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21 de março de 2009

A Taça que eles queriam...

O País teve a Taça que queria. Uma final entre a irmanada dupla de contendores lisboeta, para gáudio da turba. JM Delgado, sorriso afivelado no rosto, passou o tempo todo, desde o conhecimento dos intervenientes na final, a tecer loas à Taça da Liga, elogiando amiúde o seu mentor, o anafado Loureiro. Compreende-se. A pouca importância devotada pelo Porto relativa à novel competição incomodou alguns espíritos mesquinhos.

E, volto a repetir, o País teve o que queria. O espectáculo obsceno, dado pela TV, perdurará durante muito tempo. Agressões, em 90 minutos de verdadeira batalha campal, onde o futebol foi o primeiro dano colateral. Para não variar, tendo como juiz Lucílio Baptista, os erros arbitrais seriam mais que muitos.

O penalty, acrescido da expulsão de Pedro Silva, permitindo o empate à "locomotiva de transparência do futebol português", foi catalogado na década de oitenta por Pedroto. Colocando o nome aos bois. Roubo de Igreja. Continua tudo imutável no futebol luso.

Finda a partida, resta apenas dizer que esta é mesmo a final que o tristonho cantinho à beira-mar plantado merece. O desporto-rei, esse, pede desculpas aos seus adeptos. O futebol a sério volta dentro de momentos...

4 de fevereiro de 2009

Xist[r]ema de Jesualdo

Jesualdo, já o tinha percebido, está vacinado. Gosta de levar na "pá", como se diz na gíria. Provou-o, no ano passado, em Liverpool, cidade famosa pelos Beatles, mas também pelo The Kop, mítica bancada de Anfield, grata nessa noite pelos equívocos.

Depois, com a sua ideia de rotatividade, foi levando os adeptos do Porto a provarem dissabores indigestos. Em Fátima, nesta Taça da Liga, ou em casa, frente ao Atlético, na Taça de Portugal.

Esperei, expectante, que depois do naufrágio na nebulosa capital inglesa, frente ao Arsenal, Jesualdo tivesse aprendido a lição. Mas não. Provou-o hoje. Mais uma vez. Teimosamente.

Ponto prévio. Considerava esta meia-final da Taça da Liga mais importante que o clássico de Domingo, frente ao Benfica. Desde logo, por ter a possibilidade de, em caso de vitória, ver as cores azuis e brancas no palco da final. Não concordo com a tentativa de ridicularização que alguns tentam dar desta competição.

É uma competição nacional, oficial, que merece respeito. Coisa que, aparentemente, o treinador portista não teve. Pelos adeptos que sofrem por aquele emblema.

Assim, o grupo excursionista que visitou a caital tuga colocou-se a jeito. De ser humilhado. A Jesualdo, como disse, pouca mossa parece fazer. Os "olés" jocosos dos adversários, os risos sarcásticos dos opositores, a honra vilipendiada do clube. Nada ultrapassa a couraça de impassibilidade do técnico portista.

E é pena. Os 90 minutos em Alvalade mostraram que, com a equipa titular, o Porto poderia estar neste momento a sorrir. Mesmo com Xistra a apitar, como sabe, a partida.

Para memória futura, o que conta é a vitória leonina. Amparada por um festival do homem do apito, lesto a visionar faltas dentro da área portista. Mas isso é outra história.

Perdemos. Merecidamente. Fomos, não tenho a melhor dúvida em escrevê-lo, humilhados. Pelo resultado anormal. Pela pálida imagem deixada, na 2ª parte. Pelo confrangedor grupo de jogadores que hoje vestiu uma camisola que se quer sagrada.

Na pantomina em que Jesualdo transformou a partida, vestimos de forma consciente e voluntária a pele de cabeçudos. O Sporting, imagem de profissionalismo, fez o que tinha a fazer. Deu-nos uma lição. Que não seja esquecida.

Agora, resta apenas resgatarem o nome do clube. Ganhando. Começando pela corja. No Domingo.

28 de janeiro de 2009

O herói improvável

Taça de Portugal - quartos-de-final
Estádio do Dragão, no Porto
Hora: 20:45
Árbitro: João Ferreira (Setúbal)

porto, 1 - leixões, 0
[mariano gonzalez, aos 5']

EQUIPAS

FC PORTO - Nuno; Fucile, Stepanov, Bruno Alves e Benítez; Raul Meireles, Guarín e Lucho; Mariano, Lisandro e Hulk.
Suplentes: Ventura, Rolando, Pedro Emanuel, Bolatti, Tomás Costa, Farías e Rodríguez.
Treinador: Jesualdo Ferreira

LEIXÕES - Beto; Laranjeiro, Nuno Silva, Élvis e Angulo; Roberto Sousa, Bruno China e Hugo Morais; Zé Manuel, Chumbinho e Diogo Valente.
Suplentes: Berger, Sandro, Diogo Luís, Ruben, Castanheira, Paulo Tavares e Nwoko.
Treinador: José Mota

Meias-finais da Taça. Já lá estamos. O feito, misturado com a presença nos oitavos da Champions, as meias da Taça da Liga e o 1º posto no Campeonato, dão asas ao sonho. De tudo vencer.

O Dragão assistiu, na chuvosa noite da Invicta, a um jogo atípico. Pelo menos, se comparado com 99% dos sensaborões encontros da Superliga. Foi um jogo intenso, disputado no limite, entre dois contendores que disputaram cada bola, cada centímetro de terreno, como se dessa refrega dependesse o futuro da humanidade. Digno de Premiere League.

