20 de junho de 2008
Ahhhh, o suave som do silêncio...
15 de junho de 2008
Depois dos foguetes, quem apanhará as canas?
30 de maio de 2008
Dias complicados...
27 de maio de 2008
O circo continua...
12 de maio de 2008
Manda quem pode...
7 de fevereiro de 2008
Uma questão pertinente...
24 de novembro de 2007
O Príncipe de orelhas de burro
“Pô, vocês pensam que eu sou burro, né?”. Pergunta retórica, dirão alguns, já com pouca paciência para as constantes diatribes de S(o)colari. “Se não é, parece…”, acrescentarão outros, com um sorriso malicioso a bailar nos lábios. Eu não. Não acho que o brasileiro que comanda os destinos da nossa Selecção tenha algo de burro. Muito pelo contrário. S(o)colari é bastante esperto.Demonstrou-o quando aterrou em Portugal, numa pose que misturava tiques de colonialista com alguma da lenda de D.Sebastião. Vindo das terras de Vera Cruz, após cruzar o Atlântico, o brasileiro apodado de “sargentão” trazia a lição bem estudada. Sabedor da todas as anedotas jocosas que por lá debitam sobre os habitantes da “santa terrinha”, S(o)colari resolveu vincar a sua personalidade, alimentando a fraticida guerrilha entre Norte e Sul, para gáudio da subserviente imprensa nacional.
Rapidamente elevado aos píncaros da glória, endeusado em quase todos os meios de comunicação social, o ego, já de si enorme, cresceu exponencialmente, revelando um carácter ditatorial, avesso a críticas e opiniões diferentes.
Tudo foi suportado por um Povo sem amor-próprio, que via esse paladino estrangeiro a comandar a batalha contra o maléfico senhor do Norte. Com os resultados a ajudarem, a adulação atingiu o ponto de não retorno, pese a regularidade com que alguns foram confrontados com uma personalidade mesquinha.
Foi pois com resignação, já sem a capacidade de alimentar polémicas, que assistimos a novos episódios rocambolescos. A agressão a um adversário deveria ter servido de prenúncio para o que restava do contrato. Mas não. Alguns ainda não se aperceberam que as mordaças, cirurgicamente preparadas durante meses a fio, estão bem presas. Por isso, qual o espanto com a reacção do pretenso comandante supremo das forças armadas lusas, quando confrontado com a inócua pergunta de “foi a sua vitória mais sofrida?”.
Eu não sei se terá sido. Mas como espectador, pese a relutância que ainda sinto em sofrer por um punhado de “prima-donas”, cheias de tiques de vedetismo, assisti com alguma apreensão ao desenrolar do confronto com os finlandeses. Todos aqueles que veneram o desporto-rei estarão vacinados contra resultados penalizadores, apesar do domínio do jogo. O 0-0, esse resultado que eleva as penalizações cardíacas para níveis perigosos, não se compadece com estatísticas. Um ressalto, um lance de bola parada, um momento de inspiração. Basta isso para vermos o sonho a esfumar-se por entre os dedos, como se o destino brincasse com os sentimentos.
A explosão de cólera, reveladora do temperamento biliar do brasileiro, foi apenas mais um triste episódio no reinado de Sua Alteza. A classe jornalística, cujo espírito corporativo se manifesta apenas em ocasiões mais inofensivas, não tardou a sair a terreiro para branquear o mau génio.
Vítor Serpa, numa pomposa carta aberta ao seleccionador, abriu as hostilidades. A ele logo se juntou o delfim Delgado, sempre pronto a manifestar a sua concordância com todos aqueles que, alguma vez na sua existência, se oponham ao potentado da Invicta. Acusações de falta de patriotismo ou de anti-nacionalistas foram rapidamente carimbadas, com a chancela oficial do “Pravda” tuga.
Prezo-me por pensar. De não procurar o politicamente correcto. Nacionalismos bacocos ou bandeirinhas a esvoaçarem em varandas nunca fizeram o meu género. Apraz-me ver que, apesar dos elevados índices de analfabetismo, o Povo começa treinar o pensamento livre. Assim, não é de estranhar a monumental assobiadela com que os garbosos atletas nacionais foram mimoseados em Leiria, na exibição fora de validade com que brindaram a frágil Arménia. Não estranha também a ausência de euforia nos festejos da qualificação. Os números não enganam. 5 empates e uma derrota frente aos principais adversários beliscam a supremacia esperada duma Selecção que tem a sorte de possuir alguns dos mais brilhantes executantes que actuam no futebol europeu.
