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16 de abril de 2009

Fim do sonho


assistência: 50.010 espectadores.
árbitros: Massimo Bussacca (Suíça), Matthias Arnet e Manuel Navarro; Sascha Kever.

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Cissokho; Lucho «cap», Fernando e Raul Meireles; Lisandro, Hulk e Rodríguez.
Substituições: Lucho por Mariano (31m), Rodríguez por Farías (63m) e Sapunaru por Tomás Costa (80m).
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Guarín e Andrés Madrid.
Treinador: José Gomes.

MANCHESTER UNITED: Van der Sar; O’Shea, Ferdinand, Vidic e Evra; Anderson, Carrick e Giggs; Cristiano Ronaldo, Berbatov e Rooney.
Substituições: Berbatov por Nani (68m) e Anderson por Scholes (77m).
Não utilizados: Foster, Neville, Evans, Tévez e Macheda.
Treinador: Alex Ferguson.

disciplina: cartão amarelo a Vidic (41m) e Evra (57m).
golos: Cristiano Ronaldo (6m).

Chegou o dia. Finalmente. Mais do que ansiedade, pelo jogo frente ao Manchester, é um sentimento de alívio. Logo mais, pelas 21.30, tudo estará acabado. De uma forma ou de outra. É que isto de ser adepto tem muito que se lhe diga. É uma confidência, em formato intimista. As grandes partidas, as decisões de eliminatórias, os adversários poderosos, funcionam como punhais espetados no meu, já depauperado, sistema nervoso. Sofrimento atroz, comum a muitos de nós, onde o coração bate mais veloz, vendo a bola aproximar-se com perigo das nossas redes…

Não sendo um jogo transcendente, é uma partida importante. Aliás, de enorme relevância. Depois de 2004, cinco anos decorridos, a Europa abriu a boca. De espanto. Esquecidos das proezas das camisolas famosas, ostentando as tradicionais listas verticais, com o azul acasalado com o branco, o Velho Continente mostrou-se, inicialmente incrédulo. O vigente campeão da Europa, o imperante campeão do Mundo, um dos clubes mais ricos do planeta, cedia perante o arreganho de um “pobretanas” vindo dos confins da Europa. Depois da surpresa, veio a admiração. E os elogios, em catadupa.

Porém, num qualquer gabinete com vista esplendorosa, um outrora jogador de renome, remoía mágoas passadas. Crédulo, sentia uma pontada de inveja, ao ler os louvores a jogadores que ele desconhecia. Repisava o que lhe tinham transmitido. Pesou o peso de ambos os clubes. Sorriu de desdém. O campeão luso teria que ser travado. Dentro ou fora do campo, mas não queria ter que, em Roma, a bela cidade repleta das obras dos velhos mestres italianos, entregar a Taça ao capitão de azul e branco. Dormindo mal, nos últimos dias, a ideia tinha passado a obsessão. Depois a pesadelo. Não confiando em absoluto no saber de Ferguson, nem acreditando em demasia nas qualidades técnicas dos rapazes de Manchester, começou a manobrar, à boa maneira siciliana, os meandros futebolísticos.

Assim, se forma subtil, fomos confrontados com erros arbitrais [o penalty sonegado a Hulk, em Old Trafford, enquadra-se na definição de “batota”, monsieur Platini] e com castigos cirúrgicos ao técnico azul e branco, coincidente com a recepção aos diabos vermelhos.

Sabendo isto, é com orgulho, que deveria ser escrito em letras garrafais, que vejo a minha gente, desde o anónimo sofredor adepto até ao vip mais emproado, continuamente a seguir, numa fidelização que escapa aos cânones racionas, o emblema do Dragão. Sabemos quem somos. E o que tivemos que trilhar, para chegar aqui.

