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11 de março de 2009

Só eu sei porque não fico em casa...

A claque sportinguista, composta na sua maioria por arruaceiro primatas, canta orgulhosamente aquilo que apelida de hino, uma espécie de música épica que versa sobre o amor incondicional do adepto lagarto ao seu clube de coração. Depois deste duplo confronto com os germânicos do Bayern, a frase emblemática do cântico tem outro sentido. "Só mesmo eles sabem porque não ficam em casa..."

O 102º aniversário do clube comemorado efusivamente com brindes, no Velho Continente. Foram 12, envegonhando o futebol português, mostrando aos adeptos do desporto-rei que o lugar da equipa leonina é mesmo em competições cá pelo burgo.

Um bando de excursionistas, patéticos, parecendo uma qualquer vulgar equipa do Luxemburgo, provocando risota geral no público, perplexo ao mesmo tempo pelo facto de, a este nível, um aglomerado de jogadores vestindo a ridícula indumentária com listas verdes e brancas horizontais, conseguir permanecer em prova.

Façam um favor, para a próxima temporada. Fiquem-se pela Intertoto ou, em alternativa, cedam a vez. A outros mais competitivos.

25 de fevereiro de 2009

Eufemismos

A malta do Record é bacana. Só eles para se lembrarem deste pedaço de prosa, na edição online:

"Franck Ribéry (2) e Miroslav Klose já facturaram e estão a complicar seriamente as contas leoninas nesta eliminatória da Champions".

Coloco a tónica no "complicar seriamente as contas leoninas". Isto escrito com 0-3 no marcador. O que interessa é que a malta não perca a esperança. Afinal, nuns escribas que criam o campeão de Inverno quando a estação não tinha atingido o seu fim, que apelidam de jogo do título o derby lisboeta, quando nenhum dos contendores podia atingir o 1º posto, é de esperar tudo.

27 de novembro de 2008

O Mundo Real

Não cesso de me surpreender com o sentido de Justiça do futebol. Aquela bola redonda, feita de couro, consegue fazer o papel de Deus, quando quer. Igualar as desgraças, fazer descer, de forma abrupta, do pedestal os pomposamente instalados.

Teceram-se considerações pouco abonatórias quanto ao Porto e à qualidade do plantel, depois da noite negra de Londres. E as loas em redor de Quique, esse "special one" com sotaque espanhol, cresciam exponencialmente, numa imprensa sempre ávida por glorificar as gentes da margem sul.

Dizia para mim mesmo: "deixa-os pousar". E eles iam-se divertindo. Sorrisos bonacheirões, rostos rubicundos de prazer, artigos cáusticos nas páginas dos jornais. Uma pândega. Uma festa de arromba, a cada novo desaire portista.

À inicial apreensão, com a vitória em Kiev, seguiu-se a habitual tentativa de branqueamento de uma vergonhosa arbitragem na Taça, que quase impedia os azuis-e-brancos de seguirem justamente em frente. A apreensão passou para outro nível. Receio. A vitória na Turquia, no inflamado estádio do Fenerbahce, só serviu colocar uns sorrisos amarelos nos rostos de muitos. E aquele nó no estômago, a dificuldade em engolir, a espinha cravada na garganta não enganava. O receio tinha desaparecido. O pânico tinha chegado. Em força.

O Record procurou, como sempre e ao arrepio do código deontológico que os devia nortear, menosprezar o êxito portista, com novo apuramento para os oitavos da Champions. Mas cometeu um erro capital. Na ânsia de achincalhamento, desprotegeu-se. E aquela capa, no pós-vitória do Porto, com Liedson e Messi em grande destaque, secundando o título de "a grande final" vai persegui-los até à eternidade.

Pagaram caramente a incúria. Viram o Sporting, esse "colosso" que conseguiu pela primeira vez na sua história o apuramento para os oitavos da Champions, a ser cilindrado em casa por um Barcelona em traje de passeio. "A grande final" foi algo pífio. Uma demonstração tremenda do que vale a equipa leonina. Nada. Brindada por olés por uma turba desesperada por emoções, num espectáculo circense que provocou pena.

José Delgado, esse paladino de tantas causas anti-portistas, deve ter tido uma premonição. Hoje, na Bola, conseguiu tecer uns elogios aos pupilos de Jesualdo. Tímidos, é certo, mas elogios. Afinal, aparentemente e nas suas sábias palavras, os outros grandes lusos estão a anos luz de distância da competitividade e qualidade que se encontra no Dragão.

