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1 de abril de 2009

Desesperados

Nesta recta final da competição-mor do futebol luso vai valer tudo. Literalmente. Já se tinha percebido, com os pontuais erros dos árbitros a serem, cada vez mais, regulares. Perdida a vergonha, motivada pelo avanço pontual dos Dragões, actua-se às claras. De forma impune. Os últimos 180 minutos no Dragão já tinham mostrado o que nos espera. Penaltys sonegados, lances de golo legais invalidados, de forma despudorada.

Depois, a tristemente célebre final da Taça da Liga colocou as coisas no seu devido lugar. Mostrou quem manda no pantanoso futebol tuga. A verdadeira face do sistema. E, sabendo que o tempo urge, as armas utilizadas reflectem cada vez mais o destempero de quem vê o título como uma miragem...

Na Amadora, espantosamente com ordenados [ainda] em atraso, não se treina ao longo da semana, convenientemente antes da recepção à "locomotiva da transparência do futebol luso". Não foi necessário os préstimos de um diligente funcionário da Liga para transferir um encontro de capital importância para o Algarve, mas a estratégia é similar.

Não bastava isso para causar pruridos aos defensores da moral e bons costumes, soube-se que o nomeado para apitar o crucial Guimarães-Porto foi...Carlos Xistra. Num embate que se prevê jogado sob ambiente tenso, com um público pressionante nas bancadas, cirurgicamente escolhe-se que gosta de tramar os portistas. Basta atentar na meia-final da Taça da Liga, onde uma equipa de azul e branco foi notoriamente espoliada no Alvalade XXI, mostrando que o Xist[r]ema estava de boa saúde.

A última alfinetada, jocosamente guardada para o dia das mentiras, foi o castigo a Lisandro, pela pretensa simulação no embate frente às águias. E assim, num ápice, sem qualquer ponta de pudor, jogam-se as cartadas todas.

ps: Espanta-me apenas que essa gentalha ainda não saiba de que massa são feitos os atletas que usam o Dragão ao peito, quase como uma segunda pele. É nestas alturas que a mística vem ao de cima. E, mesmo contra todos, prevelecerá a justiça. Venceremos!

22 de março de 2009

Quem diz a verdade...

"A verdade é que não interessa como ganhamos. De penálti, de canto, de falta, o importante é ganhar. Se foi (grande penalidade), se não foi, sinceramente não sei. Mas o importante é que ganhámos e há alegria no balneário".

reyes, jogador da corja encarnada

Mas afinal não costumam ser estes filhos da puta que radicalizam discursos, colocando em causa os troféus conquistados pelos outros? E agora saem-se com esta? Os meios justificam os fins? Caiu-lhes a máscara, finalmente. O que uma vitória numa pequena e desprezível competição não provoca...

Be afraid, be very afraid

"Agora tenham medo de nós", verbalizou no final da Taça da Liga o hondurenho Suazo, incapaz de controlar a alegria, depois da forjada vitória frente aos rivais da 2ª circular.

Descontando a habitual estupidez congénita inerente à bravata fátua [basta alguém ter perdido tempo a ver a miserável exibição dos encarnados para não levar o avançado a sério], a realidade até vem reforçar o aviso do jogador encarnado.

Tenham medo. Muito medo deste Benfica que vence de forma injusta. Que ganha depois de protagonizar um verdadeiro atentado à verdade desportiva. Que ergue o troféu depois de uma expulsão grotesca e de um penalty obscenamente concedido.

Se a isso juntarmos o habitual rosário de erros, favoráveis ao clube do Orelhas, e tivermos em linha de conta a última prestação de Cosme Machado no Dragão, no Porto-Naval, é caso para ficarmos preocupados.

Somos a melhor equipa portuguesa. A anos-luz dos restantes adversários. Mas bastará isso para este País de gente mesquinha nos deixar vencer?

21 de março de 2009

A Taça que eles queriam...

O País teve a Taça que queria. Uma final entre a irmanada dupla de contendores lisboeta, para gáudio da turba. JM Delgado, sorriso afivelado no rosto, passou o tempo todo, desde o conhecimento dos intervenientes na final, a tecer loas à Taça da Liga, elogiando amiúde o seu mentor, o anafado Loureiro. Compreende-se. A pouca importância devotada pelo Porto relativa à novel competição incomodou alguns espíritos mesquinhos.

E, volto a repetir, o País teve o que queria. O espectáculo obsceno, dado pela TV, perdurará durante muito tempo. Agressões, em 90 minutos de verdadeira batalha campal, onde o futebol foi o primeiro dano colateral. Para não variar, tendo como juiz Lucílio Baptista, os erros arbitrais seriam mais que muitos.

O penalty, acrescido da expulsão de Pedro Silva, permitindo o empate à "locomotiva de transparência do futebol português", foi catalogado na década de oitenta por Pedroto. Colocando o nome aos bois. Roubo de Igreja. Continua tudo imutável no futebol luso.

Finda a partida, resta apenas dizer que esta é mesmo a final que o tristonho cantinho à beira-mar plantado merece. O desporto-rei, esse, pede desculpas aos seus adeptos. O futebol a sério volta dentro de momentos...

21 de fevereiro de 2009

Ficaram mais "Levezinho[s]"

O trauliteirismo fez nova vítima. O caceteirismo, como doutrina de cabeceira, arranjou presa para imolar no altar da insanidade. Depois de Lisandro Lopez ser brutalmente atingido por Karagounis, jazendo enfermo meses a fio. Depois de Anderson ser atropelado, perante a benevolência arbitral, por um boi grego, impunemente pisando relvados lusitanos. Hoje chegou a vez de Postiga. Não de Dragão ao peito, mas sempre perante adversários vestindo as camisolas encarnadas. Sempre. Luisão foi o algoz.

Como o futebol, às vezes, consegue ser irónico, foi o substituto do ex-jogador portista que empalou as águias, quase como se o Destino, farto de tanta complacência e proteccionismo dos juízes de campo aos jogadores da corja, decidisse administrar directamenta a Justiça. Derlei vestiu a pele de Justiceiro. Não apenas de Postiga, colega de profissão, amigo no plantel verde e branco. Mas de todos nós. Os que de forma impotente assistiram a tantos desvarios.

Grande Ninja.

Soletrem novamente. Vá lá, devagarinho:

C.H.U.P.E.M.

ps: Benquerença será, até ao final da sua existência terrena, perseguido pelos apóstolos da verdade adulterada. O lance, ainda hoje esmiuçado por pretensos analistas, de Baía a defender a bola rematada por Petit, atormenta o juiz. Mesmo que este, por todos os meios, procure a sua redenção. Fê-lo, pressuroso, numa Supertaça entre a corja encarnada e o Setúbal, validando o único golo da partida, obtido em falta, aos vermelhos. Mas não chega. Como agiotas, eles [re]lembram Benquerença do seu erro. Nesta via-sacra, cabe ao árbitro ir abatendo os débitos, numa conta-corrente sempre favorável a Orelhas e Cª. Quanto valerá ter fechado os olhos ao penalty tão claro, cometido por Maxi Pereira, numa altura crucial do encontro? Saberemos nas cenas dos próximos capítulos...

9 de fevereiro de 2009

O Yebda é mentiroso


Para além do penteado ridículo [ó minha grande besta, o cabelo oxigenado estava na moda...mas na década de 80], de coleccionar clubes desconhecidos no palmarés, o franco-argelino que joga na corja é mentiroso. Aliás, MENTIROSO. Com maiúscula. "Não fiz penalty", choramingava o boi no final do clássico de Domingo, logo amparado por pressurosos jornalistas, diligentemente estendendo os microfones para ouvir a sapiência do jogador.

Nada de novo. Apenas a reciclagem da táctica de Goebbels, o ministro da propaganda nazi. Uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade. O chavão. O mantra. Seguido à risca por pseudo-jornalistas, esquecidos de éticas e deontologias, que deveriam nortear a sua profissão. Entende-se. A raiva, o ódio, a mesquinhez congénita, tolda o raciocínio.

