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20 de junho de 2008

Ahhhh, o suave som do silêncio...

Acabaram-se as buzinadelas incómodas. Os gritos de júbilo. As caravanas ruidosas de automóveis. O histerismo colectivo. As bandeiras parolamente decorando janelas e fachadas de edifícios. Agora, é tempo de gozar o silêncio. E de falar de coisas sérias, neste País depauperado...

ps: No meio da mediania generalizada sobressaíu Deco. Simplesmente brilhante, assumindo sem reservas o jogo de Portugal. Fabuloso nas transições, magnífico nos passes, brilhante no empenho, mostrou ser de outro campeonato. Merecia mais. Muito mais...

15 de junho de 2008

Depois dos foguetes, quem apanhará as canas?

Uma semana de sol e férias faz milagres. Apesar das birras dos petizes, das "pilhas" inesgotáveis deles, com uma energia inacreditável em corpos tão pequenos. Pese isso tudo. Deu para dormir. Para descansar à beira da piscina. Para passar os olhos por livros cuja leitura é sistematicamente adiada. E pelo incontornável Euro...


1 - Começando por aqui. Bem antes do seu início, ainda na fase daquela alegria de pacotilha, que soa a falso, imposta, do patriotismo descartável, um escriba de um jornal diário comentava, com aquela bonomia feita de arrogância e azedume, que o Porto, vigente tricampeão, não tinha nenhum titular na Selecção de todos nós. Como em tudo, a história encarrega-se de castigar, amiúde, os incontinentes verbais. Bastaram 5 minutos a Raul Meireles para a participação tuga no Euro 2008 ter, para sempre, a assinatura azul e branca. Um golo que não foi caso isolado. Jogo seguinte e a sensação de déjà-vu. Quaresma entra e marca. O escriba meteu o rabinho entre as pernas e nunca mais opinou sobre os rapazes provenientes da Invicta.

2 - Com o torpor característico das férias a atacar-me em força, não tenho acompanhado regularmente as incidências televisivas, salvo raras excepções. Holanda, Espanha e Itália. Apenas esses, para já. Deslumbrado com a laranja mecânica, massacrante no seu futebol, humilhando a dupla finalista do último Mundial, salivando por avançados como Torres ou Villa, máquinas perfeitas na arte de jogar, autênticos aríetes às balizas adversárias ou intimamente satisfeito pelos castigos sofridos pelo tradicional catennacio transalpino. Tem sido assim, placidamente, que tenho vivido a grande competição.

3 - Pese a histeria nacional, capaz de caravanas automobilísticas por vencer a Turquia, a equipa das quinas parece-me sólida. E não deixa de ser satisfatório ver alguns milhares a engolirem autênticos sapos vivos, com a xenofobia anti-brasileira a ser esquecida pelos golos de Deco e Pepe. Xenofobia cirurgicamente aplicada, entanda-se, pois apenas era dirigida a brasileiros provenientes...do Dragão. Pepe, imperial, demonstrando que os 30 milhões pagos pelo Real têm razão de ser, e Deco, com exibições portentosas, fazendo recordar outras de azul e branco vestido, são as figuras desta equipa. Mesmo que o circo mediático em redor de Cristiano Ronaldo empalideça o merecido mediatismo. Com um Petr Cech na baliza, um Fábio Grosso no lado esquerdo da defesa e um David Villa na frente de ataque o título seria nosso.

4 - 100 milhões é o preço da defesa lusa. Nostalgia a palavra que caracteriza a minha apreciação. Todos ex-atletas do Porto. Todos com histórias de magia a pincelarem a sua carreira desportiva. Recheada já de troféus, com a etiqueta "made in Estádio do Dragão". Paulo Ferreira [20 milhões], Bosingwa [20 milhões], Pepe [30 milhões] e Ricardo Carvalho [30 milhões]. Esta Selecção até pode nem ter titulares portistas. Mas está recheada de ADN azul e branco.