Premonitório, já o tinha dito. No Olimpo, esse lugar mítico onde apenas a elite tem acesso, o dream team encarnado, com as pérolas Suazo e Reyes, glorificadas ad nauseum como a nata, foram despertados para uma triste realidade. O futebol é cíclico. E, por cada risada com os passes mortíferos da equipa de Wenger, pagaram hoje os juros. Bem caros, por sinal. Bem vindos ao mundo real, meus caros. Sem colinhos. Sem paliativos.

11 de novembro de 2008

O estranho caso do treinador ressentido

Poderia dar, ressalvando a imodéstia, um belo título para uma das habituais investigações detectivescas de Agatha Christie. Mas o argumento, neste caso, é redutor. Sem qualquer suspense, com o suspeito facilmente identificado. O homem do “dranquilidade”, do belo risco ao meio, ocupa no epicentro desta história o lugar habitualmente reservado aos mordomos. O de culpado.

Apesar das posteriores tentativas de apaziguamento, a realidade é só uma. Paulo Bento foi um incendiário. Qual menino mimado, de mau perder, apontou baterias para o bode expiatório perfeito. Bruno Paixão. Com um discurso carregado de agressividade, num incitamento latente à violência, radicalizou um discurso já de si repleto dos habituais estereótipos dos agentes futebolísticos nacionais.

Existe sempre alguém responsável pelas derrotas, que não o próprio ou o mérito alheio. O polvo. O sistema. Uma corporação de interesses. Com a irresponsabilidade a atingir foros escandalosos, os dirigentes sportinguistas tiveram uma ocasião única para refrear os ímpetos da turba. Uma espécie de mea culpa público. Mas não. Optaram pelo caminho mais fácil. Atalharam no seguidismo, corroborando as afirmações, falsas e insanas.

Transformaram o clássico de Domingo, para a Taça, numa farsa, apunhalando de morte aqueles que veneram o desporto-rei. Procuraram branquear, através do ressuscitamento de fantasmas à muito desaparecidos, a verdade inalterada: FORAM DERROTADOS. ELIMINADOS. POSTOS FORA DA TAÇA. A VÊ-LA PELA TV.

Nessa corte, cada vez mais vasta, têm lugar garantido alguns dos verrinosos escribas da nossa praça, sempre lestos a criticarem acidamente o Porto nas suas colunas de opinião, mas mantendo agora um mutismo inexplicável. O que acharão Cartaxana, Delgado e amigos das palavras duras de Paulo Bento?

Dar-lhe-ão razão? Acharão que o Sporting foi mesmo prejudicado pelo homem do apito?

Não querendo fazer de Miguel Sousa Tavares (finalmente em grande, hoje, na sua crónica semanal na Bola) e exaustivamente colocar aqui os erros primários do juiz de campo, nesse clássico, basta relembrar as mentes mais dadas à amnésia que Hulk foi derrubado por Rui Patrício, dentro da área, num penalty evidente. Que Liedson mimoseou um jogador portista com uma cotovelada, impunemente. Ou que o mesmo Liedson cometeu uma falta clara sobre Fucile, antes do golo inaugural. Que Rochemback, quiçá esgotado por correr atrás de Hulk, agrediu Rolando, noutra grande penalidade a que Bruno Paixão fez vista grossa. E, mesmo assim, vivendo uma crise de resultados, como gostam de atestar algumas mentes visionários, conseguimos vencer. Isto não dirá tudo, quanto ao ridículo de alguns?

Paulo Bento, arvorado em douto comandante de homens, procura dar uma imagem refrescante, qual técnico moderno, preparado para os desafios do futuro. Pura treta. No seu âmago, é como os repelentes treinadores de outrora, mesquinho e pouco lúcido, sabendo apenas um ou dois truques de pacotilha. Na sua escalada à Goebbels, escamoteia a forma como o Sporting venceu a última Taça de Portugal. Por curiosidade, contra o Porto.

Ou ainda, mais recentemente, o escandaloso penalty roubado literalmente ao Braga, permitindo que os leões aí alcançassem uma importante vitória. E, neste triste e patético jornalismo de trazer por casa, lá se vai permitindo que um banal e medíocre treinador continue a blasfemar na TV, sem ser confrontado com a realidade. É o treinador de um clube supostamente grande, mas que só agora, em pleno século XXI, depois de 100 anos de vida, consegue atingir os oitavos de final da Champions.

Está tudo dito, não está. Parafraseando Sua Alteza, "porque não te calas?"

13 de agosto de 2008

Xistrema

"Carlos Xistra será o árbitro da Supertaça"

Reacção pavloviana: Aperto do estômago. Nó na garganta. Dificuldade de engolir. Suores frios. Pânico generalizado.