Depois da palhaçada em Guimarães, com os vitorianos a serem roubados, mas alarvemente a darem a outra face, do roubo descarado sofrido pelo Belenenses, na mesma Taça da Liga [entende-se assim a enxurrada de elogios que Delgado ministra à novel competição], do escândalo na Luz, no jogo com o Braga, surripiando perante milhares de testemunhas os 3 pontos à equipa de Jorge Jesus, era crucial fazer algo. Criar um facto.

Tentaram na Pedreira, quando os azuis e brancos cilindraram os arsenalistas. Timidamente, falaram de um penalty. Depois, mais afoitos, subiram a parada. Dois. Três. Quatro, numa orgia grotesca que lhes saciava o fel.

E ontem, frustrados por perderem dois pontos que julgavam ganhos, branquearam o que se passou no Dragão.

- Penalty claro e inequívoco cometido por Reyes, sobre Lucho. Pedro Proença comete um lapso gritante, dando a lei da vantagem. Mas qual lei? Num lance de grande-penalidade?

- Poucos minutos depois, Sidnei beneficiou da habitual impunidade permitida a quem equipa de vermelho. Brutal entrada sobre Lucho, com o cartão vermelho a ficar escondido no bolso do juiz. Quem é amigo, quem é?

- E depois a pantomina. O circo. O penalty que dá o empate ao Porto, com o coro de virgens impolutas a bradarem a indignação costumeira. Pois. Felizmente, as imagens não mentem. E logo três. Querem ver que os adeptos das teorias da conspiração ainda vão dizer que as fotos foram manobradas em PhotoShop? E que aquele não é o braço de Yebda?

Se existisse alguém de tomates nesta País de merda, as fotos eram escarrapachadas nas trombas da besta argelina. E depois, ele que explicasse se não toca no Lisandro. E se aquilo não é falta.

Cada dia mais orgulhoso de ser PORTISTA!

7 de fevereiro de 2009

Be afraid, be very afraid

O palco glorioso do Dragão será pisado, amanhã, por uma personagem peculiar. Pedro Proença, gel no cabelo, ar circunspecto, aparentemente calmo e incólume ao vulcão das bancadas, é o decisor encontrado pelas instâncias mais altas para o clássico da jornada.

Aparentemente, nada de novo, não fosse o caso de o juiz de campo ser assumidamente...benfiquista. Sim, o homem aparentemente venera o vermelho. Alguns, mais ingénuos, poderá dizer que a sua filiação clubista não interferirá no ajuizamento dos lancs da partida. Mas, pergunto eu, conseguirá ele ficar popositadamente neutro, caso o seu devotado clube estiver a perder? O ser humano consegue ser impacial? Não, claro que não. É um mito este, criado décadas a fio, transformando os árbitros e os jornalistas em seres perfeitos, incapazes de verem as suas opiniões toldadas por factores alheios. As nossas decisões são resultado de associações feitas, de convicções morais e éticas doutrinadas ao longa da vida. Por isso, Pedro Proença não conseguirá, nunca, agir de forma natural e deontológica numa situação que configure risco ou prejuízo para o clube que lhe ensinaram a amar.

A história não nos ajuda muito, dado que o referido árbitro apenas por uma vez apitou um Benfica-Porto. Mas, não ajudando no pleno sentido da palavra, lança alguma luz sobre o comportamento provável de Pedro Proença.

Em 2006/07, o resultado na Luz terminou num empate a uma bola. Até aqui, tudo inócuo. Mas os menos distraídos lembrar-se-ão do golo do empate, depois do inaugural golo dos azuis e brancos. Faltavam cerca de 9 minutos para o derradeiro apito do árbitro. Um livre levou a bola a sobrevoar a área portista. E lá, claramente em posição de fora-de-jogo, David Luiz disputou o esférico com Lucho, com este a dar o último toque antes do esférico se anichar nas redes à guarda de Helton. Um lance ferido de legalidade, passível de anulação, mas a que o juiz do encontro benevolamente deu o seu aval.

É este Pedro Proença. Habitualmente endeusado pela crítica [pudera], mas capaz de cirurgicamente alterar o destino de uma partida. Amanhã será preciso estar atento...

ps: Mais atentos do que em Vila do Conde, onde os dois pontos perdidos pelo Porto tiveram a mãozinha amiga de Proença. Com um fétiche pelos últimos minutos, foi já no ocaso da partida que não assinalou uma monumental grande penalidade, por clara mão na bola de um jogador vilacondense.

1 de fevereiro de 2009

Serviço encomendado e o manguito de Jesualdo

Duarte Gomes e o seu fiscal-de-linha predilecto levavam a lição bem estudada. Três jogadores do Porto com 4 amarelos. Uma imprensa a suspirar, durante a semana, pelo 5º. Hulk, Fucile e Lisandro. Apontados, a lápis, num papelzinho rasca, de cor branca, enfiado à socapa no bolso do equipamento do juiz de linha.

Nem seria preciso tal cuidado. Aposto que, durante a semana, e como bons profissionais, o trio de arbitragem laboriosamente decorou o nome dos alvos a abater.

A oportunidade surgiu, no desenrolar da partida, numa das incursões atacantes do lateral direito portista. Fucile, sempre lesto no apoio ao ataque, perdeu a bola. Procurava recuperar rapidamente o seu posto, na guarda das redes portistas, quando o esférico, despachado pelo adversário, lhe bateu na mão. A imagem não mostra, mas era capaz de apostar que Duarte Gomes sorriu, de contentamento, diligente e pressuroso para agradar ao mandante da encomenda.

O amarelo, mostrado de forma exuberante, alegrou a turba, um pouco por todo o lado. E lá iam eles, acompanhando as incidências da partida, esperançosos que Hulk fosse o próximo.

Mas Jesualdo, de forma subtil mas nem por isso menos dolorosa, sodomizou-os. Como se diz na gíria, "deixou-os pousar". E quando Lisandro, entrado momentos antes, mostrando também que o Porto não se verga ao medo das diatribes da gentalha que pulula no sistema, ofereceu o golo de bandeja ao compatriota Lucho, a estratégia, digna de grande mestre do xadrez, revelou-se.

Lançamento de linha lateral, o uruguaio a demorar uma eternidade, forçando claramente a expulsão, por duplo amarelo. E o manguito, a todos que sorriam pela sua ausência no clássico da próxima jornada, foi dado. Em todo o seu esplendor. Se o castigo do 5º amarelo teria que ser, forçosamente, cumprido no campeonato, a expulsão tem efeitos imediatos. E assim, paulatinamente, se vai contrapondo aos roubos a mais elementar justiça.

ps: Fomos roubados. Ponto. Golo falso, irregular, do Belenenses, relançando uma partida moribunda. Admoestação a Fucile escandalosamente inventada. E, aposto, o tema de conversa recorrente durante a próxima semana será a...ética desportiva.Vai uma aposta que ainda vamos ler Delgados e Cartaxanas a escreverem, raivosamente, sobre a verdade desportiva?

25 de janeiro de 2009

Ensaio sobre a Cegueira - a sequela

Já tinha caído a noite, há muito. A casa, silenciosa, era vergastada pelo vento que soprava forte. O silêncio era apenas recortado pelo barulho do soalho, estalando regularmente. O homem, deitado com as mãos debaixo da cabeça, aguardava com impaciência.

Ao fim de uns minutos levantou a cabeça, cautelosamente. A respiração profunda da companheira indiciava aquilo que ele desejava: tinha finalmente caído no sono. Sibilava, quando inspirava profundamente, o que a fazia ressonar ao de leve. Levantando-se com cuidado, o homem ficou parado, por instantes, olhando com carinho para a sua mulher, admirando o perfil recatado, a pele suave, ligeiramente manchada pela idade.

Vestiu o roupão, estremecendo de frio. Apressou-se a descer as escadas, avançando na penumbra, conhecedor do caminho, trilhado amiúde às escuras. Entrou no seu santuário, onde crepitava um fogo na lareira, acolhedor. Acendeu as luzes, deixando que o brilho incandescente se derramasse nos aposentos. O escritório, profusamente decorado com livros, em todas as paredes, encontrava-se atapetado com uma alcatifa escura, fruto da mente decorativa de Pilar. Saramago sorriu, com benevolência, ao recordar o porte majestoso da esposa. Sentou-se atrás da sua secretária, uma imensa peça de mogno trabalhado, escura, onde o computador piscava, provocante. Suspirou. Adorava aquele recanto, onde tinha congeminado a maioria das suas histórias. Ali, na vulcânica Lanzarote, tinha encontrado a paz.