Os azuis e brancos, causticados por um calendário apertado, apresentaram algumas caras novas no onze inicial. Benitez, no lado esquerdo da defesa, Stepanov como irmão gémeo de Bruno Alves, Meireles fazendo o papel de formiga trabalhadora e incansável, geralmente desempenhado por Fernando, Guarín ao lado de Lucho, no meio-campo, e Mariano entrando como titular.

A rotatividade, mais uma vez, como forma de vencer o cansaço, evitando mazelas desnecessárias, em vésperas de jogos importantes.

Os pupilos de Jesualdo entraram a vencer. Literalmente. Aos 5 minutos, os momentos de fama de Mariano, argentino mal-amado por quem venera o símbolo do campeão, a empurrar com decisão a bola para as redes de Beto. Um golo madrugador, dando a ideia de que a partida da Taça seria um mero passeio para os da casa.

Nada mais falso. Novamente bem preparados tacticamente, os leixonenses tomaram as rédeas da partida, pressionando amiúde o último bastião draconiano, colocando dificuldades inesperadas a uma defesa que se via acossada por vários lados.

Aos 35', um dos momentos altos da partida, resultante de um péssimo passe de Bruno Alves, permitindo uma rápida transição aos matosinhenses, com José Manuel a permitir uma defesa instintiva do veterano Nuno.

O aviso, bem sério, apenas era respondido por algumas das habituais incursões de Hulk, ou por alguma iniciativa, louvável, de Mariano. A zona nevrálgica do meio-campo, onde se desenrolava uma batalha tremenda pelo domínio da partida, assistia a alguma macieza por parte dos atletas azuis, ultrapassados com uma facilidade irritante.

O intervalo, pausa retemperadora, não serviu de grande conselheiro a Jesualdo e seus pupilos. O Leixões crescia, tornando-se cada vez mais ameaçador. Até que...

O treinador portista mexeu [e bem] na equipa. Saiu Hulk, inconsequente ao longo do jogo, e entrou Rodriguez. O Porto equilibrava a contenda, jogada num ritmo impressionante, num "tu-cá-tu-lá" que mantinha a atenção dos espectadores bem focada naquele rectângulo verde.

A segunda e cirúrgica mexida, por parte de Jesualdo, conseguiu reverter o domínio do jogo. Entrou Tomas Costa, saiu o marcador do único tento da partida. Evoluído tacticamente, o argentino recém-entrado conseguiu estancar a vivacidade do Leixões, permitindo que os últimos 15 minutos fossem de desperdício portista, com várias e flagrantes oportunidades de golo.

Uma vitória suada, inteiramente merecida, premiando a solidez defensiva azul e branca. Uma palavra de apreço para a combatividade e arreganho do adversário, digno vencido, capaz de fazer algo que a maioria das equipas não consegue: jogar de igual para igual no Dragão. E isso diz tudo.

15 de janeiro de 2009

Uma Taça com nevoeiro...e um Campeonato desvirtuado


árbitros: Lucílio Baptista (AF Setúbal), Venâncio Tomé e Mário Dionísio; Elmano Santos.

NACIONAL: Bracalli; Patacas «cap.», Maicon, Felipe Lopes e Nuno Pinto; Luis Alberto, Edson Sitta, Alonso e Ruben Micael; Mateus e Nenê.
Substituições: Alonso por Miguel Fidalgo (46m), Edson Sitta por Fabiano Oliveira (66m) e Ruben Micael por Bruno Amaro (84m).
Não utilizados: Douglas; Cléber, Juninho e Halliche.
Treinador: Manuel Machado.

FC PORTO: Nuno; Sapunaru, Stepanov, Pedro Emanuel «cap.» e Benítez; Bolatti, Tomás Costa e Guarin; Mariano, Farías e Candeias.
Substituições: Candeias por Rabiola (70m) e Sapunaru por Diogo Viana (78m).
Não utilizados: Ventura; Ivo Pinto, Rafhael, Josué e Sérgio Oliveira.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: cartão amarelo para Alonso (39m), Luis Alberto (39m), Stepanov (39m), Benítez (42m) e Sapunaru (52m).

golos: Ruben Micael (23m), Sapunaru (36m) e Miguel Fidalgo (84m).

Sim, eu sei que isto deveria ser uma crónica sobre o Nacional-Porto. Mas, em português, vernacular, eu quero mesmo é que o jogo se ****. Competições menores, ainda por cima não levadas a sério por quem nelas entra, não me despertam a paixão assolapada que deveriam. Ainda para mais, nem me admira muito se o vencedor já estiver decidido. Mas, quanto às incidências do jogo, já lá vamos…

Ninguém, que gosta do desporto-rei em geral, e do Porto em particular pode andar com as pulsações cardíacas normalizadas. Seja pela frustração do empate contra o autocarro vindo da Trofa, pelo destempero da perda da liderança, que nos soube a pouco, ou pelo silêncio cúmplice e branqueamento encapotado que os media, sempre arvorados em arautos da regeneração do futebol luso, quando lhes convêm, têm praticado, depois do escândalo da Luz, no roubo descarado do Braga.

Alguém, com sentido de humor, afirmou que o Braga teve azar. Foi apanhado na onda de criminalidade que tem invadido o País. Outro, mais dado ao domínio da ironia, tratando-a por tu, proferiu com graça que o Braga teve sorte. Apesar de roubado descaradamente, ainda ficou com o autocarro…e os pneus.

