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18 de maio de 2009

Por onde andas tu?

Por onde anda esse paladino da ética desportiva, conhecido por ser detentor do penteado mais ridículo da TV?

Se bem se lembram, depois de mais uma concludente vitória, com exibição condizente, do Porto em Matosinhos, o pseudo-jornalista isento Rui Santos resolveu, à boa maneira das conversas de tasca, colocar em causa a integridade profissional de Beto, guardião do Leixões. O motivo?

Naquela cabecinha decorada com uns caracóis ridículos, os azuis e brancos só passearam classe no Estádio do Mar, porque o ventilado nome do guarda-redes do Leixões era uma das hipotéticas possibilidades de se transferir, num futuro próximo, para os Dragões.

Depois de ver a patética figura de Eduardo, no recente Braga-Benfica, com os nomes dos possíveis sucessores de Quim e Moreira na baliza a sucederem-se a um ritmo diário, pergunto por onde anda agora a teoria da conspiração?

Ou isto pode ser branqueado?

5 de março de 2009

7 de novembro de 2008

Dois pesos e duas medidas...

Jorge Maia, no Jogo

"Se há alguma coisa que os últimos dias tornaram particularmente evidente foi a existência de dois pesos e duas medidas para avaliar o comportamento das equipas portuguesas na Europa. O mesmíssimo apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões que o Sporting reclama como histórico e excepcional, o mesmo apuramento que serve para caucionar todo o projecto desportivo e financeiro do clube de Alvalade, esse apuramento milionário, não passa de uma banalidade recorrente para o FC Porto. Uma espécie de rendimento mínimo garantido que só merece honras de primeira página e o estatuto de histórico se não for atingido. E é por isso que, se Paulo Bento tem legitimidade para considerar que o tratamento dispensado ao Sporting por alguma Imprensa tem sido asqueroso, é preciso alguma imaginação e um curso intensivo de caserna para adivinhar que adjectivos utilizaria Jesualdo Ferreira para descrever o tratamento que tem sido dispensado ao FC Porto. "

14 de agosto de 2008

Xistrema - parte II

O tema actual, quando se fala na Supertaça, é a nomeação de Xistra para juiz da partida. E, ao que se lê, não sou eu o único a ficar apreensivo com tal escolha. Nas palavras sempre sábias de Jorge Maia, no Jogo...

A Escolha

Tenho a nítida e desconfortável impressão de que vou ser o primeiro a falar sobre arbitragem...Não gosto de falar de arbitragem. Acho que, normalmente, a arbitragem tem as costas largas e não passa de uma boa desculpa para as más exibições das piores equipas. A meu favor, sempre posso dizer que o estou a fazer "à priori", embora admita que estas palavras possam ser entendidas como uma forma de pressão sobre a equipa de arbitragem que vai dirigir o jogo da Supertaça. Se me desse essa importância toda - e não dou - admitiria que sim, que são uma forma de pressão, pelo menos no sentido de exigir o máximo a Carlos Xistra e aos seus auxiliares. A Supertaça vale o primeiro troféu da temporada e é um jogo importante, especialmente quando se trata de um clássico, como é caso. Para a disputarem, o FC Porto e o Sporting tiveram de ser as duas melhores equipas da última temporada. Carlos Xistra, em contrapartida, foi o sétimo classificado da última época entre os árbitros do quadro principal. À sua frente, entre outros, ficou Pedro Proença. Claro que Pedro Proença nunca poderia apitar a Supertaça entre o FC Porto e o Sporting depois das queixas dos leões na sequência da derrota no Dragão, no jogo da primeira volta do último campeonato. Em contrapartida, ninguém se lembrou dos erros cometidos por Carlos Xistra no jogo da segunda volta, que o Sporting venceu por 2-0, com o segundo golo a ser ferido de ilegalidade com Vukcevic em fora-de-jogo. Esperemos que o árbitro de Castelo Branco e os seus auxiliares se saiam melhor no próximo jogo, embora isso não impeça que esta seja uma escolha desnecessariamente irresponsável e potencialmente polémica por parte do Conselho de Arbitragem da FPF.

2 de maio de 2008

Não podem consentir...

Hélder Pacheco, Professor e escritor

No Grande Auditório do Soviete Supremo do Nacional-Centralismo, reuniu a respectiva assembleia-geral para análise, discussão e propostas relativas aos pontos únicos da agenda «Pode o Império Centralista continuar a consentir que o F. C. Porto ganhe campeonatos? Pode o Império consentir que uma equipa da província, sem representatividade nacional, mantenha a supremacia sobre as glórias do centralismo?»

