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28 de fevereiro de 2009

E vão 109...

109. Mais de uma centena de casas do Porto, espalhadas um pouco por todo o Mundo, exemplo perfeito da diáspora portista. O sentimento de paixão, pelas cores que simbolizam a nossa fé, criando espaços de tertúlia, pontos de encontro para gerações diferentes de adeptos do Dragão.

Mais do que espaços de devoção - que são - as casas do Porto são projectos de socialização, permitindo que os mais jovens cresçam num ambiente sustentado, bebendo os valores que norteam a génese de ser portista.

Em Mira, um grupo de adeptos portistas ousou passar o sonho, acalentado anos a fio, à prática, criando mais um espaço que personifica o crescimento sustentado do clube. Num dia de romaria, a vila de Mira tornou-se pequena para acolher todos os que quiseram - e foram tantos - assistir à recepção, nos Paços do Concelho, da comitiva vinda da Invicta, encabeçada por Pinto da Costa e contando com a presença da antiga glória Fernando Gomes.

O repasto que se seguiu, permitindo a confraternização com o líder dos Dragões, foi o ponto culminante, num dia inesquecível

12 de julho de 2008

Pontos nos is...

Pinto da Costa desmentiu ontem o eventual interesse em Simão Sabrosa para comaltar a saída de Quaresma. "Esse, nem de borla".

Parafraseando o ministro Mário Lino: "Jamais!" disse em declarações ao semanário Sol.

É por estas e por outras que adoro Pinto da Costa. Incisivo, polémico, não se coibe de aplicar rótulos. Neste caso, fazendo eco do anseio da grande maioria dos adeptos portistas. O Simulação Sabrosa que fique por terras madrilenas. De Dragão ao peito é que não. Nunca!

30 de junho de 2008

Pinto da Costa continua com o TIC da vitória

Pinto da Costa não vai a julgamento, no denominado "caso da fruta", relativo ao Porto-E.Amadora, da época 2003/04.

Os sorriso abertos de alguns continuam a esmorecer...

ps: O seu a seu dono. O título, quanto a mim genial, é da autoria do Bento Barbosa, retirado de um comentário no blog Bibó Porto.

4 de junho de 2008

A escória

O País hoje rejubilou. Pelo menos parte dele. Os frustrados do regime tiveram a sua prenda de Natal antecipada. A decisão da UEFA, esperada, foi extremamente penalizadora para o clube da Invicta. Não servindo de paliativo, sabe-se agora que a correlação de forças era claramente desiquilibrada, colocando o Porto numa situação, desde logo, complicada...

Convenhamos que, neste caso, se tem que dar o mérito a quem o merece. Patrocínios de filmes, financiamentos de livros, colocação de pessoas em postos-chave, pressões mediáticas, tudo numa espiral de inveja e ódio que tinha apenas um fito: a destruição de Pinto da Costa e, por arrasto, do clube que colocou um fim ao monopólio de títulos sulistas. O trabalho de sapa, feito pelos correlegionários, conseguiu o seu troféu de caça...

Desde há muito que se verificava que este ataque não era apenas mais um. Era O. Massivo, visando denegrir um clube secular. Em parte isso foi bem sucedido.

O impacto da não presença na Champions será tremendo. 12 milhões, grosso modo, que não entrarão no cofre azul e branco, correspondente a cerca de 15% do seu orçamento. Pior será a dificuldade de contratar algum nome internacional, com um ano sabático nas competições europeias...

Mas isso são preocupações para depois. Agora, mais do esgrimir argumentos internos, criando-se facções distintas, importa a UNIÃO. Essa sim, será indispensável à criação de um ambiente vencedor, ajudando o clube a ultrapassar a fase negativa...

Continuo a achar, como o fiz anteriormente, que o não recurso à decisão de subtracção dos 6 pontos, foi a mais correcta. O Porto clube continuou representado, nas mais altas instâncias judiciais, pelo recurso do seu presidente, evitando dessa forma que os pontos fossem retirados na próxima temporada. Poderão argumentar que, recorrendo, o Porto poderia vencer. Sim. E o Elvis Presley está vivo. O Pai Natal existe. E a Justiça desportiva portuguesa não está viciada. Tudo balelas, sem sustentação...

Agora, já não bastando o professor-assistente Ricardo Costa, com os seus 15 minutos de fama, surgiu também o braço tenebroso da FPF. O envio para a UEFA, em linguagem truncada cheia de duplos significados, ajudou e de que maneira à tomada de posição por parte do organismo que tutela o futebol internacional...

Comenta-se, não sei se especulativamente, que o referido mail da FPF foi obra e graça de Silvio Cervan. A ser verdade, para além da parte ética, a incompatibilidade do facto seria, por si só, motivo mais do que suficiente para uma tomada de posição enérgica por parte do Porto...

E é isso que tem faltado. O mutismo, levado ao limite, da estrutura directiva portista, foi claramente uma estratégia errada, ajudando ao recrudescimento dos ataques. Mas agora chegou a hora de revidar. Com contundência...

ps: Eu já comecei a aprender, de cor, o hino turco. E tu, porque esperas?

1 de novembro de 2007

Dia de estreias

Às quintas-feiras, já se sabe, é o dia santo dos cinéfilos. Dia de estréias cinematográficas, o dia 1 de Novembro desde à muito tempo que estava marcado no calendário de alguns. Com direito a bolinha vermelha e tudo, para assinalar convenientemente a data.

A data marca o mais acérrimo ataque alguma vez feito, nesta novel democracia, a alguém. O filme "Corrupção", engendrado meses a fio por uma mistura de mesquinhos e gente psicótica, não é mais do que o linchamento em praça pública de uma personagem. Difere apenas das levadas a cabo em países retrógados pela ausência de sangue, porque o resto está lá: a multidão ululante, sedenta da humilhação de outrém, o cadafalso, substituído pela mais inócua arma do celulóide e o sentimento de vingança.

Armazenado anos a fio, em estômagos sensíveis, alimentado por derrotas perturbadoras e vitórias do rival do Norte, a vingança foi sendo cozinhada em lume brando, aguardando, serena e pacientemente, pela oportunidade de ouro. Ela surgiu, com os aliados inesperados a romperem intempestivamente de onde menos esperavam: da Justiça.