Felizmente, apesar da amizade feita de interesses comuns, maquinadas em negociatas, o Braga provou ter voz. E que não lhes doa, carago. Comecemos por Mesquita Machado. Sem eufemismos. Tratando os bois pelo nome. “Foi um assalto à mão armada, um roubo, e os roubos têm que ser investigados”. Aqui sorri. Investigados, meu bom autarca. Por quem? Pela paladina da Justiça, aquela dos olhos pintados em tons góticos? Santa ingenuidade…

Mas Mesquita Machado foi mais letal que Renteria e Meyong juntos. “Os erros foram premeditados”. Se isto fosse num Estádio, fazia a onda. O homem merecia. E ainda mais depois de, arvorado já no papel de líder da Assembleia Geral da FPF, ter lançado uma suspeita de enorme gravidade. “Existiram influências exteriores para que fosse este árbitro a apitar”. E pensava eu que éramos um País de brandos costumes. Não somos. Ele prova-o. Somos sim um País terceiro-mundista, corrupto, onde o poder e a justiça são ministrados de forma parcial. Regredimos no tempo. Voltamos às saudosas décadas [pelo menos para uma parte da população deste cantinho], onde o campeão era encontrado por decreto.

Tudo começou [e nunca é demais louvar a coragem] com Jorge Jesus. Ao contrário do colega de profissão, sentado no banco do Guimarães, que sorria alarvemente enquanto lhe palmavam um penalty, o treinador bracarense mostrou que os tem no sítio. “Não vencemos porque o árbitro não quis”. Curto e grosso. Para bom entendedor…

Noutro quadrante, o torpor deu lugar à indignação. Esqueceram-se os “project finance”, as luvas de pelica, as boas maneiras à mesa, e a indignação encontrou eco. Paulo Abreu apropriou-se [mas é um plágio perdoável] da máxima de Pedroto. “Roubo de Igreja” e um “comparado com a arbitragem de Pedro Henriques, isto foi obra de um profissional”. Já chegava para colocar muita gente com as orelhas a arder. Mas ele finalizou, qual Liedson de fato e gravata. “Mais levado ao colo deve ser difícil”. Toma. Embrulha. Gostei particularmente de uma frase, proferida em tons apoplécticos. “Os investimentos na arbitragem e em alguma comunicação social começam a dar frutos”. Lapidar. Quando as comadres se zangam, o verniz estala.

E as virgens ofendidas, que escreveram ressentidas após o Benfica-Nacional, têm estado estranhamente desaparecidas. Sempre prontos, naquele espírito corporativo enjoativo, a apaparicarem os responsáveis encarnados, servindo-lhes de respaldo para as grosserias e tonterias debitadas na comunicação social, foram o veículo apropriado para a coacção vergonhosa praticada, durante uma semana, de forma cirúrgica. Entrevistas à nulidade que vegeta no plantel das águias, despudoradamente usando o apelido de um grande avançado portista, ou ao pomposo director-desportivo, tudo serviu para inflamar uma fogueira que arde sempre em lume brando.

Espantosamente, o resultado teve efeitos quase imediatos. Se em Guimarães, para essa prova congeminada por Hermínio Loureiro, a gatunagem foi permitida, de forma submissa [o que umas promessas de jogadores não fazem, pela boa vontade], permitindo que os da casa fossem descaradamente prejudicados, mas sem qualquer intenção de provocar ondas de indignação, o jogo caseiro frente aos arsenalistas fez o País desportivo ficar perplexo. Alguns, beliscando-se, julgavam ter retrocedido, por artes mágicas, no tempo, quando a monopolização de títulos em Lisboa fazia a delícia de muitos. Mas não. A estratégia, congeminada laboriosamente, tem histórico. Começou à muito. Lembram-se da Pinhão jornalista, do marido realizador e da vaca escritora? Pois...

E agora é que é. Vou escrever sobre futebol. Daquele que se tenta vencer dentro das quatro linhas. Desde logo, uma dificuldade enorme. “Mas onde raio é que anda a bola?”, apetece perguntar, quando o nevoeiro se torna no actor principal de uma partida toda ela feita por secundários.

No último estádio onde foi feliz, o Porto apresentou-se de cara renovada. Aliás, como esperado, o perfil azul e branco sofreu uma transformação brutal. Com Nuno na guarda das redes e Pedro Emanuel o rosto da experiência, imperial no centro da defesa, o meio-campo parecia uma congeminação sul-americana, com os agora renegados Guarin, Bolatti e Tomás Costa a serem os elementos pretensamente dinamizadores de todo o futebol do Dragão.

Na frente, confesso, um trio de arrepiar os cabelos. Candeias, cada vez menos interventivo, Farías, cujo nome do meio deveria ser sinónimo de passividade e o fetiche-mor de Jesualdo, Mariano Gonzalez.

Como nem a feijões se gosta de perder, e apesar do jogo se ressentir claramente das adversas condições de visibilidade, coube aos portistas a primeira grande oportunidade de golo. Ironicamente, pela cabeça de um defesa, Sapunaru de seu nome, correspondendo a um belo cruzamento de Mariano. Passado o susto, os madeirenses pressionaram, colocando a descoberto algumas debilidades estruturais da defesa azul e branca.

O golo inaugural, pese a oposição encarniçada de Nuno, surgiu ao 3º remate consecutivo dos avançados nacionalistas. Numa equipa que de campeã apenas ostentava o nome, a ligação entre sectores era praticamente nula, sobressaindo apenas nesta fase o labor de Guarin, na dupla missão de apoiar os homens da frente, mantendo ainda tarefas de apoio defensivo, como demonstrou ao evitar que, aos 30 minutos, o Nacional ampliasse a vantagem.

