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7 de abril de 2009

Nortada

Vale a pena ler a crónica de hoje de Miguel Sousa Tavares. Com a qualidade do costume, causticando os infelizes mentores por detrás do Apito Dourado. Não escapa ninguém...


NORTADA

Por Miguel Sousa Tavares

"Os vencidos do apito encarnado"

1 Como seria de esperar, Luís Filipe Vieira não perdeu tempo a dizer o que pensa sobre a consumação total da derrota que ele e o Ministério Público (MP) encaixaram nos três processos do Apito Dourado instaurados contra Pinto da Costa. E o que ele pensa é aquilo que era de prever: que uma justiça que absolve Pinto da Costa não presta, por natureza.

Para o presidente do Benfica, não há que ter qualquer pudor: tanto lhe faz que alguém tenha sido sistematicamente absolvido ou nem sequer pronunciado em vários processos, tanto lhe faz a opinião unânime de todos os juízes chamados a pronunciar-se, tanto lhe faz a própria ideia de Justiça ou de Estado de Direito. Só lhe interessa o seu isento critério: haveria justiça se Pinto da Costa tivesse sido condenado; como não foi, tudo isto vale zero e é uma fantochada.

Nos próximos tempos, vamos ver Vieira a percorrer as chafaricas do País insinuando que Pinto da Costa subornou cinco tribunais e nove juízes para ser declarado inocente. Mas que outra coisa seria de esperar de quem montou, de fio a pavio, a mais transparente campanha de manipulação contra um clube jamais vista?

O Apito Dourado foi a Alfarrobeira do futebol português (perguntem ao João Gabriel o que foi isso). Com a diferença de que terminou melhor que Alfarrobeira: desta vez, a inveja dos medíocres não triunfou, apesar da disparidade de meios em confronto. Mercê de um extraordinário despacho do sr. Procurador-Geral, ordenando ao MP que recorra em todos os processos que Pinto da Costa ganhasse (o dr. Pinto Monteiro não paga as custas nem os custos do seu bolso...), a sentença de Gaia vai ainda ser objecto de apreciação pela Relação, mas apenas para satisfazer o despeito do dr. Pinto Monteiro e da dr.ª Maria José Morgado.

Mas o Apito está morto — como eu sempre previ que aconteceria a um processo cuja única fundamentação assentava na credibilidade de uma testemunha como Carolina Salgado, a par do desejo de, por esta via, tentar justificar a incompetência com que o Sport Lisboa e Benfica é gerido há vários anos, permitindo ao sr. Vieira manter-se no trono que tanto prazer lhe dá.Chegou a hora de passar ao contra-ataque — que eu espero que o FC Porto não perdoe — e para o qual dou aqui a minha contribuição, lembrando apenas quem são os principais vencidos desta suja querela. Ei-los.

LUIS FILIPE VIEIRA — O presidente do SL Benfica foi, como disse, o mentor principal de todo este embuste. Os objectivos eram desacreditar o mérito dos êxitos do FC Porto — cuja justiça é visível por qualquer um de boa-fé —, e dar ao próprio, na secretaria, as vitórias que se revelou incapaz de conquistar em campo, tentando levar à Europa, pela porta dos fundos e em prejuízo do Porto, a indigente equipe de futebol do Benfica que por aí se exibe à vista de todos (domingo, na Reboleira, não fosse mais uma arbitragem amiga a atrapalhar as contas do dr. Cervan, e lá teriam ficado, muito merecidamente, mais dois ou três pontitos...). Para tal, nem hesitou em lançar mão daquela que, em pleno Estádio da Luz e para vergonha dos portistas, o tinha ido insultar e a quem ele havia destratado como se lembrarão, numa declaração que fez na altura. Mostrou quais eram os seus métodos, os seus princípios e a «moralidade» que por aí anda a apregoar. O episódio da tentativa de entrar à força na Champions, marimbando-se para a tal verdade desportiva (e contando, para tal, com a prestimosa colaboração do dr. Ricardo Costa), foi o momento mais negro da história de um clube que tem inúmeras páginas de reconhecida e justa glória. Vieira foi o autor moral de três derrotas judiciais exemplares, o frustrado líder de uma conspiração ditada pela inveja e pela mediocridade. Se tivesse alguma humildade, que manifestamente não tem, meditava na lição.

CAROLINA SALGADO — A raiva de ter perdido o estatuto de Primeira Dama do FC Porto, levou-a a um exercício de vingança em que não olhou a meios e em que não se revelou diferente do que já se sabia que era. Intitulou-se escritora (do livro de cabeceira do Barbas, que nem sequer escreveu!), inspirou um filme, posou como ícone sexual para a Maxmen, imaginou-se figura do jet seis e uma mártir da justiça protegida pelos seguranças da dr.ª Morgado — e acabou indiciada como perjura. Como disse o advogado de Pinto da Costa, foi usada, utilizada, abusada. E agora a má notícia: como deixou de ter utilidade, vai ser deitada fora. Até porque nunca se sabe se alguém não resolve investigar a fundo as suas motivações outras e não acaba por se tornar perigosa para quem a inventou.

LEONOR PINHÃO — Felícia Cabrita escreveu no SOL (sem nunca ter sido desmentida) que, nos primórdios do Apito, Leonor Pinhão se reuniu num hotel de Lisboa com Carolina Salgado, Luís Filipe Vieira e dois agentes da PJ que tinham o processo a cargo — uma eloquente reunião que desde logo fazia prever o tipo de investigação que aí vinha. Desde o início, que a minha distinta colega de opinião neste jornal assumiu entusiasticamente o papel de criadora da criatura, indo ao ponto de escrever o guião de um filme baseado nas verdades da d.ª Carolina que não se preocupou minimamente em confirmar. O ódio ao FC Porto cegou-a, chegando a escrever aqui que «detalhes» como o «nexo de causalidade» num suposto crime de corrupção não interessavam nada. E onde estão as vitórias do Benfica, desde o Apito?

PINTO MONTEIRO — Um dia depois de ter tomado posse como Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro declarou que ia ler o livro de Carolina e abrir investigações com base no que lá estaria — como se fosse o caso mais importante que tinha encontrado. Depois, nomeou um dream-team com a missão única de caçar Pinto da Costa, sem olhar a meios ou despesas. Enfim, na iminência da derrota total, teve ainda o desplante de declarar que nada ficaria na mesma depois do Apito, pois tinha conseguido incomodar e assustar... os inocentes. Nada deveria ficar na mesma, de facto. E, atendendo não só ao desfecho do Apito, mas ao desastre absoluto que tem sido a sua gestão à frente do MP em tudo o resto, há uma coisa pelo menos que, houvesse pudor, deveria mudar: ele próprio.

MARIA JOSÉ MORGADO — A estrela do MP nem por um instante se deu ao incómodo de fingir que o objectivo do Apito era apurar se havia corrupção no futebol português. Fixou-se num único alvo e conduziu, contra todas as evidências e contra todos os deveres da função, uma campanha ad hominem, na qual gastou milhões de euros aos contribuintes, ancorando-se unicamente no testemunho de alguém que não lhe poderia merecer credibilidade alguma. E, quando tanto se fala em pressões e independência dos magistrados do MP, ela obrigou-os a reabrir processos arquivados, a acusar sem convicção, a recorrer sem fundamento. No limite, por sua ordem ou não, permitiu que o MP lançasse mão do mais indecoroso expediente que jamais vi num tribunal criminal, aliciando uma testemunha da defesa durante o próprio julgamento e arrancando-lhe, altas horas da madrugada, uma declaração escrita em que dizia que tinha andado a mentir durante dois anos. Para mim, o prestígio da senhora, conquistado a duras penas, morreu aqui e com ele afundou-se ainda mais no abismo onde hoje vegeta o prestígio do próprio MP.