Os mais optimistas dirão que até nem é uma má escolha. Pois não. Safamo-nos do Bruno "viva CampoMaior" Paixão, leão de coração, execrável na aplicação correcta das leis do jogo. Mas, por outro lado, levamos com nova dose de Xistra. E, para aqueles com problemas de memória, o jogo da temporada passada, em Alvalade, para a Superliga, redundou num arraial de erros primários por parte do juiz agora designado como o árbitro da Supertaça. A saber:

- golo irregular do Sporting sancionado, com clara influência no resultado;

- penalty clamoroso cometido sobre Quaresma, com a falta a ficar impune;

- entrada violenta de Liedson sobre Helton, merecedora de vermelho directo, sem qualquer acção disciplinar por parte de Xistra.

E Sábado, que árbitro teremos? O habitual condicionamento aos leões, ou finalmente uma aragem de gente impoluta, capaz de ajuizar imparcialmente os lances mais polémicos?

2 de março de 2008

Pérolas...

Algumas das pérolas do derby da 2ª circular, o tal que confere o título de...2º classificado.

Miguel Prates:
"C.Rodriguez remata....goooloooooo....ao lado...", num remate perigoso do uruguaio, onde o comentador não conseguiu esconder o clubismo, visível ao longo de inúmeras transmissões...

Comentador:
"Parece exagerada a amostragem do vermelho a Nelson". Reconheço que a mim também. Afinal, o seu companheiro de equipa, Katsouranis, teve uma entrada bem pior, no Dragão, lesionando gravemente Anderson e nem falta foi marcada. Porque carga de água se pune a entrada intempestiva do lateral encarnado, que apenas se limitou a voar, de pitons em riste, na direcção das canelas do adversário? É o sistema, é o que é...

Jornalista:
"O Sporting a repetir a grande exibição que realizou perante o Porto." Isto dito aos 15 minutos do jogo de hoje, numa alusão a um clássico anterior que ficou marcado pela vincada supremacia...portista. Espantosa capacidade de análise, sem dúvida!


*****

Como nós, portistas, até temos mais com que nos preocupar, o Domingo foi gordo em acontecimentos. Positivos, já se vê. No Algarve, vitória concludente da equipa de andebol, derrotando na final da Taça da Liga o Sporting. Terceira taça da história para os Dragões, num triunfo merecido pela perseverança e sangue azul que corre nas veias de Carlos Resende.

No basquetebol, aquilo que pareceria impossível, há uns tempos, começa a acontecer amíude. Refiro-me às derrotas da Ovarense às mãos dos Dragões. Depois do festejado triunfo na Taça da Liga, o 5 portista venceu hoje, em terras vareiras, os actuais campeões nacionais. Bom augúrio para o que resta da temporada.

27 de fevereiro de 2008

Tudo bons rapazes...

Ora esta! Fui apanhado algo de surpresa com os relatos da violência incontrolável entre os fleumáticos adeptos leoninos e os pacíficos adeptos benfiquistas...

Meses a fio a ouvir debitar sentenças sobre esse lugar lúgubre, o Porto, terra de malfeitores e marginais, impunemente agindo nas barbas da corrupta polícia [do Porto, é claro], que os confrontos entre os irmãmente ligados clubes da capital nos parecem vindos de uma terra distante...

Desta feita, pelos vistos, sem qualquer aparato que justifique a abertura de jornais televisivos, sem entrevistas a personalidades sempre prontas a opinar sobre a insegurança da noite, nem com equipas especiais do DIAP, PJ ou outra qualquer força de segurança...

Aparentemente, está tudo sobre controlo. Não se percebe, então, é a urgência e o pânico que os pasquins têm debitado. Deve ser mesmo engano. Afinal, aquilo faz lembrar um dos emblemáticos filmes do Martin Scorcese. "Tudo bons rapazes"...

3 de janeiro de 2008

Demência avançada

Imparável, Vuckevic, o vencedor incontestado do prémio o "idiota do ano", continua a fazer jus ao ceptro, com tiradas como a que abaixo se transcreve:

Simon Vukcevic em entrevista ao jornal "Sporting": "Acredito que [Purovic] pode marcar 15 golos numa temporada".

Mais à frente, "[Purovic] é um avançado fulgurante, está sempre no sítio certo e, a qualquer altura, pode marcar um golo."

Estes montenegrinos são loucos!

31 de dezembro de 2007

Prémio: O idiota do ano...

"And the winner is..."...tcham..tcham...tcham

Vukcevic!!!

O Sérvio desassombrado, responsável por algumas tiradas que mereciam figurar nos bloopers orais do ano, é o incontestável vencedor do prémio. E ele bem que se esforçou...