Essa mesmo, a que devia ser cega e surda, imune a pressões, concedeu o beneplácito para que se avançasse com a fantochada mediática. Elegeu-se, como nos bons filmes "noirs" americanos, a figura da bela arrependida, que depois da quarentena aparece quase como uma impoluta virgem alvo de sevícias. A partir daí, nem mesmo Kafka e a sua mente delirante fariam melhor. Surgiu um livro, escrito a várias mãos, cheio de acrescentos e congeminado por cabeças vetustas, que foi aproveitado pela já famosa e caricaturada paladina. A palavra da arrependida, tão célere a deslizar por varões de inox num qualquer antro de strip como a apontar o dedo aos pretensos males do futebol luso, fez lei. Dela quer-se fazer jurisprudência. Em vão, na minha opinião, tal o descrédito que começa a destapar o manto de iniquidade e compadrios com que tudo é cozinhado.

Também eu resolvi, hoje, comemorar a data. Com uma estréia. Gratuitamente, esbocei um argumento para a sequela do "Corrupção". Só preciso de um mecenas e um realizador. Prometo que não interfiro na realização. Quem quiser ler o "Ele, o Presidente", terá brevemente aqui o link para o download. Até lá, pode ir ao Bibó Porto e descarregar a obra...

20 de junho de 2007

Entrevista de Pinto da Costa - parte 3

E pronto, aqui vai a terceira e última parte da entrevista dada por Pinto da Costa ao Jornal "Público". Desta feita, são abordados os temas sensíveis ao universo azul e branco, escalpelizados na blogosfera. Transferências, ordenados da SAD e o polémico comissionamento. Para ler com atenção...
Público, edição de 19.06.07
"PÚBLICO - A SAD do FC Porto teve um prejuízo no último ano de 30 milhões de euros e este ano já vai a caminho de mais de 25 milhões. O acumulado é de cerca de 125 milhões de euros. Como se explica?
PINTO DA COSTA - O número referente a esta época e, por arrastamento, o do acumulado já não estão correctos. Porque tivemos, entretanto, a venda do Anderson.Vai ser para abater no passivo?Não é vai ser, já foi. O FC Porto recebeu 15 milhões de euros da primeira tranche e, de imediato, abateu mais de dez milhões ao passivo. É uma prioridade nossa reduzir o passivo e aproveitamos esse negócio para o fazer.
Mas o passivo tão alto não o preocupa? Não há cada vez mais o perigo de o FC Porto perder o controlo accionista da SAD?
Não, embora até o BPI tenha sido sujeito a uma OPA. As leis do mercado permitem-no. Mas não há qualquer perigo de insolvência, isso está perfeitamente controlado. Por isso é que estamos a tomar medidas, como a venda do Anderson.
O FC Porto, desde que foi campeão europeu, já encaixou cerca de 175 milhões de euros em vendas de jogadores...
O FC Porto vendeu daquela equipa europeia vitoriosa grandes jogadores. Vendeu o Paulo Ferreira, o Ricardo Carvalho e o Deco, que eram três estrelas. E depois vendeu o Derlei e o Nuno Valente, que já estavam na fase descendente da carreira. Mas quando se fala que o FC Porto desmantelou uma equipa campeã não se está a ser sério: foi forçado a vender porque era impossível manter um jogador como, por exemplo, o Ricardo Carvalho, que foi para o Chelsea ganhar mais num mês do que ganhava aqui num ano. E que conhecia essas propostas. Quando se fala nisto, quer-se passar a ideia de que se desbaratou uma equipa e se ficou com outra [digna de um campeonato] regional. Os jogadores não caem aqui de pára-quedas e o FC Porto "só" adquiriu o Helton, o guarda-redes da selecção do Brasil, o Fucile, internacional do Uruguai, o Lucho, um craque da selecção da Argentina, o Lisandro, que também já lá jogou, o Pepe, o Anderson, o Quaresma. A leitura correcta é que o FC Porto acabou um ciclo e preparou-se para outro.
Mas, no mesmo período, teve também receitas na Liga dos Campeões de 225 milhões... Não acha que uma boa parte podia ter sido para reduzir o passivo?
Podia se tivéssemos abdicado de continuarmos a ter uma grande equipa. Porque àqueles jogadores que referi há que acrescentar dois internacionais brasileiros, como eram o Diego e o Luís Fabiano, e o Seitaridis, acabado de ser campeão europeu. Infelizmente, estes não resultaram, mas o FC Porto fez novamente uma grande equipa. Se o FC Porto não tivesse o Helton, o Pepe, o Lucho, o Lisandro e o Quaresma, recentemente contratados, não tinha sido bicampeão este ano nem tinha ido aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. E, apesar de tudo isso, está a reduzir o passivo.
O que é questionado não é a capacidade de renovar a equipa. Cito Miguel Sousa Tavares, que referiu os mais de 70 jogadores com contrato e a vinda de Mareque, Sonkaya, Ezequias, Pittbul, Tarik, Leo Lima, Sokota e Diogo Valente...
Primeiro, o FC Porto tem 45 jogadores seniores, incluindo os do plantel, com contrato e não 70, contando com os emprestados e os miúdos. Segundo, há 25 anos que conheço e tenho estima por Jesualdo Ferreira, que na altura esteve para vir para o FC Porto, tal como, aliás, a certa altura da época passada. Por isso, como se pode escrever ter sido um empresário sul-americano a negociar a sua vinda do Boavista ? É o maior absurdo e falsidade que pode ser dita, até tendo em conta o meu bom relacionamento com João Loureiro. Terceiro, não há clube nenhum que acerte em todas as contratações. E não é só em Portugal. Lembro--me que há um ano, no mercado de Inverno, o Benfica contratou o Moretto, o Marco Ferreira, o Manduca e outro qualquer. Ao fim de um ano, o único que lá está é o Moretto, que não joga. Não há uma varinha de condão que diga que este vai dar e aquele não. Agora, a nossa percentagem de acerto é excelente. Alguém conhecia o Helton quando ele veio do Brasil para Portugal? E quando ele veio para o Leiria já era com o fim de a seguir vir para o FC Porto. Caso contrário não teria saído do Brasil.
Isso já tinha sido falado, mas nunca tinha sido assumido...
Mas posso assumi-lo. É verdade. Agora, se tinha o Baía no apogeu, não ia trazer um jogador em que eu acreditava cegamente (e o treinador na altura nem o conhecia) para o colocar a suplente. Se na altura tivesse vindo para suplente do Baía se calhar já nem estava no FC Porto nem jogava na selecção do Brasil. O problema foi-lhe posto assim: temos o melhor guarda-redes português, Baía está no auge e não há hipótese nenhuma de se lhe tirar o lugar, nem queremos aqui desestabilizações; por isso, [você] fica no Leiria o tempo que for necessário. Aceitou, embora não tivesse contrato assinado connosco. Havia apenas um entendimento no sentido de que o FC Porto ficaria com o jogador contra o pagamento de uma compensação ao Leiria, que o mantinha em actividade.
Alexandre Magalhães diz que os administradores do FC Porto ganham em média, contando com as gratificações, quase 33 mil euros por mês. É verdade?
Quem vê os recibos sabe que isso não é verdade. A propósito, hoje recebi dos tribunais a comunicação de que o Ministério Público acompanha a minha queixa contra o senhor Rui Cartaxana por ele ter escrito que eu ganhava 60 mil euros, ou coisa do género, por mês. Também já houve um senhor que disse que fui à polícia afirmar que só ganhava 400 euros por mês, como se alguém acreditasse que isso pudesse ser o vencimento de um presidente de um conselho de administração seja de que sociedade for. Já ouvi de tudo.