Abriu uma das gavetas, retirando o seu tesouro. Um Cohibas, cubano de excelência, enviado pelo próprio Castro, anos atrás. Aspirou o seu formato, inebriando-se com o aroma adocicado. O médico tinha-o proibido de fumar, de forma determinada. E Pilar, a doce amada, seguia à risca os conselhos, quase como um sargento da Gestapo, vigiando-o como um falcão. Acendeu o charuto, dando uma baforada de forma prazenteira. Aproveitou o momento, deixando que a coluna de fumo subisse, lentamente, até ao tecto.

Sentia-se inquieto. Precisava de escrever. Algo pulsava no seu interior, como possuindo vida própria, incitando-o a debitar palavra após palavra. Tinha apenas um problema. E dos grandes. Estava sem ideias. A inspiração, cruel, tinha-o deixado, depois do prazo esgotante da sua última publicação.

Navegou na internet, inteirando-se das notícias mundanas. Seguia atentamente tudo o que se passava no Mundo, em geral, e na sua Pátria, em particular. Os olhos brilharam, maliciosos, ao passarem sobre os jornais desportivos lusos. A génese de uma ideia começou a germinar, no mais recôndito do seu cérebro.

Ele já tinha a concepção de que necessitava para a sua nova obra. Febril, debruçou-se sobre um caderno velho, escrevinhando furiosamente tópicos. Pela primeira vez, na sua carreira, escreveria uma sequela. Ensaio sobre a Cegueira, parte 2. Uma versão mais soft, provavelmente, mas partindo da reflexão do livro original.

A cegueira. Abatendo-se impiedosamente sobre um homem, de início. Quase como se o Destino o quisesse castigar, num ajuste de contas privado. Aquela figura rubicunda, baixa e untuosa, parca em cabelos, que chefiava a Liga de Clubes, era o portador do flagelo. Inexplicavelmente, vê-se afectado pela praga, a cegueira branca, com os olhos cobertos de uma superfície leitosa, impedindo-o de ver o Mundo ao seu redor. Contagiosa, a doença rapidamente se espalha ao resto do edifício, colocando os seus ocupantes numa espécie de quarentena. Os gritos dos seus subordinados ecoam nos tímpanos de Hermínio Loureiro. “A Taça… a Taça do Campeonato… não sabemos onde está…”. Hermínio, sentado na sua poltrona, arrepia-se com o provável escândalo. Tem campeão, mas não tem taça para lhe entregar. Em pânico, levanta-se repentinamente, apenas para esbarrar num móvel. Uivou de dor…

Saramago sorri, descansando por momentos. O primeiro esboço agrada-lhe. Puxa mais uma fumaça do charuto, recostando-se na poltrona. Olha pela janela, imaginando o resto.

A cegueira, conhecida como martírio branco, continua a espalhar-se, aparentemente de forma aleatória. Em Guimarães, num banal encontro futebolístico, afecta o árbitro do encontro, num momento crucial, impedindo-o de ver uma grande penalidade clara, cometida por Maxi Pereira, sobre um jogador da casa. O erro, capaz de por si só de toldar a racionalidade dos espectadores, não provoca qualquer tumulto. No banco da equipa da casa, rindo-se alarvemente, o treinador dos vitorianos nada vê, fazendo comunhão espiritual e física com o árbitro do encontro. Cegos.

O Nobel da literatura passa a mão pela testa, sentindo o cansaço a acumular-se. Ainda pensa em regressar ao conforto dos lençóis, para repousar o corpo fatigado. Mas abandona a ideia. Não conseguiria adormecer novamente. Não agora, que sente a escrita a fluir-lhe nas veias, impante de vontade.

O fenómeno, preocupante, alastra-se cada vez mais. Uns dias decorridos, e a estirpe mais grave da doença ataca em pleno Estádio da Luz. Paulo Baptista, visualmente são, ao entrar no campo relvado, antes do início da contenda, comete uma série de pecadilhos quase obscenos, num claro favorecimento caseiro. No final, quando interpelado pelo treinador bracarense, o árbitro e os seus auxiliares apoiam-se mutuamente, avançando às cegas, enquanto murmuram em transe: “estamos cegos.. estamos cegos… não vimos nada…”. Jorge Jesus limita-se a abanar a cabeça e a olhar para os céus, impotente.

Saramago relê o que tinha acabado de escrever, rindo com vontade. A sequela do seu best-seller serve para acertar contas com o desporto-rei, do qual sempre se mostrou alheado. Mas sente que tem ali matéria-prima. Suspira, voltando ao trabalho.

As bancadas imponentes do Dragão, habituadas aos cânticos de exaltação clubista, mostram-se estranhamente silenciosas. No seu seio, a multidão que se acotovela, olha para o terreno de jogo, incrédula. Praticamente todos tinham já ouvido falar do fenómeno que atormenta o País, essa cegueira congénita. Não esperavam, no entanto, que o seu momento de lazer fosse, de alguma forma, estragado pelo seu aparecimento. E aquele empate, a zero, perante um inofensivo Trofense, apenas pode ter sido motivado pela praga. Um golo mal invalidado. Um penalty claro, perdoado quase no ocaso da partida. Teriam sido erros deliberados? Acidentais? Ou fruto da cegueira? Aparentemente conformados com a explicação última, abandonam ordeiramente o recinto, amaldiçoando a doença…

Absorto, Saramago escreve agora a um ritmo intenso, apenas parando para virar as folhas do caderno.

A onda de cegueira alastra-se ao Norte do País, provando que geograficamente ninguém fica impune ao seu aparecimento. Em Vila do Conde, terra piscatória, onde o ar transporta consigo o odor mágico da maresia, um monumental fora-de-jogo, no Estádio dos Arcos, é deixado passar, permitindo a vitória dos lisboetas de listas verdes e brancas. Com tranquilidade, os três preciosos pontos são somados ao pecúlio já existente, deixando os dirigentes leoninos a assobiar para o alto. O juiz de campo, com o vil protagonismo a cair-lhe em cima dos ombros, entrou de quarentena, novel vítima da cegueira total.

Saramago ajeitou os óculos, resolvendo limpar as lentes, permitindo que as suas ideias se ordenassem, no meio da confusão criativa que pairava na sua mente. Continuou…

Apesar dos ecos de indignação, com o descontentamento a sair do estado latente, ninguém encontrava forma de colocar um ponto final na praga. O antídoto para a cegueira, ainda não encontrado, deixava uma parte da população a fermentar em cólera. Até que o momento da catarse chegou. Numa tarde solarenga, dicotomia perfeita entre a alegria que os raios de sol prometiam oferecer, e o desvirtuamento de mais um resultado desportivo. Num derby da capital, a equipa vinda de Belém assiste, aturdida, à anulação caprichosa de um golo, sonegando um justo empate. Vendo a ira que se levantava em seu redor, dado que ao golo invalidado se unia uma penalidade roubada descaradamente aos atletas da cruz de Cristo, o homem do apito deitou as mãos aos olhos, rebolando-se no relvado, enquanto gritava a plenos pulmões: “não vejo nada… não vejo nada…”. O álibi da cegueira, desta feita, não surtiu o efeito desejado. Como um rastilho que arde, lenta mas inexoravelmente, os puristas do futebol como desporto-rei, limpo de livres arbítrios, uniram-se de forma aparentemente desconexa, mas funcional. A revolta estalou, um pouco por toda a parte. De Norte a Sul, passando pelas Ilhas, já não envoltas em nevoeiro, um interesse altruísta falou mais alto. Os escribas venenosos dos pasquins foram colocados em navios, forçados a um exílio prolongado, bem longe de solo luso. O desmoronamento cívico da sociedade, fermentado na crise económica que grassava por toda a parte, atinge o ponto de saturação. E nada mais voltou a ser como antes…

O escritor faz nova pausa. Sente os músculos do pescoço doridos, protestando com o excesso de horas em tensão. A pele macilenta reflecte o esgotamento, que o deixa quase prostrado na cadeira. Tem um último assomo. Para terminar…

Passaram-se vários meses, depois da revolta popular. A paz regressou. O País, abençoado pela ausência de défice, com o desemprego a atingir os níveis mais baixos de sempre, regurgita de entusiasmo. É um povo alegre, que ri livremente, liberto de espartilhos. O medo foi afugentado. O futebol, depois de bater no fundo, começa a merecer a atenção dos seus adeptos, que aplaudem extasiados os jogos. Para esse contentamento, contribuíram as medidas tomadas. Jogos à tarde, bilhetes a preços simbólicos, árbitros não obrigados a pertencerem ao clube dos 6 milhões. Uma transformação radical que operou uma metamorfose na face do jogo. Tudo mudou. Bem, nem tudo. Apenas uma coisa permaneceu imutável. Umas gloriosas camisolas, rasgadas de cima a baixo com listas de um azul forte, contrastando com o branco que as pintalgava, continuaram a passear a sua classe, em solo pátrio e no velho continente. O seu símbolo, um Dragão flamejante, usado nas ruas, por uma inteira geração de crianças, sorrisos estampados no rosto, venerando a sua paixão.