5 - 6ª feira. Dia 13. Uma esplanada. Uma cerveja fresca. Um jornal entreaberto. Um telemóvel que toca. Do outro lado uma voz, a dar as novidades. "A UEFA anulou a decisão inicial. Volta tudo à 1ª instância". Não deu para soltar gritos de júbilo, é certo, mas sempre permite ver o ridículo dos pobres de espírito, pugnando denodadamente na secretaria por um lugar que não foram capazes de conquistar, dentro de campo. E os sorrisos, que semanas antes decoravam rostos por esse País fora, começaram a empalidecer. E depois dos foguetes, quem apanhará as canas?

30 de maio de 2008

Dias complicados...

Têm sido uns dias complicados. Para o Porto e para mim. Umbilicalmente ligados. Tenho andado numa azáfama extraordinária. É o que dá aventurarmo-nos em mudanças de casa. Um autêntico pesadelo. Caixotes, caixotes e mais caixotes, num nunca mais acabar de esforços hercúleos que me têm mantido sem qualquer tempo para acompanhar, fiel e atentamente, a actualidade noticiosa...

O Porto teve uma semana difícil. A saída, por rescisão sem justa causa, ancorada na lei Webster, de Paulo Assunção, tem sido difícil de digerir. Os sinais, desde à muito tempo, indiciavam uma certa tensão entre o clube e o atleta. A renovação do contrato, sucessivamente adiada, era um sinal claro de que haveria desencontros de verbas, com o atleta a querer, provavelmente, realizar o contrato da sua vida, atendendo à idade...
Não gostei, e afirmo-o peremptoriamente, da atitude do jogador. Resgatado ao opróbrio de jogar em clubes medianos, viu a sua carreira relançada de azul e branco vestido, jogando em palcos e competições com as quais a maioria dos jogadores apenas pode sonhar...

De Dragão ao peito, Paulo Assunção foi de um profissionalismo exemplar. Jogador tacticamente irrepreensível, fazia o trabalho de sapa na zona nevrálgica do terreno, adquirindo com o tempo um estatuto de imprescindível. O carácter, no entanto, só se revela quando posto à prova. E, neste caso, o brasileiro mostrou bem o que vale. Pouco. Moral e eticamente, Paulo Assunção desnudou-se, perante o público, como um mero mercenário, interessado na cobiça do vil metal, sem qualquer preocupação com aqueles que, jogo após jogo, o vitoriavam e incentivavam...

Mostrou a face mais negra do futebol. Aquela onde o Desporto-rei há muito deixou de ser um jogo, para passar a ser um negócio. Paulo Assunção poderia ser um nome, gravado com letras douradas, no álbum eclético de um clube grandioso, como o Porto. Optou por outra via. Será apenas mais um. Rapidamente esquecido.

A saída do jogador será suprida, sem grandes sobressaltos. A posição de trinco é, felizmente, uma das que possuem mais oferta, no mercado de trabalho. Não será por aí que o tetra perderá solidez...

A outra notícia, amplamente noticiada pelos media, tem a ver com a instauração de um procedimento disciplinar por parte da UEFA, relativamente à futura participação do Porto na Champions. Não serei hipócrita. Fui um dos que defendeu a medida tomada pela SAD. Achei-a a mais correcta, face às circustâncias. Continuo a achar o mesmo. O recurso do Porto só aparentemente viria a defender a honra do clube. O recurso seria aproveitado para a dilatação do prazo processual e a punição desportiva teria apenas lugar na próxima época. Começar com 6 pontos negativos, numa temporada onde apenas o 1º classificado terá lugar assegurado na elitista prova de clubes, equivaleria a um hara-kiri desportivo...