Começou, mal tinha aterrado e provavelmente nem tinha desfeito as malas, por se atirar ao ataque. De forma desconcertante. "O Porto é Quaresma e mais dez". Disse-o assim. A seco. Com contundência. E o Porto respondeu-lhe. Aliás, para ser preciso, Raul Meireles. E o Porto, naquele cabecinha de vento oriunda da antiga província jugoslava, passou a ser Quaresma, Meireles e mais 9...

Nesta altura da época, provavelmente com o neurónio afogado em calorias digeridas à mesa da família, Vukcevic já se esqueceu que teve que rever a aritmética. O Porto é Quaresma, Meireles, Lucho e mais 8. Ou Quaresma, Meireles, Lucho, Lisandro e mais 7. Ou Quaresma, Meireles, Lucho, Lisandro, Tarik e mais 6. E por aí fora...

Com o doce torpor da satisfação gastronómica a acompanhá-lo, embalado por um bom scoth [hábito herdado por corporativismo com o presidente do clube], aquecido a uma lareira, o sérvio resolveu presentear-nos com mais uma tiradas intelectuais...

"9 pontos não são nada", referindo-se ao avanço portista na Superliga. "Não vejo nem gosto de futebol" e "Preferi o Sporting ao Porto", esta última dita com um toque de triunfalismo na voz. Contente consigo mesmo, Vukcevic não repara nos esgares de espanto que provoca, nos sorrisos embaraçados com tamanha imbecilidade ou com as risotas de escárnio que ecoam por onde passa. É tolo, mas é um tolo inofensivo. Feliz. E quando assim é...

Sobre o tema, leiam mais uma deliciosa prosa de Jorge Maia, retirada do "Jogo":

"Vukcevic, que alguém se lembrou há dias de reduzir ao onomatopaico e super-heróico diminutivo de Vuk, deu uma entrevista justamente classificada de "desconcertante" na qual revelou uma sagacidade semelhante à que lhe garante o subjectivo mérito de ser considerado por alguns como o melhor jogador da actualidade no Sporting. Disse ele que não gosta e não vê futebol, o que é sempre um bom começo de conversa. Depois, foi por aí fora, imparável, garantindo que nove pontos de diferença não significam nada e acabando por revelar que preferiu o Sporting ao FC Porto. Os mais atentos são capazes de detectar aqui um fio condutor. Vuk não gosta de futebol, acha que nove pontos de diferença não são nada e preferiu o Sporting ao FC Porto, percebem? Isto está tudo ligado e uma coisa não faria muito sentido sem as outras. Ainda assim, é impossível não reconhecer a sagacidade de um jogador que, para justificar a preferência pelo Sporting em detrimento do FC Porto, explica que assinou pelo clube de Alvalade porque viu que tinha mais hipóteses de jogar lá. É óbvio que sim. Até porque, como Vuk disse há uns meses, o FC Porto é Quaresma e mais dez. Não há espaço para mais ninguém."




BOM ANO DE 2008.


21 de novembro de 2007

Coisas da bola, em território tuga...

Publicava, semanas atrás, com a pompa e circunstância devida, esse jornal dito de referência no mundo da bola tuga, uma entrevista, com direito a tainada, com os dois presidentes dos clubes da 2ª circular. Passando por cima das hossanas e elogios, disparados em quase todos os caracteres, não fosse a reportagem obra e graça do invertebrado José Manuel Delgado, a idéia geral que se poderia extrair da mesma é que estavamos na presença de dois Senhores...

Assim mesmo, com direito a maiúscula e tudo, separando as águas. Habituados diariamente à reverência com que são mimados em todos os orgãos de comunicação social, os próprios começam a acreditar que são diferentes do estereotipo do dirigente do futebol luso...

A reunião, em ambiente informal, funcionou como uma espécie de armistício, quase como se fosse um tratado de paz para o Médio Oriente. As parangonas, na capa do dito jornal, não permitiam equívocos. Ali, naqueles dois estádios construídos com dinheiro do erário público, separados por uma via rápida, o "fair-play" não era uma expressão vã. Nada disso. Não existindo, ainda, uma entidade que certifique a qualidade de intenções nesse sentido, a "Bola" proclamava oficiosamente que ambos os dirigentes se comprometiam a, no seu papel de moralizadores do futebol indígena, serem uma excepção, neste mundo caótico e povoado por oportunistas e interesseiros. Eles não. Eles são uma espécie à parte. Dali nunca se poderia esperar um golpe baixo, um acto mesquinho ou outra qualquer diatribe...

