresma, dentro da área leonina. E aí é que está o busílis da questão. Não foi inocente, e a premeditação será, com o aproximar do final da Superliga, mais despudorada. Não tenham dúvidas. Vai valer tudo. Hoje, o Xist[r]ema no seu melhor!