Anda muita gente preocupada com os vencimentos, por isso vou explicar algo importante. A administração da SAD, pelos estatutos, é remunerada desde que seja executiva e nunca nenhum administrador fez preço para a sua colaboração. Há uma comissão de vencimentos formada pelo doutor Domingos Matos - que, por acaso, além de presidente do conselho fiscal da SAD é administrador da Cofina, proprietária do grupo de jornais que mais falam e questionam os vencimentos dos administradores do FC Porto -, pelo doutor Alípio Dias - presidente do Conselho Superior da SAD e administrador do BCP - e pelo conhecido empresário Jorge Armindo. E quando a comissão de vencimentos me veio entregar a proposta para os vencimentos da administração, nem abri o envelope. Chamei o funcionário respectivo e disse-lhe: "Tem aqui isto, proceda em conformidade". Portanto, se alguma crítica possa ser feita (e não creio que deva ser feita) é à comissão de vencimentos.
Joe Berardo lançou uma OPA sobre o Benfica. Noutros países, os grandes milionários estão a tomar conta dos clubes...
Tudo é possível, desde que se obedeça às leis do mercado. Mas há uma coisa que é importante e que convém não esquecer: o FC Porto tem 40 por cento do capital da SAD e, enquanto eu aqui estiver, não alinhará em vendas e terá sempre o direito de veto. Agora, no dia em que esteja no clube um presidente, entre comas, "feito" com uma OPA, isso será possível. Mesmo sem OPA há sempre a possibilidade de um accionista comprar aos outros.
E veria essa situação com naturalidade ou com preocupação?
Depende. Podia ser uma dessas hipóteses e acrescentaria mais duas: desgosto ou satisfação. Tudo em função de quem comprasse e dos seus objectivos. Vou-lhe contar uma história. Em 1987, quando o FC Porto foi campeão europeu, fiz um plano não para dar um passo em frente (porque isso o FCP deu) mas três passos. E levei-o a várias pessoas, uma delas o comendador Gonçalves Gomes. Nesse plano, era preciso que alguém metesse o dinheiro ou que se responsabilizasse perante a banca. Eu não tinha capacidade para isso e, por isso, passava de presidente a director de futebol. E o plano só não foi para a frente porque nenhuma das pessoas que contactei (e que o aprovaram) aceitou que deixasse de ser o presidente. Hoje, há três accionistas de referência: Joaquim Oliveira, António Oliveira e agora os espanhóis da Chamartin, que perfazem quase 40 por cento. Se um cidadão qualquer comprar esses 40 por cento e vier investir para o FC Porto, fico todo contente. Agora se vier para dar cabo disto...
Está a começar mais um mandato, que já disse ser o último...
Nunca disse isso, puseram isso a correr, mas eu nunca disse isso nem o contrário.
Mas vai ser ou não? Uma das razões por que se concluiu isso foi por ter dito que estava a preparar a sua sucessão?
Eu não digo que vou preparar a minha sucessão. Isto não é uma monarquia, nem sou dono disto. Posso preparar o FC Porto e preparar as pessoas que estão no FC Porto para que isto corra normalmente sem mim. É diferente. Quem há-de decidir quem vai suceder-me quando me retirar são os sócios.
Há alguém que gostasse de ver substituí-lo?
Há muita gente.
Vou citar alguns nomes que já foram falados nos jornais: Fernando Gomes, António Oliveira, Rui Moreira, Fernando Gomes (ex-jogador), Antero Henriques...
Esse apoio, esse apoio... mas ele não é maluco [risos]... Não vou estar a dizer "este sim, este não" porque não é minha intenção tomar posição quando chegar a hora de decidir. Agora há coisas que são implícitas e é perfeitamente natural que gostasse de ver substituir-me alguém identificado comigo. Mas quando sair não interferirei em nada, rigorosamente em nada. Isso era deixar um espectro: quando ganhasse era eu que estava por trás, quando perdesse era porque não faziam o que eu dizia. A minha intenção quando sair é ir a toda a parte com o FC Porto, mas não intervir absolutamente em nada.
Mas que nomes é que lhe agradavam?Estão na sua lista alguns (mas há mais) e estão outros que não.Porque se recandidatou? Foi só porque querer construir o novo pavilhão?
Isso foi fundamental. Disse que não me recandidataria se houvesse uma candidatura credível. Daí a razão por que só me recandidatei no último dia, até porque achava que o FC Porto não podia cair num impasse. Em tempos, eu tinha dito aos colaboradores mais chegados que só me recandidataria se fosse possível construir o pavilhão. Sei o que custa aos sócios andarem a deslocar-se para Matosinhos, Fânzeres, Santo Tirso. Sei o quanto sentem a falta de um pavilhão.Quando me disseram: vamos ter pavilhão, já está resolvido o problema e já há o projecto do agora Dragão Caixa, eu concordei continuar. Tenho de fazer justiça à acção e ao trabalho de Fernando Gomes, que foi fundamental. Mas não fico só pelo pavilhão.
Que balanço faz dos 25 anos à frente do FC Porto?
Tenho consciência que o clube ainda não parou de crescer. A marca está mais forte, há muitos anos que estabilizámos o número de sócios do clube acima dos cem mil, o que é magnífico. Temos a maior média de espectadores no nosso estádio e o maior número de lugares vendidos. Há dois mandatos fiquei porque me foi dito que era indispensável para o arranque do Dragão. Sacrifiquei os planos pessoais que tinha. Às vezes penso que fiz mal, mas quando olho para o estádio acho que fiz bem. A inauguração, toda aquela luta para o conseguir construir, todas as dificuldades que nos foram colocadas pela câmara, foi tudo tão difícil que, quando me perguntam quais os pontos que considero mais marcantes e que mais felizes me deixaram à frente do FC Porto só posso responder: a final de Viena e o Dragão. As pessoas não sabem quanto custou fazer isto...
O FC Porto continua sem relações com a Câmara do Porto?
Completamente. Somos completamente ignorados. Foi assim que a câmara decidiu, o que havemos de fazer? Também não temos nenhum prejuízo com isso. O que nos dava antes?Consideração e recebiam-nos na câmara quando éramos campeões.
Sente falta disso?
Tenho pena, porque acho que era o lugar ideal para aquelas manifestações, que eram fantásticas.O FC Porto não deixa de ser campeão por isso e a mim não me faz diferença, até porque não me via na varanda a olhar para baixo e a ver o estado lastimável e triste em que transformaram a Avenida dos Aliados. Passei lá uma vez e quando vi como aquilo ficou nunca mais lá quis voltar. Ou vou por cima, ou vou por baixo... recuso-me a ver o que lhe fizeram.
Não recebeu os parabéns da Câmara do Porto pelo título?
Não. Curiosamente, a única força política que mandou os parabéns, com palavras até muito simpáticas, foi a DORP [Direcção da Organização Regional] do PCP Porto. Parece que houve um voto de louvor na câmara proposto pelo PS."