Saramago espreguiçou-se. Tinha finalmente terminado. Bocejou, incapaz de controlar o sono. Ainda se ergueu, mas depois parou. Faltava algo. Uma sensação premonitória de que a obra, assim, não tinha o final perfeito. Matutou por instantes. Tornou a sentar-se. Acrescentou mais umas linhas. Sorriu ao lê-las. Agora sim, era um THE END irrepreensível.

Um caminhão decrépito avançava, roncando furiosamente, na estrada poeirenta do Alentejo. As chapas, protestando com vigor em relação à velocidade, provocavam uma chinfrineira assustadora. Ao volante, com uma camisola de cor indefinida, repleta de pequenas nódoas de gordura, o motorista afagava o bigode, enquanto palitava uma das descomunais orelhas com o dedo. No pára-brisas o nome, estampado em letras irregulares, num cartão amarelado. LUIS FILIPE. Na lona que cobria a traseira, em letras garrafais, o cartão de apresentação da empresa: “PNEUS VIEIRA, TUDU O QUE NESSESSITA PARA O SÉU AUTUMÓBELE”. Sorria beatificamente, enquanto enxotava duas moscas. Na traseira, afadigados em arrumarem a carga de pneus em mau estado, os seus dois novos ajudantes. O pequenino e atarracado amigo de longa data, Hermínio de nome próprio, e o Rui, rapazinho por quem nutria enorme estima, contratado para dirigir o departamento de cobranças duvidosas.

18 de janeiro de 2009

É um fartar, vilanagem

Caíram as máscaras. O futebol português está a saque. Literalmente. O assalto à hegemonia do futebol luso, detida pelo Porto, começou anos atrás. Em gabinetes isolados, com manobras de bastidores, preparando cirurgicamente a estratégia de ascensão vermelha ao pódio.

Não se podendo fiar na qualidade da equipa, sistematicamente enxovalhada em palcos nacionais e internacionais, os correlegionários ao serviço da causa optaram por um plano mais elaborado, mas confortavelmente mais seguro.

Tudo começou com o inefável caso do Apito Dourado, parcialmente descoberto por uma imprensa pouco preocupada com os buracos no argumento apresentado. Em todo o seu despudor, as escutas revelaram comportamentos sórdidos do pomposo presidente da Instituição, como ele gosta de referir, mostrando uma imensa teia de interesses, que teve continuação na figura de Ricardo Costa, armado paladino da Justiça, decidindo penas a granel, sem substância, apenas como forma de mitigar frustrações e obliterar a verdade de aparecer.

Se alguns, mais ingénuos, achavam que tudo terminaria com o pífio castigo aplicado as Dragões, rapidamente se desenganaram. O Verão, tórrido fora dos relvados, mostrou a falta de vergonha de alguns, dispostos a humilharem-se por um lugar entre os eleitos.

Arregimentando apoios nos media, que dissertavam de forma pretensamente sábia sobre assuntos do foro jurídico, levaram uma valente bofetada de luva branca, quando a UEFA lhe indicou o verdadeiro lugar: a disputa da Taça para a qual tinham sido apurados.

Nem assim, apesar de tudo, os espíritos mais mesquinhos sossegaram. Um plantel com custo superior a 20 milhões de euros tinha, forçosamente, que dar frutos. Nestas coisas, existe sempre um plano B. Como nem eles próprios se fiam na capacidade desportiva de uma equipa repleta de ídolos com pés de barro, as eliminações patéticas levaram à entrada em cena do desespero.

Este apareceu, ciclicamente, na figura do director desportivo, desvairado em túneis sombrios, usando da coacção sobre os trios de arbitragem, perante a benevolência dos orgãos de decisão, lestos a branquearem as práticas do maestro.

O ponto culminante chegou, ironicamente, numa decisão acertada de Pedro Henriques, ao anular [bem e de forma corajosa] um golo da corja encarnada frente ao Nacional. Foi o pretexto que eles aguardavam, de forma ansiosa. O espectáculo grotesco que se seguiu, na imprensa, deveria ser acompanhado pela célebre bola vermelha no canto superior direito, alertando para a existência de conteúdos impróprios a menores.

A roubalheira, assim caracterizada pelo saudoso Pedroto, atingiu o ponto de não retorno. O desespero, aliado à sensação de impunidade, mostrou a verdadeira face do sistema. E, num curtíssimo espaço de tempo, os assaltos à mão armada vão-se sucedendo, sem que ninguém se lhes oponha.

- Guimarães-Benfica. Nessa Taça da Liga congeminada por Hermínio, o compadrio faz-se sentir. Penalty claro e inequívoco, escamoteado ao Vitória, cometido por Maxi Pereira, quando o marcador assinalava um apertado golo de vantagem para o Benfas;

- Benfica-Braga. A vergonha do ano, protagonizada pelo acéfalo Paulo Baptista, mera marioneta na ânsia de alguns atingirem o 1º lugar. Golo irregular de David Luiz, somado ao penalty [mais um] de Luisão, complacentemente não marcado pelo vetusto juiz;

- Porto-Trofense. O 1º lugar também passava por aqui. E eles sabiam. Golo regular, mal invalidado aos Dragões, a que se juntou, no ocaso da partida, uma grande penalidade, não assinalada, sobre Lisandro. O despautério raiava já o inconcebível;

- Benfica-Belenenses. Novamente a Taça da Liga do amigo Loureiro. Bastava um mísero ponto aos da casa para seguirem em frente. Mas, não fosse o diabo tecê-las, e ao bom estilo de José Veiga [apanhado numa escuta telefónica a escolher árbitros para um Benfica...União da Madeira], a falta de vergonha atingiu o zénite. No último minuto, perante a incredulidade geral, um golo invalidado aos pupilos de Jaime Pacheco, já de si queixoso do penalty não assinalado antes.

O futebol português está, repito, a saque. Até quando?

15 de janeiro de 2009

Uma Taça com nevoeiro...e um Campeonato desvirtuado


árbitros: Lucílio Baptista (AF Setúbal), Venâncio Tomé e Mário Dionísio; Elmano Santos.

NACIONAL: Bracalli; Patacas «cap.», Maicon, Felipe Lopes e Nuno Pinto; Luis Alberto, Edson Sitta, Alonso e Ruben Micael; Mateus e Nenê.
Substituições: Alonso por Miguel Fidalgo (46m), Edson Sitta por Fabiano Oliveira (66m) e Ruben Micael por Bruno Amaro (84m).
Não utilizados: Douglas; Cléber, Juninho e Halliche.
Treinador: Manuel Machado.

FC PORTO: Nuno; Sapunaru, Stepanov, Pedro Emanuel «cap.» e Benítez; Bolatti, Tomás Costa e Guarin; Mariano, Farías e Candeias.
Substituições: Candeias por Rabiola (70m) e Sapunaru por Diogo Viana (78m).
Não utilizados: Ventura; Ivo Pinto, Rafhael, Josué e Sérgio Oliveira.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: cartão amarelo para Alonso (39m), Luis Alberto (39m), Stepanov (39m), Benítez (42m) e Sapunaru (52m).

golos: Ruben Micael (23m), Sapunaru (36m) e Miguel Fidalgo (84m).

