É, sem dúvida, o assunto do momento na blogofera portista, e a polémica desportiva do mês. Quaresma, qual criança de dois anos a quem lhe negaram algo, resolveu amuar. Ao bom estilo cigano, com exuberância gestual e um imenso vulcão de fúria ardendo dentro do peito viril...
Em qualquer outra situação, desde que a Protecção de Menores não estivesse a olhar, o caso resolvia-se à boa maneira de antigamente: com um par de tabefes bem ministrados nas ventas...
Hoje em dia isso seria politicamente correcto. Talvez uma palmada pedagógica, mas convenhamos que Quaresma, apesar dos tiques, já não é uma criança endiabrada, um adolescente hiperactivo ou um marginal imberbe. Quando muito, corresponde ao estereotipo do futebolista actual: rico, famoso, mas burro que nem uma porta...
A vedeta, com um ego sobredimensionado, acha-se isenta de qualquer manifestação sonora de desagrado vinda das bancadas. Transformando o relvado do Dragão no seu recreio particular, uma espécie de playground para as tropelias típicas infantis, onde as diatribes teriam que ser forçosamente acompanhadas por interjeições de espanto e fascínio, o "mustang" perdeu a noção do ridículo.
Esquecido já da disciplina imposta por Adriaase, Quaresma foi soltando-se dos espartilhos tácticos, achando-se uma espécie de divindade no seio de um plantel trabalhador. Fazendo tábua rasa dos mandamentos futebolísticos, que professam o pontapé na bola como um jogo colectivo, onde a comunhão entre os integrantes da equipa deve ser enorme, transformando-a numa entidade una, o cigano continua a olhar prosaicamente para o seu próprio umbigo.
Sempre venerei o clube, aquele emblema que me faz estremecer de paixão, as camisolas que provocam arrepios de emoção. É esse clube que se tornou o centro da nossa religião. Aliás, o Porto é a Religião. Alguns passam por lá como meteoritos, desaparecendo rapidamente no firmamento, esquecidos ao fim de breves instantes. Outros, perenes, permancem para sempre na memória, pelo contributo que deram ao crescimento e glória da Instituição.
Quaresma está num equilíbrio precário. Pode ser uma estrela, cadente, deixando um rasto de magia por onde passa, mas esquecida no final do espectáculo. Ou pode ser mais um daqueles, poucos, que entraram por direito próprio no Olimpo dos grandes profissionais, de nomes pronunciados de forma reverente, cujas histórias são contadas, de boca em boca, à volta da lareira, nos frios dias de Inverno.
Para mim, parece que ele já escolheu o caminho. "Podem continuar a assobiar, que eu continuo a resolver jogos"!. Presunção e água benta....