18 de junho de 2007

Entrevista de Pinto da Costa - parte 2

Continuação da entrevista dada pelo nosso grande presidente ao jornal Público. Depois de abordados os temas mais sensíveis, como o Apito Dourado e a permuta de terrenos com a Câmara Municipal do Porto, seguem-se novos temas da actualidade portista. Jesualdo Ferreira, a época que findou, a venda de Anderson, a situação das restantes "pérolas" do plantel. etc, etc, etc.


Público, edição de 18.06.07


"PÚBLICO: Chegou a temer perder o título nacional depois de o FC Porto desperdiçar a vantagem da primeira volta?
Pinto da Costa: Temer não será o termo porque confiava na equipa. Agora, tivemos que cerrar fileiras para não sermos surpreendidos porque houve momentos em que vimos a coisa a complicar-se. O sinal de alarme e de tocar a reunir foi em Leiria. Pela forma como perdemos, pela expulsão de Quaresma e pela forma como o jogo foi dirigido.
P: Mas não houve erros próprios?
PC: Naturalmente, mas o campeão é o que comete menos erros, não é o que não faz erros. Como o melhor árbitro não é o que não erra; é o que erra menos. E o mesmo vale para o melhor treinador ou para o melhor presidente
.
P: Como aprecia o trabalho de Jesualdo Ferreira?
PC: Foi extremamente positivo. Entrou no FC Porto num momento em que nenhum treinador gostaria de entrar, com a pré-época realizada e a poucos dias do início do campeonato e sem ter o conhecimento ideal dos jogadores e vice-versa. Não tinha participado na definição do plantel: as dispensas e as aquisições tinham sido da responsabilidade de outro treinador. Eram condições extremamente difíceis. Um treinador que, mesmo assim, sagra a equipa campeã e a leva aos oitavos de final da Liga dos Campeões, sendo eliminada pelo Chelsea da maneira que foi e discutindo a passagem até ao final do segundo jogo, tenho de considerar que foi uma prestação extremamente positiva.
P: Então não é verdade que o lugar dele chegou a estar em causa?
PC: Nunca. Nem isso fazia sentido na medida em que, em plena época, renovamos o contrato com ele, exercendo o direito de opção. Não estivemos à espera do final da época para ver se ele ganhava ou não. Nunca esteve em perigo. E desde há muito tempo que vínhamos em conjunto preparando esta nova época.
P: Como se compreende então o facto de ele ser um treinador com pouca empatia com os adeptos...
PC: Não faço ideia. Ele é extremamente profissional, dedica 24 horas ao FC Porto. Poderá não ter aquela empatia devido à sua falta de exuberância e por saber ou não querer aproveitar os momentos de euforia para se mostrar. Todos nós sabemos que há maneiras de aproveitar esses momentos de vitória. Mas é contra o feitio dele. Isso não invalida o seu profissionalismo. Jesualdo tem um objectivo, que é servir o FC Porto. Mas também sei que tem uma grande simpatia pela nossa massa associativa. E se não há grande empatia também não há qualquer animosidade como acontecia com Adriaanse.
P: Não está arrependido por aceitado a saída do brasileiro Diego, com quem Adriaanse não contava?
PC: Claro que estou. E muitas vezes o professor Jesualdo lamentou a sua saída. Mas é preciso perceber as coisas. O Diego tinha custado cerca de sete milhões de euros e, quando o treinador diz ‘não conto com ele’ (e nem era preciso dizer porque bastava ver que ele não o utilizava), a opção era entre ficar com ele encostado e cada vez a desvalorizar-se mais ou tentar recuperar a maior parte do elevado investimento. Mas, tal como aconteceu com o Hugo Almeida, no dia em que o Adriaanse se demitiu imediatamente tentei que o Werder Bremen desistisse dos dois. Mas o clube alemão não aceitou voltar a atrás no negócio e perdemo-los.
P: Muita gente defendeu que Jesualdo não teve o respaldo que o presidente do FC Porto normalmente dá aos seus treinadores. Você praticamente não falou na última época...
PC: Primeiro, o professor Jesualdo teve sempre todo o meu apoio, como acontece com qualquer treinador. Ele sentiu isso e já o reconheceu publicamente. Às vezes temos necessidade de defender publicamente alguém que esteja momentaneamente fragilizado, mas o Jesualdo nunca esteve nessa situação. Conversamos várias vezes sobre isso. Normalmente, quando se dá votos de confiança ao treinador alguma coisa está mal. Como ele estava a trabalhar dentro do previsto, como os objectivos estavam a ser completamente seguidos, como estávamos em sintonia total, não havia razão para o fazer. Não tinha de vir dizer, por exemplo, que o treinador é muito bom. Ele sabia o que eu pensava.
P: Miguel Sousa Tavares escreveu que a venda de Anderson foi um mau negócio para o FC Porto. Porque, disse, depois de se subtrair o investimento numa “pérola fina” e as comissões, o FC Porto só lucra 5,5 milhões de euros...
PC: Afirmou uma coisa que não é correcta: que o empresário recebeu, no mínimo, cinco por cento por intermediar o negócio. Não é verdade. O empresário não recebeu nada porque o negócio foi feito directamente entre o FC Porto e o Manchester United.
P: Mas o empresário Jorge Mendes esteve também envolvido...