A tais questões, pronunciaram-se os seguintes representantes dos Organismos Tutelares do Centralismo da Confraria dos Centralistas Devoristas, que advertiu; da Confraria Centralista dos Gestores 7+ (acima dos 7 empregos), que berrou; da Confraria Centralista dos Gestores 7/5 (entre 7 e 5 empregos), que uivou; da Confraria Intelectual Centralista, que bolsou; da Confraria dos Assessores Centralistas, que gritou; da Confraria de Legisladores Centralistas, que decretou; da Confraria dos Grandes Incompetentes Centralistas, que dejectou; da Confraria dos Médios Incompetentes Centralistas, que arengou; da Confraria dos Provincianos Convertidos ao Centralismo, que grunhiu; da Confraria dos Centralistas subvencionados pelo Estado, que cuspiu; da Confraria dos Centralistas nomeados por proximidade do sistema, que ganiu; da Confraria dos Centralistas infiltrados nos Meios de Comunicação, que ladrou; da Corporação dos Centralistas Avençados, que exortou; da Corporação dos Centralistas Disfarçados, que invectivou; da Confraria Centralista da vista grossa à Insegurança no país, que programou; da Confraria dos Consultores Centralistas, que bradou; da Corporação Centralista de Comentadores de TV, que expeliu; da Corporação Centralista dos Acumuladores de Subsídios, que ejaculou; da Corporação Centralista promotora do abastardamento da Língua Portuguesa, que perdigotou; da Corporação Centralista do Cosmopolitismo Importado, que mesurou; da Corporação do Proteccionismo Centralista, que rezingou; da Corporação Centralista dos Exterminadores de Serviços Regionais, que peidorreou; da Corporação dos Yes-Men and Job for the Boys Centralization System, que arrotou; da Corporação dos reality-shows Centralistas, que discorreu; da Corporação dos Esbanjadores Centralistas, que vituperou; da Corporação Centralista dos Saudosos da Censura Prévia, que baliu; da Corporação Centralista dos Grupos de Trabalho, que praguejou, e todos em uníssono votaram: «Não podemos consentir!» e «É ultrajante!».

Face à unanimidade, a Assembleia aprovou as seguintes conclusões:

1.º - Uma cidade a que o centralismo retirou quase tudo: emprego qualificado, sedes de empresas, serviços, investimento público, etc., não pode manter um clube que ganha campeonatos consecutivamente;
2.º -A única coisa que o centralismo ainda não conseguiu extorquir ao Porto são os campeonatos; 3.º - Como os clubes centralistas não ganham no campo, é preciso fazê-los ganhar em jogos fora do campo.

Para isso, serão adoptadas medidas imediatas a) lançar uma OPA sobre o F.C. Porto, transferindo-o para a capital; b) aumentar o IVA do F. C. P., em 80% e os impostos em 90%, para o fazer ir à falência; c) depois do dourado, lançar apitos prateados, verdes, laranjas, vermelhos e até PINK - cor favorita dos centralistas - para descredibilizar o F. C. P.; d) formar um consórcio editorial para publicar exclusivamente livros de autores de nomeada - designadamente mortos ou moribundos - contra o F. C. P.; e) classificando-o como local altamente perigoso para o centralismo, expropriar o Estádio do Dragão por razões de Estado; f) fazer aumentar a taxa de desemprego da Área Metropolitana do Porto para níveis que obriguem à emigração dos adeptos do F. C. P. para trabalhar na Galiza; g) legislar no sentido de impedir os menores de 90 anos de assistirem aos jogos do F. C. P.; h) em caso de insucesso destas medidas, determinar que, no início dos campeonatos, os clubes do centralismo partam com 20 pontos de avanço.Mal esta notícia chegou à cidade, na Vitória, na Sé, em Campanhã, em Lordelo, no Aleixo, no Cerco do Porto, no Monte Crasto, no Monte da Virgem, nas Cachinas, em Rio Tinto, na Feira, em Avintes, Custóias, Valongo e por aí fora, em toda a parte onde há dragões, milhares de bandeiras azuis se agitaram. E, enquanto os mais velhos cantavam a Maria da Fonte «Pela santa liberdade / Triunfar ou perecer», todos faziam o gesto do zé-povinho na direcção do antigo Sul (agora mudado pelos centralistas para West Coast) e os jovens portistas cantavam: «Esta vida de dragão / Só dá campeão! Tra-lará-lará - lará, lará-lará.»

in JN

10 de abril de 2008

1978-2008: Os passos do Dragão

É um artigo algo extenso, mas que sintetiza na perfeição a conquista da hegemonia do futebol português pelos azuis e brancos. Escrito com o ardor próprio da paixão isenta pelo futebol, Luis Freitas Lobo delicia-nos com a recordação de pormenores, pessoas e momentos marcantes, nesta caminhada que começou, como ele bem recorda, com o fim do jejum de 19 anos...

