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8 de dezembro de 2008

"Bidone D'Oro"

A notíca, lacónica, não deixa margem para dúvidas. Quaresma recebeu o prémio mais indesejado dam sua carreira. Longe do estrelato que almejaria, o extremo luso não tem tido vida fácil no Inter. O programa desportivo da RAI, o Catersport, não mostrou contemplações. Quaresma é o pior jogador da Série A. Exagerado, claro, mas demonstrativo de que as expectativas relativas ao ex-portista sairam defraudadas.

Longe vão os tempos em que uns tímidos assobios, nas bancadas do Dragão, provocavam a ira da prima-donna, descontente com aqueles que aparentemente não eram capazes de prestar a devida vénia aos seus malabarismos circenses.

Alguém dizia que se deve ter cuidado com o que se deseja. Quaresma desejava sair do Porto. Para outras paragens. Para "um grande clube", como ele afirmou. Pois bem. Aí tens o que querias. Em todo o esplendor...

3 de junho de 2008

A corja de ressabiados

O fim-de-semana foi, atipicamente, recheado de notícias. E que notícias. No Hóquei, única competição amadora ainda em curso, o Porto iniciou a defesa do título da melhor forma. No já mítico Pavilhão de Fânzeres, os comandados de Franquelim Pais cilindraram os opositores, vestidos de encarnado. 6-0, numa prova evidente da superioridade flagrante que os hexacampeões têm sobre qualquer rival interno. O Hepta é já a seguir...

O habitualmente conformista e conservador defeso nacional viu, com pasmo, a transferência de um internacional luso, de um clube para um rival. Falo, claro está, da saída de Postiga do Porto para latitudes mais a sul, envergando já na próxima temporada o leão ao peito. Algo comum noutros países, mas ainda com evidentes reticências morais em território nacional, o negócio representou uma excelente opção...para ambos os clubes.

O Porto porque, desde logo, se liberta de um jogador que tardava, ano após ano, em afirmar-se ao mais alto nível, com um salário dos mais elevados do plantel, recebendo 2.500 milhões de euros por 50% do passe. O Sporting, mesmo dispendendo uma quantia de certa forma avultada para os depauperados cofres leoninos, recebe um avançado de excelente técnica, presença habitual na Selecção das quinas, disposto a relançar a carreira.

Amanhã, dia 4, o País vai ficar suspenso, até ao anúncio da UEFA. A corja delatora que, num golpe execrável de denúncia difamatória e pidesca, procura garantir de forma desesperada aquilo que não conseguiu dentro do campo. São os métodos de sempre, agora usados por novos vigaristas e fracos, incapazes de se libertarem da menoridade intelectual em que vivem.

O Rui, do Renovar o Porto, é que tem razão. São a escória do futebol português. E isso diz tudo. Aconteça o que acontecer, continuamos a ser melhores. E eles sabem disso...

31 de maio de 2008

Opiniões...

Dois breves apontamentos, numa breve resenha do dia...

1 - Alberto Babo viu chegado o momento pelo qual nenhum treinador, em qualquer modalidade, gosta. Apontaram-lhe a porta da rua, numa medida que é de uma extraordinária injustiça, sobretudo pelo facto vincado de o treinador portista ser um Dragão dos sete costados. Logicamente que esse facto, por si só, não compadeceria o clube, na hora da decisão, mas se lhe adicionarmos o profissionalismo e a enorme bagagem técnica demonstrada pelo decano treinador, vemos a incongruência do acto. É certo que a secção de basquetebol do Porto não vence o campeonato há 4 anos. Muito tempo num clube habituado a vencer, compulsivamente. Mas também não faltarei à verdade se afirmar que o investimento na modalidade amadora não tem acompanhado a do quase crónico vencedor da competição, a Ovarense. E, com a matéria-prima que tinha à disposição, Alberto Babo fez milagres. Dois anos consecutivos a chegar à final, obrigando a equipa de Ovar a disputar a "negra", com a Taça de Portugal, vencida na temporada anterior, e a Taça da Liga, esta época, a constituirem feitos de enorme validade. É assim o Desporto. Bastas vezes cruel. Da minha parte fica apenas a singela homenagem a um homem que muito tem feito, ao longo dos anos, pelo basquetebol portista. Obrigado!