Contudo, como se vê, o simples facto de não se recorrer deu redobradas energias aos nossos detractores. A decisão, conhecida de forma célere, será tornada pública no dia 4 de Junho. Quero crer que esta será favorável às pretensões dos Dragões, que justificaram dentro das quatro linhas o seu direito à participação. Mas, se a decisão não for favorável, como desejado pelos abutres conhecidos, a SAD apenas terá um caminho a seguir. Demissão.

ps: Noutra latitude, depois de Yebda vem Djebbour. Em comum, para além dos nomes quase impronunciáveis, têm o empresário. Coincidência do destino, segundo fontes encarnadas, o dito cujo é...primo do novel director desportivo do clube das águias. Começa bem.

ps2: A Selecção está quase de partida para o Euro. Graças a Deus. O enorme circo mediático montado à volta da turma das quinas não é benéfico. A míseros 7 dias do jogo inaugural, chegou a hora da concentração competitiva. E já vem tarde...

27 de maio de 2008

O circo continua...

O Jornal Nacional (tvi) avançou que, amanhã, o canal vai transmitir em directo a partida para a Suíça do... camião tir que transporta a logística da selecção Nacional para o Europeu de futebol. Um directo, imagine-se! Da partida do camião tir. Um momento relevantíssimo para a nossa vida, presumo. Só ainda não vi onde é que está a relevância. Mas isso sou eu, que sou lento a pensar.

12 de maio de 2008

Manda quem pode...

...obedece quem tem juízo. Rui Patrício? Petit? Miguel Veloso?

Posso perceber pouco disto, mas 3 jogadores medianos, sem nada de relevante feito esta temporada desportiva [a não ser que os frangos momunentais do guardião leonino contem para alguma coisa] a merecerem o beneplácito de uma convocatória para o maior evento de Selecções do Velho Continente, deixa-me siderado. Siderado e preocupado...

Já agora, entrega o lugar de ponta-de-lança a esse portento de codícia pela baliza adversária que se chama Nuno Gomes. Parece que estou noutra dimensão. Como é que era mesmo a música do "Twilight Zone"?

7 de fevereiro de 2008

Uma questão pertinente...

Não seria já tempo de o Porto começar a ponderar seriamente pedir à Federação Portuguesa de Futebol uma indemnização, pela desvalorização que os atletas de azul e branco sofrem, sempre que envergam a camisola das quinas? É que isto de perder, com exibições paupérrimas, pode "beliscar" o valor dos nossos meninos...

24 de novembro de 2007

O Príncipe de orelhas de burro

“Pô, vocês pensam que eu sou burro, né?”. Pergunta retórica, dirão alguns, já com pouca paciência para as constantes diatribes de S(o)colari. “Se não é, parece…”, acrescentarão outros, com um sorriso malicioso a bailar nos lábios. Eu não. Não acho que o brasileiro que comanda os destinos da nossa Selecção tenha algo de burro. Muito pelo contrário. S(o)colari é bastante esperto.

Demonstrou-o quando aterrou em Portugal, numa pose que misturava tiques de colonialista com alguma da lenda de D.Sebastião. Vindo das terras de Vera Cruz, após cruzar o Atlântico, o brasileiro apodado de “sargentão” trazia a lição bem estudada. Sabedor da todas as anedotas jocosas que por lá debitam sobre os habitantes da “santa terrinha”, S(o)colari resolveu vincar a sua personalidade, alimentando a fraticida guerrilha entre Norte e Sul, para gáudio da subserviente imprensa nacional.

Rapidamente elevado aos píncaros da glória, endeusado em quase todos os meios de comunicação social, o ego, já de si enorme, cresceu exponencialmente, revelando um carácter ditatorial, avesso a críticas e opiniões diferentes.

Tudo foi suportado por um Povo sem amor-próprio, que via esse paladino estrangeiro a comandar a batalha contra o maléfico senhor do Norte. Com os resultados a ajudarem, a adulação atingiu o ponto de não retorno, pese a regularidade com que alguns foram confrontados com uma personalidade mesquinha.

Foi pois com resignação, já sem a capacidade de alimentar polémicas, que assistimos a novos episódios rocambolescos. A agressão a um adversário deveria ter servido de prenúncio para o que restava do contrato. Mas não. Alguns ainda não se aperceberam que as mordaças, cirurgicamente preparadas durante meses a fio, estão bem presas. Por isso, qual o espanto com a reacção do pretenso comandante supremo das forças armadas lusas, quando confrontado com a inócua pergunta de “foi a sua vitória mais sofrida?”.