RICARDO COSTA E O CD DA LIGA — Num último acesso de raiva e num tirar definitivo da máscara, o dr. Ricardo Costa e os seus pares do CD, escolheram a véspera da leitura da sentença que sabiam que só podia absolver Pinto da Costa, para se lembrarem de aplicar a Lisandro o mais vergonhoso castigo que alguma vez saiu da imaginação daquelas descontroladas cabeças. Estiveram à beira de conseguir tirar da Europa o único clube que prestigia Portugal e que merece lá estar, condenaram por invocada tentativa de corrupção o presidente do FC Porto a dois anos de suspensão (e de silêncio!), e tudo com base em fundamentos e provas que cinco tribunais comuns reduziram a pó e a má-fé. E agora, dr. Ricardo Costa, o seu belo palavreado pseudo-juridico também vai decretar que todos os juízes estavam feitos com Pinto da Costa? Saia, homem: a vida não é a feijões!2 E, como o futebol se joga no campo, o FC Porto foi a Guimarães, com tudo contra si (Lisandro castigado pelo dr. Costa pelo crime de ter sofrido um penalty não assinalado, outros ausentes por cansaço, autocarro apedrejado, ambiente de intimidação, festival de pancadaria no Hulk (como táctica dos da casa e perante a complacência criminosa do árbitro), e deu mais um banho de bola e uma lição de verdade desportiva às pretensões justicialistas dos Vieiras, Salgados e Morgados, Costas e demais. Ora, chorem.Hoje à noite, em Old Trafford, a missão é quase impossível, face à maior potência desportiva e financeira do futebol, campeão europeu e mundial em título. Mas estes jogadores têm uma fibra e uma coragem para os grandes momentos que nos levam a acreditar até ao fim. Só espero duas coisas: que o Helton não ofereça um ou dois golos (já em Guimarães voltou a tentar), e que o Cristiano Ronaldo de logo à noite seja o da Selecção e não o do Manchester: aquele que falha golos fáceis, joga pouco ou nada e acha que os colegas é que atrapalham.

3 de abril de 2009

Venha de lá a Justiça Divina

"O Tribunal de Gaia absolveu Pinto da Costa no "Caso do Envelope". Não foram dados como provados os factos imputados pela acusação."

Lacónica, quanto baste, mas suficiente para emudecer de raiva muitos filhos da puta deste País. A cabala não passou. Os pretensos factos, criados no labor inspirado de uma pseudo-jornalista, aliada a uma vaca com pouco senso, redundou nisto. Em nada. Com as letrinhas todas, a Justiça mandou-os pastar. Uma após outra, as acusações foram caindo, cobrindo de ridículo quem as lançou.

E a realidade continua imutável. O azul e branco, hegemónico, lídimo representante do futebol português além-fronteiras. Quanto aos outros, continuarão a via sacra, congeminando estratégias obscuras, sofrendo da inveja, vendo os jogadores portistas sistematicamente cobiçados, por essa Europa fora, saindo com contratos chorudos e cobertos de glória. Aquela que se conquista dentro do campo.

Depois da Justiça dos tribunais, a divina há-de chegar. E essa, quando vier, será fulminante!

21 de fevereiro de 2009

Ficaram mais "Levezinho[s]"

O trauliteirismo fez nova vítima. O caceteirismo, como doutrina de cabeceira, arranjou presa para imolar no altar da insanidade. Depois de Lisandro Lopez ser brutalmente atingido por Karagounis, jazendo enfermo meses a fio. Depois de Anderson ser atropelado, perante a benevolência arbitral, por um boi grego, impunemente pisando relvados lusitanos. Hoje chegou a vez de Postiga. Não de Dragão ao peito, mas sempre perante adversários vestindo as camisolas encarnadas. Sempre. Luisão foi o algoz.

Como o futebol, às vezes, consegue ser irónico, foi o substituto do ex-jogador portista que empalou as águias, quase como se o Destino, farto de tanta complacência e proteccionismo dos juízes de campo aos jogadores da corja, decidisse administrar directamenta a Justiça. Derlei vestiu a pele de Justiceiro. Não apenas de Postiga, colega de profissão, amigo no plantel verde e branco. Mas de todos nós. Os que de forma impotente assistiram a tantos desvarios.

Grande Ninja.

Soletrem novamente. Vá lá, devagarinho:

C.H.U.P.E.M.

ps: Benquerença será, até ao final da sua existência terrena, perseguido pelos apóstolos da verdade adulterada. O lance, ainda hoje esmiuçado por pretensos analistas, de Baía a defender a bola rematada por Petit, atormenta o juiz. Mesmo que este, por todos os meios, procure a sua redenção. Fê-lo, pressuroso, numa Supertaça entre a corja encarnada e o Setúbal, validando o único golo da partida, obtido em falta, aos vermelhos. Mas não chega. Como agiotas, eles [re]lembram Benquerença do seu erro. Nesta via-sacra, cabe ao árbitro ir abatendo os débitos, numa conta-corrente sempre favorável a Orelhas e Cª. Quanto valerá ter fechado os olhos ao penalty tão claro, cometido por Maxi Pereira, numa altura crucial do encontro? Saberemos nas cenas dos próximos capítulos...

9 de fevereiro de 2009

O Yebda é mentiroso


Para além do penteado ridículo [ó minha grande besta, o cabelo oxigenado estava na moda...mas na década de 80], de coleccionar clubes desconhecidos no palmarés, o franco-argelino que joga na corja é mentiroso. Aliás, MENTIROSO. Com maiúscula. "Não fiz penalty", choramingava o boi no final do clássico de Domingo, logo amparado por pressurosos jornalistas, diligentemente estendendo os microfones para ouvir a sapiência do jogador.

Nada de novo. Apenas a reciclagem da táctica de Goebbels, o ministro da propaganda nazi. Uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade. O chavão. O mantra. Seguido à risca por pseudo-jornalistas, esquecidos de éticas e deontologias, que deveriam nortear a sua profissão. Entende-se. A raiva, o ódio, a mesquinhez congénita, tolda o raciocínio.

Depois da palhaçada em Guimarães, com os vitorianos a serem roubados, mas alarvemente a darem a outra face, do roubo descarado sofrido pelo Belenenses, na mesma Taça da Liga [entende-se assim a enxurrada de elogios que Delgado ministra à novel competição], do escândalo na Luz, no jogo com o Braga, surripiando perante milhares de testemunhas os 3 pontos à equipa de Jorge Jesus, era crucial fazer algo. Criar um facto.

Tentaram na Pedreira, quando os azuis e brancos cilindraram os arsenalistas. Timidamente, falaram de um penalty. Depois, mais afoitos, subiram a parada. Dois. Três. Quatro, numa orgia grotesca que lhes saciava o fel.

E ontem, frustrados por perderem dois pontos que julgavam ganhos, branquearam o que se passou no Dragão.

- Penalty claro e inequívoco cometido por Reyes, sobre Lucho. Pedro Proença comete um lapso gritante, dando a lei da vantagem. Mas qual lei? Num lance de grande-penalidade?

- Poucos minutos depois, Sidnei beneficiou da habitual impunidade permitida a quem equipa de vermelho. Brutal entrada sobre Lucho, com o cartão vermelho a ficar escondido no bolso do juiz. Quem é amigo, quem é?

- E depois a pantomina. O circo. O penalty que dá o empate ao Porto, com o coro de virgens impolutas a bradarem a indignação costumeira. Pois. Felizmente, as imagens não mentem. E logo três. Querem ver que os adeptos das teorias da conspiração ainda vão dizer que as fotos foram manobradas em PhotoShop? E que aquele não é o braço de Yebda?

Se existisse alguém de tomates nesta País de merda, as fotos eram escarrapachadas nas trombas da besta argelina. E depois, ele que explicasse se não toca no Lisandro. E se aquilo não é falta.

Cada dia mais orgulhoso de ser PORTISTA!

7 de fevereiro de 2009

Be afraid, be very afraid

O palco glorioso do Dragão será pisado, amanhã, por uma personagem peculiar. Pedro Proença, gel no cabelo, ar circunspecto, aparentemente calmo e incólume ao vulcão das bancadas, é o decisor encontrado pelas instâncias mais altas para o clássico da jornada.

Aparentemente, nada de novo, não fosse o caso de o juiz de campo ser assumidamente...benfiquista. Sim, o homem aparentemente venera o vermelho. Alguns, mais ingénuos, poderá dizer que a sua filiação clubista não interferirá no ajuizamento dos lancs da partida. Mas, pergunto eu, conseguirá ele ficar popositadamente neutro, caso o seu devotado clube estiver a perder? O ser humano consegue ser impacial? Não, claro que não. É um mito este, criado décadas a fio, transformando os árbitros e os jornalistas em seres perfeitos, incapazes de verem as suas opiniões toldadas por factores alheios. As nossas decisões são resultado de associações feitas, de convicções morais e éticas doutrinadas ao longa da vida. Por isso, Pedro Proença não conseguirá, nunca, agir de forma natural e deontológica numa situação que configure risco ou prejuízo para o clube que lhe ensinaram a amar.