Só quem viu na “santa terrinha” o seu El Dorado, e nos indígenas que a habitam um rebanho de ovelhas é que pode achar insultuosa a pergunta de “foi a sua vitória mais sofrida?”. Só mesmo o Príncipe de orelhas de burro e o seu séquito de admiradores, ansiosos por umas festinhas do dono!
17 de outubro de 2007
Heróis do Mar, Nobre Povo
Heróis do Mar, Nobre Povo, Nação Valente…
Hoje é um daqueles dias, para gritar de forma pletórica, “Viva Portugal”. Tiram-se as bolas de naftalina das gavetas onde estavam aconchegados os cachecóis com as cores lusas, passa-se a ferro a bela da t-shirt com as quinas ao peito. O nacionalismo está à flor da pele. O sentimento pátrio, aquela sensação indefinida que nos provoca um nó na garganta, quando começam a soar os primeiros acordes da “Portuguesa”. Hoje joga a Selecção. A equipa de todos nós…
Aqui apetece-me fazer um rewind. Equipa de todos nós? Hummmm…seria mais apropriado chamar-lhe de “quase todos nós”, ou algo similar, mas isso agora nem vem para o caso. Confesso-me, sem qualquer pudor, como um não crente. Sim, venha de lá essa punição. Não vibro com a Selecção como o faço com o Porto, esse sim o meu País, a minha Religião, a minha Nacionalidade.
Vibrei com o Euro. Era difícil ficar indiferente. E também com o Mundial. Digo isto para não começarem já com a lapidação. Nada disto tem a ver com Scolari. Não vos convenci? Pronto, talvez um pouco da minha antipatia tenha a ver com o intratável brasileiro. Mas não é só por isso. As raízes do mal estão bem entranhadas no passado distante. Na opressão antiga. Naqueles pequenos pormenores que passam despercebidos [será que passam mesmo?] a muita gente. Ao ostracismo a que os jogadores azuis e brancos sempre foram votados, quando se fala na tal “equipa de todos nós”.
O sentimento, invés de abrandar, aumenta. Também, convenhamos, era difícil não ser assim. Quando o principal cartão de visita do actual seleccionador é o ressuscitar dos fantasmas da guerra Norte-Sul [para gáudio de milhões neste pequenino País, logo avalizando o infame discurso], numa luta sem tréguas, algumas vezes latente, mas sempre com o denominador comum: atacar o Porto. Foi assim no início, num fogo regado com gasolina por incautos fazedores de opinião, vendo ali a oportunidade de achincalhar um dos ódios de estimação deste País.
Cheguei ao ponto de dizer que gosto pouco da Selecção. Que só comemoro os golos marcados por atletas portistas. Algo radical de dizer, é certo, podendo ser acusado e apontado como um mero fundamentalista. Que seja. Lições de moral só recebo de quem quero. E, nessa galeria, não cabem os que invectivaram Deco, quando este expressou a sua vontade de jogar por Portugal, ou que se abespinharam com a convocação de Pepe, mas que continuam a assobiar para o alto quando aplaudem as corridas de Obikwelo, os saltos de Nelson Évora ou os futuros golos de Makukula. Hipocrisias é que não…
Heróis do Mar, Nobre Povo, Nação Valente…
13 de setembro de 2007
O "defensor" das quinas
Deja-vu
11 de setembro de 2007
Dúvida existencial
10 de setembro de 2007
Sentir as camisolas
que deu uvas, e são tidos actualmente pelos jogadores como tremendamente chatos. Assim, para ultrapassar essas reservas iniciais, um dvd e uma TV. Mais nada. Depois, às escuras, passava o momento em que a valorosa selecção de rugby cantou o hino de Portugal. Só esse momento. Elucidativo. Qual Haka, qual carapuça. Aquela foi a forma dos nossos guerreiros mostrarem o apego a um País, a uma pátria. Arrepiante a forma como o hino foi cantado, a plenos pulmões, num momento intenso.