2 - "Está na hora de sair". Afirmação de Quaresma, armado em "enfant terrible", findo o particular da Selecção, frente à Geórgia. Por mim, sinceramente, já vais tarde. E se essa afirmação é um piscar de olhos ao Inter, é bom que eles venham com um cheque chorudo. O preço já foi tabelado. 40 milhões. Ou isso, ou para o ano estaremos a aturar-te os tiques narcisistas, mais uma vez. A ingratidão define bem o carácter dos homens. E este nunca me enganou, pese os malabarismos circenses...

21 de janeiro de 2008

Assobiar d'Alto!

Ainda sobre o caso Quaresma, Bruno Rocha dixit...

"Queixava-me por estes dias em surdina para com o detentor dos direitos deste Blog sobre o facto de a nação Azul viver por estes dias parcas discussões, contribuindo isso para a minha escrita estar menos energizante no soltar de opiniões. Pois bem a Taça faz sempre das suas, em tempo idos mas não esquecidos por esta altura, chorávamos e carpíamos as mágoas do desaire, do vexame e da eliminação as mãos de um qualquer emblema mais ou menos histórico, desta feita teve o condão de agitar e acicatar ânimos fervorosos dos sempre especiais adeptos das cores campeãs….Não interessa disfarçar pois ficou bem visível que já viveu melhores dias a relação entre o detentor da camisola 7 dos Dragões e a sempre fiel moldura humana do Anfiteatro Azul.

Não me interessa saber quem tem razão, ou se existe mesmo alguém que a deva ter, mas confesso que me deixa envergonhado ser capa dos pasquins tais diatribes da nossa família…Pior que isso é que muitos daqueles que se querem fazer notar pela teoria do assobio, sejam também aqueles que quando os Média cá do burgo desatam a vilipendiar e destilar inveja para com o Harry Potter, sejam os primeiros a subir a terreiro em defesa do mesmo. Ainda a bem pouco tempo por altura dos jogos da Selecção Nacional, o agora centro da polémica aparecia fortemente criticado e via serem-lhe atribuídas notas pouco consentâneas com o seu desempenho, quando outros colegas de selecção eram bem menos causticados pelo fraco desempenho.

Nesses tempos o “minino” colhia no seio dos adeptos e simpatizantes Portistas o carinho, os aplausos que lhe afagavam o ego e contribuíam para que ao serviço dos Azuis e brancos continua-se a ser decisivo rumo ao tão almejado Tri. Só que com o mercado de inverno a preparar terreno para o grande defeso, com o nome do Mustang a ser um dos mais ventilados como possível reforço dos mais abonados orçamentos dos clubes da Velha Europa, agudiza-se a sensação de orfandade e a falta de paciência para com o cartel de truques do magico.

Não acho atroz o assobio, não condeno o direito a critica nem acho infame a vaia monumental consagrada ao Cigano, mas muito gostava de perceber o que esta por detrás do gesto, qual o sentido do mesmo….já por diversas vezes presenciei espectáculos, de inicio ouço aplausos sem que quem os recebe tenha feito algo por os merecer, logo de seguida desagrado, e presenteiam-nos com imberbes palavras ou o tão propalado assobio. Certo de que o aplauso os incentiva e os faz notar da nossa presença apelando ao melhor desempenho, o estridente som saído da conjugação de movimento dos lábios com o ar que nos vai cá dentro, os relembra de que continuamos ali e não estamos a gostar, mas também ele pode potenciar num orgulho ferido o volte face para uma melhor exibição, ou não!!!!

Desconheço pois qual será o fim e o propósito dos incidentes, das birras e a repercussão do direito ao contraditório, o que sei é que nós adeptos portista gozamos do facto de sermos especiais e do estarmos mal habituados, de vermos os rivais envoltos em polémicas, para nosso gáudio ainda a bem pouco tempo Nuno Gomes nos atribuía o mérito de paciência de chinês, por ora o caldo entornou e as posições parecem um pouco extremadas, a época ainda agora vai a meio e a verdade é que para além de reforçado o nosso mérito nada ganhamos e precisamos de todos e de nos unir em torno das verdadeiras causas para a época em curso, para tal Quaresma é peça fundamental no esquema de Jesualdo, será como até aqui responsável por muitos e belos momentos de futebol levando que aqueles que o assobiam por ora o voltem a idolatrar.