A história não nos ajuda muito, dado que o referido árbitro apenas por uma vez apitou um Benfica-Porto. Mas, não ajudando no pleno sentido da palavra, lança alguma luz sobre o comportamento provável de Pedro Proença.

Em 2006/07, o resultado na Luz terminou num empate a uma bola. Até aqui, tudo inócuo. Mas os menos distraídos lembrar-se-ão do golo do empate, depois do inaugural golo dos azuis e brancos. Faltavam cerca de 9 minutos para o derradeiro apito do árbitro. Um livre levou a bola a sobrevoar a área portista. E lá, claramente em posição de fora-de-jogo, David Luiz disputou o esférico com Lucho, com este a dar o último toque antes do esférico se anichar nas redes à guarda de Helton. Um lance ferido de legalidade, passível de anulação, mas a que o juiz do encontro benevolamente deu o seu aval.

É este Pedro Proença. Habitualmente endeusado pela crítica [pudera], mas capaz de cirurgicamente alterar o destino de uma partida. Amanhã será preciso estar atento...

ps: Mais atentos do que em Vila do Conde, onde os dois pontos perdidos pelo Porto tiveram a mãozinha amiga de Proença. Com um fétiche pelos últimos minutos, foi já no ocaso da partida que não assinalou uma monumental grande penalidade, por clara mão na bola de um jogador vilacondense.

1 de fevereiro de 2009

Serviço encomendado e o manguito de Jesualdo

Duarte Gomes e o seu fiscal-de-linha predilecto levavam a lição bem estudada. Três jogadores do Porto com 4 amarelos. Uma imprensa a suspirar, durante a semana, pelo 5º. Hulk, Fucile e Lisandro. Apontados, a lápis, num papelzinho rasca, de cor branca, enfiado à socapa no bolso do equipamento do juiz de linha.

Nem seria preciso tal cuidado. Aposto que, durante a semana, e como bons profissionais, o trio de arbitragem laboriosamente decorou o nome dos alvos a abater.

A oportunidade surgiu, no desenrolar da partida, numa das incursões atacantes do lateral direito portista. Fucile, sempre lesto no apoio ao ataque, perdeu a bola. Procurava recuperar rapidamente o seu posto, na guarda das redes portistas, quando o esférico, despachado pelo adversário, lhe bateu na mão. A imagem não mostra, mas era capaz de apostar que Duarte Gomes sorriu, de contentamento, diligente e pressuroso para agradar ao mandante da encomenda.

O amarelo, mostrado de forma exuberante, alegrou a turba, um pouco por todo o lado. E lá iam eles, acompanhando as incidências da partida, esperançosos que Hulk fosse o próximo.

Mas Jesualdo, de forma subtil mas nem por isso menos dolorosa, sodomizou-os. Como se diz na gíria, "deixou-os pousar". E quando Lisandro, entrado momentos antes, mostrando também que o Porto não se verga ao medo das diatribes da gentalha que pulula no sistema, ofereceu o golo de bandeja ao compatriota Lucho, a estratégia, digna de grande mestre do xadrez, revelou-se.

Lançamento de linha lateral, o uruguaio a demorar uma eternidade, forçando claramente a expulsão, por duplo amarelo. E o manguito, a todos que sorriam pela sua ausência no clássico da próxima jornada, foi dado. Em todo o seu esplendor. Se o castigo do 5º amarelo teria que ser, forçosamente, cumprido no campeonato, a expulsão tem efeitos imediatos. E assim, paulatinamente, se vai contrapondo aos roubos a mais elementar justiça.

ps: Fomos roubados. Ponto. Golo falso, irregular, do Belenenses, relançando uma partida moribunda. Admoestação a Fucile escandalosamente inventada. E, aposto, o tema de conversa recorrente durante a próxima semana será a...ética desportiva.Vai uma aposta que ainda vamos ler Delgados e Cartaxanas a escreverem, raivosamente, sobre a verdade desportiva?

25 de janeiro de 2009

Ensaio sobre a Cegueira - a sequela

Já tinha caído a noite, há muito. A casa, silenciosa, era vergastada pelo vento que soprava forte. O silêncio era apenas recortado pelo barulho do soalho, estalando regularmente. O homem, deitado com as mãos debaixo da cabeça, aguardava com impaciência.

Ao fim de uns minutos levantou a cabeça, cautelosamente. A respiração profunda da companheira indiciava aquilo que ele desejava: tinha finalmente caído no sono. Sibilava, quando inspirava profundamente, o que a fazia ressonar ao de leve. Levantando-se com cuidado, o homem ficou parado, por instantes, olhando com carinho para a sua mulher, admirando o perfil recatado, a pele suave, ligeiramente manchada pela idade.

Vestiu o roupão, estremecendo de frio. Apressou-se a descer as escadas, avançando na penumbra, conhecedor do caminho, trilhado amiúde às escuras. Entrou no seu santuário, onde crepitava um fogo na lareira, acolhedor. Acendeu as luzes, deixando que o brilho incandescente se derramasse nos aposentos. O escritório, profusamente decorado com livros, em todas as paredes, encontrava-se atapetado com uma alcatifa escura, fruto da mente decorativa de Pilar. Saramago sorriu, com benevolência, ao recordar o porte majestoso da esposa. Sentou-se atrás da sua secretária, uma imensa peça de mogno trabalhado, escura, onde o computador piscava, provocante. Suspirou. Adorava aquele recanto, onde tinha congeminado a maioria das suas histórias. Ali, na vulcânica Lanzarote, tinha encontrado a paz.

Abriu uma das gavetas, retirando o seu tesouro. Um Cohibas, cubano de excelência, enviado pelo próprio Castro, anos atrás. Aspirou o seu formato, inebriando-se com o aroma adocicado. O médico tinha-o proibido de fumar, de forma determinada. E Pilar, a doce amada, seguia à risca os conselhos, quase como um sargento da Gestapo, vigiando-o como um falcão. Acendeu o charuto, dando uma baforada de forma prazenteira. Aproveitou o momento, deixando que a coluna de fumo subisse, lentamente, até ao tecto.

Sentia-se inquieto. Precisava de escrever. Algo pulsava no seu interior, como possuindo vida própria, incitando-o a debitar palavra após palavra. Tinha apenas um problema. E dos grandes. Estava sem ideias. A inspiração, cruel, tinha-o deixado, depois do prazo esgotante da sua última publicação.

Navegou na internet, inteirando-se das notícias mundanas. Seguia atentamente tudo o que se passava no Mundo, em geral, e na sua Pátria, em particular. Os olhos brilharam, maliciosos, ao passarem sobre os jornais desportivos lusos. A génese de uma ideia começou a germinar, no mais recôndito do seu cérebro.

Ele já tinha a concepção de que necessitava para a sua nova obra. Febril, debruçou-se sobre um caderno velho, escrevinhando furiosamente tópicos. Pela primeira vez, na sua carreira, escreveria uma sequela. Ensaio sobre a Cegueira, parte 2. Uma versão mais soft, provavelmente, mas partindo da reflexão do livro original.

A cegueira. Abatendo-se impiedosamente sobre um homem, de início. Quase como se o Destino o quisesse castigar, num ajuste de contas privado. Aquela figura rubicunda, baixa e untuosa, parca em cabelos, que chefiava a Liga de Clubes, era o portador do flagelo. Inexplicavelmente, vê-se afectado pela praga, a cegueira branca, com os olhos cobertos de uma superfície leitosa, impedindo-o de ver o Mundo ao seu redor. Contagiosa, a doença rapidamente se espalha ao resto do edifício, colocando os seus ocupantes numa espécie de quarentena. Os gritos dos seus subordinados ecoam nos tímpanos de Hermínio Loureiro. “A Taça… a Taça do Campeonato… não sabemos onde está…”. Hermínio, sentado na sua poltrona, arrepia-se com o provável escândalo. Tem campeão, mas não tem taça para lhe entregar. Em pânico, levanta-se repentinamente, apenas para esbarrar num móvel. Uivou de dor…

Saramago sorri, descansando por momentos. O primeiro esboço agrada-lhe. Puxa mais uma fumaça do charuto, recostando-se na poltrona. Olha pela janela, imaginando o resto.

