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24 de setembro de 2008

O futebol do Velho Continente...

Indiferentes ao cansaço que parece apenas afectar atletas do campeonato português, os principais campeonatos europeus continuam a todo o vapor. E com surpresas à mistura…

Inglaterra – O jogo grande da jornada, o Chelsea-Manchester, começou mal para os blues londrinos. Deco, no aquecimento, e Ricardo Carvalho, aos 10 minutos, foram baixas importantes na equipa de Scolari. Provando que um mal nunca vem só, os adeptos da casa viram o adversário adiantar-se no marcador, na 1ª parte, quando o domínio do jogo já era do campeão em título. Com Ronaldo no banco, os pupilos de Alex Ferguson controlaram as operações, não resistindo no entanto ao assédio final do Chelsea, que empataria aos 80 minutos, por Kalou. Continua a saga da invencibilidade caseira em Stamford Bridge, já no seu 84º jogo.

Aproveitando o deslize do vizinho citadino, o Arsenal de Wenger chegou ao topo da classificação. Tal como na época passada, é claramente a equipa que melhor trata o esférico, num futebol agradável à vista e letal na finalização. Com mais dois produtos da cantera no onze principal – Denilson e Alexander Song – os gunners marcam que se fartam. O Liverpool, jogando em casa com o Stoke City, empatou de forma surpreendente, encontrando pela frente um guarda-redes em forma sobrenatural. Sorensen viveu uma tarde de glória, defendendo tudo o que era arremessado contra a sua baliza. Chegando-se aos lugares cimeiros, e merecendo um olhar bem atento, o Aston Villa treinado por Martin O’Neill, ex-técnico do Celtic, com um potencial enorme, capaz de lutar por um lugar na Champions. Com uma demolidora dupla de ataque – Carew e o sub-21 inglês Agbonlahor – possuindo um meio campo com qualidade – Reo-Cocker, Gareth Barry e Petrov – e uma defesa coesa, os villans podem ser a surpresa da temporada. Surpresa, pela negativa, é o Tottenham, de Juande Ramos, o técnico que levou o Sevilha à glória, num humilhante último lugar da classificação, sem vitórias e depois de mais um orçamento generoso derretido em contratações.

Itália – E o Special One já levou, ao cabo de 3 jornadas, o seu inter ao topo da classificação, acompanhado pela Juventus. Nova vitória do Inter, no reduto do Torino, com as habituais características das equipas de Mourinho a sobressaírem. Adriano, carta fora do baralho no tempo de Mancini, parece ter readquirido nova vida com a chegada do técnico português. No Inter, neste início de temporada, tem-me impressionado o defesa-direito brasileiro, Maicon. Possante, com um sentido de marcação notável, apoiando o ataque amiúde, dá um verdadeiro recital de bem jogar, quase um compêndio do que deve ser um defesa lateral moderno.
O Milão lá venceu, de forma concludente, com Ronaldinho no banco, a Lázio, anterior líder, por 4-1.

Espanha – Jornada de redenção do Barcelona, esmagando a oposição do frágil Sporting de Gijon. 6-1, aumentando os índices de confiança dos blaugrana, após a vitória na Champions frente aos leões. Em grande também o Atlético de Madrid, onde Aguero desempenha um papel fulcral, estrela maior de uma equipa que continua a ter uma massa adepta fiel. Maniche, de volta aos bons velhos tempos, continua a somar pontos na luta pela titularidade. Não havendo Forlan, lesionado, apareceu como marcador de golos o cobiçado Sinama-Pongolle, o tal desejado por Rui Costa. A outra equipa de Madrid venceu também, fora de portas, no difícil reduto do Santander.

No resto da Europa, destaque para a humilhação caseira do Bayern, derrotado no seu Estádio por um concludente 5-2. O Werder Bremen, autor da proeza, aumentou o calvário de Klinsmann, a passar um mau bocado no comando da equipa bávara.

15 de setembro de 2008

O futebol do Velho Continente - 2

E pronto. Decididamente, a Superliga tuga ganhou o prémio da mais surrealista competição a disputar na Europa. Ao fim da 2ª jornada disputada, uma paragem prolongada, tão do agrado dos dirigentes deste cantinho à beira mar plantado. 15 dias sem futebol competitivo, aproveitando a pausa provocada pelos jogos das Selecções. Lá por fora, o que se vê faz corar de vergonha o decisor de tão controversa pausa. 3 dias após os jogos das equipas nacionais, os campeonatos voltaram, em força, com estádios cheios, golos em catadupa, lances polémicos e embates fantásticos. A nós resta aguardar pela próxima semana...