Sem delongas um dos “culpados” pelo divórcio mora no banco Azul, sim também ao Prof. podem ser assacadas culpas, compete ao mister refrear ânimos e dizer de sua justiça, todos se lembram de como foi rude Adrianse no amansar do espírito rebelde, como o Holandês fez do nº 7 um jogador com missões mais amplas em prol do colectivo e de como isso reabilitou e fez renascer um Quaresma que vivera em terras catalãs algo semelhante. Em muito dos meus Post sobre jogos dos Portistas evidenciei negativamente a supra dependência e excesso de protagonismo do 7 Azul e branco sem que Jesualdo nada fizesse, foi também por ele que a corda esticou ate onde esticou. Harry Potter sendo decisivo e influente na manobra Azul gozou vezes demais da condescendia técnica procurando á força resolver um certo apagão no seu apuro de forma sem que do banco viesse a devida protecção, ressurgiu a custa do seu trabalho e mantém a bitola de ser quem mais assiste os demais companheiros é daqueles de quem sempre mais se espera e a ganhar ou a perder joga sempre da mesma forma, quando todos se escondem ele assume, os génios são assim o certo mesmo é que ainda vamos sentir saudades de o assobiar.

Não interessa disfarçar a plateia do Dragão mais que descontente com Quaresma, naquele momento sentiu o receio dos fantasmas da Taça, pensando que os exorcizava à lei do assobio, curioso é que haveria de ser o destinatário dos assobios a enterrar a eliminatória e a carimbar passagem a próxima ronda, ele a coisas do Diabo...é que assobiar d’alto nem sempre dá bom resultado.

Bruno Rocha"

20 de janeiro de 2008

Vou fazer beicinho...

É, sem dúvida, o assunto do momento na blogofera portista, e a polémica desportiva do mês. Quaresma, qual criança de dois anos a quem lhe negaram algo, resolveu amuar. Ao bom estilo cigano, com exuberância gestual e um imenso vulcão de fúria ardendo dentro do peito viril...

Em qualquer outra situação, desde que a Protecção de Menores não estivesse a olhar, o caso resolvia-se à boa maneira de antigamente: com um par de tabefes bem ministrados nas ventas...

Hoje em dia isso seria politicamente correcto. Talvez uma palmada pedagógica, mas convenhamos que Quaresma, apesar dos tiques, já não é uma criança endiabrada, um adolescente hiperactivo ou um marginal imberbe. Quando muito, corresponde ao estereotipo do futebolista actual: rico, famoso, mas burro que nem uma porta...

A vedeta, com um ego sobredimensionado, acha-se isenta de qualquer manifestação sonora de desagrado vinda das bancadas. Transformando o relvado do Dragão no seu recreio particular, uma espécie de playground para as tropelias típicas infantis, onde as diatribes teriam que ser forçosamente acompanhadas por interjeições de espanto e fascínio, o "mustang" perdeu a noção do ridículo.

Esquecido já da disciplina imposta por Adriaase, Quaresma foi soltando-se dos espartilhos tácticos, achando-se uma espécie de divindade no seio de um plantel trabalhador. Fazendo tábua rasa dos mandamentos futebolísticos, que professam o pontapé na bola como um jogo colectivo, onde a comunhão entre os integrantes da equipa deve ser enorme, transformando-a numa entidade una, o cigano continua a olhar prosaicamente para o seu próprio umbigo.

Sempre venerei o clube, aquele emblema que me faz estremecer de paixão, as camisolas que provocam arrepios de emoção. É esse clube que se tornou o centro da nossa religião. Aliás, o Porto é a Religião. Alguns passam por lá como meteoritos, desaparecendo rapidamente no firmamento, esquecidos ao fim de breves instantes. Outros, perenes, permancem para sempre na memória, pelo contributo que deram ao crescimento e glória da Instituição.

Quaresma está num equilíbrio precário. Pode ser uma estrela, cadente, deixando um rasto de magia por onde passa, mas esquecida no final do espectáculo. Ou pode ser mais um daqueles, poucos, que entraram por direito próprio no Olimpo dos grandes profissionais, de nomes pronunciados de forma reverente, cujas histórias são contadas, de boca em boca, à volta da lareira, nos frios dias de Inverno.