A cegueira, conhecida como martírio branco, continua a espalhar-se, aparentemente de forma aleatória. Em Guimarães, num banal encontro futebolístico, afecta o árbitro do encontro, num momento crucial, impedindo-o de ver uma grande penalidade clara, cometida por Maxi Pereira, sobre um jogador da casa. O erro, capaz de por si só de toldar a racionalidade dos espectadores, não provoca qualquer tumulto. No banco da equipa da casa, rindo-se alarvemente, o treinador dos vitorianos nada vê, fazendo comunhão espiritual e física com o árbitro do encontro. Cegos.

O Nobel da literatura passa a mão pela testa, sentindo o cansaço a acumular-se. Ainda pensa em regressar ao conforto dos lençóis, para repousar o corpo fatigado. Mas abandona a ideia. Não conseguiria adormecer novamente. Não agora, que sente a escrita a fluir-lhe nas veias, impante de vontade.

O fenómeno, preocupante, alastra-se cada vez mais. Uns dias decorridos, e a estirpe mais grave da doença ataca em pleno Estádio da Luz. Paulo Baptista, visualmente são, ao entrar no campo relvado, antes do início da contenda, comete uma série de pecadilhos quase obscenos, num claro favorecimento caseiro. No final, quando interpelado pelo treinador bracarense, o árbitro e os seus auxiliares apoiam-se mutuamente, avançando às cegas, enquanto murmuram em transe: “estamos cegos.. estamos cegos… não vimos nada…”. Jorge Jesus limita-se a abanar a cabeça e a olhar para os céus, impotente.

Saramago relê o que tinha acabado de escrever, rindo com vontade. A sequela do seu best-seller serve para acertar contas com o desporto-rei, do qual sempre se mostrou alheado. Mas sente que tem ali matéria-prima. Suspira, voltando ao trabalho.

As bancadas imponentes do Dragão, habituadas aos cânticos de exaltação clubista, mostram-se estranhamente silenciosas. No seu seio, a multidão que se acotovela, olha para o terreno de jogo, incrédula. Praticamente todos tinham já ouvido falar do fenómeno que atormenta o País, essa cegueira congénita. Não esperavam, no entanto, que o seu momento de lazer fosse, de alguma forma, estragado pelo seu aparecimento. E aquele empate, a zero, perante um inofensivo Trofense, apenas pode ter sido motivado pela praga. Um golo mal invalidado. Um penalty claro, perdoado quase no ocaso da partida. Teriam sido erros deliberados? Acidentais? Ou fruto da cegueira? Aparentemente conformados com a explicação última, abandonam ordeiramente o recinto, amaldiçoando a doença…

Absorto, Saramago escreve agora a um ritmo intenso, apenas parando para virar as folhas do caderno.

A onda de cegueira alastra-se ao Norte do País, provando que geograficamente ninguém fica impune ao seu aparecimento. Em Vila do Conde, terra piscatória, onde o ar transporta consigo o odor mágico da maresia, um monumental fora-de-jogo, no Estádio dos Arcos, é deixado passar, permitindo a vitória dos lisboetas de listas verdes e brancas. Com tranquilidade, os três preciosos pontos são somados ao pecúlio já existente, deixando os dirigentes leoninos a assobiar para o alto. O juiz de campo, com o vil protagonismo a cair-lhe em cima dos ombros, entrou de quarentena, novel vítima da cegueira total.

Saramago ajeitou os óculos, resolvendo limpar as lentes, permitindo que as suas ideias se ordenassem, no meio da confusão criativa que pairava na sua mente. Continuou…

Apesar dos ecos de indignação, com o descontentamento a sair do estado latente, ninguém encontrava forma de colocar um ponto final na praga. O antídoto para a cegueira, ainda não encontrado, deixava uma parte da população a fermentar em cólera. Até que o momento da catarse chegou. Numa tarde solarenga, dicotomia perfeita entre a alegria que os raios de sol prometiam oferecer, e o desvirtuamento de mais um resultado desportivo. Num derby da capital, a equipa vinda de Belém assiste, aturdida, à anulação caprichosa de um golo, sonegando um justo empate. Vendo a ira que se levantava em seu redor, dado que ao golo invalidado se unia uma penalidade roubada descaradamente aos atletas da cruz de Cristo, o homem do apito deitou as mãos aos olhos, rebolando-se no relvado, enquanto gritava a plenos pulmões: “não vejo nada… não vejo nada…”. O álibi da cegueira, desta feita, não surtiu o efeito desejado. Como um rastilho que arde, lenta mas inexoravelmente, os puristas do futebol como desporto-rei, limpo de livres arbítrios, uniram-se de forma aparentemente desconexa, mas funcional. A revolta estalou, um pouco por toda a parte. De Norte a Sul, passando pelas Ilhas, já não envoltas em nevoeiro, um interesse altruísta falou mais alto. Os escribas venenosos dos pasquins foram colocados em navios, forçados a um exílio prolongado, bem longe de solo luso. O desmoronamento cívico da sociedade, fermentado na crise económica que grassava por toda a parte, atinge o ponto de saturação. E nada mais voltou a ser como antes…

O escritor faz nova pausa. Sente os músculos do pescoço doridos, protestando com o excesso de horas em tensão. A pele macilenta reflecte o esgotamento, que o deixa quase prostrado na cadeira. Tem um último assomo. Para terminar…

Passaram-se vários meses, depois da revolta popular. A paz regressou. O País, abençoado pela ausência de défice, com o desemprego a atingir os níveis mais baixos de sempre, regurgita de entusiasmo. É um povo alegre, que ri livremente, liberto de espartilhos. O medo foi afugentado. O futebol, depois de bater no fundo, começa a merecer a atenção dos seus adeptos, que aplaudem extasiados os jogos. Para esse contentamento, contribuíram as medidas tomadas. Jogos à tarde, bilhetes a preços simbólicos, árbitros não obrigados a pertencerem ao clube dos 6 milhões. Uma transformação radical que operou uma metamorfose na face do jogo. Tudo mudou. Bem, nem tudo. Apenas uma coisa permaneceu imutável. Umas gloriosas camisolas, rasgadas de cima a baixo com listas de um azul forte, contrastando com o branco que as pintalgava, continuaram a passear a sua classe, em solo pátrio e no velho continente. O seu símbolo, um Dragão flamejante, usado nas ruas, por uma inteira geração de crianças, sorrisos estampados no rosto, venerando a sua paixão.

Saramago espreguiçou-se. Tinha finalmente terminado. Bocejou, incapaz de controlar o sono. Ainda se ergueu, mas depois parou. Faltava algo. Uma sensação premonitória de que a obra, assim, não tinha o final perfeito. Matutou por instantes. Tornou a sentar-se. Acrescentou mais umas linhas. Sorriu ao lê-las. Agora sim, era um THE END irrepreensível.

Um caminhão decrépito avançava, roncando furiosamente, na estrada poeirenta do Alentejo. As chapas, protestando com vigor em relação à velocidade, provocavam uma chinfrineira assustadora. Ao volante, com uma camisola de cor indefinida, repleta de pequenas nódoas de gordura, o motorista afagava o bigode, enquanto palitava uma das descomunais orelhas com o dedo. No pára-brisas o nome, estampado em letras irregulares, num cartão amarelado. LUIS FILIPE. Na lona que cobria a traseira, em letras garrafais, o cartão de apresentação da empresa: “PNEUS VIEIRA, TUDU O QUE NESSESSITA PARA O SÉU AUTUMÓBELE”. Sorria beatificamente, enquanto enxotava duas moscas. Na traseira, afadigados em arrumarem a carga de pneus em mau estado, os seus dois novos ajudantes. O pequenino e atarracado amigo de longa data, Hermínio de nome próprio, e o Rui, rapazinho por quem nutria enorme estima, contratado para dirigir o departamento de cobranças duvidosas.

18 de janeiro de 2009

É um fartar, vilanagem

Caíram as máscaras. O futebol português está a saque. Literalmente. O assalto à hegemonia do futebol luso, detida pelo Porto, começou anos atrás. Em gabinetes isolados, com manobras de bastidores, preparando cirurgicamente a estratégia de ascensão vermelha ao pódio.

Não se podendo fiar na qualidade da equipa, sistematicamente enxovalhada em palcos nacionais e internacionais, os correlegionários ao serviço da causa optaram por um plano mais elaborado, mas confortavelmente mais seguro.