A bola, chutada por Ademir, saiu meia enrolada, mas parecia levar vida própria, conduzida por milhares de adeptos que a tentavam convencer para, ao chegar junto à baliza, fazer um pequeno desvio para as redes. Na baliza do Benfica, Fidalgo, que substituía o elástico Bento, tentou esticar-se mas o lado hipnótico enganou a bola e ela entrou mesmo. Um simples lance que terá mudado o curso da história do futebol português. Um golo decisivo que reconquistou para as Antas um título que fugia há 19 anos e marcou o início de uma nova era na correlação de forças nos relvados lusos. Já passaram trinta anos desde essa tarde histórica. Não é, no entanto, um mundo assim tão distante. Entre 1978 e 2008 existe um elo de ligação poderoso que faz a força, corpo e alma do FC Porto "produto regional", insubmisso ao poder central. Num ápice, o onze azul-e-branco deixou de jogar como quem moía um sentimento, para, de sobrolho carregado, erguer um exército futebolístico que no fervor revolucionário de meados dos anos 70 encontrou o habitat perfeito para colocar uma bola no centro do confronto com os velhos poderes macrocéfalos da capital. A “revolução azul” prolonga-se há três décadas. Todos os movimentos históricos são feitos por acção ou por reacção. O FC Porto foi, claramente, um movimento de reacção. Longe das sofisticações do Gambrinus ou do Maximes, mas cliente das opíparas tertúlias quase clandestinas do Orfeu e da Petúlia, hoje extintas mas cujo legado permanece ao ponto dos traços ideológicos do título do FC Porto 2007/08 serem, na essência, os mesmos de 77/78. É este o segredo do FC Porto e de qualquer clube para manter-se no topo durante décadas: decifrar o seu ADN.

Na génese, um homem, mestre em vários campos. Na arte da táctica e na arte do conflito, um estudioso do comportamento humano. José Maria Pedroto. Os traços do Porto “pedrotiano”, o Porto da “inteligência e da esperteza”, continuam vivos, das Antas para o Dragão, na mente e nos actos. Um forma de viver que se transformou numa forma de jogar. De Duda, Gomes e Ademir, até Lisandro, Lucho e Bruno Alves, passando por João Pinto, Baía e Jorge Costa. Parece que jogaram todos na mesma equipa. Como aqueles trinta anos fossem sempre a mesma época. O rosto mais “humano” do presente é apenas um “upgrade” estratégico, como a descoberta, em meados dos anos 80, do bicho mitológico no topo do emblema. Era o nascer do Dragão símbolo azul. Mesmo depois das grandes conquistas internacionais, a ideologia permanece intacta.Jesualdo gosta de definir as exibições da equipa como “sérias” e “inteligentes”. Serão esses os melhores adjectivos, de facto, para definir o futebol portista a longo de três décadas, mas nesses percurso, também existiram os mágicos. Oliveira, Madjer, Futre, Deco, Quaresma. Toques ilusionistas suportes da visão táctica, como quando, no jogo de 78, Pedroto, a perder, tirou dois defesas (Freitas e Gabriel) e meteu dois avançado (Vital e Seninho) passando a jogar com três defesas. Hoje, os traços tácticos e técnicos têm sotaque argentino, os passos e os passes ritmados de Lucho, os remates guerreiros de Lisandro, e as diabruras de “gipsy king” Quaresma. Ao longo de três décadas, nenhum outro clube entendeu tão bem as diferentes faces da táctica futebolística dentro e fora do campo, quase como se fosse uma extensão desportiva da frase imortal de D. João II: “tempos há para usar de coruja e outros há para usar de Falcão”. É a história e uma bola de futebol.

A marca de Jesualdo
Dois campeonatos, o “Dragão de Ouro”, a postura esfíngica no banco, o discurso destemido nas conferências. A marca do reciclado Jesualdo. Chegou no Verão de 2006 com a pré-época já terminada. Encontrou uma equipa feita mas com ideias diferentes. Reequilibrou-a tacticamente à sua imagem (do aventureiro 3x3x4 de Adriaanse para o equilíbrio racional do 4x3x3) e cavou um abismo para outros grandes. Na segunda época mais do que na primeira. Dois títulos sem sombra de pecado. Para o terceiro ano, o desafio da dimensão internacional. É o que falta para deixar uma assinatura própria incontornável no “casa do Dragão” onde muitos treinadores acabam com o tempo diluídos pelos méritos da “máquina azul”. Onde, dizem, “qualquer um ganha”. As exigências europeias são, porém, maiores. Saber defender mais à frente (memória de Pepe) e mais posse e controlo a meio-campo (saber jogar em 4x4x2). Mais qualidade individual para dar maior poder colectivo. No terceiro ano de Jesualdo, o supremo desafio europeu