O apito inicial do árbitro mostrou um Manchester United num 4-4-2- dinâmico. Carrick e Anderson como dupla de pivôs, permitindo depois um quarteto perigoso, bem aberto na frente de ataque. Giggs, pese a veterania, um perigo à solta no flanco esquerdo, com Ronaldo a procurar desempenhar o mesmo papel no lado oposto. E depois, um duo que equivalerá, por certo, a todo o orçamento portista. Carrick e Anderson [que saudades, miúdo], recuados no meio-campo, procurando servir de tampão naquela zona nevrálgica. Os red devils diziam ao que vinham. Para atacar. Sem contemplações.

O Porto apresentou-se ao seu público no esperado esquema táctico, resguardando-se do ímpeto inicial do adversário. A zona central, mercê da movimentação colectiva do campeão inglês, parecia tentadora, antevendo-se uma potencial exploração dos comandados de Jesualdo.Mas, ironia do destino, foi precisamente por ali que surgiu o balde de água fria. Ronaldo, deambulando por áreas fora da sua zona de jurisdição, qual vagabundo milionário, puxou do galardão que o transforma no melhor do Mundo. Uma nesga de espaço, um pontapé portentoso e a estirada de Helton a revelar-se infrutífera.

Inverteram-se os papéis. Tal como na 1ª mão, era a equipa forasteira que se adiantava no marcador. O Porto não se desuniu, subindo as linhas, numa procura pela igualdade que, sabia-se, nos conferia o passaporte para o sonho.É mais fácil dizê-lo do que fazê-lo. Rodriguez, que se juntava a Lucho e Meireles quando o Manchester atacava, era a imagem do inconformismo. O Porto apresentava-se perante uma tarefa hercúlea. Atacar, com agressividade, mas sem conceder espaços a opositores credenciados. Numa partida disputada taco-a-taco, com os espartilhos tácticos e as marcações cerradas a imperarem, perante o virtuosismo e o rasgo de imprevisibilidade, os Dragões quase só criaram perigo de bola parada. A equipa estava lenta, amorfa, sem a necessária criatividade.

Bruno Alves ainda fez sonhar o anfiteatro, quando desferiu remate similar ao que resultou em golo, frente ao Amadora. Pouco depois, na marcação de um canto, o capitão portista impôs-se nas alturas, rematando com perigo. Era pouco. Sentia-se que, desta forma, o Manchester manteria o controlo do encontro, sem grandes dificuldades.

Numa noite de chuva copiosa, parecendo que a abertura das comportas celestiais era uma espécie de castigo divino, El Comandante caiu. Lesionado. Mariano, imagem da abnegação, entrou para o seu lugar. O intervalo chegou, trazendo com ele a sensação de frustração. O azedume por, mesmo longe de repetirmos a exibição de Manchester, estarmos a perder com quem pouco mostrou. São estes os desígnios de um jogo que nos apaixona, vicia e alimenta.

A segunda metade foi uma espécie de cópia da primeira. Jogada com coração, mas faltando algo. Uma espécie de acendalha que alimentasse a revolta. O jogo tornou-se confuso, com algumas picardias. O ataque portista era feito com pulmão. Rodriguez ou Hulk. Colectivamente, estávamos manietados, incapazes de pressionar um adversário que se limitava a aguardar.

Jesualdo arriscou, fazendo entrar Farias, por troca com Cebola. O relógio avançava de forma inexorável, tornando-se o pior inimigo.

Olho, pela enésima vez, para o relógio. Faltam 4 minutos. Poucos. O nó na garganta teima em não desaparecer. 3 minutos. A bola ronda perigosamente a área de Van der Sar. A respiração fica suspensa, vendo o couro no ar, interrogando-me onde o mesmo cairá. A angústia é uma tortura. Física. Que me põe doente. Comemoro por antecipação, quando Licha remata em boa posição. É o desejo a falar mais alto. O guardião holandês sustêm o esférico.

2 minutos. Um breve suspiro de alívio, exalando o ar. Bola junto à relva, na nossa posse. Segundos cruciais, que se perdem. O apito do árbitro. Recomeça a partida. Cada investida adversária vista com fatalidade. Cada corte dos nossos comemorado em surdina, agradecendo a Deuses desconhecidos. Dentes cerrados. Acredito num milgare. Faço promessas patéticas. Quero a bola anichada nas redes. Quero comemorar.