Tudo começou com o inefável caso do Apito Dourado, parcialmente descoberto por uma imprensa pouco preocupada com os buracos no argumento apresentado. Em todo o seu despudor, as escutas revelaram comportamentos sórdidos do pomposo presidente da Instituição, como ele gosta de referir, mostrando uma imensa teia de interesses, que teve continuação na figura de Ricardo Costa, armado paladino da Justiça, decidindo penas a granel, sem substância, apenas como forma de mitigar frustrações e obliterar a verdade de aparecer.

Se alguns, mais ingénuos, achavam que tudo terminaria com o pífio castigo aplicado as Dragões, rapidamente se desenganaram. O Verão, tórrido fora dos relvados, mostrou a falta de vergonha de alguns, dispostos a humilharem-se por um lugar entre os eleitos.

Arregimentando apoios nos media, que dissertavam de forma pretensamente sábia sobre assuntos do foro jurídico, levaram uma valente bofetada de luva branca, quando a UEFA lhe indicou o verdadeiro lugar: a disputa da Taça para a qual tinham sido apurados.

Nem assim, apesar de tudo, os espíritos mais mesquinhos sossegaram. Um plantel com custo superior a 20 milhões de euros tinha, forçosamente, que dar frutos. Nestas coisas, existe sempre um plano B. Como nem eles próprios se fiam na capacidade desportiva de uma equipa repleta de ídolos com pés de barro, as eliminações patéticas levaram à entrada em cena do desespero.

Este apareceu, ciclicamente, na figura do director desportivo, desvairado em túneis sombrios, usando da coacção sobre os trios de arbitragem, perante a benevolência dos orgãos de decisão, lestos a branquearem as práticas do maestro.

O ponto culminante chegou, ironicamente, numa decisão acertada de Pedro Henriques, ao anular [bem e de forma corajosa] um golo da corja encarnada frente ao Nacional. Foi o pretexto que eles aguardavam, de forma ansiosa. O espectáculo grotesco que se seguiu, na imprensa, deveria ser acompanhado pela célebre bola vermelha no canto superior direito, alertando para a existência de conteúdos impróprios a menores.

A roubalheira, assim caracterizada pelo saudoso Pedroto, atingiu o ponto de não retorno. O desespero, aliado à sensação de impunidade, mostrou a verdadeira face do sistema. E, num curtíssimo espaço de tempo, os assaltos à mão armada vão-se sucedendo, sem que ninguém se lhes oponha.

- Guimarães-Benfica. Nessa Taça da Liga congeminada por Hermínio, o compadrio faz-se sentir. Penalty claro e inequívoco, escamoteado ao Vitória, cometido por Maxi Pereira, quando o marcador assinalava um apertado golo de vantagem para o Benfas;

- Benfica-Braga. A vergonha do ano, protagonizada pelo acéfalo Paulo Baptista, mera marioneta na ânsia de alguns atingirem o 1º lugar. Golo irregular de David Luiz, somado ao penalty [mais um] de Luisão, complacentemente não marcado pelo vetusto juiz;

- Porto-Trofense. O 1º lugar também passava por aqui. E eles sabiam. Golo regular, mal invalidado aos Dragões, a que se juntou, no ocaso da partida, uma grande penalidade, não assinalada, sobre Lisandro. O despautério raiava já o inconcebível;

- Benfica-Belenenses. Novamente a Taça da Liga do amigo Loureiro. Bastava um mísero ponto aos da casa para seguirem em frente. Mas, não fosse o diabo tecê-las, e ao bom estilo de José Veiga [apanhado numa escuta telefónica a escolher árbitros para um Benfica...União da Madeira], a falta de vergonha atingiu o zénite. No último minuto, perante a incredulidade geral, um golo invalidado aos pupilos de Jaime Pacheco, já de si queixoso do penalty não assinalado antes.

O futebol português está, repito, a saque. Até quando?

15 de janeiro de 2009

Uma Taça com nevoeiro...e um Campeonato desvirtuado


árbitros: Lucílio Baptista (AF Setúbal), Venâncio Tomé e Mário Dionísio; Elmano Santos.

NACIONAL: Bracalli; Patacas «cap.», Maicon, Felipe Lopes e Nuno Pinto; Luis Alberto, Edson Sitta, Alonso e Ruben Micael; Mateus e Nenê.
Substituições: Alonso por Miguel Fidalgo (46m), Edson Sitta por Fabiano Oliveira (66m) e Ruben Micael por Bruno Amaro (84m).
Não utilizados: Douglas; Cléber, Juninho e Halliche.
Treinador: Manuel Machado.

FC PORTO: Nuno; Sapunaru, Stepanov, Pedro Emanuel «cap.» e Benítez; Bolatti, Tomás Costa e Guarin; Mariano, Farías e Candeias.
Substituições: Candeias por Rabiola (70m) e Sapunaru por Diogo Viana (78m).
Não utilizados: Ventura; Ivo Pinto, Rafhael, Josué e Sérgio Oliveira.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: cartão amarelo para Alonso (39m), Luis Alberto (39m), Stepanov (39m), Benítez (42m) e Sapunaru (52m).

golos: Ruben Micael (23m), Sapunaru (36m) e Miguel Fidalgo (84m).

Sim, eu sei que isto deveria ser uma crónica sobre o Nacional-Porto. Mas, em português, vernacular, eu quero mesmo é que o jogo se ****. Competições menores, ainda por cima não levadas a sério por quem nelas entra, não me despertam a paixão assolapada que deveriam. Ainda para mais, nem me admira muito se o vencedor já estiver decidido. Mas, quanto às incidências do jogo, já lá vamos…

Ninguém, que gosta do desporto-rei em geral, e do Porto em particular pode andar com as pulsações cardíacas normalizadas. Seja pela frustração do empate contra o autocarro vindo da Trofa, pelo destempero da perda da liderança, que nos soube a pouco, ou pelo silêncio cúmplice e branqueamento encapotado que os media, sempre arvorados em arautos da regeneração do futebol luso, quando lhes convêm, têm praticado, depois do escândalo da Luz, no roubo descarado do Braga.

Alguém, com sentido de humor, afirmou que o Braga teve azar. Foi apanhado na onda de criminalidade que tem invadido o País. Outro, mais dado ao domínio da ironia, tratando-a por tu, proferiu com graça que o Braga teve sorte. Apesar de roubado descaradamente, ainda ficou com o autocarro…e os pneus.

Felizmente, apesar da amizade feita de interesses comuns, maquinadas em negociatas, o Braga provou ter voz. E que não lhes doa, carago. Comecemos por Mesquita Machado. Sem eufemismos. Tratando os bois pelo nome. “Foi um assalto à mão armada, um roubo, e os roubos têm que ser investigados”. Aqui sorri. Investigados, meu bom autarca. Por quem? Pela paladina da Justiça, aquela dos olhos pintados em tons góticos? Santa ingenuidade…

Mas Mesquita Machado foi mais letal que Renteria e Meyong juntos. “Os erros foram premeditados”. Se isto fosse num Estádio, fazia a onda. O homem merecia. E ainda mais depois de, arvorado já no papel de líder da Assembleia Geral da FPF, ter lançado uma suspeita de enorme gravidade. “Existiram influências exteriores para que fosse este árbitro a apitar”. E pensava eu que éramos um País de brandos costumes. Não somos. Ele prova-o. Somos sim um País terceiro-mundista, corrupto, onde o poder e a justiça são ministrados de forma parcial. Regredimos no tempo. Voltamos às saudosas décadas [pelo menos para uma parte da população deste cantinho], onde o campeão era encontrado por decreto.

Tudo começou [e nunca é demais louvar a coragem] com Jorge Jesus. Ao contrário do colega de profissão, sentado no banco do Guimarães, que sorria alarvemente enquanto lhe palmavam um penalty, o treinador bracarense mostrou que os tem no sítio. “Não vencemos porque o árbitro não quis”. Curto e grosso. Para bom entendedor…

Noutro quadrante, o torpor deu lugar à indignação. Esqueceram-se os “project finance”, as luvas de pelica, as boas maneiras à mesa, e a indignação encontrou eco. Paulo Abreu apropriou-se [mas é um plágio perdoável] da máxima de Pedroto. “Roubo de Igreja” e um “comparado com a arbitragem de Pedro Henriques, isto foi obra de um profissional”. Já chegava para colocar muita gente com as orelhas a arder. Mas ele finalizou, qual Liedson de fato e gravata. “Mais levado ao colo deve ser difícil”. Toma. Embrulha. Gostei particularmente de uma frase, proferida em tons apoplécticos. “Os investimentos na arbitragem e em alguma comunicação social começam a dar frutos”. Lapidar. Quando as comadres se zangam, o verniz estala.