O jogador símbolo
Em todas equipas existem os chamados jogadores-símbolo. Quase como alter-egos do colectivo. Lucho, na táctica, Lisandro, nos golos, Quaresma, na magia, serão três símbolos deste FC Porto altivo, mas nenhum deles nasceu na era-Jesualdo onde nunca surgiram reforços de primeira página. Por isso, teve de inventar, nas caves do laboratório interno, o seu jogador-simbolo. Aquele que possa ser apontado como obra do professor. Uma obra futebolistica com nome e duas pernas: Bruno Alves. Antes de Jesualdo, um jogador preso a uma imagem de excessiva dureza, suplente cativo, pouco utilizado e olhado com desconfiança. Depois de Jesualdo, um jogador de personalidade, chefe que manda e assusta, titular indiscutível, sucessor da herança dos centrais portistas que só de olhar intimidam avançados. Existem muito tipo de jogadores para elogiar na hora da vitória. Nessa altura, sinceramente, tenho tendência a elogiar aqueles com os quais iria a qualquer lado. Bruno Alves é esse jogador-simbolo, uma paixão antiga de Jesualdo.

21 de fevereiro de 2008

Guilherme Aguiar dixit

Guilherme Aguiar, de 55 anos, ex-director executivo da Liga, é um dos mais conhecidos adeptos do FC Porto, fruto da notoriedade televisiva. Sempre crítico da Liga, desta vez elogia o trabalho de Hermínio Loureiro. A entrevista, concedida a um dos pasquins que tem como passatempo prioritário o ataque vil ao FC Porto, reúne algumas idéias interessantes, abordando questões cruciais como a futura sucessão de Pinto da Costa. Corrosivo, fica para a história a frase com que responde à primeira pergunta: "é pena não haver mais competitividade na Liga". O Correio da Manhã deve ter engolido o sapo inteirinho....

- Correio Sport – A hegemonia do FC Porto parece cada vez mais vincada...
- Guilherme Aguiar – Infelizmente, porque é pena não haver mais competitividade. O FC Porto afastou-se dos mais directos rivais, fruto de uma organização que tem um rosto: Pinto da Costa. Nos últimos 25 anos é o denominador comum nas vitórias do FC Porto.

- Acha que o FC Porto vai ultrapassar o Benfica em número de títulos?
- Se mantiver a mesma hegemonia ultrapassa dentro de 15 anos. E os êxitos do FC Porto foram mais difíceis do que os do Benfica, que era o clube da capital e do poder instituído.

- Como ficará o FC Porto quando Pinto da Costa deixar a presidência?
- Não podemos fazer uma análise correcta sobre quais serão as consequências. Certo é que ninguém o conseguirá igualar neste século.

- Guilherme de Aguiar poderá ser o sucessor de Pinto da Costa?
- Não alimento esse objectivo nem tenho quaisquer ambições de suceder a Pinto da Costa. Mas na vida não coloco nada de parte. Os projectos em que me envolvo não partem de pressupostos pensados, as coisas vão acontecendo. Mas não tenho essa ambição e não estou a ver no meu horizonte próximo ou remoto que possa vir a ser presidente do FC Porto.

- Pinto da Costa já está a preparar a sucessão?
- O FC Porto não é uma monarquia. Quando ele sair é que se verá que tipo de dirigente se poderá abalançar a essa tarefa. Mas o FC Porto deixará de ser gerido por uma só pessoa e os grupos económicos serão importantes para encontrar o sucessor de Pinto da Costa. Os sócios também terão uma palavra a dizer mas os dados mudaram.

- Não são os sócios do FC Porto que escolhem o presidente do clube?
- O FC Porto não é só um clube desportivo, por muito que se tente distrair as pessoas. É um grupo económico, que não dá grande lucro mas tem uma grande valia competitiva. Em 1983, Pinto da Costa candidatou-se dizendo “sou portista, tenho um passado”, foi de porta em porta e acabou eleito. Agora as coisas são muito diferentes e, volto a dizer, os grupos económicos terão uma palavra muito importante.

- De que grupos está a falar?
- Dos grupos que forem accionistas do FC Porto na data em que Pinto da Costa abandonar.

- Tem relações com os dirigentes do FC Porto, o clube não lhe pede que faça passar mensagens?
- Não, porque eu não sou um representante do FC Porto, sou um mero adepto que fui convidado a participar neste programa (‘O dia seguinte’, na SIC) e noutros no passado. Esses contactos prévios não acontecem, eu não represento a Direcção do FC Porto. Sou amigo de Pinto da Costa mas ele gere o FC Porto sem precisar de falar comigo e eu também sou adepto sem ter de pedir o seu apoio. Temos uma salutar independência.