1 minuto. Não consigo estar sentado. Tenho o estômago revolvido. Procuro engolir. Tarefa hercúlea. Dói-me tudo. O meu antídoto está ali, à distância de um apito. Praguejo, perante o olhar complacente da esposa. A placa com o tempo de descontos foi o motivo de nova explosão de cólera. O tempo avança, célere, como se troçasse de mim. De nós. De todos que comungam desta forma de vida.

Pareço um daqueles miúdos hiperactivos. Levanto-me. Vou até à varanda, olhos colados ao ecrã. Volto a sentar-me. Aliso a roupa. Passo a mão pelos cabelos, já em desalinho. “Caralho, o sonho não pode acabar assim”. O pensamento – o único pensamento – martela-me a cabeça. Acabou o tempo de descontos. O juiz, como se imbuído de uma tarefa inquisitória, prolonga até ao limite do suportável o desfecho da eliminatória. Não aguento. Fecho os olhos. Abstraio-me de todos os sons. Só me interessa aquele. O que nunca ouvirei. O bruáaaa da multidão enlouquecida, comemorando o empate.

PRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII. Não cedo à tentação. Recosto a cabeça. Deixo-me estar assim. É uma derrota amarga. Seria fácil baixar a cabeça e deixar o desespero invadir a mente. Mas não. Lutamos. Bravamente. Numa correlação de forças díspares, podemos afirmar, com orgulho, que caímos de pé. Com a cabeça bem levantada. Mostramos a nossa força. Assustamos muita gente. E isso, afinal, faz-me sorrir. E cantar…

Oh, meu Porto, onde a eterna mocidade
Diz à gente o que é ser nobre e leal.
Teu pendão leva o escudo da cidade
Que na história deu o nome a Portugal.
Oh, campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto

Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Oh, Oh, Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós
Oh, campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto

Análise final: Será fácil cair na crítica negativa, face à real incapacidade demonstrada hoje pelos Dragões. Compreendo quem o faça. Eu não sigo por aí. Estivemos perto, bem perto, de alcançar um feito que, não sendo inolvidável, nos colocava bem perto do Olimpo. As derrotas, todas elas, trazem sempre algo de positivo atrelado. O Porto alegre, eléctrico, pujante e dominador, da semana passada, não subiu hoje ao relvado.Pese o sabor amargo na boca, sinto que esta equipa, este plantel, este treinador, deram tudo o que podiam, prestigiando um emblema secular. Atravessado o pior momento da temporada, com a colecção de 3 derrotas consecutivas a colocar a equipa perigosamente à beira do abismo, a inflexão em alguns processos tácticos e o crescimento e maturidade adquirida pelos jogadores, colocaram os Dragões nos trilhos. De uma época que poderá ser histórica, com a conquista do tetra e da Taça.

Esta derrota mostrou, um pouco por todo o lado, a capacidade inigualável, em solo nacional, de um clube sempre debaixo de fogo. A luta briosa a que se assistiu, em 180 minutos, frente ao colosso inglês, ajudou a colar os fragmentados pedaços do orgulho lusitano, tão fragilizado depois de sucessivas campanhas desastrosas dos rivais lisboetas. Continuamos a ser respeitados na Europa. Pelo que somos. Platini suspirou, por certo, de alívio, ao receber a notícia da nossa eliminação.Mas também ele, tal como muitos jornalistas da nossa praça, sente lá no fundo uma pontinha de admiração. Por quem apresenta, ano após ano, esta incrível capacidade de sobrevivência. Perdemos? Sim, é um facto. Mas obrigamos os milionários a vestirem a roupa de trabalho. Emudecemos, por dias, o riso fácil e bonacheirão de Ferguson, aburguesado no trono endinheirado em que se reformará.E, mais importante, para o ano, lá estaremos. A jogar. E a fazer sonhar este imenso clã, uno na defesa do seu ideal. O futuro é já a seguir. E será azul e branco.