Fosse pelo nevoeiro, ou por outro motivo qualquer, ninguém ainda se tinha apercebido que existia árbitro no jogo. E que juiz de campo. Lucílio de nome próprio. Baptista de apelido e Calabote de alcunha carinhosa, tantos têm sido os dislates da patética personagem, sempre que se atravessa no nosso caminho. E, para figurar no currículo, nada como nova medalha no peito. Penalty escamoteado aos 31 minutos, quando Mariano é derrubado por Maicon, dentro da área caseira.

O Porto, no entanto, num assomo de dignidade, empatou a contenda. Alonso perde displicente uma bola junto da sua área e Sapunaru fez o que lhe competia. Fuzilou para o empate.

A segunda parte trouxe mais do mesmo, com o cinzentismo do nevoeiro a protagonizar um duelo hercúleo com a vontade indómita de quem procurava jogar, em condições quase surreais. Sem qualquer alteração na dinâmica ofensiva do encontro, sempre com o sinal mais a ser protagonizado pelo Nacional, a qualidade e intensidade decaíram bastante.

Jesualdo tentou alterar o rumo dos acontecimentos. Efectuou a dupla substituição, responsável pelo golo da vitória na primeira jornada. Rabiola e Diogo Viana, por troca com Candeias e Sapunaru. Com a saída do lateral romeno, Tomás Costa abandonou o centro do terreno, ficando como proprietário da lateral direita. A irreverência da idade, desta feita, nada acrescentou de positivo ao futebol dos portistas. E, na fase mais sensaborona do desafio, um golo algo fortuito, no final da partida, ditou a derrota, sempre pesarosa, do FCP.

Melhor do Porto: Quem? Se eu não conseguia, na maior parte do tempo, ver o que quer que seja, como eleger alguém merecedor de encómios?. Pareceu-me que Nuno esteve seguro, tendo realizado uma grande defesa a remate de cabeça, após o 2-1. Sapunaru, apesar do desnorte defensivo, em alguns momentos da 1ª metade, esteve expedito, aparecendo duas vezes em zona de finalização. Quanto ao resto, apenas e só o lamento de que um jogo, nestas condições, tenha conseguido realizar-se, num claro desrespeito para com quem faz mover esta indústria: os adeptos!

Arbitragem: É bom saber que podemos contar com as coisas imutáveis da vida. O amor incondicional dos progenitores, as asneiras da adolescência, os cabelos brancos, prenúncio da passagem da idade, e Lucílio Baptista, com os seus erros fervorosos contra o que traja azul e branco. Nada a fazer. Apenas e só aceitar, com o nosso beneplácito, a incompetência e falta de seriedade do árbitro setubalense. Pode ser que um dia, num dos acasos em que o Destino é fértil, alguém se esqueça de travar o carro, quando ele atravessar uma passadeira. Ou um raio lhe caia, em pleno jogo, na cabeça. Ou…

nota: logo e texto publicados originalmente no Bibó Porto.

8 de janeiro de 2009

Taça da Liga

Porto, 2 - Setúbal, 0
[farías, rabiola e leandro lima(gp)]

Jesualdo arriscou, bastante, mas foi recompensado. A entrada em palco de um Porto depauperado das suas estrelas significa, mais do que poupança ou rotatividade, um claro desinteresse numa competição menor. E isto, para mim, diz tudo.

Seria mais lógico a poupança prudencial de algumas pedras nucleares, mas mantendo a espinha dorsal da equipa, procurando a conquista dos 3 pontos, atendendo a que o jogo da Superliga, no fim-de-semana, se disputa em casa e perante o último classificado da competição.

A poupança radical hoje encetada deveria, na minha óptica, ser apenas adoptada na próxima jornada, antes da deslocação a Braga. Claro que estes pensamentos são liminarmente vencidos pelo resultado. Vitória. 3 pontos. Missão cumprida.

E neste Porto transfigurado houve muitos que, mais uma vez, passaram ao lado do jogo, desperdiçando soberana oportunidade de provarem que são efectivamente alternativas válidas aos titulares.

Num jogo pautado por um futebol insípido, com pouca ligação entre os sectores, esperava-se bem mais de alguns dos nomes mais sonantes do onze inicial. Guarin, Tomas Costa, Pele ou Sapunaru não estiveram à altura dos anseios, se bem que o colombiano ainda tenha tentado, a espaços, dar um ar da sua graça.

Ironicamente, a exibição mais conseguida nos azuis e brancos foi efectuada por um proscrito. Benitez, uma carta aparentemente fora do baralho de opções, conseguiu dinamizar o flanco esquerdo, mostrando sobriedade na abordagem ao encontro, abnegação e entrega na disputa de lances e alguma aptidão para a marcação de livres.

Mariano Gonzalez, outro dos mal-amados do plantel, mas jogador fetiche para Jesualdo, conseguiu cumprir com o estipulado pelo treinador. Foi, jogando mais pelo interior, um dos transportadores de jogo dos Dragões, conseguindo aliar ao empenho demonstrado alguns lances individuais perigosos.

Com Artur Soares Dias, juiz da partida, a procurar animar os espíritos mais enregelados, marcando duas penalidades contra os da casa, acabou por ser Rabiola o herói da noite, numa espécie de redenção depois do calvário das lesões. O ex-vitoriano, servido na perfeição por outro imberbe jovem [Diogo Viana], cabeceou com frieza e classe, desempatando a contenda. Prémio justo a um "puto" com um futuro que se adivinha radioso.