Durou pouco, este idílico mundo criado artificialmente pelo Serpa e Cª. Durou apenas, dirão os mal intencionados, até o vinho de casta privada se esgotar na mesa. Durou o tempo que tinha que durar, debitarão os mais sábios, numa verdade à La Palisse. Ou durou o tempo em que um míudo de 8 anos se atravessou no caminho dos impolutos senadores do futebol português, sempre lestos a debitarem sentenças e códigos de conduta, mas que agem no mercado de transferências como aves de rapina, cuja ética e deontologia hà muito ficou esquecida, restando apenas a cobiça e avareza. Um míude de 8 anos mostrou à sociedade de que massa são feitos os dirigentes dos clubes da 2ª circular.

"Fair-play", o que é isso?

21 de outubro de 2007

Avé Maria, Cheia de Graça...

Sporting, 1 - Fátima, 2

O saudoso Fernando Pessa acabaria com o inevitável: "E esta hein?"

18 de outubro de 2007

A queda de um mito

Os mitos servem exactamente para isto. Endeusados até ao tutano, de vez em quando caem, do alto da sua prosápia. Os números que se seguem são bem elucidativos:

Penaltys desde 2000

1º - Sporting, com 71 castigos máximos a favor;

2º - Benfica, com 44 castigos máximos a favor;

3º - Porto, com 40 castigos máximos a favor.

Espantoso, não é? Vale ou não a pena ser "queixinhas"?

São mais 31 grandes penalidades a favorecerem os leões, se comparando com o Porto. 31 castigos máximos. E esta gentinha ainda tem o desplante de, sistematicamente, fazer o papel do pobre coitadinho-que-é-se-sempre-prejudicado-gravemente-pelos-parciais-homens-do-apito? Não há pachorra para os aturar. Se nem assim eles ganham qualquer coisinha, será que o problema é mesmo da arbitragem?

16 de outubro de 2007

Prémio "e eu sou o Pai Natal!"

Miguel Ribeiro Teles: «Não somos queixinhas», in Record de 15.10.07

Esta malta descendente do visconde de Alvalade consegue ter piada. Inconscientemente, para gáudio dos rivais, debitam umas parvoíces, ciclicamente, na imprensa, mantendo vivo o espectáculo circense onde gostam de ser inseridos. Miguel Ribeiro Teles estava calado à muito tempo. Longe da mediatização desejada. Assim, neste interregno da competição-mor nacional, o dirigente leonino [ou o que raio ele é no clube] tentou testar a sua verve humorística. Como um solitário membro dos Monty Python [ao pé destes, os Gajos Fedorentos são uma anedota de mau gosto, uma espécie de humoristas da 3ª divisão], o dirigente dos leões veio a terreiro com o seu número de stand up comedy.

Discursando no almoço de aniversário de um núcleo qualquer, MRT saíu-se também com esta, da mais digna estirpe de humor inglês. Se não acreditam, leiam:
"O Sporting é acusado de não saber que errar é humano, é acusado de ser um clube queixinhas. Não é assim! O Sporting reconhece que todos os árbitros erram e sabe reconhecer o erro. O que o Sporting não compreende é que os critérios não sejam iguais para todos”.

Leram bem? Errare humanum est! Espantoso que, quem quer fugir à imagem do "queixinhas", se saia com uma lamúria deste calibre.

Sim, errar é humano. Existem erros na arbitragem portuguesa desculpáveis. Acidentais, motivados pela má colocação do árbitro, por um segundo de desatenção, por uma desconcentração fatal ou mesmo por pura incompetência. Há de tudo. Até erros deliberados. Neste mundo da bola, em que todos choram, o Sporting consegue a proeza de, com tantos queixumes, irritar um beatífico monge.

Batendo na tecla que, já se sabe, nos vai acompanhar até ao fim da época, Miguel Ribeiro Teles voltou ao Dragão. Em pensamento. Não sei se por masoquismo, mas o tema principal voltou a ser o atraso [que alguns tentam transformar em corte] que originou o livre, batido vitoriosamente por Raul Meireles. Está encontrada a defesa irredutível dos leões. Na época passada, com o mísero ponto de atraso para o campeão Porto atravessado na garganta, ressuscitou-se a mão de Ronny como se dela tivesse dependido a sorte da competição. Encontrando um seguro porto de abrigo no proteccionismo serôdio de alguma imprensa, lá se escamotearam erros prejudiciais aos adversários leoninos, elegendo o golo do Paços em Alvalade como o principal factor de desiquilíbrio na intensa e equilibrada luta pelo ceptro nacional.