Para mim, parece que ele já escolheu o caminho. "Podem continuar a assobiar, que eu continuo a resolver jogos"!. Presunção e água benta....

23 de dezembro de 2007

Corrosivo

"Postiga é um jogador peculiar. Em primeiro lugar, irrita-me. Em segundo lugar, desilude bastante."

Francisco José Viegas, in JN, 22.12.07

É preciso dizer mais alguma coisa?

27 de outubro de 2007

Uma questão de justiça

Quaresma é, a par de Cristiano Ronaldo e Deco, um dos três jogadores portugueses que pode aspirar à vitória da Bola de Ouro, troféu instituído pela referência jornalística "France Football" para premiar o mais talentoso jogador a jogar no velho continente.

O jovem extremo portista terá, por certo, reduzidas possibilidades de vencer o troféu, desde logo pela periferia da Superliga lusa, olvidada nos principais países da Europa e tida, ainda, como uma competição menor, num País mais conhecido pelo sol, praias e pouco mais...

Mas, desde logo, a simples nomeação de Quaresma, integrando o reduzido lote de 50 atletas que podem almejar a consagração, é um prémio justo à genialidade e criatividade que o "mustang" tem trazido ao futebol português. Decisivo na última temporada, ajudando de forma importante o Porto de Jesualdo a vencer o bi-campeonato, Quaresma viu o prémio de melhor jogador português a fugir, de forma surpreendente, para um mais mediático Simão. Quase como se quisessem provar a veracidade do ditado "santos da casa não fazem milagres", o painel do júri premiou a regularidade em detrimento da magia, a linearidade em vez da criatividade. Subjectiva escolha, quando a importância de um e de outro é bem medida no sucesso, ou falta dele, dos clubes que os albergam.

Quaresma tem sido reconhecido como o talento extraordinário que é, mas fora de portas, onde a imprensa, não sujeita ao raciocínio serôdio do clubismo nacional, não lhe regateia elogios e encómios, premiando a explosividade do seu futebol. Esta nomeação foi assim uma espécie de bofetada de luva branca à mesquinhez tuga, que torce o nariz a tudo o que foge ao centralismo de Lisboa.

31 de agosto de 2007

A saída de Jorginho


Foi-se! Diria que felizmente, mas também isso seria de certa forma injusta para o brasileiro Jorginho. Não me deixa saudades, pois nunca conseguiu impor-se na equipa, nem trazer-lhe a qualidade acrescida que se espera de um jogador que envergue aquela camisola venerada. Culpa dele, culpa dos seucessivos treinadores, culpa de alguém, mas isso agora não interessa. Como a qualquer jogador que defenda as cores que amo, só lhe posso desejar boa sorte e, fundamentalmente, agradecer-lhe o rasgo de génio que lhe permitiu a obtenção de um fabuloso golo, em Alvalade, desiquilibrando o campeonato para o Porto de Adriaanse.

Contudo, nem é por isso que perco tempo a escrever. Fiquei abespinhado pela saída de Jorginho. Não, como já disse, pela qualidade que tenha demonstrado, mas pelo destino do jogador. Irritou-me, melindrou-me, fez-me soltar uma torrente de palavrões, quando tomei conhecimento de que o destino do brasileiro era a cidade dos arcenbispos. Não se infira, pelas palavras anteriores, que nutro algum ódio visceral por Braga. Não se trata disso. Mas o facto de saber que os dirigentes portistas se sentaram a uma mesa com os seus homólogos bracarenses, causou-me náuseas...

Quantos jogadores foi o Porto buscar Braga, desde que António Salvador é o presidente dos minhotos? Quantas vezes foi noticiado pela imprensa, habitualmente sabedora das movimentações de mercado, que os Dragões estavam interessados nos atletas A, B ou C? Várias. E isso é que me irrita. Porque sempre que o FCP se mostra interessado em algum jogador do plantel arsenalista, logo surgem mil e um entraves, com as negociações a sairem goradas, por um ou outro motivo. Andres Madrid, estão lembrados? O namoro portista, nunca camuflado, esbarrou sempre na intransigência local, que pedia montantes absurdos pelo atleta. 5 milhões foi o valor propagandeado na comunicação social, pelo mesmo atleta que António Salvador tentou vender, depois, aos gregos do Panathinaikos, por...2 milhões.