PC: Não é verdade. O Sporting recebeu o Manchester de manhã para tratar do Nani, saíram fotografias nos jornais e imagens nas televisões. O FC Porto fechou o negócio estando presente o presidente executivo, Carlos Queiroz, eu e os doutores Fernando Gomes e Adelino Caldeira. O empresário nem sabia onde estávamos. Depois de concretizado o negócio, o Manchester informou disso o senhor Jorge Mendes e pediu para falar com ele para discutirem o contrato do Anderson. Portanto, não tivemos de pagar comissão nenhuma. Logo aí as conclusões já estão viciadas.
P: Custou-lhe vender o Anderson?
PC: Naturalmente. Custa-me sempre vender qualquer jogador, não só pelo seu valor mas até pelo relacionamente que tenho com eles. Mas o FC Porto, como qualquer clube português tem necessidade de realizar mais-valias com os jogadores. Mas há também a impossibilidade de manter um jogador que recebeu uma proposta em que pode ir ganhar, às vezes, dez vezes mais do que ganha no FC Porto.
P: Foi o caso?
PC: Não sei se foi dez, mas foi muitas vezes mais. A partir do momento que o jogador sabe que o Manchester o quer é muito mantê-lo no plantel.
P: Mas há outros jogadores no FC Porto perseguidos por outros grandes clubes. Isso significa que Pepe, Quaresma, Lucho, Bosingwa ou outros também podem sair?
PC: Não... perseguidos não há, acompanhados sei que há alguns. Quando um clube quer um jogador faz como nós fazemos ou como o Manchester fez. Contacta e pede para negociar. Ao FC Porto não chegou mais nenhuma proposta em relação aos seus jogadores de primeiríssimo plano. Ou antes, houve um contacto do Villarreal de Espanha, que nos comunicou estar interessado no Lucho. Nem sequer falei com eles. Por uma questão de cortesia foram recebidos, não por mim, porque também não era o presidente que aqui estava, mas nem sequer houve conversa. Muitas vezes os jornais dizem que este quer aquele e que o outro pretende aquele ou que o empresário diz que este está ali e o outro está acolá... é tudo conversa.
P: O mercado só fecha no final de Agosto...
PC: Claro, e não sei se quando sair daqui não estará aí algum pedido de audiência dum clube. Mas reafirmo que não sairá mais nenhum dos jogadores considerados fundamentais pelo treinador. Agora, há propostas para alguns dos outros.
P: E todos aqueles que eu referi estão no lote dos intransferíveis?
PC: Estão. Posso-lhe dizer, por exemplo, que tive um contacto com um empresário por causa do Bosingwa. Queria vir cá e eu disse-lhe: não venha que, este ano, esse jogador é inegociável. Mas isto não é uma proposta de um clube. Proposta é como o que fez o Bayern de Munique há dois anos. Veio cá, disse que queria o Deco, reunimos duas vezes, mas não foi possível chegar a acordo. Mas aí pode falar-se numa proposta. Agora porque sai no jornal... você sabe tão bem como eu como as coisas funcionam.
P: Ibson vai ser vendido e Bruno Moraes e Mareque serão dispensados?
PC: Nenhum deles está no lote dos inegociáveis. Se houver alguma proposta e os jogadores manifestarem vontade de a aceitar, poderemos negociar.
P: Além de Lino, Nuno, Fernando, Edgar e Kasmierckzak quem vai mais o FC Porto contratar? Os jornais falam em Rossi, Bolatti, Óscar Cardoso, Stepanov, Vukcevic, Leandro Lima, Andrés Madrid...
PC: Alguns conheço, mas outros nem sei quem são. O Edgar e o Kasmierczak são jogadores que foram referenciados pelo treinador como tendo interesse para o plantel. As coisas estão bem encaminhadas. Mas já vi notícias, até de primeira página nos três jornais desportivos, que um e outro estavam no Benfica. Afinal, era tudo invenção, era tudo mentira. Provavelmente, os três jornais pensaram que estávamos no 1 de Abril. Os três diziam o mesmo por isso o engano não era a notícia, mas a data... Assumo que naqueles dois estamos interessados. Mas não estou ainda habilitado a dizer-lhe se alguns dos restantes também interessam. Porque só estaremos eventualmente interessados dentro de determinados parâmetros e números.
P: O FC Porto quer reforçar-se para que posições?
PC: Poderá haver mais dois, três reforços. A defesa é intocável, excelente, e não virá mais ninguém. Poderá vir mais um ou dois jogadores para o meio campo e mais um atacante.
P: Quais são os objectivos desportivos para a próxima época?
PC: Vencer.
P: Mas o FC Porto participa em várias provas...
PC: Vencer todas as possíveis. Mas sabemos que há umas mais difíceis do que outras, temos a noção de que a Liga dos Campeões, na conjuntura actual do futebol português, é muito, muito difícil. Temos, por isso, nessa prova um objectivo prioritário: passar aos oitavos de final e depois ver o que acontece. Agora, na Liga, na Taça da Liga e na Taça de Portugal a prioridade é tentar vencer o máximo.
P: Concorda com a criação da Taça da Liga?
PC: Concordo. Acho que há paragens a mais e jogos a menos. Com a redução para 16 do número de clubes isso ainda ficou mais notório. A Taça da Liga pode ser importante mesmo para os três grandes, mas sê-lo-á ainda mais para os outros.
P: As férias de Natal do plantel este ano vão ser mais curtas?
PC: Vão, não só as do FC Porto, mas de todos. Porque o calendário prevê uma jornada ainda para o dia 23 de Dezembro e depois há outra logo a 6 de Janeiro. Como não vamos dar férias nem antes nem depois dos jogos...
P: Os estrangeiros poderão nem ir passar uns dias aos seus países...
PC: Se forem, será ir e vir...
Continua brevemente...