E as virgens ofendidas, que escreveram ressentidas após o Benfica-Nacional, têm estado estranhamente desaparecidas. Sempre prontos, naquele espírito corporativo enjoativo, a apaparicarem os responsáveis encarnados, servindo-lhes de respaldo para as grosserias e tonterias debitadas na comunicação social, foram o veículo apropriado para a coacção vergonhosa praticada, durante uma semana, de forma cirúrgica. Entrevistas à nulidade que vegeta no plantel das águias, despudoradamente usando o apelido de um grande avançado portista, ou ao pomposo director-desportivo, tudo serviu para inflamar uma fogueira que arde sempre em lume brando.

Espantosamente, o resultado teve efeitos quase imediatos. Se em Guimarães, para essa prova congeminada por Hermínio Loureiro, a gatunagem foi permitida, de forma submissa [o que umas promessas de jogadores não fazem, pela boa vontade], permitindo que os da casa fossem descaradamente prejudicados, mas sem qualquer intenção de provocar ondas de indignação, o jogo caseiro frente aos arsenalistas fez o País desportivo ficar perplexo. Alguns, beliscando-se, julgavam ter retrocedido, por artes mágicas, no tempo, quando a monopolização de títulos em Lisboa fazia a delícia de muitos. Mas não. A estratégia, congeminada laboriosamente, tem histórico. Começou à muito. Lembram-se da Pinhão jornalista, do marido realizador e da vaca escritora? Pois...

E agora é que é. Vou escrever sobre futebol. Daquele que se tenta vencer dentro das quatro linhas. Desde logo, uma dificuldade enorme. “Mas onde raio é que anda a bola?”, apetece perguntar, quando o nevoeiro se torna no actor principal de uma partida toda ela feita por secundários.

No último estádio onde foi feliz, o Porto apresentou-se de cara renovada. Aliás, como esperado, o perfil azul e branco sofreu uma transformação brutal. Com Nuno na guarda das redes e Pedro Emanuel o rosto da experiência, imperial no centro da defesa, o meio-campo parecia uma congeminação sul-americana, com os agora renegados Guarin, Bolatti e Tomás Costa a serem os elementos pretensamente dinamizadores de todo o futebol do Dragão.

Na frente, confesso, um trio de arrepiar os cabelos. Candeias, cada vez menos interventivo, Farías, cujo nome do meio deveria ser sinónimo de passividade e o fetiche-mor de Jesualdo, Mariano Gonzalez.

Como nem a feijões se gosta de perder, e apesar do jogo se ressentir claramente das adversas condições de visibilidade, coube aos portistas a primeira grande oportunidade de golo. Ironicamente, pela cabeça de um defesa, Sapunaru de seu nome, correspondendo a um belo cruzamento de Mariano. Passado o susto, os madeirenses pressionaram, colocando a descoberto algumas debilidades estruturais da defesa azul e branca.

O golo inaugural, pese a oposição encarniçada de Nuno, surgiu ao 3º remate consecutivo dos avançados nacionalistas. Numa equipa que de campeã apenas ostentava o nome, a ligação entre sectores era praticamente nula, sobressaindo apenas nesta fase o labor de Guarin, na dupla missão de apoiar os homens da frente, mantendo ainda tarefas de apoio defensivo, como demonstrou ao evitar que, aos 30 minutos, o Nacional ampliasse a vantagem.

Fosse pelo nevoeiro, ou por outro motivo qualquer, ninguém ainda se tinha apercebido que existia árbitro no jogo. E que juiz de campo. Lucílio de nome próprio. Baptista de apelido e Calabote de alcunha carinhosa, tantos têm sido os dislates da patética personagem, sempre que se atravessa no nosso caminho. E, para figurar no currículo, nada como nova medalha no peito. Penalty escamoteado aos 31 minutos, quando Mariano é derrubado por Maicon, dentro da área caseira.

O Porto, no entanto, num assomo de dignidade, empatou a contenda. Alonso perde displicente uma bola junto da sua área e Sapunaru fez o que lhe competia. Fuzilou para o empate.

A segunda parte trouxe mais do mesmo, com o cinzentismo do nevoeiro a protagonizar um duelo hercúleo com a vontade indómita de quem procurava jogar, em condições quase surreais. Sem qualquer alteração na dinâmica ofensiva do encontro, sempre com o sinal mais a ser protagonizado pelo Nacional, a qualidade e intensidade decaíram bastante.

Jesualdo tentou alterar o rumo dos acontecimentos. Efectuou a dupla substituição, responsável pelo golo da vitória na primeira jornada. Rabiola e Diogo Viana, por troca com Candeias e Sapunaru. Com a saída do lateral romeno, Tomás Costa abandonou o centro do terreno, ficando como proprietário da lateral direita. A irreverência da idade, desta feita, nada acrescentou de positivo ao futebol dos portistas. E, na fase mais sensaborona do desafio, um golo algo fortuito, no final da partida, ditou a derrota, sempre pesarosa, do FCP.

Melhor do Porto: Quem? Se eu não conseguia, na maior parte do tempo, ver o que quer que seja, como eleger alguém merecedor de encómios?. Pareceu-me que Nuno esteve seguro, tendo realizado uma grande defesa a remate de cabeça, após o 2-1. Sapunaru, apesar do desnorte defensivo, em alguns momentos da 1ª metade, esteve expedito, aparecendo duas vezes em zona de finalização. Quanto ao resto, apenas e só o lamento de que um jogo, nestas condições, tenha conseguido realizar-se, num claro desrespeito para com quem faz mover esta indústria: os adeptos!

Arbitragem: É bom saber que podemos contar com as coisas imutáveis da vida. O amor incondicional dos progenitores, as asneiras da adolescência, os cabelos brancos, prenúncio da passagem da idade, e Lucílio Baptista, com os seus erros fervorosos contra o que traja azul e branco. Nada a fazer. Apenas e só aceitar, com o nosso beneplácito, a incompetência e falta de seriedade do árbitro setubalense. Pode ser que um dia, num dos acasos em que o Destino é fértil, alguém se esqueça de travar o carro, quando ele atravessar uma passadeira. Ou um raio lhe caia, em pleno jogo, na cabeça. Ou…

nota: logo e texto publicados originalmente no Bibó Porto.

18 de setembro de 2008

O arco-íris...

3 milhões pela participação na Champions, mais 400.000 € por cada jogo, acrescidos de um bónus de 600.000 € pela vitória, tal como a de ontem, frente aos turcos. Compreende-se, cada vez mais, porque é que alguns andaram à procura do arco-íris, durante o Verão, em gabinetes de advogados, nos corredores da UEFA, achando que o pote de ouro estava lá, à espera deles. A Champions pela TV deve ser deprimente…

16 de setembro de 2008

Era mais um Kompensan para a mesa do fundo, se faz favor!


O painel de juízes do TAS considera que nem o Conselho de Disciplina da Liga nem o Conselho de Justiça da Federação conseguiram demonstrar cabalmente, com a certeza necessária, que o Porto ou o seu Presidente cometeram actos ilícitos. Ponto final. Metam a viola no saco.

Nota: E, julgo que num acto que demonstra o quão irónica pode ser a Justiça, nada como o Benfica e o Guimarães, a corja irmanada no desespero, aliança forjada na vã tentativa de amealharem os milhões da Champions, terem que pagar as custas e emolumentos resultantes do processo, incluindo as despesas resultantes com os advogados contratados pelo FCP. Pagam, e não bufam!

Nota2: Deve ter sido dia de enterro na redacção do pasquim do Delgado. Sempre lestos a trazerem para a 1ª página os desenvolvimentos de Verão do processo, eis que a Bola fica meia aturdida, preferindo desta feita destacar o jogo de Camp Nou. Porque será?

4 de junho de 2008

A escória

O País hoje rejubilou. Pelo menos parte dele. Os frustrados do regime tiveram a sua prenda de Natal antecipada. A decisão da UEFA, esperada, foi extremamente penalizadora para o clube da Invicta. Não servindo de paliativo, sabe-se agora que a correlação de forças era claramente desiquilibrada, colocando o Porto numa situação, desde logo, complicada...