Eu não sei se terá sido. Mas como espectador, pese a relutância que ainda sinto em sofrer por um punhado de “prima-donas”, cheias de tiques de vedetismo, assisti com alguma apreensão ao desenrolar do confronto com os finlandeses. Todos aqueles que veneram o desporto-rei estarão vacinados contra resultados penalizadores, apesar do domínio do jogo. O 0-0, esse resultado que eleva as penalizações cardíacas para níveis perigosos, não se compadece com estatísticas. Um ressalto, um lance de bola parada, um momento de inspiração. Basta isso para vermos o sonho a esfumar-se por entre os dedos, como se o destino brincasse com os sentimentos.

A explosão de cólera, reveladora do temperamento biliar do brasileiro, foi apenas mais um triste episódio no reinado de Sua Alteza. A classe jornalística, cujo espírito corporativo se manifesta apenas em ocasiões mais inofensivas, não tardou a sair a terreiro para branquear o mau génio.

Vítor Serpa, numa pomposa carta aberta ao seleccionador, abriu as hostilidades. A ele logo se juntou o delfim Delgado, sempre pronto a manifestar a sua concordância com todos aqueles que, alguma vez na sua existência, se oponham ao potentado da Invicta. Acusações de falta de patriotismo ou de anti-nacionalistas foram rapidamente carimbadas, com a chancela oficial do “Pravda” tuga.

Prezo-me por pensar. De não procurar o politicamente correcto. Nacionalismos bacocos ou bandeirinhas a esvoaçarem em varandas nunca fizeram o meu género. Apraz-me ver que, apesar dos elevados índices de analfabetismo, o Povo começa treinar o pensamento livre. Assim, não é de estranhar a monumental assobiadela com que os garbosos atletas nacionais foram mimoseados em Leiria, na exibição fora de validade com que brindaram a frágil Arménia. Não estranha também a ausência de euforia nos festejos da qualificação. Os números não enganam. 5 empates e uma derrota frente aos principais adversários beliscam a supremacia esperada duma Selecção que tem a sorte de possuir alguns dos mais brilhantes executantes que actuam no futebol europeu.

Só quem viu na “santa terrinha” o seu El Dorado, e nos indígenas que a habitam um rebanho de ovelhas é que pode achar insultuosa a pergunta de “foi a sua vitória mais sofrida?”. Só mesmo o Príncipe de orelhas de burro e o seu séquito de admiradores, ansiosos por umas festinhas do dono!

17 de outubro de 2007

Heróis do Mar, Nobre Povo

Heróis do Mar, Nobre Povo, Nação Valente…

Hoje é um daqueles dias, para gritar de forma pletórica, “Viva Portugal”. Tiram-se as bolas de naftalina das gavetas onde estavam aconchegados os cachecóis com as cores lusas, passa-se a ferro a bela da t-shirt com as quinas ao peito. O nacionalismo está à flor da pele. O sentimento pátrio, aquela sensação indefinida que nos provoca um nó na garganta, quando começam a soar os primeiros acordes da “Portuguesa”. Hoje joga a Selecção. A equipa de todos nós…

Aqui apetece-me fazer um rewind. Equipa de todos nós? Hummmm…seria mais apropriado chamar-lhe de “quase todos nós”, ou algo similar, mas isso agora nem vem para o caso. Confesso-me, sem qualquer pudor, como um não crente. Sim, venha de lá essa punição. Não vibro com a Selecção como o faço com o Porto, esse sim o meu País, a minha Religião, a minha Nacionalidade.

Vibrei com o Euro. Era difícil ficar indiferente. E também com o Mundial. Digo isto para não começarem já com a lapidação. Nada disto tem a ver com Scolari. Não vos convenci? Pronto, talvez um pouco da minha antipatia tenha a ver com o intratável brasileiro. Mas não é só por isso. As raízes do mal estão bem entranhadas no passado distante. Na opressão antiga. Naqueles pequenos pormenores que passam despercebidos [será que passam mesmo?] a muita gente. Ao ostracismo a que os jogadores azuis e brancos sempre foram votados, quando se fala na tal “equipa de todos nós”.