- Como amigo, Pinto da Costa nunca lhe deu um puxão de orelhas por algo que tenha dito como comentador?
- Nem eu admitiria levar um puxão de orelhas. E temos muitas vezes opiniões diferentes.

- Não é estranho Jesualdo Ferreira não ter ainda renovado?
- Quem conhece Pinto da Costa sabe que ele normalmente renova com os treinadores quando eles estão em baixa e Jesualdo está em alta. Jesualdo só sairá do FC Porto em condições anómalas, só por um litígio que possa existir ou por um contrato milionário que apareça. Em Portugal, tenho a certeza de que ele não troca o FC Porto por nenhum outro clube.

- Como analisa o desempenho da actual Direcção da Liga, presidida por Hermínio Loureiro?
- Tem sido positivo. Angariaram uma série de receitas de patrocinadores... Só há um ponto negativo, que é não terem introduzido um sistema de fiscalização das contas dos clubes. Os orçamentos apresentados pelos clubes no início da época não são correctos, as receitas são empoladas face às despesas, mas a Liga não fiscaliza.

- O que lhe parece a actuação da Comissão Disciplinar (CD) da Liga?
- É muito virada para o ‘show-off’’, fala-se muito e faz-se pouco. Há demasiada violência nos jogos. Vemos entradas que não são punidas e a CD nada faz. Nesta época só instauraram um sumaríssimo, ao Katsouranis, por um gesto obsceno, e em todos os jogos há lances violentos. Eu entendo que as imagens televisivas devem ser utilizadas e, mesmo quando os lances são sancionados, se a punição não tiver sido a adequada deve ser corrigida.

- Também tem sido muito crítico da Comissão de Arbitragem...
- Infelizmente, o dirigente Vítor Pereira não chega aos calcanhares do árbitro Vítor Pereira, com quem tive a honra de trabalhar. Os árbitros não estão a ser devidamente protegidos. Têm mais meios técnicos e regalias financeiras mas as suas actuações estão longe de ser iguais ao tempo em que eu era director executivo.

- Mas não acha que os árbitros devem ser punidos quando erram?...
- Essas punições são só para inglês ver, é uma jogada de fachada. Não se pode penalizar sem verificar se o árbitro tinha hipótese de ver o lance, e isso os observadores não podem avaliar. E será que o árbitro melhora se ficar em casa dois ou três jogos? Quando me candidatei à Liga em 2002 apresentei uma proposta para a avaliação do árbitro ser feita em 50/60 % pelos obervadores no campo e o resto por meios audiovisuais. Seis anos depois, nada.

- A Taça da Liga veio para ficar?
- É uma prova interessante, cuja previsão existia desde 1995. No essencial, a prova está bem pensada mas só terá total adesão dos clubes quando o vencedor for apurado para uma prova europeia. Isso passa por uma negociação entre a Liga e a FPF.

- Acredita que até final da época a CD da Liga decidirá sobre o Apito Dourado, como foi prometido?
- Mais uma vez falou-se de mais. Para haver uma condenação tem que se dar factos como provados, e a questão que se coloca é de que forma a CD poderá utilizar presunções para condenar antes de as decisões penais serem conhecidas.

- E a justiça desportiva pode utilizar as escutas?
- Tenho sérias dúvidas. As escutas telefónicas só são permitidas em determinados crimes e quando sancionadas pelo juiz – e há grande discussão sobre a eficácia e validade desse meio de prova.

- O seu nome aparece no processo ‘Apito Dourado’?
- Em todas as escutas do ‘Apito Dourado’ que já foram publicadas nos jornais o meu nome nunca consta. É a prova da forma correcta como se trabalhou quando eu estive na Liga.

- Planeia voltar a candidatar-se à Liga de Clubes?
- Neste momento, não.

- Acha que Scolari vai sair após o Euro’2008?
- Não sei. Mas já devia ter saído há muito tempo – e só não saiu porque não teve alternativas financeiramente compensatórias. Foi ele que escolheu ser anti-FC Porto e anti-Pinto da Costa.

- Teve uma polémica com Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto...
- Ele questionou os meus méritos para integrar o Conselho Nacional do Desporto mas posso dizer que já fiz mais pela legislação desportiva do que ele alguma vez fará. Tenho os meus méritos.

- Porque veio defender o Belenenses no caso Meyong?
- Não tenho nada que ver com o Belenenses, basta recordar as minhas posições no caso Mateus. Só acho é que o Belenenses, neste caso, não pode ser punido porque os regulamentos de transferência da FIFA não foram transpostos para a ordem jurídica portuguesa através de uma AG da Liga. E no regulamento disciplinar da Liga não está previsto este ilícito.