Entrevista de Pinto da Costa - parte 1

O Público traz hoje uma extensa e interessante entrevista com Pinto da Costa. Quatro páginas em que o nosso GRANDE PRESIDENTE fala de tudo um pouco. De Vítor Baía e o seu recente cargo, passando por Jesualdo Ferreira e o balanço da época desportiva, até culminar no processo Apito Dourado. Sim, ele fala do Apito Dourado. Sem problemas, sem tabus, fazedo jus ao refrão popular, "quem não deve, não teme"!
Devido ao tamanho da entrevista, e pelo facto de o Público apenas publicar hoje uma parte, também aqui a mesma será dividida, permitindo uma maior facilidade de consulta a quem por aqui passa...
Público, edição de 18.06.07
"Público - O Vítor Baía não podia jogar mais uma época?
Pinto da Costa - Sem ser no FC Porto, o Baía ainda seria titular em qualquer equipa portuguesa. Mas no FC Porto já não era titular. Ele teve a possibilidade de ir jogar noutro clube, mas liminarmente recusou-a, porque queria terminar no FC Porto. Fez a opção correcta, porque custou-me - embora o compreenda - ver outros jogadores, que marcaram uma época aqui, irem acabar a carreira noutro lado. Custou-me imenso que o Fernando Gomes, que ganhou duas botas de ouro e foi a marca da equipa durante muitos anos, ir acabar no Sporting. Teve todo o direito, porque ele, que fique claro, não trocou o FC Porto pelo Sporting - trocou foi a hipótese de terminar a carreira no FC Porto para ainda continuar a jogar no Sporting. Também deve ter custado muito aos benfiquistas que o símbolo Eusébio saísse para ir terminar no Beira-Mar e no Tomar.
Este lugar de director das relações externas vai servir para preparar Baía para voos mais altos ou vai ser uma prateleira dourada?
Tenho por ele uma estima imensa e sei que ele sente o mesmo por mim. Mandei encaixilhar a primeira camisola que ele vestiu como sénior. E tenho também uma das duas camisolas que vestiu em Gelsenkirchen. Teve a delicadeza de mas oferecer. Era também com ele que eu festejava de forma mais efusiva as vitórias. Tenho por ele um carinho especial, mas isso não interferiu na decisão de ele assumir este cargo. Mas este é um lugar fundamental e que falta no FC Porto. Porque agora vai um a uma reunião da UEFA, amanhã vai outro à do G-14, eu, que até gostava de ir, raramente posso... Alguém duvida de que será prestigiante para o FC Porto e para o Baía quando ele chegar a uma reunião na UEFA, na FIFA, do G-14, a um sorteio da UEFA ou a um clube europeu para tratar de um assunto? Mas, se me perguntar se o Baía pode ser muito mais no FC Porto, eu digo-lhe que sim. Espero que tenha como dirigente a mesma carreira brilhante que teve como jogador.
Pode vir a ser um bom presidente?
Se me tivesse perguntado se eu gostava, eu não respondia, porque podia ser interpretado como um sinal da minha preferência. Mas perguntou se pode. E a isso já posso responder: acho que sim.
Como reagiu ao despacho de acusação do Ministério Público dos crimes de corrupção desportiva activa, no âmbito do processo que envolve o FC Porto-Estrela da Amadora de 2004?
Confesso que não perdi muito tempo a analisá-lo, atendendo a que já tinha sido anteriormente arquivado por não haver indícios.
Alguma vez comprou ou mandou comprar um árbitro para beneficiar o FC Porto?
Não. Isso não tem qualquer tipo de cabimento e só lhe respondo porque não faço reservas às perguntas.
Declarações de Carolina Salgado terão servido para descodificar o nexo de causalidade em que Jacinto Paixão pedia ao empresário António Araújo que lhe arranjasse, por exemplo, "fruta" e as prostitutas que se diz terem sido um serviço oferecido pelo FC Porto à equipa de arbitragem...
Fruta? Fruta como eu todos os dias ao pequeno almoço, que faz muito bem à saúde.
Refiro-me à conversa telefónica gravada entre si e António Araújo...
O FC Porto e António Araújo, este como representante do Corinthians Alagoano, mantinham entre si uma conta corrente relativa à transferência de jogadores, e quando [ele] me falou em fruta, pensei que se referia a uma verba que vinha reclamando de uma dívida do FC Porto, tendo-lhe por isso dito que tinha sido já enviada, como, de facto, fora.
Mas Carolina Salgado refere até, no livro Eu Carolina, a existência de ofertas a árbitros...
Como é sabido, as minhas preferências literárias vão mais para o poeta José Régio. Não aprecio literatura de cordel.
Mas conhece de certeza o seu teor...
Quanto a isso, quero endereçar os meus parabéns ao senhor procurador e à senhora juíza, musas inspiradoras de tal obra, uma vez que foram eles que criaram o guião. Conheço o suficiente para compreender que tanta invenção e falsidade só serão compreendidas quando todos souberem (o que eu já sei) com quem a Carolina Salgado se reuniu antes do livro, depois de ele ser escrito, quem cortou coisas, quem acrescentou outras, quem a apresentou à D. Quixote, etc., etc. Para se compreender o objectivo desse livro, será suficiente ler, como eu li, há dias, num diário, que a escritora Fernanda Freitas está arrependida (e vou citar) por "ter pactuado, alegadamente por desconhecimento de causa, com falsidades e invenções no texto que escreveu".
O que pretende dizer com isso?
Diria que a autora do livro poderia ser processada por plágio, já que, ao que me contam, transcreve o interrogatório judicial de que fui alvo.
Mas a verdade é que o FC Porto foi acusado de oferecer prostitutas aos árbitros...
Quanto a essas aleivosias, já prestei os esclarecimentos em sede de inquérito, que, pelos vistos, foram suficientes, porque o processo foi arquivado. Aliás, como é bom de ver pela última época, em que fomos prejudicados por este ambiente de suspeição, o FC Porto continua a ganhar e venceu o campeonato. Não esqueçamos que, em caso de dúvida, os árbitros, neste clima de suspeição, decidiam sempre contra o FC Porto.
O FC Porto jogou com o Estrela da Amadora a 24 de Janeiro de 2004, numa altura em que tinha uma equipa fortíssima...