A estratégia, este ano, cheira a bafio. É mais do mesmo. Não fossem os 7 pontos de atraso, acredito que a intensidade com que [ainda] se fala do lance em que a ingenuidade de Stojkovic é notória, seria ainda maior. Mesmo assim, este revivalismo serve para animar as hostes, já resignadas a uma luta pelo 2º lugar, e para branquear os crassos erros dos homens do apito que, esses sim, têm permitido que o Sporting se vá conseguindo aguentar na tormenta da Superliga.

Para que não se esqueça:
- Penalty grosseiro cometido por Gladstone, na recepção leonina ao Setúbal, quando o marcador ainda se encontrava num nulo teimoso;

- Penalty muito duvidoso [fica a ideia de que a falta é cometida fora da área] que permite a igualdade dos verdes e brancos;

- Primeiro [e crucial] golo, na vitória sobre o Guimarães, onde Vukcevic atropela um jogador vimaranense.

Já fora da esfera de influência dos homens do apito, as vitórias sobre o Estrela, na Amadora, e em Guimarães, para a Taça da Liga, tiveram ambas algo em comum: a má prestação de ex-atletas leoninos que, com erros primários, ajudaram, e de que maneira, à vitória do seu antigo clube. Nelson, guardião amadorense, e João Alves, médio vitoriano, são os atletas em questão. Uma noite má ou algo mais?

10 de outubro de 2007

É de mim, ou cheira aqui a esturro que mata?

Hummmm....não é preciso ser um Hercule Poirot, o célebre detective criado por Agatha Christie, famoso pelas "celulazinhas cinzentas" para achar que começam a ser coincidências a mais.

Primeiro foi Fajardo, figura-mor deste Vitória de Guimarães aguerrido, a ser expulso por vermelho directo. O resultado imediato foi a ausência do vimaranense do depauperado relvado leonino, para enfrentar os leões...

Não bastava isso e num ápice Pedro Proença expulsa dois jogadores nacionalistas nos dois últimos minutos da partida que os madeirenses disputaram em Braga. Alonso e Spadacio vão assim ficar de fora no próxima partida a disputar na Choupana. Adivinhem lá quem é o opositor?

Pois, o clube do Soares Franco. Nem mais. É aqui que qualquer detective amador começa a desconfiar de tanta coincidência...

Juntemos-lhe só mais um pormenor: o penalty falhado em Guimarães, na Taça da Liga, que permitiu aos leões seguirem em frente, foi desperdiçado por João Alves. Coincidência do caraças, ex-atleta leonino. Aliás, um ex bem fresquinho, pois ainda em Junho envergava a camisola das listas verdes e brancas...

Mas pronto, deve ser de mim e da minha tendência paranóica, que vê fantasmas em todo o lado. O clube do Visconde "nunca" é beneficiado...

27 de setembro de 2007

Shame on you!

1 - A Taça da liga, nova competição do futebol indígena, até poderá nem ser muito atractiva. Reconheço isso, sobretudo para um clube grande, com a agenda sobrecarregada. Assim, a solução mais óbvia será, em confrontos iniciais, fazer uma gestão do plantel, guardando as principais figuras para os confrontos complicados que se avizinham. Até aí tudo bem. Mas qualquer adepto quer é vitórias, vitórias e mais vitórias. Seja no campeonato, na Champions ou num qualquer anónimo torneio. Perder nem a feijões, sobretudo em ocasiões destas, em que o nome do próprio clube fica em xeque. Jesualdo fala em sentimento de vergonha. Faz bem. É como eu me sinto e muito provavelmente os milhões de adeptos portistas. Ser realista, na hora da derrota, é que não resolve nada. Já fomos. Sinceramente, nem foi a derrota que mais me custou. A alegria proporcionada aos nossos figadais inimigos é que me irrita mais. Só espero que, desta vez, tenha sido mesmo um mero acidente de percurso, e não se assista aquele descalabro que se seguiu ao jogo de má memória contra o Atlético. Porque aí, a paciência é mesmo capaz de transbordar!