Itália - José Mourinho conquistou a primeira vitória no Calcio. Mas, como se esta servisse de barómetro para o que o espera ao longo da época, foi uma conquista suada, difícil e repleta de intensidade. Jogando em casa, perante o Catania treinado por uma lenda viva do Inter, o guarda-redes Walter Zenga, os comandados de José Mourinho, com Quaresma a titular, viram-se em inferioridade numérica, com a expulsão de Muntari, um dos reforços da temporada. Como se não bastasse esse golpe do Destino, o Catania adiantou-se à beira do intervalo, colocando os adeptos do Inter de mãos na cabeça. Valeu Quaresma e...uma dose enorme de sorte. Em resposta ao golo adversário, o ex-portista tentou uma trivela, vendo o remate embater num adversário e trair o guarda-redes do Catania. Se a 1ª parte terminou de forma graciosa para o Inter, a 2ª iniciou-se de forma similar. Auto-golo do Catania, com as imagens a não permitirem a aferição sobre se a bola transpôs na totalidade a linha de baliza. A reviravolta, sustida com classe até final, permitiu já o avanço pontual sobre o rival citadino, o Milão. Verdadeiro case study a permanência de Ancelotti à frente da equipa de Berlusconi, fiasco após fiasco. 2 jogos, duas derrotas, é o saldo actual do Milão de Ronaldinho, Shevchenko, Flamini, Kaka, Alexandre Pato. Bastante mal vai também a Roma, que ainda não venceu. Apontada no início de época como candidata ao scudetto, conta apenas com um mísero ponto no bornal. A Juventus venceu, igualando o Inter em pontos, mercê do golo do novo reforço brasileiro, Amauri. E, quando se tem avançados da igualha de Trezeguet, Iaquinta, Del Piero, Amauri, qualquer treinador dorme o sono dos justos.

Espanha - Laporta e Guardiola correm sérios riscos de se transformarem rapidamente em personas non gratas na Catalunha. O presidente dos catalães vive um período de enorme desgaste psicológico, com moções de censura ao seu reinado e com a míngua de resultados a não ajudar. Guardiola, nado e criado na Catalunha, tenta desesperadamente colocar um cunho próprio no Barcelona, numa limpeza de balneário que afastou Ronaldinho, Deco e alguns outros. Apostando na prata da casa, com a promoção de Sergio Busquets e Victor Mata, não tem sido bafejado pela sorte. Duas jornadas e um mísero ponto na classificação, cedendo inesperado empate em Nou Camp com o Santander, onde se estreou Jorge Gonçalves, ex-Leixões.
O Atlético, vivendo em estado de graça, perdeu na deslocação a Valladolid. Afectado pelo "Vírus FIFA", expressão que graceja com as deslocações intercontinentais dos atletas sul-americanos que representaram os seus Países a meio da semana, os colchoneros não contaram com Forlan e apenas com Aguero na 2ª metade.
Foi uma jornada de jogos loucos. O Sevilha-Gijon foi um deles. De 0-2 para 3-2, culminando num 3-3 ao intervalo, com os sevilhanos [bela equipa] a marcarem o 4º na 2ª metade, prometendo uma época de alto nível. Com Fabiano e Kanouté lá na frente e a next big thing espanhola a criar golos [Diego Capel, franzino, num estilo semelhante ao de Futre, tem feito misérias nos flancos] o Sevilha dá espectáculo. O Real Madrid-Numancia copiou o resultado de Sevilha. 7 golos, numa réplica excelente do Numancia, que tinha vencido o Barcelona na 1ª jornada.

