TAÇA DE PORTUGAL, MEIA-FINAL
Estádio do Bonfim, em Setúbal
Setúbal, 0 - Porto, 3
[jorginho p.b; lucho(2)]
Hora: 20.30
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)
FC PORTO:Nuno; Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves e Fucile; Paulo Assunção, Lucho González, e Raul Meireles; Quaresma, Tarik e Lisandro.
Suplentes: Hugo Ventura, João Paulo, Lino, Kazmierczak, Mariano, Farías e Adriano.
Treinador: Jesualdo Ferreira
Contundente. Á Campeão. Foi assim a passagem dos azuis e brancos pela terra que viu nascer Mourinho. Categórica demonstração de força, classe e qualidade sobrenatural, vencendo e convencendo, dando a ideia de que, se preciso fosse, mais golos estariam reservados aos anfitriões...
Foi uma primeira parte que não fugiu ao esperado. Porto mandão, dominador, frente a um Setúbal retraído, aguardando um erro dos azuis e brancos para se adiantar no marcador. Nada que não se estivesse à espera. O sinal mais dos campeões nacionais foi dado, nos minutos iniciais, por Bruno Alves, fogoso a empurrar a equipa para a frente.
Os sadinos, fortemente apoiados pelo seu público, procuravam equilibrar a contenda, com Pitbull a cotar-se como o elemento mais perigoso e, por isso, mais vigiado. Com Quaresma displicente, coube a Lucho o comando das operações ofensivas, com passes aveludados e toques de bola acetinados, num verdadeiro regalo para quem admira perfomances de qualidade acima da média.
Bosingwa, no flanco direito, ía dinamitando a defesa contrária, com raides perigosos, mistos de velocidade e técnica, criando espaços, oferecendo em bandejas de prata lances de perigo. Estava escrito que seriam os Dragões a adiantarem-se no marcador. De bola parada.
Canto do lado esquerdo e Jorginho, infeliz, a introduzir o esférico na própria baliza. Uma vantagem justa, perfeitamente aceitável, que não se dilatou até ao apito de Pedro Proença, a convidar para o descanso, por mera inépcia dos pupilos de Jesualdo.
Várias vezes, algumas em sucessão, Eduardo viu as suas redes prestes a serem violadas, pela 2ª vez. Lances claros de golo, negados pela intervenção milagrosa de algum defesa ou por uma ineficácia estranha no momento do remate...
A segunda parte foi um passeio. Graças à precisão e qualidade de El Comandante. Lucho Gonzalez. Um verdadeiro luxo poder contar com um jogador desta estirpe, fazendo jus ao epíteto que lhe colocaram. Um comandante, dentro das quatro linhas...
Os segundos 45 minutos resumem-se apenas a isso. A uma história de encantar, protagonizada por heróicos jogadores de azul vestidos, capazes de suportarem o ambiente de enorme hostilidade criado pelas declarações irresponsáveis e cobardes de Carvalhal...
O treinador anfitrião, com um ego desmesurado, julga-se a "next big thing" do futebol tuga. Uma espécie de visionário, catedrático em práticas rasteiras. As críticas veladas, findo o jogo do campeonato, foram cirurgicamente preparadas para criar um condicionamento à arbitragem da meia-final. É a arma dos pobres. Dos tristes. Mas essa, perante a galhardia e bravura, nada consegue. Carvalhal é apenas mais um mero imitador. Até o sobretudo, imaculadamente vestido, o estereotipa, num arremedo mal amanhado de um condutor de homens.
O País podia, serenamente, aceitar a superioridade inquestionável dos portistas. Ela é semanalmente colocada à prova, com os resultados conseguidos...
Mas não. Existe uma espécie à parte, nesta fauna que vive do futebol. Os comentadores. Os da SIC, hoje, prestaram mais um verdadeiro atentado ao pudor, à inteligência, à imparcialidade, assassinando todo o código deontológico que deveria nortear as suas profissões...
Comentários indisfarçadamente recheados de ódio, deixando cair a ténue camada de civismo com que foram pincelados. Veneno destilado logo nos instantes iniciais, bramindo contra a não expulsão de Assunção [uma mera falta a meio-campo, bem ajuizada e punida em conformidade por Pedro Proença], mostrando à saciedade o tumor que lhes corrói as entranhas: as vitórias do PORTO!
Mas esse é um "mal" que não se extirpa. Tem demasiadas metásteses. ADN carregado com um código. O dos vencedores. Por isso, meus caros, terão muito que amargar, nos próximos anos...