19 de maio de 2008

Só eu sei...

...porque não fico em casa. A resposta é óbvia. Amo este clube. Cada vez mais. Cada vez com maior intensidade. De forma sôfrega. Sempre achei que é nas derrotas que se sente, palpável, a alma de um clube. "Glória aos vencedores, honra aos vencidos". O chavão, utilizado amiúde em dispares situações, aplica-se na perfeição à final da Taça de Portugal, perdida ontem...

Existem duas formas de escrever. Logo após o jogo, deixando a emotividade relatar os acontecimentos, mas perdendo em capacidade de análise. Ou, mais tarde, de forma racional, já com os humores devidamente temperados.

Optei por esta última, ajudado pelo facto de ter assistido, in loco, ao desenrolar dos acontecimentos. A viagem de regresso, pesarosa, serviu também para desintoxicar a mente da raiva acumulada pela perda de um troféu.

Convenhamos. O Porto, durante uma hora, foi uma pálida cópia da exuberante equipa que se sagrou campeã nacional. Um Porto acomodado, lento de processos, equivocado nos princípios de jogo, presa fácil para um adversário abnegado, raçudo, disposto a vencer, provando ter feito os trabalhos de casa, na análise sumária do estilo de jogo apresentado por Jesualdo.

E foi assim. Uma imensa festa, colorida de azul e branco num dos topos, rivalizando com o verde da outra ponta, que foi procurando galvanizar os artistas, lá em baixo.

Participando nela, sentia no entanto um aperto no coração, em cada investida do opositor. A anterior muralha defensiva, imagem de marca deste Porto, parecia esboroar-se a cada ataque, sustendo os assaltos com enorme dificuldade. E depois, sempre aquela crença. Uma corrida. Uma bola em velocidade. Uma ligeira libertação da pressão adversária. "É agora", almejava eu, em silêncio, esperando que a história do jogo corresse o seu ritmo normal e que aquele grito, o da vitória, o da comemoração, se soltasse, por fim...

O intervalo surgiu como um bálsamo. Um Porto encostado às cordas, as laterais a servirem de alvo para a codicia sportinguista, e Nuno a emergir como herói improvável na primeira metade, onde o futebol apresentado estava longe dos pergaminhos exigíveis aos dois primeiros classificados da Superliga.

A segunda metade é marcada, indelevelmente, pela expulsão de João Paulo. Se a exibição do lateral-esquerdo estava a ser sofrível, a intempestiva entrada sobre um adversário, notoriamente brutal, cerceou grande parte das possibilidades dos Dragões enguerem o troféu...

Jesualdo, calculista até então, mexeu na equipa, fazendo sair um esforçado Mariano Gonzalez, ele que na 1ª metade tinha ofertado em bandeja de ouro o golo ao compatriota Lisandro, para entrar um lateral-esquerdo de raiz. Com Lino, apesar de jogar com menos um homem, o Porto equilibrou a equipa, colocando um tampão nos ataques que privilegiavam aquele flanco...

E, finalmente, o Jamor assistiu à ressureição de um campeão. Uma equipa que, unida no sofrimento, mostrou uma condição anímica que lhe permitiu, a espaços, superiorizar-se ao adversário...

Naquele momento, acreditei ainda mais. As oportunidade, até então escassas, foram surgindo. Mas, aparentemente, estará escrito num qualquer tratado de conjugação cósmica, que os jogos com os leões ficarão marcados pelo desperdício de oportunidades flagrantes...

A quebra física, visível no dealbar da partida, em jogadores nucleares como Lucho ou Meireles [bela exibição], fazia temer pelo tempo extra. O técnico portista resolveu um dos problemas. Fez sair o internacional luso, introduzindo no jogo a força do possante Kaz...

Quando o sinal mais continuava a ser azul e branco, logo após Quaresma ter desperdiçado um notável trabalho individual, aconteceu o caso do jogo...

Contra-ataque portista, conduzido por Lisandro, alvo de atropelamento junto da grande-área leonina, numa inequívoca falta, que Olegário resolveu como de costume. Mandou seguir...

E surgiu o golo, na resposta, de Tíui. Balde de água fria, com o Porto, num último assomo, quase a empatar de seguida. O jogo terminou ali. De forma cruel...

Nova final perdida para o Sporting, assumindo-se cada vez mais como a nossa besta negra, com o Porto apenas a poder queixar-se de si próprio...e de mais alguém.

Em primeiro lugar, as excêntricas decisões de Jesualdo, optando por João Paulo na esquerda, debilitado a equipa nas alas, serão o réu. O tradicional calculismo do técnico portista, visível na opção pela regularidade táctica de Mariano, em detrimento do repentismo e tecnicismo de Tarik, custou caro, desta feita...

Finalmente, de forma costumeira, Olegário salvou a face. Ainda hoje causticado pelo pretenso erro de análise no célebre lance de Baía, em pleno Estádio da Luz, o juiz leiriense continua a pagar a factura...com juros adicionais. Depois de benevolentemente ter ofertado a Supertaça, à dois anos atrás, aos encarnados, sancionando um golo precedido de falta, na vitória destes frente ao Setúbal, o árbitro internacional mostrou novamente a sua face....

Incompetente, perdido na análise dos lances, usando de uma gritante dualidade de critérios [expulsão perdoada a Abel], receoso de assumir lances nas áreas, fechou a sua exibição execrável com o já referido lance sobre Lisandro, influente no resultado final...