É esta memória curta, este "esquecimento" da SAD do Porto que me provoca confusão. Compare-se a atitude de Salvador, sempre que os "amiguinhos" do sul se mostram interessados em algum dos seus jogadores. As negociações são praticamente seladas na hora, por valores considerados normais para o futebol luso, conseguindo o Benfica reforçar, sistematicamente, o seu plantel, à custa do Braga, que tem funcionado como uma espécie de coutada particular do Orelhas. E na SAD portista não existe ninguém que ponha ordem nesta situação?

Não nos vendem jogadores, também não levavam daqui ninguém. Ou acham que esta negociação fará alguma diferença no futuro? Santa ingenuidade...

23 de agosto de 2007

Entras na "geração mudasti"?


Domingo, frente ao Sporting, Postiga poderá muito bem ter a sua última chance, de Dragão ao peito. Uma conjugação favorável ao jogador terá, para já, impedido a sua venda ou empréstimo. À lesão de Ernesto Farías, uma das grandes apostas do Porto para esta época, juntou-se a do melhor marcador portista na época transacta, no jogo frente ao Braga. Com Renteria emprestado, Edgar provavelmente demasiado "verde" para um jogo deste calibre e Lisandro sem rotina de posição, a escolha de Scolari para titular frente à Arménia vai ter mais uma oportunidade para convencer Jesualdo da sua utilidade num plantel de campeões. Não é situação virgem no plantel do bicampeão, pois Adriano teve, em Dezembro último, as malas feitas e o destino escolhido. A teimosia arreigada numa confiança extrema em si mesmo fizeram com que, descartado o empréstimo, o brasileiro renascesse das cinzas, qual fénix, para assumir a responsabilidade da finalização no ataque dos azuis e brancos.

Custa-me ver Postiga numa situação tão periclitante. O jovem nado e criado no clube tem um potencial que provoca inveja em muitos dos seus colegas de profissão. Não será por isso que é colocado em xeque. Técnica acima da média, uma maneira de tratar a bola que roça o carinho, amaciando o couro tratado, em afagos suaves, como se travasse com ela um diálogo amoroso. Mas, se o futebol fosse só isso, aqueles míudos de rua, que num qualquer lugar perto de si se perdem em diabruras próprias da idade, chutando bolas de trapos, criando fintas e reviengas que pasmam quem os vê, eram os futebolistas do futuro. Mas não são. Ser jogador de futebol não é saber chutar em direcção a uma baliza. Para chegar ao topo, é necessário mais do que malabarismos circenses. É necessário trabalho, entrega, sabendo que o sucesso anda de mão dada com eles. Postiga sempre pensou que não. Que lhe bastava entrar em campo, marcar um golo de vez em quando, para as bancadas se curvarem reverencialmente.

Um dia, ele estranhou. De onde vinham palmas, incentivos e gritos de júbilo, começaram a chegar, com maior frequência, apupos e raivosos insultos. Postiga, pelos vistos, julgou que não eram para ele. Afinal, o que aqueles tipos, que viam os jogos das bancadas, podiam perceber de futebol? Ele não marcava golos? E isso não chegava? Com estes pensamentos reconfortantes, Postiga continuou na sua curva exibicional descendente. Só ele é que não se apercebia. Até um dia em que se sentou no banco. E depois disso, fora dele, vendo o jogo junto daqueles tipos, nas bancadas, que nada percebiam de futebol. A porta de saída foi escancarada. A guia de marcha carimbada. Mas, como em todos os contos de fadas, o autor da história teve pena de um final infeliz. É que, não sei se já vos disse, mas eu gosto de Postiga. E, como eu, muitos outros. Assim, nesse conto de fadas em que tudo pode acontecer, Postiga teve (mais) uma oportunidade.

Provando que, possivelmente, aprendeu a lição, Postiga jogou. Postiga correu. Postiga lutou. Postiga contribuiu, com o seu esforço, para a vitória do Porto em Braga. Será desta, Helder, que entras na "geração mudasti"?

22 de agosto de 2007

Desmantelamento? Qual desmantelamento?