Inglaterra - Continua a saga do Liverpool. Joga mal, mas vence. Benitez agradece. Pela 1ª vez, derrotou Alex Ferguson, batendo o Manchester United por 2-1. O golo madrugador de Tevez foi insuficiente para os red devils [com Anderson a titular] levarem os 3 pontos do mítico estádio do Liverpool. Nem Berbatov, a nova coqueluche de Manchester, foi capaz de evitar a reviravolta, com auto-golo de Wes Brown e Ryan Babel.
Em Manchester, jogo grande, no Estádo do City, agora com novo e abastado dono. Numa equipa com Elano, Jo e agora Robinho, 3 internacionais brasileiros, com uma das grandes promessas do futebol inglês, Micah Richards, um defesa central belga de enorme classe, Kompany, o tempo parece ser de sonhos. E a estréia de Robinho não podia ter começado melhor. Grande golo de livre, dificultando a tarefa aos comandados de Scolari. Mas os blues de Londres são hoje uma máquina trituradora, com um joker adquirido no Verão a preço de saldo. Deco, magistral, encanta a cada jornada, tendo sido eleito o jogador do mês pela exigente Liga Inglesa. Ricardo Carvalho empatou, realizando uma exibição sem mácula, perfeita a nível defensivo, Lampard regressou ao protagonismo, num excelente remate e Anelka sentenciou, de forma letal. Pela negativa, a expulsão de John Terry, que não jogará no Domingo contra o United. O Arsenal, com Adebayor a marcar o primeiro hat-trick do campeonato, venceu, não perdendo de vista o duo da frente, Liverpool e Chelsea.
Para já, as primeiras ilações dão conta das enormes dificuldades do campeão em título, o Manchester, já com duas derrotas e um empate em 4 jogos. A falta que faz Cristiano Ronaldo...

Nota: Ricardo Costa, ex-portista, continua a dar seguimento ao bom início de época. Novo golo, o 2º, na Bundesliga, mantendo a invencibilidade do Wolfburgo, a equipa alemã que mais gastou no defeso.

6 de setembro de 2008

O futebol do Velho Continente...

Já fui, mais do que agora, um consumidor inveterado de futebol. À tonelada. Resumos, jogos de ligas longínquas, numa espécie de Luís Freitas Lobo de pacotilha…

Agora, com o tempo a escassear, nem sempre consigo acompanhar aquele que muitos apelidam de Desporto-Rei, com a frequência desejada. Existem, porém, excepções…

Desde logo, a Superliga tuga, por motivos óbvios. Depois, uma paixão de adolescência, que não tem parado de crescer. A Premiere League inglesa, transformada cada vez mais num espectáculo mediático de altíssimo nível, numa constelação de estrelas sem rival a nível Mundial. Admirador confesso dos jogos realizados por terras de Sua Majestade, desde o estereotipado “kick & rush” até aos dias de hoje, sigo fervorosamente as incidências futebolísticas, jornada após jornada…

E esta nova rubrica, criada agora na paragem da liga portuguesa, será apenas isso. Um desfiar de acontecimentos de fim-de-semana, focando atenções em terras britânicas, mas não esquecendo os nuestros hermanos e, claro está, Itália e esse Inter de Mourinho.

Num apanhado do que tem acontecido, até agora, realço os seguintes pontos:

Espanha – Início francamente negativo de Guardiola à frente do Barcelona. Aposta de risco da Direcção dos catalães, colocando um neófito a dirigir um clube que não vence desde 2006, o Barcelona viu partir Deco e Ronaldinho, proscritos nas ramblas, mas reforçando-se na defesa e meio-campo, com as entradas de Daniel Alves, defesa-direito ex-Sevilha, com Piqué, central de enorme futuro vindo do Manchester United e Cáceres, argentino contratado ao surpreendente Villarreal. Os críticos apontam-lhe o dedo à falta de soluções ofensivas. Depois da novela Etoo, com Henry longe dos tempos áureos de Londres, apenas Messi pode assumir o papel de salvador da pátria. Bastará?

O campeão em título, depois da épica vitória na Supertaça frente ao Valência, entrou com o pé esquerdo, derrotado na Corunha. Schuster, desavindo com os quadros madridistas após o affaire com Ronaldo, viu entrar o médio Van Der Vaart, como único reforço. A partida de Robinho, de candeias às avessas com o clube, não foi colmatada. Continua um grupo sólido, experiente e com enorme qualidade. Favoritos, claro!

Na capital, com uma massa adepta fervorosa e de enorme fidelidade, mora ainda o Atlético de Madrid. Líder, para já, do campeonato, mercê da goleada aplicada ao Osasuna, vive em estado de graça, com o apuramento desejado para a Champions. Com nova dupla de centrais, o checo Ufjalusi e Heitinga, vindo da Holanda, tem mostrado uma enorme consistência defensiva, a que não será alheio o trabalho de sapa de Paulo Assunção, fugido da Invicta com a lei Webber a servir de escudo. Possuindo uma explosiva dupla de avançados, Aguero e Forlan, com Simão e Maxi Rodriguez nos flancos, pode aspirar a uma época idêntica à anterior. Rezam os especialistas que a falta de um pensador na zona nevrálgica do terreno provoca um futebol algo linear, pouco pensado. Maniche pode adquirir aqui um papel vital, rejuvenescido com a confiança do actual seleccionador nacional e merecendo novo voto de confiança de Aguirre.