O sentimento, invés de abrandar, aumenta. Também, convenhamos, era difícil não ser assim. Quando o principal cartão de visita do actual seleccionador é o ressuscitar dos fantasmas da guerra Norte-Sul [para gáudio de milhões neste pequenino País, logo avalizando o infame discurso], numa luta sem tréguas, algumas vezes latente, mas sempre com o denominador comum: atacar o Porto. Foi assim no início, num fogo regado com gasolina por incautos fazedores de opinião, vendo ali a oportunidade de achincalhar um dos ódios de estimação deste País.

Cheguei ao ponto de dizer que gosto pouco da Selecção. Que só comemoro os golos marcados por atletas portistas. Algo radical de dizer, é certo, podendo ser acusado e apontado como um mero fundamentalista. Que seja. Lições de moral só recebo de quem quero. E, nessa galeria, não cabem os que invectivaram Deco, quando este expressou a sua vontade de jogar por Portugal, ou que se abespinharam com a convocação de Pepe, mas que continuam a assobiar para o alto quando aplaudem as corridas de Obikwelo, os saltos de Nelson Évora ou os futuros golos de Makukula. Hipocrisias é que não…

Heróis do Mar, Nobre Povo, Nação Valente…

13 de setembro de 2007

O "defensor" das quinas

Scolari, passadas 24 horas sobre a agressão, fez o seu mea-culpa. Forçado, é certo, mas um mea-culpa. Ou aliás, um meio mea-culpa, se é que existe isso. O brasileiro, dono e senhor dos destinos da nossa Selecção principal, diz que sim, que fez, mas...

Pois, existe sempre um mas. Ele agrediu, não porque tenha perdido a cabeça, mas porque foi defender - de quê? - Quaresma. Assim, num passe de mágica, o mustang fica no centro do turbilhão. Foi por causa dele que Scolari fez o que fez. O indefeso extremo portista foi salvo de uma tareia monumental pela intervenção divina - lá esta a Nossa Srª do Caravaggio - de Scolari, qual intrépido justiceiro ao serviço do bem. Só lhe falta a capa de super-herói. Bem, não só. O bigode não ajuda muito a imagem cool a que associamos os salvadores do mundo.

Assim, de mea-culpa aquilo não teve nada. Foi um atabalhoado pedido de desculpas, depois de finalmente se ter apercebido da burrada que fez e das consequências que daí podem advir. E pronto. Ponto final. Pelo menos, assim parece pensar Scolari.

Aqui, entra em cena, ou deverá entrar, a entidade patronal de Scolari. A Federação Portuguesa de Futebol. Scolari é um assalariado, principescamente pago. Ao serviço dessa mesma entidade patronal Scolari encheu de vergonha quem mensalmente lhe deposita na conta o chorudo ordenado. Numa Federação que, aparentemente, é regida por princípios morais rígidos, a sanção ao seleccionador deverá ser apenas uma: EXEMPLAR!

Não foi assim com Zequinha, um puto de 19 anos, que ao serviço da Selecção no Mundial, retirou intempestivamente o cartão vermelho da mão do árbitro, numa situação de enorme tensão, ao ver um colega expulso e o descalabro do resultado? A Federação teve contemplação com a idade do atleta ou com o posterior pedido de desculpas do jogador, publicamente assumindo o erro? O final da história vocês sabem: Zequinha foi afastado, digo eu barbaramente, por UM ANO! UM ANO!