Convenhamos que, neste caso, se tem que dar o mérito a quem o merece. Patrocínios de filmes, financiamentos de livros, colocação de pessoas em postos-chave, pressões mediáticas, tudo numa espiral de inveja e ódio que tinha apenas um fito: a destruição de Pinto da Costa e, por arrasto, do clube que colocou um fim ao monopólio de títulos sulistas. O trabalho de sapa, feito pelos correlegionários, conseguiu o seu troféu de caça...

Desde há muito que se verificava que este ataque não era apenas mais um. Era O. Massivo, visando denegrir um clube secular. Em parte isso foi bem sucedido.

O impacto da não presença na Champions será tremendo. 12 milhões, grosso modo, que não entrarão no cofre azul e branco, correspondente a cerca de 15% do seu orçamento. Pior será a dificuldade de contratar algum nome internacional, com um ano sabático nas competições europeias...

Mas isso são preocupações para depois. Agora, mais do esgrimir argumentos internos, criando-se facções distintas, importa a UNIÃO. Essa sim, será indispensável à criação de um ambiente vencedor, ajudando o clube a ultrapassar a fase negativa...

Continuo a achar, como o fiz anteriormente, que o não recurso à decisão de subtracção dos 6 pontos, foi a mais correcta. O Porto clube continuou representado, nas mais altas instâncias judiciais, pelo recurso do seu presidente, evitando dessa forma que os pontos fossem retirados na próxima temporada. Poderão argumentar que, recorrendo, o Porto poderia vencer. Sim. E o Elvis Presley está vivo. O Pai Natal existe. E a Justiça desportiva portuguesa não está viciada. Tudo balelas, sem sustentação...

Agora, já não bastando o professor-assistente Ricardo Costa, com os seus 15 minutos de fama, surgiu também o braço tenebroso da FPF. O envio para a UEFA, em linguagem truncada cheia de duplos significados, ajudou e de que maneira à tomada de posição por parte do organismo que tutela o futebol internacional...

Comenta-se, não sei se especulativamente, que o referido mail da FPF foi obra e graça de Silvio Cervan. A ser verdade, para além da parte ética, a incompatibilidade do facto seria, por si só, motivo mais do que suficiente para uma tomada de posição enérgica por parte do Porto...

E é isso que tem faltado. O mutismo, levado ao limite, da estrutura directiva portista, foi claramente uma estratégia errada, ajudando ao recrudescimento dos ataques. Mas agora chegou a hora de revidar. Com contundência...

ps: Eu já comecei a aprender, de cor, o hino turco. E tu, porque esperas?

1 de abril de 2008

Só 6?

Fazendo fé nas parangonas jornalísticas e nas notícias de abertura dos jornais televisivos, o Porto será punido com a perda de 6 pontos, pelo famigerado caso Apito Dourado. Confesso não saber, nesta altura, o que será mais ridículo...

Se o clube azul e branco ser punido por um caso que ainda não conhece culpados, sem existirem provas irrefutáveis da pretensa corrpução, ou pelo histerismo que a notícia já provocou, na sempre "séria" e "isenta" imprensa nacional...

Querendo, à viva força, fazer-nos acreditar que o Porto, vigente detentor da UEFA, necessitou de assediar árbitros para derrotar, em casa, o Amadora, último classificado na altura, ou esse colosso chamado Beira-Mar, o ridículo da questão sobressai quando o painel de antigos árbitros, fazendo o papel de analistas para a PJ, chega à conclusão de que nada existiu de anormal nos jogos referidos...

Mas, como a azia e inveja em demasia provocam comportamentos menos próprios, vai daí acharam que a pronunciação desportiva do clube nortenho seria um exemplo vigente, destinado a potenciais prevaricadores...

Por mim, nado e criado a ouvi, assistir e documentar escândalos arbitrais que fizeram a grandeza dos clubes de Lisboa, já nada me espanta. Convinha era alimentarem a competitividade do actual campeonato com outra punição...

É que 6 pontos, bem vistas as coisas, só nos protela a entrega das faixas. Propunha, sem qualquer intuito irónico, uma punição mais severa. 16 pontos retirados, a obrigatoriedade de o Porto jogar, até final, apenas com 10 elementos em campo e realizar os jogos todos fora...

Poderia ser que assim, com mais umas ajudinhas extras, os papalvos da 2ª circular lá conseguissem chegar ao 1º lugar. Não seria novo, nem inédito. E se preciso fosse, o Estádio do Algarve está lá, disponível, para levar a jogar algum clube que represente um escolho difícil na procura da vitória. Era só preciso arranjar umas acções encapotadas.

25 de março de 2008

Notícia do dia

O que uma notícia pode fazer ao espírito de uma pessoa. Taciturnos, alguns amigos meus desataram a telefonar, com um ar prazeiroso, mal conseguindo esconder a excitação que os dominava...

"E 'atão?", perguntavam, com um mal disfarçado tom jocoso no timbre a denunciar o deleite da pergunta. Atafulhado em trabalho, ainda pensei, por meros instantes, que a lotaria lhes tinha saído, em simuntâneo. Ou que, num golpe de sorte e fortuna, alguma top-model escultural lhes tinha caído literalmente nos lençóis. Mas não.

O júbilo, rapidamente alastrado a tudo o que é blog neste espaço cibernáutico, tinha a ver com o indiciamento de Pinto da Costa. "Vai a julgamento!", elucidaram-me eles, como se deste mero facto já tivesse sido extraída a conclusão do mesmo...

Compreendo o porquê de tanta euforia. Não, não sou seguidor do Dalai Lama, nem tenho instintos recentes dados ao bom samaritanismo. Mas, com a frustração a campear, semana após semana, ano após ano, esta não deixa de ser uma boa notícia. Para eles. Pelo achincalhamento, já garantido por zelosos jornalistas, da figura do presidente portista...

A mim, indefectível adepto do Dragão, pouca mossa me fez a parangona. E não é mera bravata. É mesmo uma questão de racionalismo. Já se sabia que isto iria acontecer. Desde a entrega do processo nas mão de Maria José Morgado. Os pretensos casos, encerrados por falta de provas, só seriam reabertos se o caminho estivesse livre, até à vendetta encetada por alguns ter o seu zénite. Ela aí esta...

Justiça? Custa-me algo a crer. Branqueamentos à parte, nas charadas das escutas telefónicas, onde alguns passeavam a impunidade obscena, escolhendo a seu bel prazer os árbitros, sem que nada lhes acontecesse, este não é um caso de desvirtuamento da verdade desportiva. Porque essa, durante décadas, foi violada sistematicamente, sem ninguém se importar com o facto...

A Justiça que nos querem impingir, à viva força, é baseada na "solidez" das provas testemunhais. De uma única testemunha. Da mesma que, no caso da agressão a Bexiga, foi considerada pouco credível, no seu testemunho auto-incriminatório...

Reafirmo o que disse aos meus amigos. Continuo a venerar o clube que amo. Orgulhosamente. Sem receber lições de moral de ninguém. Convenhamos. Nunca tivemos ex-presidentes presos. Não oferecemos peças de cristal aos juízes as partidas. Não vamos a finais da Champions com golos marcados com a mão. Não subornamos o Mr.King com putas de alta qualidade. Não temos negócios espúlios com a Câmara de Lisboa, para a construção do Estádio.

Querem a verdade? Ela está ali, à mão de semear. A 16 pontos de distância. Chega?

13 de março de 2008

Apito Encarnado, parte 150 - e continua a contar...

Agradeço ao Lucho, cronista do Bibó Porto, que me alertou, num comentário recente a um artigo, para esta pérola, pelos vistos longe das manchetes e dos holofotes da mediatização..

Aprígio Santos, carismático presidente da Naval, crítica Luís Filipe Vieira. "No melhor pano cai a nódoa" e "há muita gente que fala mas devia estar calada". As declarações, algo contundentes, mostram bem o mal-estar que grassa na Figueira, já perceptível no final do embate entre a Naval e o SLB, com as críticas à [péssima] arbitragem a serem tecidas, mas com alguma polidez...

Desta feita, o verniz estalou. As declarações proferidas pelo truculento presidente navalista surgem no seguimento das declarações prestadas em Tribunal pelo árbitro Rui Silva sobre a prenda que recebeu já esta época da parte do Benfica.