27 de janeiro de 2008

Quebrar enguiços

Jorge Maia, no "Jogo":

"Pelos vistos, Jesualdo Ferreira nunca ganhou ao Sporting em Alvalade. Curiosamente, antes do clássico da primeira volta, no Dragão, alguém tinha descoberto que Jesualdo Ferreira nunca tinha ganho a Paulo Bento. Aparentemente, há sempre alguma coisa que Jesualdo Ferreira tem a oportunidade de fazer pela primeira vez a cada clássico que passa e isso não deixa de ser um privilégio muito grande para um treinador tão experiente como é o actual campeão nacional. De resto, este tipo de contabilidade dá sempre muito jeito em vésperas de clássicos, quando a actualidade informativa nem sempre corresponde às necessidades de espaço dos jornais. De qualquer forma, se faltassem estímulos ao treinador do FC Porto para vencer o clássico, e certamente não faltam, a hipótese de quebrar mais um enguiço poderia servir de motivação. De resto, há mais coisas que Jesualdo Ferreira nunca conseguiu antes e que pode conseguir no jogo de Alvalade. Por exemplo, Jesualdo Ferreira nunca antes teve a oportunidade de deixar o Sporting a 17 pontos de distância. Ou de atirar a equipa de Alvalade para o quinto lugar da classificação. Há coisas que só acontecem uma vez na vida das pessoas, outras que estão sempre a acontecer, e se a primeira vez é a mais difícil, também costuma ser a que sabe melhor. "

13 de janeiro de 2008

Tanta azia no ar...


Como habitualmente, o defensor oficial do clube da Luz é esse pasquim, feito por benfiquistas para benfiquistas. Hoje, na capa, o título não engana. Alude-se à paupérrima exibição mas aproveita-se para dar uma bicada à arbitragem, como se esta fosse responsável pela mediocridade que impera para os lados do Seixal. Pena que estes filhos da puta não usassem o mesmo critério na semana passada, quando Paraty deixou ficar em campo os arruaceiros grego e brasileiro, perdoando a expulsão a ambos e permitindo ao clube do regime a obtenção de um pontinho, precioso na luta pelo segundo lugar. Aí não houve direito a parangonas nem a títulos sensacionalistas...

Tadinhos, a azia faz tanto mal. E têm eles o "melhor plantel dos últimos 10 anos"...

9 de janeiro de 2008

A Grécia já não é o que era...

Jorge Maia, hoje no "Jogo"...

"A Comissão Disciplinar da Liga resolveu aplicar um sumaríssimo a Katsouranis. Não, não foi pela entrada com que partiu o perónio a Anderson, no FC Porto-Benfica da última temporada. Foi por gestos injuriosos no desentendimento com Luisão. Já foi mais fácil ser-se grego, perdão, helénico no Benfica. "

Pois, é um caso para se dizer que a Justiça, seja ela a dos homens ou a divina, tarda mas não falha...

5 de janeiro de 2008

A paragem

Hoje, no "Jogo", pela pena de Alcides Freire [leiam atentamente a última frase]:

"Sabendo-se que um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar, pelo menos é isso que diz a canção, Jesualdo Ferreira ficou ontem a milímetros da confirmação científica de que Janeiro de 2007 não se repetirá um ano depois. O que, numa primeira instância, é uma terrível notícia para o futebol. Sigam a linha de pensamento: então não seria melhor o FC Porto descer até junto, ou pelo menos deixar-se apanhar, por Benfica e Sporting? Existe uma corrente de pensamento defensora de que isso resolveria os problemas do futebol português. Pois bem, a resposta é um redondo não. Melhor seria que Benfica e Sporting alcançassem o FC Porto, porque aí sim, resolver-se-ia a ideia de que falta qualidade e competitividade ao futebol português. Seriam mais boas equipas. O contrário seria ferir a Bwin Liga de qualidade. Se se fosse pelo lado mais fácil do caminho pela competitividade, talvez não fosse possível ler no Diário de Notícias Maldini afirmar que acredita num FC Porto campeão europeu, até porque "tem uma equipa mesmo boa". Voltando a Jesualdo Ferreira. Não sendo possível garantir que o treinador tem razão, há pelo menos a ideia de que na primeira metade da época foi feita uma melhor gestão do plantel, algo que não sucedeu no ano passado. Por uma série de razões, a principal das quais um plantel que era, notoriamente, menos rico do que o actual. Um bom exemplo é Lucho, que na época passada apenas não cumpriu a totalidade da 1ª jornada da primeira volta, tendo acumulado 1250 minutos em 14 jogos. Esta época, ainda que substituído uma vez por lesão, não concluiu mais cinco jogos, perfazendo actualmente menos 159 minutos do que em igual período de 2006/07. Quase dois jogos.

Prestígio
"Não vejo porque não. Têm uma excelente equipa e ficaram à frente do Liverpool, que no ano passado foi à final" .