12 de março de 2009

Uma noite memorável

Nunca um empate foi tão celebrado, no Dragão, compreensivelmente satisfatório por ter carimbado o passaporte para os quartos-de-final. Num ambiente feérico, os intervenientes de azul e branco vestido estiveram fantásticos.

Helton - Sem acusar, aparentemente, a pressão mediática após o monumental falhanço em Madrid, resolveu a contendo todas as situações junto da sua área de intervenção. Não foi colocado muito à prova.

Sapunaru - Jogo estoico do romeno, acabando por ser substituído por claras debilidades físicas. Foi pelo seu lado que apareceram os mais perigosos jogadores do Atlético, nomeadamente Aguero. Perdeu alguns duelos, mas nunca virou a cara à luta, aparencendo regularmente em zonas de apoio ofensivo, conseguindo alguns cruzamentos para a área adversária. Afastou, esperemos que de vez, as dúvidas sobre a sua real valia. Mereceu os aplausos com que foi brindado.

Rolando - Portentoso. Imperial. E podíamos continuar por aqui fora, adjectivando a sua exibição. Sereno, não permitiu qualquer veleidade aos avançados dos colchoneros.

Bruno Alves - Patrão do sector defensivo, procurou sempre a felicidade, nos cantos e livres junto à área do opositor espanhol. Brutal no domínio do jogo aéreo, reivindicando para si a propriedade dos céus. Intransponível.

Cissokho - Com Sinama-Pongolle a criar-lhe alguns problemas, denotou alguma ingenuidade em vários lances, mas realizou uma exibição globalmente positiva. Raçudo a defender, sempre disposto a apoiar o ataque, dinamizou o flanco esquerdo. Cada vez mais incorporado na equipa, provando ser uma contratação acertada.

Fernando - Um verdadeiro monstro, na abordagem da partida. Parecendo um veterano de muitas batalhas, foi magnífico na luta do meio-campo, destruindo as tímidas iniciativas adversárias, revelando acerto no passe. A pressão alta, realizada na 2ª parte, teve-o como um dos esteios. Fantástica disponibilidade física ao longo de todo o jogo. Soberbo o remate, na 1ª parte, obrigando Leo Franco a brilhar.

Raul Meireles - O Sr. Sobriedade. Formou, com Lucho e Fernando, um tridente poderoso, dominando as operações na zona nevrálgica do terreno. Procurou zonas mais avançadas, testando o seu temível remate de meia-distância. Foi o parceiro perfeito de Fernando, tapando espaços, recuperando bolas, cortando iniciativas. Um dos melhores em campo.

Lucho - Com menor fulgor físico do que os seus colegas de posição, procurou ser a voz de comando habitual, neste regresso da competição mais elitista de clubes do velho continente. Nem sempre esclarecido, teve o seu grande momento na 2ª metade, ao ver o seu colega de Selecção, Leo Franco, a defender um remate notável, com selo de golo.

Rodriguez - A atravessar o melhor momento da temporada, foi um demónio à solta, dinamitando o lado esquerdo da defesa do Atlético. Produziu uma quantidade impressionante de jogo, revelando uma frescura física inesgotável. Cada vez mais preponderante na manobra ofensiva da equipa.

Lisandro - Depois de ter sido o carrasco dos madrilenos, manteve um duelo intenso e desfavorável com a baliza adversária. Denodado, no esforço sempre titânico com que aborda os 90 minutos de cada encontro, foi tremendo nas dificuldades que criou a uma defesa que usou e abusou da dureza excessiva. Infeliz, quando desmarcado primorosamente, rematou ao poste.