É verdade. O FC Porto ia em primeiro lugar, com 48 pontos e cinco de avanço sobre o segundo classificado. É também verdade que o Estrela ia em último lugar, com 11 pontos, aliás lugar no qual terminou o campeonato e destacado. A mesma equipa e a mesma estrutura que ganharam as mais prestigiadas taças europeias não seriam capazes de ganhar ao Estrela em casa? Não me lembro de ninguém, na altura, se ter lembrado de falar em favores de árbitros europeus. Curiosamente, nem é referente ao FC Porto que mais do que um árbitro internacional disseram, e está escrito, que receberam favores de um clube português em jogos europeus.
Mas a acusação, com base em pareceres técnicos de ex-árbitros portugueses, diz que diversos erros prejudicaram o Estrela...
Eu, desse jogo, e de erros, lembro-me de três foras-de-jogo mal assinalados ao FC Porto, que podem ser facilmente comprovados pelo visionamento da gravação. Quanto aos golos do FC Porto, nem eu nem os analistas nem os "paineleiros" habituais descortinaram qualquer irregularidade.
Mas não está preocupado com esta segunda fase do Apito Dourado, agora liderado por Maria José Morgado?
Ao que sei, só existe um processo Apito Dourado, o que corre em Gondomar e do qual não faço parte. Além do mais, quem não deve não teme e considero que se trata de uma perseguição pessoal, a mim e ao FC Porto, à qual saberemos dar resposta.
Resposta a quem? A Maria José Morgado?
Não, não. Refiro-me mais a alguns apêndices sequiosos de protagonismo, aqueles que vão para as televisões fazer afirmações descabidas sobre o meu salário e que falam das ligações dos autarcas ao Ministério Público.
Está a referir-se a quem?
Há uma analogia entre o lugar-comum da promiscuidade entre a política e o futebol e aquela que existe entre alguns elementos dos media e elementos do Ministério Público. Algo semelhante entre o que se passava na corte francesa, em que os segredos de Estado eram partilhados na alcofa.
Mas a reabertura do processo teve por base as declarações de Carolina Salgado...
Apesar de não conhecer o teor dessas declarações, uma vez que não tive acesso às mesmas, sei que foram o pretexto para a reabertura.
Como vai, então, reagir à acusação?
Já entreguei o assunto aos meus advogados, que são pessoas competentes para tratar disso. Eu estou de consciência tranquila e espero, serenamente, o desfecho do processo. Contudo, não quero deixar de manifestar a minha estranheza por todo este alarido acerca da corrupção no futebol só levantar suspeições sobre clubes e agentes desportivos do Norte do país, quando é do conhecimento público, e em especial de quem acusa, que, nas mesmas escutas, há outros dirigentes desportivos de clubes da capital a solicitar a nomeação de certos árbitros. E, contra esses, ao que sei, não há processos a correr.
Acha que há perseguição ao FC Porto?
Há uma perseguição ao FC Porto e ao Norte em geral. O que podemos constatar é que há uma dualidade de critérios.
Um comunicado do seu advogado anunciou medidas: é verdade que vai pedir a nulidade das escutas telefónicas?
Não faço ideia. Os meus advogados é que sabem os passos a seguir. Também não lhes peço opinião sobre os assuntos do futebol...
Tem ainda mais dois processos: o do Beira-Mar-FC Porto, arbitrado pelo Augusto Duarte, e o do Nacional-Benfica, e há ainda um processo lateral ao Apito Dourado em que é acusado de ser o mandante de uma agressão ao ex-vereador da Câmara de Gondomar Ricardo Bexiga. Teme voltar a ser acusado?
Não faço a mínima ideia dos inquéritos, designadamente dos ressuscitados, e do seu andamento. Para isso é que tenho advogados. E respeito o segredo de justiça.
Já teve vários inquéritos arquivados resultantes de certidões do processo principal. Quantos?
Que me lembre, todos tinham sido arquivados, menos um. Até ao renascimento dos novos processos, que ainda não estão concluídos.
Que implicações pode ter o Apito Dourado para o FC Porto no aspecto desportivo e no "negócio" da SAD?
Espero que nenhuns, porque acredito na justiça. Embora, se formos analisar as arbitragens dos jogos do FC Porto e dos seus rivais directos, já estejamos a sentir os seus efeitos directos.
O que acha do facto de o realizador João Botelho ir fazer um filme baseado no livro Eu Carolina?
Acho normal. É a sequência lógica e faz parte do plano que levou à publicação do livro. Tudo começou quando saí da casa em que vivia [com Carolina Salgado] e quando, depois, recusei ceder às tentativas de chantagem. No dia 14 de Maio de 2006, saiu uma entrevista no Correio da Manhã de um indivíduo em que ele exibia objectos meus que ainda hoje não reavi e em que falava num plano para me extorquirem 500 mil euros. Estou à vontade porque nem conheço o cavalheiro. Depois, o resto também é conhecido: uma mulher interveio e é uma das protagonistas do filme, o marido filmou e alguém patrocina...
O ex-presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso e os dirigentes do FC Porto Angelino Ferreira, Eduardo Valente e Adelino Caldeira são acusados de terem prejudicado o Estado em 3,3 milhões de euros no negócio da permuta, em 1999, de terrenos das Antas e do Parque da Cidade...
Isso é muito fácil de explicar. O então presidente da câmara, Fernando Gomes, andava há muito tempo a tentar uma permuta de terrenos desta zona com a família Ramalho, por troca com a quinta que existia aqui nesta zona. Não conseguia chegar a acordo porque a família Ramalho não queria trocas, tinha acertado um valor e só queria dinheiro. E como a Câmara do Porto tinha aceitado trocar esses terrenos pela quinta, cujo valor atribuído era idêntico, o FC Porto foi ao banco, ao BCP, conseguiu o empréstimo e pagou à família Ramalho aquilo que ela pretendia pela quinta. Depois, permutou-a pelos terrenos que a câmara queria trocar com a família Ramalho, num documento que foi assinado pelos três directores responsáveis pelos respectivos sectores. E vendeu-os entretanto para pagar ao banco. É tão simples como isto. Quer dizer, se a família Ramalho tivesse feito ela a permuta, a esta hora quem estava no banco dos réus era a família Ramalho. É um absurdo."