Resta-nos a nós, portistas, não fazer das críticas arbitrais um cavalo de batalha. Perdemos, quiçá justamente, caindo aos pés do campeão da 2ª circular. E, quando assim é, está tudo dito...

10 de fevereiro de 2008

Dever cumprido!

TAÇA DE PORTUGAL - OITAVOS-DE-FINAL
Estádio Dr. Marques dos Santos, Sertã
Hora: 15:30
Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal)

FC PORTO: Nuno, João Paulo, Pedro Emanuel, Stepanov, Lino, Paulo Assunção, Raul Meireles, Kazmierczak, Mariano González, Farías e Tarik
Suplentes:Ventura, Castro, Cech, Bolatti, Hélder Barbosa, Lisandro e Rabiola
Treinador: Jesualdo Ferreira

Afastados os fantasmas das recentes eliminações precoces, o Porto deu mais um passo rumo à final da Taça de Portugal, vencendo na Sertã por uns esclarecedores 4 golos sem resposta. Já se sabia, à partida, que esta seria uma espécie de reedição do bíblico confronto entre David e Golias...

Apesar da voluntariedade e entrega dos jogadores do clube da terceira divisão, os azuis e brancos foram naturalmente mais fortes, cumprindo com a missão esperada. Com várias mexidas no onze inicial, o golo madrugador de Sektiuoi colocou os Dragões na rota da vitória, já decidida ao intervalo, com Farias e o polaco Kaz a colocarem um final nas pretensas veleidades do adversário.

A 2ª parte, em ritmo de treino, ainda trouxe novo golo do argentino Farías, a comprovar o óptimo momento que o avançado atravessa, e as estreias de Helder Barbosa e Rabiola. Bom ensaio, sem sobressaltos de maior, cumprindo-se o desejado: a poupança de peças fulcrais e a vitória, justa.

8 de fevereiro de 2008

A caminho do Jamor...

E o caminho para o Estádio de Oeiras, aquele mausoleo antigo e obsoleto, sem as mínimas condições de segurança e com um conforto idêntico a um qualquer vôo num avião da Aerofloot, passa pela Sertã.

A equipa que milita no terceiro escalão do futebol luso vai ter, por uma vez, os seus quinze minutos de fama, na recepção ao vigente campeão nacional. Se a Taça é festa, a localidade do distrito de Coimbra estará, certamente, engalanada para assistir a um jogo onde aparentemente a correlação de forças remete para o combate bíblico entre David e Golias.

Ultrapassado o trauma, na era de Jesualdo, de eliminações precoces, os azuis e brancos perseguem na 2ª competção nacional o direito de, em Maio, estarem presentes na final da prova. Para isso, já se sabe, os ingredientes serão os de sempre: seriedade competitiva, empenho profissional e respeito por um adversário que jogará, estou certo, nos limites.

Depois de mais uma monumental frustração com a camisola das quinas ao peito, e dado que não existem bundas grandes no plantel do Dragão, os atletas portistas regressaram ao trabalho, numa casa onde o verbo VENCER é conjugado de todas as formas. Preparados para enfrentar qualquer obstáculo, nessa maratona começada a calcorrear em finais de Agosto, e com a meta ainda a ser uma miragem, cientes de que são melhores do que os adversários. Sejam eles quais forem.

Este fim-de-semana terá que ser carimbado o passaporte para os quartos-de-final da Taça de Portugal. O onze azul e branco sofrerá, quase de certeza, várias mexidas, esperadas pelo desgaste de alguns jogadores, pela poupança de outros e porque, no horizonte próximo, se vislumbra o regresso a Gelsenkirchen.

8 de dezembro de 2007

Objectivo cumprido

TAÇA DE PORTUGAL - 4.ª ELIMINATÓRIA

CHAVES, 0-FC PORTO, 2

Estádio: Municipal de Chaves
Árbitro: Elmano Santos (Madeira)

FC PORTO:Nuno; Fucile, João Paulo, Pedro Emanuel e Lino; Bolatti, Leandro Lima e Kazmierczak; Mariano, Postiga e Adriano.

E pronto. Nada de surpresas desagradáveis, desta feita. O Porto limitou-se a cumprir a sua obrigação de clube de escalão superior, vencendo um aguerrido Chaves, que procurou, e conseguiu, dificultar a tarefa dos comandados de Jesualdo Ferreira.

O jogo iniciou-se com um valente susto, quando Abadito enviou uma bola ao poste da baliza de Nuno, ontem o guardião das redes azuis e brancas. Foram uns primeiros minutos animados e pontuados pelas iniciativas atacantes, misto de irreverência e de crença na queda de um gigante, dos homens de Trás-os-Montes.

Com o passar dos minutos, o Porto foi conseguindo impor a sua supremacia, começando a brilhar, do outro lado, o último obstáculo às pretensões portistas: Rui Rego, guarda-redes transmontano, ía impedindo o funcionamento do marcador, com uma série de excelentes defesas.

Mas, como apregoa o ditado, "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Minuto 53 e o proscrito Postiga agradece da melhor forma a assistência do polaco Kaz para facturar. Estava feito o mais difícil. Se os Dragões já eram donos e senhores do jogo, com o tempo a esgotar-se o domínio foi-se avolumando, quase até à asfixia do Chaves, já sem forças. Foi sem surpresas que Adriano fez aquilo que mais gosta: golos. Já em tempo de descontos, mas mostrando que continua de pontaria afinada, aguardando pacientemente uma oportunidade na equipa principal.