Maldini
Afirmando que o FC Porto pode vencer a Liga dos Campeões

1 de janeiro de 2008

Homem do Ano

Bem, para o último dia do ano estava reservada a surpresa. Grande surpresa. Não que o título, prémio, honraria ou lá o que lhe queiram chamar não seja merecido, mas porque vem de quem se sabe.

Quaresma é, indiscutivelmente, um caso à parte na mediania que impera no futebol tuga. Um talento assombroso, capaz de rasgos de magia que deslumbram quem os vê. É considerado, quase unanimemente, pese alguma resistência da nomenclatura habitual, o MELHOR JOGADOR da Superliga. Pelo menos, desta feita, o "Pravda" nacional soube ser isento, baseando a sua escolha no critério da qualidade e não, como diria Pacheco Pereira, no amiguismo ou lambe-botismo que os caracteriza, 364 dias por ano.

23 de dezembro de 2007

Corrosivo

"Postiga é um jogador peculiar. Em primeiro lugar, irrita-me. Em segundo lugar, desilude bastante."

Francisco José Viegas, in JN, 22.12.07

É preciso dizer mais alguma coisa?

22 de dezembro de 2007

O de sempre...

Sim, nem sei de que é que eu estava à espera. O Porto perdeu. Bem, diga-se de passagem, na minha modesta opinião de sofredor incontido. Jogou mal, falhou na finalização, mostrou-se apático, sem chama, sendo as suas investidas um misto de tibieza e esforço sem grande denodo. Mas...

Existiu um mas ... quiçá decisivo no desenrolar do resto dos acontecimentos e, por isso, importante no desfecho final. Um lance sobre Mariano Gonzalez, corria o minuto 53, com o argentino a ser derrubado, DENTRO da área e Pedro Henriques a transformar o castigo máximo num inócuo livre. Não pretendendo fazer disto um cavalo de batalha, como se a derrota estivesse intimamente ligada ao lance, não deixa de me causar alguma estranheza que um jornal, sempre lesto a colocar nas parangonas pretensos erros favoráveis aos Dragões ou lances prejudiciais da arbitragem, que tenham como vítimas clubes de latitudes mais a sul, se tenha mantido tão fervorosamente afastado da polémica na capa de hoje.

Porque será?

ps: Volto a frisar que o erro crasso do árbitro não escamoteia a péssima exibição dos azuis e brancos e as já rotineiras apostas desastradas de Jesualdo em alguns jogadores...

19 de dezembro de 2007

Um zero que conta

Com a devida vénia, passo a transcrever um artigo publicado no blog "Mar Salgado". Deliciosa prosa, escrita com aquele fino humor que me cativa. Ora leiam lá...

" Nestas coisas do futebol, há ainda uma que não domino completamente, que é a problemática da pontuação. E julgo que é compreensível a minha dificuldade quando reparamos que, nem há 10 dias atrás, se lia, ouvia e via em quase toda a imprensa, rádios e televisões lisboetas que o Benfica (que, na altura, mal saído da Champions - literalmente falando -, se preparava para ganhar a Taça da Uefa, competição que eu imaginava só acabar lá para Maio do próximo ano) estava praticamente a apenas 1 ponto do actual líder do campeonato nacional, ameaçando perigosamente o primeiro lugar e preparando-se certamente para também conquistar já, ainda este ano, a vitória na competição nacional que termina no próximo. Ora, passados apenas 10 dias sobre essas notícias e somente duas jornadas, vejo na tabela oficial publicada nos jornais que o Benfica, afinal, passou de estar ao tal 1 ponto para ficar 10 pontos atrás do líder, embora este só tenha ganho dois jogos (o que supostamente lhe daria uns meros 6 pontos que, somados ao curtíssimo ponto que tinha de diferença, lhe ofereceriam unicamente uma vantagem curta de sete pontos, o que não se compadece com a classificação oficial actual). Fiquei a matutar na coisa e acho que percebi. Os 0 (zero) pontos que o Benfica conquistou nestas duas últimas jornadas devem ter sido acrescentados (o que é diferente de somados) ao tal ponto que de vantagem levava o líder, ficando este com a vantagem do ponto que tinha e do zero do Benfica nestas jornadas, ou seja, de 10. Deve ser assim, portanto, que conta o zero do Benfica nestas jornadas. Mas isto é complicado, caramba, deviam pensar num sistema mais simples... "

Assina a sumarenta peça o Vasco Lobo Xavier. Fica também aqui a publicidade despretenciosa. Vale a pena passar por lá. Tem qualidade. Muita.

10 de dezembro de 2007

Livros

Jorge Maia escreve hoje no Jogo...