2 - Neste caso, já nem se pode falar de vergonha ou da falta dela. É o completo despudor, a impunidade que grassa, perante a complacência de todos. Penaltys mal assinalados sempre existiram, existem e continuarão a existir no futuro. Mas marcar um, aos 93', como o que se verificou no Amadora-Benfica, não cabe na cabeça de ninguém. Só não entra para o anedotário nacional, pela gravidade de que se revestiu a sua marcação. Há erros e erros. Acidentais ou deliberados. Aquele não engana ninguém. Propositado, cirúrgico, no último momento possível para evitar a eliminação dos encarnados. Vergonha é o mínimo com que se pode adjectivar o caso. A rede, ou sistema, como lhe quiserem chamar, já funciona. Dentro e fora do campo. Pois na penumbra das redacções dos jornais, o trabalho de sapa de alguns conclui o iniciado dentro do campo. Operação de cosmética em curso, não deixando de dizer o óbvio, mas escondendo os títulos sensacionalistas, que surgiriam se as cores fossem outras. Nada de parangonas nas capas [não fosse o Orelhas invadir as redacções], tratando o caso como mais uma exibição descolorida do Benfica. Da parte dos jornalistas, cobertos à muito de vergonha pelos constantes arrepios à ética, já não se esperam grandes feitos. Vendidos, quase todos eles, ao clube que se sabe, utilizam as colunas dos pasquins como um oásis do espírito corporativo, nunca falando mal do clube do regime. A "Bola" fala em "milagre" na vitória encarnada. E ainda existe alguém que não acredita no Apito Encarnado?

3 - Por certo uma mera coincidência. Mas quando estas se avolumam tornam-se suspeitas. Em 1979 foi Manaca, num "lance infeliz" a impedir o tri do FCP, ao marcar um auto-golo que permitiu a vitória do Sporting em Guimarães. Ex-jogador leonino, sobre si caíu, na altura, a suspeição de ter feito um frete à sua anterior entidade patronal. Veio-me o caso à memória quando assisti, estupefacto, à exibição de Nelson, anterior guarda-redes leonino, agora ao serviço do Amadora, no embate para a Superliga, frente aos leões. Noite infeliz? Talvez, mas o ex-jogador sportinguista teve enormes culpas no cartório na derrota da sua actual equipa. E é aqui que se começa a criar a teoria da conspiração. Não sei se se deram ao trabalho de assistir à marcação das grandes penalidades, que ditaram o vencedor do Guimarães-Sporting. Se sim, vejam lá se se lembram do nome do jogador que falhou a fatídica penalidade? Poupo-vos trabalho. João Alves. Até Junho deste ano, jogador do...Sporting. Pois. As almas caridosas podem achar que isto é mesmo uma teoria da conspiração, sem nada de concreto. Aceito. Até pelo timing da marcação do penalty, pois João Alves foi o último vimaranense a dirigir-se para o lugar de todas as decisões. Mas lá que é uma coincdência dos diabos, lá isso é!

ps: Só me sentirei vingado com um penalty inventado, aos 93', contra o Boavista, que nos dê a vitória. Isso é que era. Só para assistir ao circo de virgens ofendidas que se seguiria ao rescaldo do jogo!

19 de setembro de 2007

Pensamento do dia

"Sou do Manchester desde pequenino!"

E é isto que o futebol tem de tão mágico. Quais as probabilidades de eu, sentado em frente a um televisor, puxar fervorosamente pela equipa de vermelho? Muito poucas, acrescento eu...

Mas, nestas coisas da bola, as rivalidades devem ficar esquecidas momentaneamente, nos confrontos europeus. Sim, meus caros, o patriotismo deve sobrepor-se às tricas domésticas. Porque, é bom não nos esquecermos, lá fora labutam milhares de emigrantes, que vêem nestes confrontos uma hipótese de mostrarem ao país de adopção que Portugal é um colosso, nestas coisas da bola.

Cristiano Ronaldo, Nani, Carlos Queiroz e também Anderson, que apesar de brasileiro deixou saudades neste cantinho à beira mar plantado, são nomes que merecem o nosso apreço e admiração por terem elevado, mais uma vez, o nome do nosso País.

ps: E há equipas que nasceram para serem "cabeçudas". O Sporting é uma delas. É um grupo de excursionistas na Europa, e isso resume tudo!

30 de agosto de 2007

É só rir

A capa do "Record", publicada umas semanas atrás, não engana. Naquele pasquim, lugarzinho lúgubre, povoado por maus profissionais, existe uma linha editorial que, avalizada pela direcção, só pode ser entendida como uma manobra para entreter o povo português, tão depauperado por uma crise económica. Só assim é entendível que se faça uma parangona destas. O Sporting, melhor clube da Europa - e não me venha nenhuma mente iluminada falar da classificação do IHFSS - só em sonhos, e mesmo esses delirantes...