No regresso do futebol à antiga, sem tv, as incidências do jogo foram seguidas pelo rádio, num revivalismo de outros tempos. Correndo o risco de ser injusto na apreciação individual dos atletas azuis e brancos, quer-me parecer que o brasileiro Leandro Lima, mais uma vez, desperdiçou uma excelente oportunidade para demonstrar o apregoado talento que possui.

Missão cumprida e atenções viradas agora para a recepção ao Besiktas, num estádio do Dragão repleto de um público entusiasta e ansioso por novos momentos de glória.

27 de setembro de 2007

Shame on you!

1 - A Taça da liga, nova competição do futebol indígena, até poderá nem ser muito atractiva. Reconheço isso, sobretudo para um clube grande, com a agenda sobrecarregada. Assim, a solução mais óbvia será, em confrontos iniciais, fazer uma gestão do plantel, guardando as principais figuras para os confrontos complicados que se avizinham. Até aí tudo bem. Mas qualquer adepto quer é vitórias, vitórias e mais vitórias. Seja no campeonato, na Champions ou num qualquer anónimo torneio. Perder nem a feijões, sobretudo em ocasiões destas, em que o nome do próprio clube fica em xeque. Jesualdo fala em sentimento de vergonha. Faz bem. É como eu me sinto e muito provavelmente os milhões de adeptos portistas. Ser realista, na hora da derrota, é que não resolve nada. Já fomos. Sinceramente, nem foi a derrota que mais me custou. A alegria proporcionada aos nossos figadais inimigos é que me irrita mais. Só espero que, desta vez, tenha sido mesmo um mero acidente de percurso, e não se assista aquele descalabro que se seguiu ao jogo de má memória contra o Atlético. Porque aí, a paciência é mesmo capaz de transbordar!

2 - Neste caso, já nem se pode falar de vergonha ou da falta dela. É o completo despudor, a impunidade que grassa, perante a complacência de todos. Penaltys mal assinalados sempre existiram, existem e continuarão a existir no futuro. Mas marcar um, aos 93', como o que se verificou no Amadora-Benfica, não cabe na cabeça de ninguém. Só não entra para o anedotário nacional, pela gravidade de que se revestiu a sua marcação. Há erros e erros. Acidentais ou deliberados. Aquele não engana ninguém. Propositado, cirúrgico, no último momento possível para evitar a eliminação dos encarnados. Vergonha é o mínimo com que se pode adjectivar o caso. A rede, ou sistema, como lhe quiserem chamar, já funciona. Dentro e fora do campo. Pois na penumbra das redacções dos jornais, o trabalho de sapa de alguns conclui o iniciado dentro do campo. Operação de cosmética em curso, não deixando de dizer o óbvio, mas escondendo os títulos sensacionalistas, que surgiriam se as cores fossem outras. Nada de parangonas nas capas [não fosse o Orelhas invadir as redacções], tratando o caso como mais uma exibição descolorida do Benfica. Da parte dos jornalistas, cobertos à muito de vergonha pelos constantes arrepios à ética, já não se esperam grandes feitos. Vendidos, quase todos eles, ao clube que se sabe, utilizam as colunas dos pasquins como um oásis do espírito corporativo, nunca falando mal do clube do regime. A "Bola" fala em "milagre" na vitória encarnada. E ainda existe alguém que não acredita no Apito Encarnado?

3 - Por certo uma mera coincidência. Mas quando estas se avolumam tornam-se suspeitas. Em 1979 foi Manaca, num "lance infeliz" a impedir o tri do FCP, ao marcar um auto-golo que permitiu a vitória do Sporting em Guimarães. Ex-jogador leonino, sobre si caíu, na altura, a suspeição de ter feito um frete à sua anterior entidade patronal. Veio-me o caso à memória quando assisti, estupefacto, à exibição de Nelson, anterior guarda-redes leonino, agora ao serviço do Amadora, no embate para a Superliga, frente aos leões. Noite infeliz? Talvez, mas o ex-jogador sportinguista teve enormes culpas no cartório na derrota da sua actual equipa. E é aqui que se começa a criar a teoria da conspiração. Não sei se se deram ao trabalho de assistir à marcação das grandes penalidades, que ditaram o vencedor do Guimarães-Sporting. Se sim, vejam lá se se lembram do nome do jogador que falhou a fatídica penalidade? Poupo-vos trabalho. João Alves. Até Junho deste ano, jogador do...Sporting. Pois. As almas caridosas podem achar que isto é mesmo uma teoria da conspiração, sem nada de concreto. Aceito. Até pelo timing da marcação do penalty, pois João Alves foi o último vimaranense a dirigir-se para o lugar de todas as decisões. Mas lá que é uma coincdência dos diabos, lá isso é!

ps: Só me sentirei vingado com um penalty inventado, aos 93', contra o Boavista, que nos dê a vitória. Isso é que era. Só para assistir ao circo de virgens ofendidas que se seguiria ao rescaldo do jogo!

26 de setembro de 2007

Vim eu a acelerar para esta merda?

competição: taça da liga
data: 26.09.07
resultado: fátima, o - porto, o (4-2 gp)

Está um gajo muito bem de férias, sem tempo para ver futebol e o Porto lá ía ganhando. Uns sms, umas olhadelas à TV e os pontos a serem amealhados. Mas o bichinho ía fazendo mossa. Faltava-me algo na fuga à rotina diária. O Algarve estava como sempre. Sol com fartura, menos gente do que no pico do verão, o hotel bem escolhido e umas "bifas" jeitosas colmataram a ausência do vicío do pontapé na bola. Mas, ao fim de 11 dias, confesso que já estava farto. Ainda esbocei um protesto quando a patroa fez a menção a sairmos só depois de almoço. Contas rápidas de cabeça e vi que ía ser à justa. Mas lá teve que ser. Manda quem pode...