Sim, eu sei que isto deveria ser uma crónica sobre o Nacional-Porto. Mas, em português, vernacular, eu quero mesmo é que o jogo se ****. Competições menores, ainda por cima não levadas a sério por quem nelas entra, não me despertam a paixão assolapada que deveriam. Ainda para mais, nem me admira muito se o vencedor já estiver decidido. Mas, quanto às incidências do jogo, já lá vamos…

Ninguém, que gosta do desporto-rei em geral, e do Porto em particular pode andar com as pulsações cardíacas normalizadas. Seja pela frustração do empate contra o autocarro vindo da Trofa, pelo destempero da perda da liderança, que nos soube a pouco, ou pelo silêncio cúmplice e branqueamento encapotado que os media, sempre arvorados em arautos da regeneração do futebol luso, quando lhes convêm, têm praticado, depois do escândalo da Luz, no roubo descarado do Braga.

Alguém, com sentido de humor, afirmou que o Braga teve azar. Foi apanhado na onda de criminalidade que tem invadido o País. Outro, mais dado ao domínio da ironia, tratando-a por tu, proferiu com graça que o Braga teve sorte. Apesar de roubado descaradamente, ainda ficou com o autocarro…e os pneus.

Felizmente, apesar da amizade feita de interesses comuns, maquinadas em negociatas, o Braga provou ter voz. E que não lhes doa, carago. Comecemos por Mesquita Machado. Sem eufemismos. Tratando os bois pelo nome. “Foi um assalto à mão armada, um roubo, e os roubos têm que ser investigados”. Aqui sorri. Investigados, meu bom autarca. Por quem? Pela paladina da Justiça, aquela dos olhos pintados em tons góticos? Santa ingenuidade…

Mas Mesquita Machado foi mais letal que Renteria e Meyong juntos. “Os erros foram premeditados”. Se isto fosse num Estádio, fazia a onda. O homem merecia. E ainda mais depois de, arvorado já no papel de líder da Assembleia Geral da FPF, ter lançado uma suspeita de enorme gravidade. “Existiram influências exteriores para que fosse este árbitro a apitar”. E pensava eu que éramos um País de brandos costumes. Não somos. Ele prova-o. Somos sim um País terceiro-mundista, corrupto, onde o poder e a justiça são ministrados de forma parcial. Regredimos no tempo. Voltamos às saudosas décadas [pelo menos para uma parte da população deste cantinho], onde o campeão era encontrado por decreto.

Tudo começou [e nunca é demais louvar a coragem] com Jorge Jesus. Ao contrário do colega de profissão, sentado no banco do Guimarães, que sorria alarvemente enquanto lhe palmavam um penalty, o treinador bracarense mostrou que os tem no sítio. “Não vencemos porque o árbitro não quis”. Curto e grosso. Para bom entendedor…

Noutro quadrante, o torpor deu lugar à indignação. Esqueceram-se os “project finance”, as luvas de pelica, as boas maneiras à mesa, e a indignação encontrou eco. Paulo Abreu apropriou-se [mas é um plágio perdoável] da máxima de Pedroto. “Roubo de Igreja” e um “comparado com a arbitragem de Pedro Henriques, isto foi obra de um profissional”. Já chegava para colocar muita gente com as orelhas a arder. Mas ele finalizou, qual Liedson de fato e gravata. “Mais levado ao colo deve ser difícil”. Toma. Embrulha. Gostei particularmente de uma frase, proferida em tons apoplécticos. “Os investimentos na arbitragem e em alguma comunicação social começam a dar frutos”. Lapidar. Quando as comadres se zangam, o verniz estala.

E as virgens ofendidas, que escreveram ressentidas após o Benfica-Nacional, têm estado estranhamente desaparecidas. Sempre prontos, naquele espírito corporativo enjoativo, a apaparicarem os responsáveis encarnados, servindo-lhes de respaldo para as grosserias e tonterias debitadas na comunicação social, foram o veículo apropriado para a coacção vergonhosa praticada, durante uma semana, de forma cirúrgica. Entrevistas à nulidade que vegeta no plantel das águias, despudoradamente usando o apelido de um grande avançado portista, ou ao pomposo director-desportivo, tudo serviu para inflamar uma fogueira que arde sempre em lume brando.

Espantosamente, o resultado teve efeitos quase imediatos. Se em Guimarães, para essa prova congeminada por Hermínio Loureiro, a gatunagem foi permitida, de forma submissa [o que umas promessas de jogadores não fazem, pela boa vontade], permitindo que os da casa fossem descaradamente prejudicados, mas sem qualquer intenção de provocar ondas de indignação, o jogo caseiro frente aos arsenalistas fez o País desportivo ficar perplexo. Alguns, beliscando-se, julgavam ter retrocedido, por artes mágicas, no tempo, quando a monopolização de títulos em Lisboa fazia a delícia de muitos. Mas não. A estratégia, congeminada laboriosamente, tem histórico. Começou à muito. Lembram-se da Pinhão jornalista, do marido realizador e da vaca escritora? Pois...

E agora é que é. Vou escrever sobre futebol. Daquele que se tenta vencer dentro das quatro linhas. Desde logo, uma dificuldade enorme. “Mas onde raio é que anda a bola?”, apetece perguntar, quando o nevoeiro se torna no actor principal de uma partida toda ela feita por secundários.

No último estádio onde foi feliz, o Porto apresentou-se de cara renovada. Aliás, como esperado, o perfil azul e branco sofreu uma transformação brutal. Com Nuno na guarda das redes e Pedro Emanuel o rosto da experiência, imperial no centro da defesa, o meio-campo parecia uma congeminação sul-americana, com os agora renegados Guarin, Bolatti e Tomás Costa a serem os elementos pretensamente dinamizadores de todo o futebol do Dragão.

Na frente, confesso, um trio de arrepiar os cabelos. Candeias, cada vez menos interventivo, Farías, cujo nome do meio deveria ser sinónimo de passividade e o fetiche-mor de Jesualdo, Mariano Gonzalez.

Como nem a feijões se gosta de perder, e apesar do jogo se ressentir claramente das adversas condições de visibilidade, coube aos portistas a primeira grande oportunidade de golo. Ironicamente, pela cabeça de um defesa, Sapunaru de seu nome, correspondendo a um belo cruzamento de Mariano. Passado o susto, os madeirenses pressionaram, colocando a descoberto algumas debilidades estruturais da defesa azul e branca.

O golo inaugural, pese a oposição encarniçada de Nuno, surgiu ao 3º remate consecutivo dos avançados nacionalistas. Numa equipa que de campeã apenas ostentava o nome, a ligação entre sectores era praticamente nula, sobressaindo apenas nesta fase o labor de Guarin, na dupla missão de apoiar os homens da frente, mantendo ainda tarefas de apoio defensivo, como demonstrou ao evitar que, aos 30 minutos, o Nacional ampliasse a vantagem.

Fosse pelo nevoeiro, ou por outro motivo qualquer, ninguém ainda se tinha apercebido que existia árbitro no jogo. E que juiz de campo. Lucílio de nome próprio. Baptista de apelido e Calabote de alcunha carinhosa, tantos têm sido os dislates da patética personagem, sempre que se atravessa no nosso caminho. E, para figurar no currículo, nada como nova medalha no peito. Penalty escamoteado aos 31 minutos, quando Mariano é derrubado por Maicon, dentro da área caseira.

O Porto, no entanto, num assomo de dignidade, empatou a contenda. Alonso perde displicente uma bola junto da sua área e Sapunaru fez o que lhe competia. Fuzilou para o empate.

A segunda parte trouxe mais do mesmo, com o cinzentismo do nevoeiro a protagonizar um duelo hercúleo com a vontade indómita de quem procurava jogar, em condições quase surreais. Sem qualquer alteração na dinâmica ofensiva do encontro, sempre com o sinal mais a ser protagonizado pelo Nacional, a qualidade e intensidade decaíram bastante.