Nem vale a pena falar em que patamar o pobre escriba colocaria, por exemplo, o Sevilha, vencedor de 5 troféus nos últimos 15 meses. A tentativa de conferir um estatuto internacional ao Sporting é compreensível, pois o clube de Alvalade de outra forma não o consegue. Palmarés europeu incipiente. Uma mísera Taça das Feiras ou o raio que a parta - competiçãozinha anónima e pouco expressiva - e uma mão cheia de nada. No entanto, é vê-los, todos impantes, orgulhosos e ufanos, vá-se lá saber porque carga de água. Nunca na vida conseguirão - e isto não é uma praga à Otto Glória - chegar, sequer, a vencer uma Taça UEFA, quanto mais coroarem aquelas cabeças ocas com a glória máxima da Champions.

ps: Olhem, façam o seguinte: unam-se aos vossos vizinhos da 2ª circular, comprem uns baldes de pipocas e fiquem a ver aquelas cassetes de VHS, a preto e branco, cheias de grão, onde uns gajos com calções ridículos corriam atrás de uma bola de couro baratucho. Assim como assim, é também a única forma de os outros sentirem o gosto de ver uma final. Revivalismo é o que está a dar. E os convivas estão bem é uns para os outros...

24 de agosto de 2007

Intensidade de pressão

Já todos conheciamos a intensidade de contacto, um termo criado por alguns analistas de lances duvidosos, onde a intensidade do dito cujo era analisada consoante as cores das camisolas. Podia ser lance para grande penalidade. Podia até existir um contacto visível dentro da área. A falta, para muitos, era flagrante. Mas…a intensidade é que ditava leis. "Ah, parece falta, há contacto, mas será que ele era suficiente para o jogador se estatelar estrepitosamente no chão?". Assim, demos por nós armados em realizadores de cinema - assim uma espécie de João Botelho, mas com capacidade para filmar - a prescrutar os lances mais aparatosos, analisando as perfomances de quem sofria faltas. Duvidando do que era patente, depois de um "ceifadela" que colocava o osso da perna à mostra, numa fractura extensa a um ditoso jogador, ainda eramos capazes de murmurar: "Parece falta…o tipo tá cheio de dores…mas será aquele contacto o suficiente para ele cair?"

Paulo Bento, cada vez mais compenetrado nesse papel que o dá como um fiel seguidor dos passos de José Mourinho, numa entrevista tranquila á Sport Tv, colocou a enfâse na intensidade…da pressão. Neste caso, da arbitragem. Segundo ele, existe já, em torno de Pedro Proença, uma intensidade…suave. Calculo que o suave deva ser um contraponto à intensidade agressiva de Soares Franco, mas ficamos sem saber. O jornalista não lhe perguntou. Para a história, fica a opinião de Paulo Bento, com a tranquilidade costumeira, de que o Porto já se encontra nessas manobras de bastidores.

Compreende-se perfeitamente onde é que o técnico leonino quer chegar. Para já, cria um fait-divers em caso de derrota, com a arbitragem a servir de panaceia a todos os males do futebol do Sporting. Até aí, nada contra. Cada um defende a sua dama da forma que entender. Mas, já que aparentemente Paulo Bento gosta de vestir a roupagem de técnico moderno, desempoeirado, também não lhe ficava muito mal criticar a pressão efectuada pelo lado leonino, antes da Supertaça. Aliás, se na entrevista, ele coloca a tónica do discurso na pressão, como se esta fosse um interveniente directo no jogo, está, mesmo que inconscientemente, a dar razão a quem apontou o dedo a Soares Franco, e a reconhecer implicitamente que essa mesma pressão surtiu os efeitos desejados sobre Bruno Paixão. Ou seja, mérito na vitória não teve muito - nada que não soubessemos.

Antes de tudo, tenho que esclarecer que existem duas coisas que distinguem Paulo Bento de José Mourinho:
1 - O corte de cabelo ridículo;
2 - Mourinho treina uma equipa de futebol.

Qualquer adepto leonino estará agora com um sorriso sardónico no rosto, pensando que, ao falar assim de Paulo Bento, mostro o despeito próprio dos perdedores, dado o Porto não ter conseguido vencer os leões nos 3 últimos jogos. Nada de mais errado, meus caros! Se não vencemos, foi sempre mais por culpa própria do que por mérito alheio. A essa culpa própria, com duas péssimas exibições nos dois últimos jogos, juntou-se sempre o já tradicinal erro de arbitragem. No Dragão, grande penalidade grosseira sobre Pepe, não assinalada. Na Supertaça, o já comentado penalty cometido por Tonel, qual guarda-redes de andebol. E mais não digo, antes que também eu seja acusado de fazer pressão sobre o homem do apito. Como se isso servisse de alguma coisa. Não é Pedro Proença o árbitro?

ps: espantosa coincidência esta que nos coloca no caminho dos clássicos árbitros de Lisboa...