Os mesmos princípios éticos da Federação são partilhados pelo próprio Scolari, afastando do seu grupo - o clube Scolari - os penitentes e os que caem em tentação. Foi assim com Maniche, alegadamente envolvido em cenários pouco edificantes, mas nunca esclarecidos, e com Sérgio Conceição, depois do desvario deste num jogo do campeonato belga, em que mimoseou o árbitro com a sua camisola, atirada intempestivamente. Ora, se o grande timoneiro tem pruridos destes, transformando o grupo num rebanho de ovelhas dóceis e fiéis, deve, em qualquer circunstância, sob qualquer cenário, dar o exemplo.

Não me alongando mais neste artigo, fica apenas e só a congratulação intíma que sinto por, desde início, ter mantido a coerência no meu discurso, quando falo de Scolari. Para mim, treinador mediano, execrável na maioria das suas atitudes, indigno de ser o responsável da selecção do meu País. O problema agora é de:

...quem o recebeu de braços abertos,
...quem lhe deu palmadinhas nas costas,
...quem o bajulou até à náusea,
...quem o cobriu de honrarias,
...quem o elogiou ininterruptamente,

Esses agora, que se "amanhem"!

Deja-vu

Podem dizer o que quiserem. Podem defender o brasileiro que, para alguns, é o salvador da pátria. Volto a repetir o que já aqui disse. Fosse outro o seleccionador, com as últimas exibições paupérrimas da equipa das quinas, e caía o carmo e a trindade neste País. Fosse outro o treinador com as péssimas opções tácticas que Scolari teve, e a crítica especializada arrasaria o técnico. Mas assim, voltamos ao de sempre, com toda a gente a assobiar para o alto. Inacreditável a sequência de resultados recentes de Portugal, com empates consecutivos e, pior do que isso, perdendo pontos em casa, sempre da mesma forma, perto do final do jogo.

Para isso contribuiu e de que maneira o "dedinho" do sargentão. Num curto espaço de 4 dias, Scolari consegue a proeza de terminar os jogos sem avançados, devido ao conservadorismo que sempre o caracterizou. Dessa forma, Portugal vê-se na contingência de ter que efectuar um forcing final, procurando desfazer os empates com Polónia e Sérvia, já com as substituições esgotadas e sem um avançado em campo. É obra. Deste, nem Couceiro se lembraria!

ps: Fico a aguardar ansiosamente a reacção da Federação ao gesto vergonhoso do seleccionador, agredindo um atleta adversário. Comportamento inadmissível, sobretudo quando se trata do mais alto responsável pela turma das quinas. Mas, como isto é mesmo uma república das bananas, Madail irá, mais uma vez, meter o rabinho entre as pernas...

11 de setembro de 2007

Dúvida existencial

O pasquim mais pasquim cá de Portugal publica hoje, numa chamada na primeira página:
"A dúvida de Scolari: Quaresma ou Simão?"

É aquilo que se pode designar por dúvida existencial. Dois pratos da balança. Num, o "ciganito". No outro, o Sr. Simulação. Pergunto eu, onde está a porra da dúvida?

Ah e tal, respondem a maioria dos adeptos da Selecção, por grande coincidência adeptos da anterior entidade patronal do Simão, o Sabrosa foi eleito o melhor jogador da Liga, em 2006/07. Pois foi. Pois foi. Em Portugal. O entroncamento futebolístico da Europa. Uma espécie de circo de variedades, onde as aberrações são a montra. Simão foi o melhor jogador da Liga 2006/07. Faço uma pausa, para recuperar o fôlego, depois de me ter rebolado de riso. Aqui vai a defesa de Quaresma, seus morcões:

...joga no campeão nacional
...joga, e bem, no campeão nacional
...joga bem, e colecciona títulos, no campeão nacional
...para se ficar definitivamente com a ideia de que ele é um génio com a bola dos pés, demoramos apenas 3 segundos a ficar convencidos, quando o vemos a jogar
...decisivo em grande parte da época
...decisivo em grande parte da época, a jogar no campeão nacional
...foi por ele que o Atlético, Real e muitos outros perderam a cabeça
...20 milhões de euros não chegam para adquirir metade daquela preciosidade, capisce?

Posto isto, e realçando que ele joga no campeão nacional, onde está a porra da dúvida do seleccionador brasileiro, que por uma infelicidade tremenda - será o karma luso? - orienta a Selecção das quinas?