Jesualdo tentou alterar o rumo dos acontecimentos. Efectuou a dupla substituição, responsável pelo golo da vitória na primeira jornada. Rabiola e Diogo Viana, por troca com Candeias e Sapunaru. Com a saída do lateral romeno, Tomás Costa abandonou o centro do terreno, ficando como proprietário da lateral direita. A irreverência da idade, desta feita, nada acrescentou de positivo ao futebol dos portistas. E, na fase mais sensaborona do desafio, um golo algo fortuito, no final da partida, ditou a derrota, sempre pesarosa, do FCP.

Melhor do Porto: Quem? Se eu não conseguia, na maior parte do tempo, ver o que quer que seja, como eleger alguém merecedor de encómios?. Pareceu-me que Nuno esteve seguro, tendo realizado uma grande defesa a remate de cabeça, após o 2-1. Sapunaru, apesar do desnorte defensivo, em alguns momentos da 1ª metade, esteve expedito, aparecendo duas vezes em zona de finalização. Quanto ao resto, apenas e só o lamento de que um jogo, nestas condições, tenha conseguido realizar-se, num claro desrespeito para com quem faz mover esta indústria: os adeptos!

Arbitragem: É bom saber que podemos contar com as coisas imutáveis da vida. O amor incondicional dos progenitores, as asneiras da adolescência, os cabelos brancos, prenúncio da passagem da idade, e Lucílio Baptista, com os seus erros fervorosos contra o que traja azul e branco. Nada a fazer. Apenas e só aceitar, com o nosso beneplácito, a incompetência e falta de seriedade do árbitro setubalense. Pode ser que um dia, num dos acasos em que o Destino é fértil, alguém se esqueça de travar o carro, quando ele atravessar uma passadeira. Ou um raio lhe caia, em pleno jogo, na cabeça. Ou…

nota: logo e texto publicados originalmente no Bibó Porto.

7 de janeiro de 2009

Jogo Amigável

Nada melhor para lamber as feridas do que jogar, após uma derrota humilhante, em casa de um clube amigo. Amigo, e com direito a letra maiúscula. Adversário perfeito, macio, onde a boa disposição imperou no banco vitoriano, mesmo causticados por uma arbitragem habilidosa.

Claro que, desta feita, não teremos direito à indignação dos responsáveis encarnados nos jornais, nem aos habituais bitaites do mediático director desportivo vermelho. Pudera. Dois penaltys sonegados ao Guimarães, encarados apenas como acasos do destino. E assim, irmanados na ressaca pós Champions, escreve-se mais um beatífico capítulo do desporto em Portugal.

Cajuda, hilariante na pose, pode respirar aliviado. Terá, por certo, os reforços pretendidos. O Orelhas é amigo, não é?

24 de dezembro de 2008

Boas Festas, Feliz Natal e um Árbitro Corajoso


O branqueamento, em todo o seu esplendor, continua, com os jornais a darem o necessário espaço à indignação de dois pesos pesados da Luz: Nuno Gomes e Rui Costa.

Já se esperava. É tão regular como o frio, nesta época ou a iluminação natalícia. Temos sempre direito, mais dia menos dia, à vox populi, encarnada por figuras de presépio "íntegras", que procuram mostrar à saciedade o quão injusto é o Pai Natal, para os encarnados [ou corja, se preferirem].

Vai daí, apesar do título de campeão de Inverno, apregoado ad nauseum pela imprensa, o director desportivo benfiquista não ficou contente. Continuando a envergar os fatos Armani mesclados com as correntes de ouro, personificando o mais dilecto dos estilos populares [ou labrego, conforme a preferência], o anterior nº 10 mostra-se chocado com a anulação do golo a Cardozo, no recente confronto com o Nacional. Compreende-se. Dois pontinhos a voar provocam sempre mossa.

Como, desta feita e aparentemente, a pressão exercida habitualmente no túnel não deu sucesso [a que não será alheia a formação militar do árbitro, bem capaz de dar duas galhetas bem aplicadas no "maestro"], as páginas da imprensa tornaram-se, assim, no novo ringue onde se procura aplicar a pena de talião.

Felizmente, Pedro Henriques é um GRANDE HOMEM. Tem-nos no sítio. Não só cumpriu escrupulosamente a lei, anulando um golo precedido de falta, como ainda foi capaz, mesmo sob a pressão mediática esperada, de corroborar a justiça da decisão.

Habitualmente temerosos, os homens do apito podem ter aqui um exemplo a seguir. Não há que ter medo de, mesmo ajuizando lances no covil dos encarnados [ou corja, se preferirem], de aplicar as penas correctas, passem elas pela anulação [e bem] de golos, ou outras mais prosaicas.

Sem direito a contraditório, o boi do Rui Costa [sem querer insultar os bovinos] utiliza o estafado e poeirento bode expiatório predilecto dos neandertais sulistas: o sistema, esse famigerado polvo que os impede de vencer regularmente. Passando por cima do estereotipado discurso, próprio para os QI's a que se destina, importava perguntar ao boi do Rui Costa [friso, sem querer insultar os pobres bovinos] onde estava ele quando:

- Luisão mimoseou Sapunaru com uma cotovelada no septo nasal, logo aos 4 minutos do SLB-FCP, sem que o árbitro marcasse a respectiva grande-penalidade e admoestasse o Shreck vermelho com a ordem de expulsão;

- Nuno Gomes, continuamente ausente da principal tarefa de que é incumbido, que é a de marcar golos, mas cada vez mais lesto a atingir à margem das leis os seus adversários, pontapeou Helton, perante o beneplácito do juiz de campo e seus pares;

- Na capital do Móvel, Nuno Gomes prevaricou, ao bom estilo karateca de Bruce Lee, agredindo ignominiosamente um jogador da equipa da casa. Como tudo lhes é permitido, numa espécie de realidade alternativa, Maxi Pereira estreou-se nas lides da tourada. A complacência arbitral, décadas a fio beneficiando o clubezeco do regime, continua válida. E em grande.

Como o boi do Rui Costa [sem qualquer desprimor para os ditos cujos], sempre aureolado por encómios enjoativos, se acha a 8ª maravilha do Mundo, seria de esperar que neste cantinho à beira-mar plantado, onde a democracia já atingiu a maioridade, a isenção, deontologia e crítica acérrima, mas imparcial, dos jornais fizesse o director-desportivo referido descer à terra. Mas não. Os tiques dos sabujos costumeiros, usando consciente e abusivamente as páginas dos pasquins para acertar contas pessoais, em vendetas fátuas, incapazes de discernirem o óbvio: toda a grandeza do Benfas [ou corja, mais apropriadamente] foi alicerçada em maquinações grotescas que desvirtuaram a verdade desportiva, ano após ano. Com a estrela empalidecida, os saudosos da década de 60 continuam a almejar o dia da chegada do D.Sebastião, que os resgatará a anos de desilusões, de frustrações e humilhações. Mas esse dia tarda a chegar.

nota: No meio da hipocrisia geral e histérica, um dos assalariados do clube da Luz saiu-se com uma frase que, à boa maneira de Goebbels, ameaça fazer jurisprudência. "Se fosse favorável ao Porto, Pedro Henriques marcava", debitou o anormalóide de serviço naquelas bandas, com o tom professoral de quem acha que tem razão. Não tem. Pedro Henriques foi o árbitro do último Nacional-Porto. E isto dito assim, por si só, deveria chegar para aqueles que andam atentos ao fenómeno desportivo. Para os outros, relembro o resultado. 1-0, favorável aos homens da Madeira. E recordo também as incidências da partida. Pelo menos, a que aconteceu ao minuto 30. Com 0-0 no marcador. Todos os que viram o jogo foram testemunhas. Do atropelamento, dentro da grande área, que Mariano Gonzalez sofreu. Sem que alguém tirasse a matrícula ao causador do acidente. Para a história, claro está, ficou o resultado. E a ausência de qualquer polémica nas páginas centrais da "Bola". Porque será?

Bom Natal? Foda-se, só mesmo para os portistas. A todos os outros, aquele clã institucionalizado de anti-portistas, que o pior lhes aconteça em 2009.