E pronto. Fiz-me à estrada. Acelerei mais do que o habitual [também ajuda ter uma carrinha nova] e às 18.40 lá estava eu, a entrar no acesso à garagem. Tirar malas do carro, arrumar a roupa, dar banho a dois fedelhos, tomar um duche rápido, convencer os catraios a comerem em termos [tarefa ciclópica] e consegui refastelar-me na minha poltrona predilecta às 19.36. Sim, a bola já tinha começado, mas o 0-0 era o sinal de que não tinha perdido nada.

O resto do jogo foi visto da forma de sempre. Ansiedade crescente, aumentada pelo facto de que cá o "je" tinha resolvido apostar 50 € na bwin, apesar da modesta odd de 1,2. Mas pensei: "carago, os gajos são da 2ª".

Se eram não se notou muito. A diferença que deveria existir entre o bicampeão e um recém-promovido à liga de honra, apesar de não ser abissal, deveria ser notória. Pois. Mas alguém deveria ter era alertado os jogadores disso mesmo. Caralho, a determinada altura aquilo assemelhava-se a um pesadelo. Afirmo, desde já, que detesto este tipo de jogos. Põem-me estranhamente nervoso. E o pensamento sempre a fugir para o jogo contra o Atlético, no ano passado...

Sim, Jesualdo mexeu na equipa. Aliás, foi quase uma equipa nova aquela que defrontou o Fátima. É bom que o professor se vá preparando para uma enxurrada de críticas. Eu não embarco nelas. Este jogo, apesar de muitos encontrarem semelhanças com o já referido jogo contra o Atlético, foi diametralmente oposto. Desde logo porque Jesualdo tinha aqui uma oportunidade soberana de dar minutos, preciosos, a alguns reforços, aumentando-lhes os níveis de confiança, e ao mesmo tempo fazer uma gestão equilibrada do plantel, agora que se entra numa fase mais intensa da época.

Contra o Atlético essa gestão nunca deveria ter existido, após uma paragem de 3 semanas no campeonato. Agora sim, e aí é que reside a diferença. Se Jesualdo não poupasse os titulares agora, fazia-o quando? Mais a mais, já tanto se escreveu contra a não inclusão dos reforços na equipa titular, que muitos deles tinham aqui a verdadeira prova de mostrarem a sua capacidade. Era o jogo indicado, porque quem enverga aquelas camisolas listadas de azul e branco tem que ter capacidade para isso. Ou não.

É um doloroso regresso à normalidade, ao quotidiano, à rotina que, por momentos, ficou parada no tempo. Dasse, estava tão bem no Algarve!

29 de junho de 2007

Taça da Liga

Em 2007/08 vai estrear a mais nova competição do futebol português - a Taça da Liga - que será patrocinada nos primeiros 3 anos pela Carlsberg (não sei se foi a pensar no Luisão ou não).
Este torneio será disputado em 4 eliminatórias, seguido de uma fase de grupo e finalmente disputar-se-á a final num campo neutro. Em 2007/08 já está definido que a final será disputada no Estádio do Algarve no sábado de Páscoa (parece-me que existe uma fixação qualquer actual com o Estádio do Algarve. Não dava para ser mais longe?).
A 1ª eliminatória é disputada entre os 16 clubes da Liga de Honra. São disputados 8 jogos em que os clubes que no ano anterior ficaram entre a 3ª e a 8ª posição e os clubes que desceram da Primeira Liga vão jogar a casa dos restantes.
Grupo dos que jogam fora:
• Aves
• Beira-Mar
• Rio Ave
• S. Clara
•Gondomar
• Feirense
• Varzim
• Penafiel
Jogam em casa:
• Estoril
• Fátima
• Freamunde
• Gil Vicente
• Portimonense
• Trofense
• Vizela
• Olhanense
A 2ª eliminatória será disputada entre os 8 clubes apurados da 1ª eliminatória e os 2 clubes que subiram à Primeira Liga mais os 6 clubes que no ano anterior ficaram entre 9º e 14º lugar. Os jogos serão disputados em casa dos clubes da Liga de Honra. Entram em prova nesta fase:
• Amadora
• Boavista
• Marítimo
• Naval
• Académica
• Setúbal
• Leixões
• Guimarães
A 3ª eliminatória será disputada entre os 8 clubes apurados da 2ª eliminatória e os primeiros oito classificados da Primeira Liga. Mais uma vez, os jogos serão disputados em casa das equipas que vêm da 2ª eliminatória. Entram em prova:
• Porto
• Sporting
• Benfica
• Braga
• Belenenses
• P. Ferreira
• Leiria
• Nacional
A 4ª eliminatória será a unica deste torneio efectuada em duas mãos. Os jogos serão definidos através de um sorteio simples. Os quatro clubes apurados disputarão uma fase de grupo a 3 mãos. Os campos serão definidos por sorteio, sendo que duas equipas disputarão 2 jogos em casa e 1 fora, enquanto que as outras duas, naturalmente, disputarão 2 jogos fora e apenas 1 em casa. Os dois clubes melhores classificados disputarão o troféu na final em campo neutro.