"Pelos vistos, José Veiga sabe como fazer do Benfica campeão e, numa demonstração rara de altruísmo e generosidade, até escreveu um livro de instruções sobre o assunto. Está tudo lá, como num daqueles folhetos do Ikea à prova de idiotas para a montagem das prateleiras com que sempre sonhou. A premissa em que assenta é simples: se, enquanto responsável pelo futebol, José Veiga foi capaz de fazer do Benfica campeão, qualquer idiota devia ser capaz de fazer o mesmo, bastando-lhe seguir as instruções claras que o livro generosamente oferece. Ora, esse poderia ser um insulto grave para quem nos últimos dois anos não conseguiu ganhar absolutamente nada no Benfica. E só não é, porque José Veiga só deixou o clube há alguns meses e também estava lá quando o FC Porto ganhou a Taça de Portugal e o Campeonato com Co Adriaanse. Aliás, ainda tinha o pé entalado na porta de saída quando Jesualdo Ferreira foi campeão na última temporada. O que nos leva à verdadeira motivação por detrás de um livro apontado ao coração de Luís Filipe Vieira. E a verdadeira motivação não há-de ser muito diferente da de outros livros publicados nos últimos anos com grande impacto social e desportivo, editados no final tumultuoso de relações que chegaram a parecer inabaláveis e escritos com o sangue na guelra tão próprio dos amantes traídos. Por outras palavras, não são livros para levar muito a sério. "

5 de dezembro de 2007

Rescaldo do clássico

Escreveu Jorge Maia, no Jogo...

Portugal

"Há dias, alguém escreveu que os portugueses andavam mais felizes porque o FC Porto tinha empatado duas vezes permitindo a aproximação do Benfica ao primeiro lugar. Assim mesmo, os portugueses. Não era a sequer a maior parte dos portugueses, ou uma boa parte dos portugueses, ou seis milhões de portugueses. Eram os portugueses todos, como se os portistas fossem estrangeiros, os sportinguistas apátridas, os vimaranenses espanhóis e os leixonenses turcos.

Acontece, às vezes, a quem passa demasiado tempo parado no espaço e no tempo, tomar a parte que consegue ver pelo todo que fica além dos seus estreitos horizontes. Andavam, então, os tais portugueses contentes e, como sempre, contentavam-se com pouco. São muitos anos a encher a barriga de migalhas e o hábito faz o monge.

Em vez de oito pontos de atraso para o FC Porto, tinham quatro que na verdade era só um porque os portistas tinham de jogar na Luz e, pronto, era inevitável que perdessem. Ora, acontece que os resultados de futebol não se decidem por voto popular. São onze contra onze e os onze do FC Porto jogaram melhor e ganharam.

Haverá hoje quem tenha a tentação de dizer que os portugueses andam tristes e a verdade é que aos dez milhões de portugueses que somos não faltam motivos para isso. Mas quem imaginar que os portugueses estão todos tristes por causa do resultado do clássico de sábado será certamente alguém que não caminha nas mesmas ruas que eu caminho, nem toma café onde eu tomo, nem faz compras onde eu faço. Por cá há sorrisos e aqui também é Portugal."

30 de novembro de 2007

A inveja é fodida!

TVI. Jornal da noite. 20.50 H. Pela enésima vez, tecem-se loas aos encarnados, pelo "brilhante" jogo frente aos italianos do Milão. Findas as hossanas, o pivot de serviço, com o característico ar de frete, volta as atenções para outras latitudes. E sai-se com esta:

"Copiosamente derrotado, o Porto ainda se pode apurar...". Esbocei um sorriso. Gostei da utilização do ainda...

Somos os primeiros classificados do grupo. Dependemos apenas e só de nós. Basta vencer, em casa, com o estádio repleto de um público fiel, os turcos do Besiktas para o apuramento para os oitavos da Champions ser uma realidade. E, como cereja no topo de um bolo cremoso, com o 1º lugar do grupo a servir de medalha de mérito. "Ainda podemos ser apurados..."

Podiam ficar por aqui. A falta de pudor e o facciosismo clubista eram já demasiado enjoativos. Mas não. Nova pérola estava preparada. Seguiu-se a notícia do clássico de Sábado. E, na apresentação da peça jornalística, o paliativo esperado para a turba não se sentir desmoralizada:

"Apenas 4 pontos separam as duas equipas...". Depois do ainda aparece o primo direito, o apenas...

Virei de canal, quase a pensar que, pelos vistos, é bem melhor ser último classificado no grupo respectivo da Champions, mas com um "regresso às noites antigas", como profetizava a Bola, e andar a vegetar pelo 2º lugar do campeonato, apenas com 4 pontos de atraso. Pois.

Mas depois reflecti melhor. E acho que prefiro ainda ter possibilidades de continuar na Champions e apenas 4 pontos de avanço, do que viver destas palmadinhas nas costas e de injecções anímicas, dadas pela habitual subserviente imprensa nacional.