11 de novembro de 2008

O estranho caso do treinador ressentido

Poderia dar, ressalvando a imodéstia, um belo título para uma das habituais investigações detectivescas de Agatha Christie. Mas o argumento, neste caso, é redutor. Sem qualquer suspense, com o suspeito facilmente identificado. O homem do “dranquilidade”, do belo risco ao meio, ocupa no epicentro desta história o lugar habitualmente reservado aos mordomos. O de culpado.

Apesar das posteriores tentativas de apaziguamento, a realidade é só uma. Paulo Bento foi um incendiário. Qual menino mimado, de mau perder, apontou baterias para o bode expiatório perfeito. Bruno Paixão. Com um discurso carregado de agressividade, num incitamento latente à violência, radicalizou um discurso já de si repleto dos habituais estereótipos dos agentes futebolísticos nacionais.

Existe sempre alguém responsável pelas derrotas, que não o próprio ou o mérito alheio. O polvo. O sistema. Uma corporação de interesses. Com a irresponsabilidade a atingir foros escandalosos, os dirigentes sportinguistas tiveram uma ocasião única para refrear os ímpetos da turba. Uma espécie de mea culpa público. Mas não. Optaram pelo caminho mais fácil. Atalharam no seguidismo, corroborando as afirmações, falsas e insanas.

Transformaram o clássico de Domingo, para a Taça, numa farsa, apunhalando de morte aqueles que veneram o desporto-rei. Procuraram branquear, através do ressuscitamento de fantasmas à muito desaparecidos, a verdade inalterada: FORAM DERROTADOS. ELIMINADOS. POSTOS FORA DA TAÇA. A VÊ-LA PELA TV.

Nessa corte, cada vez mais vasta, têm lugar garantido alguns dos verrinosos escribas da nossa praça, sempre lestos a criticarem acidamente o Porto nas suas colunas de opinião, mas mantendo agora um mutismo inexplicável. O que acharão Cartaxana, Delgado e amigos das palavras duras de Paulo Bento?

Dar-lhe-ão razão? Acharão que o Sporting foi mesmo prejudicado pelo homem do apito?

Não querendo fazer de Miguel Sousa Tavares (finalmente em grande, hoje, na sua crónica semanal na Bola) e exaustivamente colocar aqui os erros primários do juiz de campo, nesse clássico, basta relembrar as mentes mais dadas à amnésia que Hulk foi derrubado por Rui Patrício, dentro da área, num penalty evidente. Que Liedson mimoseou um jogador portista com uma cotovelada, impunemente. Ou que o mesmo Liedson cometeu uma falta clara sobre Fucile, antes do golo inaugural. Que Rochemback, quiçá esgotado por correr atrás de Hulk, agrediu Rolando, noutra grande penalidade a que Bruno Paixão fez vista grossa. E, mesmo assim, vivendo uma crise de resultados, como gostam de atestar algumas mentes visionários, conseguimos vencer. Isto não dirá tudo, quanto ao ridículo de alguns?

Paulo Bento, arvorado em douto comandante de homens, procura dar uma imagem refrescante, qual técnico moderno, preparado para os desafios do futuro. Pura treta. No seu âmago, é como os repelentes treinadores de outrora, mesquinho e pouco lúcido, sabendo apenas um ou dois truques de pacotilha. Na sua escalada à Goebbels, escamoteia a forma como o Sporting venceu a última Taça de Portugal. Por curiosidade, contra o Porto.

Ou ainda, mais recentemente, o escandaloso penalty roubado literalmente ao Braga, permitindo que os leões aí alcançassem uma importante vitória. E, neste triste e patético jornalismo de trazer por casa, lá se vai permitindo que um banal e medíocre treinador continue a blasfemar na TV, sem ser confrontado com a realidade. É o treinador de um clube supostamente grande, mas que só agora, em pleno século XXI, depois de 100 anos de vida, consegue atingir os oitavos de final da Champions.

Está tudo dito, não está. Parafraseando Sua Alteza, "porque não te calas?"

25 de setembro de 2008

É um fartar vilanagem!

3 jornadas disputadas na Superliga nacional. Apenas três. Mas é já perceptível que a competição se encontra minada. Erros crassos de equipas de arbitragem, numa sucessão quase obscena, que apenas não impressiona os jornais diários, avessos à publicação nas páginas principais dos habituais títulos sensacionalistas…

O Sporting, inexpugnável neste início de temporada, tem sido bafejado pelos Deuses do Apito. Bastou que Paulo Bento, num tom apopléctico, apontasse o dedo aos juízes de campo, à boa maneira das fatwas islâmicas, ofendido pela marcação de uma grande penalidade inexistente a favorecer o Trofense. O erro, inócuo para a atribuição dos 3 pontos, serviu de argumento para uma dose de pressão extra sobre os homens de negro. E os resultados não se fizeram esperar.

Na 2ª jornada, jogando no difícil terreno do Braga, os pupilos de Paulo Bento viram, testemunhas privilegiadas, como o árbitro da partida fechou os olhos a uma penalidade cometida sobre Meyong. O discurso cáustico do treinador leonino ficou, desta feita, estranhamente refém de um silêncio cúmplice.

Bastou apenas mais uma jornada para que nova arbitragem permitisse aos verdes-e-brancos lamberem a ferida aberta pela deplorável exibição em Camp Nou. No derby lisboeta, os azuis da Cruz de Cristo mostraram-se um adversário incómodo. Até que Postiga, agora enlevado numa catadupa de elogios às suas qualidades, abriu o marcador, saindo de uma posição ilegal, num fora-de-jogo clamoroso, visível a olho nú do espaço. Novamente a tibieza tomou conta das declarações finais de Paulo Bento, atacado por uma miopia repentina…

Do outro lado da 2ª circular, a prática habitual de gritarem blasfémias e acusações, diariamente, nos pasquins amestrados, logrou alguns frutos. Saído o sumaríssimo para Luisão, logo branqueado com uma série de artigos inflamados que bradavam contra a atribuição de castigos “apenas” a jogadores encarnados, verdadeira modernização da teoria de Goebells, de que uma mentira mil vezes repetida se torna verdade, a impunidade chegou à Luz.

Abro apenas um pequeno parênteses para elucidar os fajutos comentadores de que, deste a instituição dos famigerados sumaríssimos, a corja da Luz viu 3 atletas seus serem castigados, desde 2004. Em igual período de tempo, os azuis e brancos foram penalizados com 5 castigos similares. Ao contrário da ideia que se pretende passar, não é o Benfica a equipa mais perseguida…

Falando da impunidade vigente para as bandas da Luz, ela fez-se sentir no clássico da 2ª jornada. Logo aos 4 minutos, Luisão mimoseia Sapunaru com uma cotovelada, perante a incredulidade geral. O árbitro, alheado do lance, permitiu que a contenda continuasse com o mesmo número de jogadores de campo, de parte a parte. Já depois do grego de má memória para Anderson ter ido tomar banho mais cedo, Nuno Gomes resolve aplicar uma mistura de artes marciais, numa entrada digna de figurar num filme de acção, sobre Helton. Claro está que a figura paternal do juiz de campo, imbuído da pedagogia necessária, aplacou a dureza visível com uma palmadinha cordial nas costas do avançado. Siga para bingo…

Na capital do móvel, já sabendo que a prática do jogo sujo, subterrâneo e violento não lhes causa qualquer mossa a nível disciplinar, Maxi Rodriguez estreou-se na distribuição de pancada. Numa entrada de arrepiante brutalidade, analisada com a leviandade costumeira por parte do homem do apito, o uruguaio continuou em campo. E, pasme-se, até marcou um golo, que nunca teria acontecido se as leis disciplinares fossem cumpridas com o rigor esperado. Mas isso, claro está, é um mero desejo, não compatível com o que se vê em campo. Senão, atente-se à benesse concedida no reincidente avançado que roubou o apelido a Gomes. Falta pelas costas, varrendo literalmente o jogador do Paços, numa entrada que mereceria um cartão vermelho directo e um par de bofetadas bem aplicadas no oleoso jogador benfiquista. Quis o destino que a marioneta que apitava o jogo se tivesse equivocado na cor do cartão. Pois, nada a que não estejamos habituados…

Os Dragões, habitualmente vilipendiados na opinião pública, viram a forma como Pedro Proença sonegou uma penalidade clara, perto do final do jogo em Vila do Conde, que terminou num incomodativo empate. A grande penalidade não marcada, com provável influência no resultado final, ainda assim permitiu ao juiz lisboeta sair incólume na sua reputação. O insuspeito diário “A Bola” decorou a exibição do árbitro internacional com um simpático 7, numa escala de 0 a 10. Critérios…

Confesso que é melhor escrever isto por partes. É que, bem vistas as coisas, se existe tanto erro a reportar, com apenas 3 jornadas decorridas, no final do campeonato teríamos um bonito artigo com milhares de caracteres…

1 de setembro de 2008

E isto, não dá direito a análise pelo CD?