Existiam alguns opinadores, sempre prontos a atacar tudo o que se refere ao FCP, que, após a vitória em Gelsenkirchen, viraram o aguilhão da crítica para o "desmantelamento" de uma equipa campeão da Europa. Recordo que esse pretenso desmantelamento se deveu, na maior parte dos casos, a propostas milionários, com os jogadores a irem auferir chorudos contratos, algo vedado, por lógicas limitações financeiras, ao Porto. Mas, como disse, tudo servia para dar a ideia de uma má gestão.

A tónica do discurso, passados 3 anos, não se alterou muito tendo, inclusivé, angariado mais alguns seguidores da teoria. Miguel Sousa Tavares é um deles, sempre crítico quanto às compras de novos jogadores. Mas, como pelos vistos eles não param, nem um pouquinho, para verem as contradições nos seus discursos, aí está mais um belo exemplo do que eles (não) são capazes de verificar. O Porto vai dar, para o próximo jogo da Selecção Nacional, 5 jogadores. Ora, fazendo fé na oponião de alguns paineleiros, é um contrasenso, pois os azuis e brancos têm depauperado o seu património humano. Se assim é, como conseguem ter jogadores seleccionáveis?

As críticas verrinosas, vertidas com o fel costumeiro, acerca das vendas atabalhoadas, devem ficar por uns tempos esquecidas, numa qualquer gaveta, enquanto o seu autor engole mais uns sapinhos. Recordo os mais esquecidos que o Porto, logo a seguir ao "desmantelamento", venceu 2 dos 3 campeonatos que se seguiram, tendo as contratações efectuadas contribuído para o feito.

E, numa daquelas tiradas infelizes que MST regularmente debita, alguns desses "banais" jogadores resultaram agora em vendas de valores astronómicos...

Foi você que falou em desmantelamento? É que o Porto compra barato, vende caro e ganha troféus. Por isso, metam lá a viola no saco e arranjem outro tema de conversa.

2 de agosto de 2007

Novela de Verão


Para animar estes dias que ainda restam da pré-temporada - ou será já temporada, sem o pré antes? - faltava a costumeira e pouco imaginativa novela sul-americana. Tem havido de tudo, nestes anos. Brasileiros que se atrasam, pelos motivos mais díspares, mas quase sempre coincidentes: problemas pessoais, falecimento de um tio afastado, saúde periclitante da mãe, servem sempre de escusas para mais uns dias passados em terras de Vera-Cruz.

Chegados de novo a território luso, perante uma bateria de fotógrafos e jornalistas ávidos de declarações, são proferidos os costumeiros lugares-comuns, que terminam sempre com uma declaração de amor incondicional ao clube do qual envergam as camisolas. Ano após ano, até isto se tornar fastidioso...

Este Verão, atípico quer nas temperaturas quer numa silly season pouco dada a devaneios, ainda não nos trouxera a costumeira birra de alguma vedeta. Até agora...

Confesso que, logo desde o primeiro dia, me tornei um adepto fervoroso de Lucho Gonzalez. Gostei do estilo, simplesmente. Da postura. Do porte altivo. De vê-lo movimentar-se em campo, sempre com uma "souplesse" digna de encómios. E depois, jogava que se fartava. E marcava golos. Por isso, apesar das exibições esforçadas, mas pouco conseguidas, a época transacta nada alterou no meu relacionamento com o argentino. Desculpei as más exibições, compreendi o arrastar em campo, elogiei o espírito de sacrifício demonstrado, com alguns treinos entre as inúmeras viagens de cá para lá, de lá para acolá e vice-versa...

Por isso, e só por isso, não esperava isto. Dirão alguns que é normal um jogador, quando cobiçado por clubes de outra dimensão financeira, sentir vacilar a sua lealdade. Com esforço, até isso consigo aceitar. Às vezes tenho ainda uma visão algo romântica do futebol, como se o meu amor clubista pudesse ser palpável, sentido por aqueles por quem eu nutro uma admiração profunda. Não é, está visto!

Apesar das palmas, dos cânticos entoados por milhares de gargantas, daquele grito de guerra arrepiante, do "El Comandante" a ecoar pelo Estádio, do apoio sempre dado pela equipa técnica, da braçadeira de capitão, aquela tira de pano com uma enorme carga simbólica e mítica. Apesar de tudo. Gratidão não tem, pelos vistos, tradução em argentino. Ou isso, ou continuo a ser um lírico de primeira...