Itália – A primeira jornada, aguardada com enorme expectativa, provocou um sabor intenso a frustração. A estreia do Special One, na competitiva liga italiana, não correspondeu ao esperado. Depois da vitória suada frente à Roma, na Supertaça, a deslocação a Génova, para defrontar a Sampdoria, adquiria contornos de jogo grande. O empate final penaliza, segundo a exigente imprensa transalpina, o futebol defensivo e eminentemente táctico de Mourinho. Se as coisas não correram bem ao treinador português, o que dizer da outra equipa de Milão? Derrotada em casa, pelo modesto Bolonha, a equipa de Ancelotti insiste em defraudar sistematicamente os sonhos dos seus adeptos. Com o apelidado meio-campo de luxo, de sotaque brasileiro a cargo de Kaka e Ronaldinho, mostrou as lacunas de sempre. Defesa a roçar a mediania, um técnico sem ideias que sobrevive, ano após ano, apenas pelo beneplácito de Berlusconi, o Milão terá um duro teste pela frente.

No lote de candidatos, destaque para o empate caseiro da Roma, perante o adversário do Benfica, o Nápoles, capaz de empatar a uma bola mesmo reduzido a 10 elementos, e o embate de titãs em Florença, entre a equipa da casa, considerada por muitos como um outsider na luta pelo título, e a Juventus. Em Florença, com Mutu acompanhado por Gilardino e com jovens promessas como Pazzini, Montolivo, Kuzmanovic e Gamberini a acompanharem o veterano Frey, o tempo é de sonhos, a que nem o empate com a vechia signora retira espaço de manobra.

Inglaterra – O Chelsea, agora sobre a liderança do intragável Scolari, entrou a todo o gás, comandado por esse soberbo jogador, naturalizado português, de nome Deco. Mostrando predicados que os colocam como favoritos ao título máximo, os azuis londrinos empataram na 3ª jornada, num derby da capital, frente ao Tottenham. Nada que assuste uma equipa que apresenta um meio-campo com Deco, Ballack, Lampard, Essien e Joe Cole, uma defesa com Ricardo Carvalho, John Terry, Bosingwa e Ashley Cole e um ataque onde pontificam Drogba e Anelka. As sucessivas sacadas de dinheiro do russo que preside aos destinos do Chelsea ajudaram, e de que maneira, a transformar o clube de um bairro rico num colosso mundial, temível. Ainda em Londres, Wenger vai fazendo pela vida, invejando certamente o poderio económico dos vizinhos. Perdendo Hleb para o Barcelona, contratando uma jovem promessa gaulesa, Nasri, continua a contar com o elemento surpresa, ancorado no enorme talento de Fabregas, mas claramente uns furos abaixo do favoritismo de Chelsea e Manchester United.

Estes, sem Ronaldo, perderam a Supertaça Europeia para um Zenit surpreendente, encontrando dificuldades acrescidas na Premiere League. No último dia de mercado aberto, a prenda veio para Ferguson: Berbatov, resgatado ao Tottenham, para fazer companhia na frente de ataque a Rooney e Tevez. Quem disse que o dinheiro não traz felicidade?

No grupo dos favoritos, o Liverpool com a chancela de Benitez. Exímio estratega, o espanhol tem encontrado dificuldades inesperadas para levar os reds ao título nacional. Equipa talhada e vocacionada para as competições a eliminar, prima pela irregularidade no campeonato, adiando o sonho da conquista do título. Com Fernando Torres como cabeça de cartaz, contando com a companhia de Robbie Keane na frente, e com o estreante Dossena, defesa-esquerdo, no sector recuado, o Liverpool é ainda uma equipa em construção. Alguns auguram-lhe altos vôos. Outros, mais realistas, apontam o dedo a uma defesa jovem, com a dupla de centrais formada por Skrtel e Agger ainda demasiado verde, sendo uma tarefa hercúlea a luta pelo título que lhes foge à duas décadas. Mas, se não fosse assim, qual a piada de vencer?