Aos 4 minutos do clássico, a agressão que se vê acima. Cotovelo de Luisão no rosto de Sapunaru. A expulsão e o respectivo penalty ficaram na gaveta, num gesto de benevolência arbitral. Espantoso é a ausência de imagens nas TV's acerca do incidente. A SportTV ainda passou uma repetição [uma!], julgando que tinha sido naquele lance que Rolando tinha ficado a sangrar. O realizador deve ter-se assustado, ao ver o modo predatório do central brasileiro procurando uma vítima na molhada.

O colinho já começou. E, mesmo assim, apenas têm 2 pontos...

ps: Imagem retirado do Tribunal do Futebol

14 de agosto de 2008

Xistrema - parte II

O tema actual, quando se fala na Supertaça, é a nomeação de Xistra para juiz da partida. E, ao que se lê, não sou eu o único a ficar apreensivo com tal escolha. Nas palavras sempre sábias de Jorge Maia, no Jogo...

A Escolha

Tenho a nítida e desconfortável impressão de que vou ser o primeiro a falar sobre arbitragem...Não gosto de falar de arbitragem. Acho que, normalmente, a arbitragem tem as costas largas e não passa de uma boa desculpa para as más exibições das piores equipas. A meu favor, sempre posso dizer que o estou a fazer "à priori", embora admita que estas palavras possam ser entendidas como uma forma de pressão sobre a equipa de arbitragem que vai dirigir o jogo da Supertaça. Se me desse essa importância toda - e não dou - admitiria que sim, que são uma forma de pressão, pelo menos no sentido de exigir o máximo a Carlos Xistra e aos seus auxiliares. A Supertaça vale o primeiro troféu da temporada e é um jogo importante, especialmente quando se trata de um clássico, como é caso. Para a disputarem, o FC Porto e o Sporting tiveram de ser as duas melhores equipas da última temporada. Carlos Xistra, em contrapartida, foi o sétimo classificado da última época entre os árbitros do quadro principal. À sua frente, entre outros, ficou Pedro Proença. Claro que Pedro Proença nunca poderia apitar a Supertaça entre o FC Porto e o Sporting depois das queixas dos leões na sequência da derrota no Dragão, no jogo da primeira volta do último campeonato. Em contrapartida, ninguém se lembrou dos erros cometidos por Carlos Xistra no jogo da segunda volta, que o Sporting venceu por 2-0, com o segundo golo a ser ferido de ilegalidade com Vukcevic em fora-de-jogo. Esperemos que o árbitro de Castelo Branco e os seus auxiliares se saiam melhor no próximo jogo, embora isso não impeça que esta seja uma escolha desnecessariamente irresponsável e potencialmente polémica por parte do Conselho de Arbitragem da FPF.

13 de agosto de 2008

Xistrema

"Carlos Xistra será o árbitro da Supertaça"

Reacção pavloviana: Aperto do estômago. Nó na garganta. Dificuldade de engolir. Suores frios. Pânico generalizado.

Os mais optimistas dirão que até nem é uma má escolha. Pois não. Safamo-nos do Bruno "viva CampoMaior" Paixão, leão de coração, execrável na aplicação correcta das leis do jogo. Mas, por outro lado, levamos com nova dose de Xistra. E, para aqueles com problemas de memória, o jogo da temporada passada, em Alvalade, para a Superliga, redundou num arraial de erros primários por parte do juiz agora designado como o árbitro da Supertaça. A saber:

- golo irregular do Sporting sancionado, com clara influência no resultado;

- penalty clamoroso cometido sobre Quaresma, com a falta a ficar impune;

- entrada violenta de Liedson sobre Helton, merecedora de vermelho directo, sem qualquer acção disciplinar por parte de Xistra.

E Sábado, que árbitro teremos? O habitual condicionamento aos leões, ou finalmente uma aragem de gente impoluta, capaz de ajuizar imparcialmente os lances mais polémicos?

1 de abril de 2008

Só 6?

Fazendo fé nas parangonas jornalísticas e nas notícias de abertura dos jornais televisivos, o Porto será punido com a perda de 6 pontos, pelo famigerado caso Apito Dourado. Confesso não saber, nesta altura, o que será mais ridículo...

Se o clube azul e branco ser punido por um caso que ainda não conhece culpados, sem existirem provas irrefutáveis da pretensa corrpução, ou pelo histerismo que a notícia já provocou, na sempre "séria" e "isenta" imprensa nacional...

Querendo, à viva força, fazer-nos acreditar que o Porto, vigente detentor da UEFA, necessitou de assediar árbitros para derrotar, em casa, o Amadora, último classificado na altura, ou esse colosso chamado Beira-Mar, o ridículo da questão sobressai quando o painel de antigos árbitros, fazendo o papel de analistas para a PJ, chega à conclusão de que nada existiu de anormal nos jogos referidos...

Mas, como a azia e inveja em demasia provocam comportamentos menos próprios, vai daí acharam que a pronunciação desportiva do clube nortenho seria um exemplo vigente, destinado a potenciais prevaricadores...

Por mim, nado e criado a ouvi, assistir e documentar escândalos arbitrais que fizeram a grandeza dos clubes de Lisboa, já nada me espanta. Convinha era alimentarem a competitividade do actual campeonato com outra punição...

É que 6 pontos, bem vistas as coisas, só nos protela a entrega das faixas. Propunha, sem qualquer intuito irónico, uma punição mais severa. 16 pontos retirados, a obrigatoriedade de o Porto jogar, até final, apenas com 10 elementos em campo e realizar os jogos todos fora...

Poderia ser que assim, com mais umas ajudinhas extras, os papalvos da 2ª circular lá conseguissem chegar ao 1º lugar. Não seria novo, nem inédito. E se preciso fosse, o Estádio do Algarve está lá, disponível, para levar a jogar algum clube que represente um escolho difícil na procura da vitória. Era só preciso arranjar umas acções encapotadas.

13 de março de 2008

Apito Encarnado, parte 150 - e continua a contar...

Agradeço ao Lucho, cronista do Bibó Porto, que me alertou, num comentário recente a um artigo, para esta pérola, pelos vistos longe das manchetes e dos holofotes da mediatização..

Aprígio Santos, carismático presidente da Naval, crítica Luís Filipe Vieira. "No melhor pano cai a nódoa" e "há muita gente que fala mas devia estar calada". As declarações, algo contundentes, mostram bem o mal-estar que grassa na Figueira, já perceptível no final do embate entre a Naval e o SLB, com as críticas à [péssima] arbitragem a serem tecidas, mas com alguma polidez...

Desta feita, o verniz estalou. As declarações proferidas pelo truculento presidente navalista surgem no seguimento das declarações prestadas em Tribunal pelo árbitro Rui Silva sobre a prenda que recebeu já esta época da parte do Benfica.

Ouvido ontem no Tribunal de Gondomar, no âmbito do chamado processo Apito Dourado, o árbitro de Vila Real revelou ter recebido de Luís Filipe Vieira em Setembro passado, no dia do jogo do Benfica frente à Naval, valiosa peça em cristal.

Perante essa revelação, o presidente da Naval, Aprígio Santos, falando à Renascença, não deixou de apontar o dedo ao presidente do Benfica, que muito tem falado sobre o processo Apito Dourado.

Acrescento eu, mas alguém tem dúvidas? Ou, pelos vistos, só a oferenda de peças em ouro é que se revela pouco ética e indiciadora de tentativa de aliciamento? Querem ver que o Orelhas só presenteou o árbitro por puro...altruísmo?