...de um lado, um gajo que tropeça na própria sombra, que raramente joga alguma coisa e que vencer não é um verbo que ele debite com regularidade
...do outro, alguém que joga ao mais alto nível, capaz de surpreender adversários com jogadas magistrais - aquele cruzamento magnífico para Ronaldo fazer o 2º à Polónia foi a última diatribe - imprevisível, tornando quase impossível a sua marcação

E agora, vai uma aposta que, contra o mais elementar bom-senso, Simão será titular?

ps: depois queixem-se de ficar a ver o Euro na TV, morcões!

10 de setembro de 2007

Sentir as camisolas

Não sei qual será a palestra que Scolari dará aos seus jogadores, antes do encontro decisivo com a Sérvia. Não sei e nem quero saber. Se é que haverá alguma palestra especial, diga-se em abono da verdade. Mas, se fosse eu o seleccionador, perderia uns minutos, no balneário, com a equipa toda reunida, e usaria um método diferente. Audio-visual. Captava assim a atenção da turma das quinas. Já se sabe que isto de discursos emblemáticos, apelando ao apego patriota já foi chão que deu uvas, e são tidos actualmente pelos jogadores como tremendamente chatos. Assim, para ultrapassar essas reservas iniciais, um dvd e uma TV. Mais nada. Depois, às escuras, passava o momento em que a valorosa selecção de rugby cantou o hino de Portugal. Só esse momento. Elucidativo. Qual Haka, qual carapuça. Aquela foi a forma dos nossos guerreiros mostrarem o apego a um País, a uma pátria. Arrepiante a forma como o hino foi cantado, a plenos pulmões, num momento intenso.

ps: "Espero que os jogadores da Selecção Nacional de Futebol tenham visto o jogo dos Lobos. Com metade daquela atitude, não há Sérvia que lhes resista", escreve hoje Jorge Maia, no Jogo. Resume tudo!

nota: fotografia retirada do blog Bibó Porto

8 de setembro de 2007

Heróis do mar, nobre Povo...

Não será, por certo, ocasião para escancararmos a porta de saída e convidarmos o nosso ilustre convidado, oriundo de terras de Santa Cruz, a voltar para o seu País de origem, mas já começa a fartar o conservadorismo de Scolari no comando técnico da Selecção. Lá diz o ditado que "mais vale cair em graça do que ser engraçado" e o povo português continua, placidamente, a aturar as diatribes de Scolari, movimentando-se neste cantinho à beira-mar plantado como se fosse um colonizador dos tempos modernos, com toda a corte a curvar-se à passagem de sua alteza. Um apuramento mais do que garantido, num grupo acessível, começa a resvalar para os perigosos caminhos da matemática, que fizeram parte da nossa sina em tempos idos.

Fosse outro o seleccionador e caía o Carmo e a Trindade, desde logo pelo empate surrealista na Arménia. Assim, o clube de fãs do técnico brasileiro, que soube desde a sua chegada cativar simpatias da maioria da população, com a sua táctica de guerrilha ao norte e ao seu grande embaixador, lá voltará a encontrar paliativos para justificar mais um mau resultado...

ps: Voltamos também aos encómios enviezados. Quando começo, logo desde início, a ouvir os sistemáticos elogios à "inteligente movimentação de Nuno Gomes", "à sua capacidade de criar espaços" ou "aos seus recuos para tabelar com classe", é sinal de que o avançado do Benfica, mais uma vez, passou ao lado do jogo. Porque, por muito que o Tadeia e amiguinhos da TV tentem camuflar, o importante e que não foi salientado é a ausência de golos. Mais uma vez. E com várias oportunidades, algumas delas flagrantes. Nisto, não há nada como ser frontal. Envergasse, no quotidiano, outra qualquer camisola, sem ser de nenhum grande, e a única selecção a que Nuno Gomes poderia almejar era a do Luxemburgo, e isto se se naturalizasse...