12 de junho de 2007

O Eixo do Mal


A notícia foi avançada, na abertura do telejornal, pela TVI, como se fosse o furo do século. Logo de seguida, quais abutres ávidos de desgraça, os restantes pasquins, sem conseguirem esconder o gáudio que sentiam, titulavam: “Pinto da Costa acusado de corrupção”.
Sinceramente, não consigo perceber onde é que está a novidade, capaz de provocar tamanho alvoroço. Já se sabia que era uma questão de tempo. Desde que a super heroína, a louvada e endeusada Maria José Morgado foi encarregue de fazer progredir o caso Apito Dourado. E avançar, nesta situação, quando um País inteiro pede a cabeça (ai esse ódio que os mata aos poucos) só podia ter este resultado. Não interessa que seja ridículo. Sim, e ridículo é um eufemismo. O Porto-Estrela da Amadora? Estão a brincar comigo? Um Porto de Mourinho, a uma semana de ser CAMPEÃO EUROPEU, perante um adversário despromovido, necessitava de corromper alguém?
Mas nesta Justiça e neste País nada me espanta. Escutas de uns, a escolher árbitros, são rapidamente esquecidas, consideradas meras questões colaterais, enquanto os outros sofrem linchamentos em público.
Ficamos assim a saber que o Porto de Mourinho, essa super-equipa, comandada por um genial treinador, era fajuta. Isso mesmo. Mourinho era um treinador medíocre, pois, ao que parece, os seus êxitos estão maculados. Só começou a ser bom quando emigrou para Inglaterra, após meia dúzia de chás das 5. E aqueles jogadores brilhantes: Deco, Ricado Cravalho, McCarthy, Maniche, Costinha, eram afinal jogadores banais, que apenas venciam por obra e graça do Homem do Apito. Logicamente que, nesta cabala, ficam muitas peças por explicar, que estão atravessadas nas gargantas de muitos: a Taça UEFA (foi da fruta, foi), a Liga dos Campeões (tanta azia que anda por aí, à custa disto), a Taça Intercontinental (milhões só a conhecem por verem um capitão portista a empunhá-la) e muitas outras coisas.


Estivemos sempre, e isso é notório, em inferioridade de meios. Vale tudo para destruir o Porto. Não tenhamos dúvidas: a macacada usa as armas todas que tem. Coacção, chantagem, pressão, numa tentativa desesperada de destruir o inimigo incómodo. Contudo, parece-me que se estão a esquecer do mais básico: a presunção de inocência. E, já agora, quero vê-los a provar esta idiotice.

Ps1: Alguns amigos meus, numa fingida preocupação, perguntaram, naquele tom compungido de canastrão amador: “Como é que estás?”. Seria fastidioso debitar o mesmo discurso a todos. Mandei-os da uma volta. Até aqui. Estou bem. Continuo a ser um convicto portista, transbordante de orgulho na sua equipa, idolatrando sempre essa figura mítica: PINTO DA COSTA. E, como portista, fruto de herança familiar, não há nada como fazer aquilo que é inato. Andar de cabeça erguida. Não tememos ninguém, nada devemos a alguém. Não temos ex-presidentes presos, não temos presidentes cadastrados, não temos administradores com dívidas fiscais, bens penhorados ou off-shores duvidosas. Vencemos campeonatos compulsivamente. Sim, disso somos culpados. De querer sempre mais. Sofregamente. Mas não sonegamos certidões fiscais, não falsificamos documentação das Finanças, nem alteramos locais de jogos, só para vencer a todo o preço. Não, nada disso. Os nossos triunfos (e são tantos) são moldados no sacrifício, numa mística única, sentida, que aquece os nossos corações. Uma comunhão de espírito, de empatia inata, que nos transforma em mais do que num mero clube de futebol. Que raio. SOMOS O FC PORTO. E, apesar de as trevas avançarem na nossa direcção, fazemos como os famosos gauleses, imortalizados pela pena de Goscinny: lutamos, sem medo de ninguém. E, sinceramente, até somos melhores do que Asterix e Cª. Não precisamos da poção mágica de Panoramix para derrotar estes merdas! O Eixo do Mal, como lhe chamaria Bush, está vivo e ao ataque. Mas desenganem-se. Não somos uma Nação indefesa. Não nos abatem. Não nos levam a melhor.

22 de abril de 2007

A recandidatura do Big Boss


A recandidatura de Pinto da Costa é como aquela história do copo meio cheio, ou meio vazio, conforme quem o vê. Para os anti-postistas, é claramente uma má notícia. Para os que comungam da religião azul e branca, a recandidatura não apanha ninguém de surpresa. É recebida com serenidade, mas com alegria. Confesso que eu, adepto portista moldado nos finais da década de 70, quando despertei para esta paixão que consome, era difícil ver o Porto chefiado por mais alguém que não Pinto da Costa. Feito o anúncio oficial, a imprensa vai ser agora palco de opiniões, de comentários, onde, mais do que elucidar ou fazer um trabalho jornalístico isento, dentro dos parâmetros deontológicos, se vai assistir a pequenas vendettas, ajustes de contas e ódios recalcados. A opinião comum (vai uma aposta?) vai ser idêntica: Pinto da Costa não devia recandidatar-se. Os argumentos: aqueles de sempre. Blá, blá, blá, apito dourado para aqui, blá, blá, blá, apito dourado para acolá. E não passam disto. Se servisse de barómetro, Pinto da Costa faria as malas e ia gozar umas merecidas férias. Só que, como todos nós sabemos, a opinião desses "eruditos" é feita tendo como base um ódio ao Porto, que se vai agudizando à medida que os troféus vão enchendo a vitrina do Museu portista. Assim, nem que fosse só por isso, já valia a pena celebrar a recandidatura. Há lá gozo melhor do que ver a frustração dessas "alminhas", ano após ano, conquista após conquista?
Vão ser, não tenho dúvidas, 3 anos de ataques contínuos, de atoardas mesquinhas, mas nada a que, tanto Pinto da Costa, como qualquer comum adepto portista, não estejam já habituados. Mas vão também ser mais 3 anos de glórias, de grandes feitos, de vitórias celebradas nas ruas, de orgulhos difíceis de conter. Por isso, pela minha parte, só posso dizer algo que sempre ansiei de dizê-lo pessoalmente, mas que ainda não tive oportunidade: um GRANDE OBRIGADO!