Ouvido ontem no Tribunal de Gondomar, no âmbito do chamado processo Apito Dourado, o árbitro de Vila Real revelou ter recebido de Luís Filipe Vieira em Setembro passado, no dia do jogo do Benfica frente à Naval, valiosa peça em cristal.

Perante essa revelação, o presidente da Naval, Aprígio Santos, falando à Renascença, não deixou de apontar o dedo ao presidente do Benfica, que muito tem falado sobre o processo Apito Dourado.

Acrescento eu, mas alguém tem dúvidas? Ou, pelos vistos, só a oferenda de peças em ouro é que se revela pouco ética e indiciadora de tentativa de aliciamento? Querem ver que o Orelhas só presenteou o árbitro por puro...altruísmo?

16 de janeiro de 2008

Teoria da vitimização

Como habitualmente, bastou um mísero erro desfavorável ao Benfica para cair o Carmo e a Trindade, com especial relevo para os blogues benfiquistas, com os textos a atacarem violentamente a exibição de Paulo Costa, no último Benfica-Leixões.

Sem dúvida que o golo, mal-invalidado a Nuno Gomes, teve influência no resultado. Parece-me evidente. Mas também é por demais notório que esse erro, crasso, serviu às mil maravilhas para a subserviente imprensa colocar a tónica do discurso no nefando poder arbitral, branqueando a habitual mediocridade que, época após época, vai campeando na Luz, deprimindo os seus adeptos.

Como medida profiláctica, compreende-se perfeitamente as manchetes da "Bola", sempre lesta a acorrer em socorro do clube do regime. Capas com alusões a pretensos erros prejudiciais aos encarnados, ou com equívocos benevolentes a favorecer o rival do Norte já há muito tempo deixaram de ser novidade. E de surpreender. E nem elas já conseguem resgatar a alegria à muito tempo perdida pelos seguidores de Eusébio.

No que se refere à fauna que escreve alarvidades diárias na blogosfera benfiquista, a teoria de vitimização ganha adeptos, a cada dia que passa. Também neste caso, esse erro, um oásis no deserto que constitui o trato na bola, para aqueles lados, foi recebido com júbilo. Por uma vez, esta temporada, os pobres puderam escrever sobre algo mais do que patéticas exibições, resultados medianos e glórias de antanho. Aproveitaram e destilaram a fel que os consome. Foram aos baús, cheios de bafio, e voltaram a abanar o fantasma gasto do "Apito Dourado".

"Ai, tadinhos de nós, que somos tão prejudicados...", leu-se, com a maioria a acreditar piamente no que lá está escrito. Espantoso, ou talvez não, é que esse mesmo Paulo Costa, agora tão causticado e vilipendiado, é o mesmo árbitro que os apitou na Amadora, naquele célebre jogo para a Taça da Liga.

Estão a ver o filme? Tempo de descontos, os amadorenses perto da proeza de eliminarem o vizinho todo poderoso mas...

Qual super-herói, no momento em que o Mundo parecia prestes a desabar, surgiu ele, vestido de preto, soprando no apito, vislumbrando uma mão imaginária, deixando estupefactos os meros apreciadores de futebol e envergonhados até ao tutano os adeptos benfiquistas, tamanha a obscenidade do roubo. É um avião? Não! É um pássaro? Não! É o super Paulo Costa, travestido de águia ao peito.

Mas isto os blogues encarnados não comentam. Nem as diatribes de Nuno Manso, o fiscal de linha agora sob as luzes da ribalta, conotado com o FCP, pela pena vernacular e doentia de Rui Cartaxana. O mesmo assistente que, num não muito longínquo Rio Ave-SLB anulou um golo legal, por pretensa saída da bola, aos vilacondenses, participando depois no festim do deboche final, validando um golo ao Mantorras, onde o pé do avançado angolano penteou a cabeça do defesa...

Por fim, e porque é cansativo bater mais nos "ceguinhos", qual a credibilidade dessa gentinha, que ficou a assobiar para o alto, quando Paraty condescendeu com os dois truculentos jogadores do plantel, em cenas impróprias a menores, no relvado de Setúbal? Ou acham que a Lei 12, acerca das condutas anti-desportivas, não deve punir os jogadores comandados por Camacho? Ou só se aplica aos outros, talvez?

13 de janeiro de 2008

Tanta azia no ar...


Como habitualmente, o defensor oficial do clube da Luz é esse pasquim, feito por benfiquistas para benfiquistas. Hoje, na capa, o título não engana. Alude-se à paupérrima exibição mas aproveita-se para dar uma bicada à arbitragem, como se esta fosse responsável pela mediocridade que impera para os lados do Seixal. Pena que estes filhos da puta não usassem o mesmo critério na semana passada, quando Paraty deixou ficar em campo os arruaceiros grego e brasileiro, perdoando a expulsão a ambos e permitindo ao clube do regime a obtenção de um pontinho, precioso na luta pelo segundo lugar. Aí não houve direito a parangonas nem a títulos sensacionalistas...

Tadinhos, a azia faz tanto mal. E têm eles o "melhor plantel dos últimos 10 anos"...

10 de janeiro de 2008

Apito encarnado - parte 146 (e a contar...)


Apenas mais dois exemplos de atletas expulsos no jogo imediatamente anterior à sua equipa defrontar o Benfica. Paulo Machado e Nuno Silva juntam-se assim a Gilmar, da Naval e a João Pinto, do Braga. Deve ser coincidência. Claro.

8 de janeiro de 2008

Apito encarnado - parte 145 (e a contar...)


A Lei 12 - Faltas e Comportamentos Antidesportivos prevê, entre outras, que um jogador seja advertido com cartão amarelo, quando culpado de comportamento antidesportivo e que seja expulso quando use linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos e/ou grosseiros...

A Decisão 1 do Internacional F.A. Board determina, ainda, que todo o jogador que cometa falta passível de advertência ou de expulsão com respeito a um adversário, árbitro ou colega de equipa, deva ser sancionado conforme a natureza de infracção cometida...

As passagens acima transcritas servem apenas para não deixar cair no branqueamento de sempre MAIS um GROSSEIRO erro de arbitragem favorável aos encarnados que, provavelmente, lhes terá valido o benefício de um ponto.

Paraty, estrategicamente contestado pela turba boçal que constitui a maioria dos adeptos encarnados, mas claramente permissivo às cores vermelhas, "esqueceu-se" dos respectivos cartões, tão entretido estava em ignorar ostensivamente o que se desenrolava no relvado de Setúbal. O árbitro portuense conseguiu a proeza de fingir que nada de anormal se passava...

Por outro lado o desentendimento entre os dois jogadores benfiquistas veio resgatar da bruma do esquecimento as sábias palavras de Rei Artur, quando este profetizou e comparou o quotidiano benfiquista a um Circo. Como todos os visionários, o bom do poeta-treinador foi jocosamente ostracizado, mas o tempo veio dar-lhe razão. Não será bem um Circo, mas antes uma Feira de Aberrações...

7 de janeiro de 2008

Apito encarnado - parte 144 (e a contar...)

Sempre lesta a elogiar qualquer atitude de Camacho, a nossa subserviente imprensa lá tratou de tecer loas à dupla substituição engendrada pelo Jaime Pacheco espanhol, ao retirar de campo os candidatos a pugilistas, exemplo máximo de "cojones" por parte do treinador dos rosinhas...

Compreende-se a questão. Quanto mais se falar disso, menos tempo se perde a analisar o brutal erro de arbitragem de Paraty, nesse mesmo lance. O árbitro portuense, um dos preferidos de Luis Filipe Vieira, fazendo fé nas escutas telefónicas onde prazeirosamente o presidente dos encarnados escolhia os juízes, a seu bel prazer, "esqueceu-se" momentaneamente das regras disciplinares.

Independentemente de ambos os jogadores serem do mesmo clube, a violência inerente à caricata cena teria que ser forçosamente punida pelo homem do apito. Não havendo agressões físicas perpetradas, Luisão e Katsouranis teriam que ser admoestados com o cartão amarelo. No caso do central brasileiro seria o segundo, a que corresponderia o convite formal para ir tomar banho mais cedo.

Isto, repito, numa visão mais soft do lance, pois a agressividade atingida pelos dois contendores justificaria a amostragem, a ambos, de vermelho directo.

E depois disso, com a pobreza franciscana habitual, bem que queria ver o SLB a trazer de Setúbal um pontinho. É o colinho, é o que é...