Hulk - Com a Europa inteira a começar a olhar para este brasileiro com olhos gulosos, destacado na site da própria UEFA, o jogador com alcunha de super-herói foi ele mesmo. Imparável no um-para-um, detonou por completo todas as jogadas em que interveio. Dono de uma capacidade fisíca quase sobrenatural, foi o protagonista de alguns dos melhores momentos do encontro, oferecendo alguns golos que, por manifesta infelicidade, não foram concretizados. Sentiu na pele o temor que provoca aos opositores, levando pancada atrás de pancada, perante a benevolência de um juiz manhoso.

Uma equipa com qualidade, potenciadas ao limite, capaz de honrar o emblema que orgulhosamente traja na camisola. Será, estou certo, um adversário temível para quem nos calhar em rifa, no sorteio do dia 20.

11 de março de 2009

Passaporte para os Quartos...

Um jogo tremendo, este contra o Atlético de Madrid. Intenso, jogado de forma sublime, no plano táctico, de enorme desgaste psicológico. Um Porto com a lição bem estudada, concentrado, disposto a controlar as operações, desde início. A equipa de Jesualdo foi calculista, cínica, inteligente.

Foi uma partida ingrata para os adeptos. Sofrida, visualizada com o coração nas mãos, temendo um golpe do destino, um lance fortuito, uma jogada de sorte. O Porto não mereceria tal desiderato dos Deuses da Fortuna. Claramente superior ao seu adversário, nos 180 minutos da eliminatória.

Foi uma equipa adulta. Serena. Voraz, na segunda metade, enconstando às cordas uns colchoneros que sobreviviam como podiam. Leo Franco voltou a ser um obstáculo intranponível. Uma. Duas. Três. Quatro vezes, negou o golo aos portistas, adiando a festa azul e branca, num pacto demoníaco com os postes da baliza.

O apito final provocou a apoteose. A festa. Merecida. Continuamos a ser o mais lídimo representante do futebol luso, além fronteiras. Um embaixador digno. Estamos entre as 8 melhores equipas da Europa. E tudo é possível, agora...

nota 1: Pode mudar de local. Falar com sotaque. Mas continua o mesmo. Um péssimo profissional, batoteiro, simulando constantes faltas. Simão Sabrosa permanece idêntico. O estereotipo do pateta que não olha a meios para alcançar os fim.

nota 2: Meu caro Paulo Assunção, o resultado em 180 minutos não demonstra a enorme superioridade azul e branca. Mas, bem lá no teu íntimo, sabes que levaste novo banho de bola. Como merecias. Ficas em casa, a ver a Champions pela TV. Talvez alguém te atire um amendoim, tá bem?

nota 3: Nota final para mais uma arbitragem "isenta", "íntegra" e "honesta", como pretendido por Platini. Contemporização para a dureza excessiva dos defesas espanhóis, penalty sonegado por falta grosseira sobre Lisandro (a mesma que o boi da Sport Tv não viu). Um habilidoso, mas que não levou a água ao moinho.

24 de fevereiro de 2009

Não acredito em bruxas, mas...

Atlético Madrid, 2 - Porto, 2

Uma sensação estranha, esta a que ocorreu quando o árbitro inglês silvou pela última vez na partida da Champions, entre colchoneros e portistas. Estranha, porque quem assitiu aos 90 minutos sabe perfeitamente que o empate é um resultado mentiroso, não reflectindo a clara superioridade azul e branca. Tivessem oferecido, antes do seu início, esta aparente vantagem para os comandados de Jesualdo, e eu talvez aceitasse.

Empatar fora na mais elitista prova de clubes, diz o manual de adepto de bancada, é bom. Pois. Mas assistir, com desespero crescente, a uma finalização desastrada, aliada a uma pouca sorte já habitual, e o empate sabe a pouco. Tem sabor de frustração.

Parecia ser uma noite daquelas, tenebrosas, em que tudo corre mal. Fucile lesiona-se no aquecimento. Primeiro contratempo, sobretudo se pensarmos que o seu substituto é o inseguro Sapunaru. Tinha a contenda começado à míseros segundos e Rodriguez desperdiçava, perante a incredulidade geral, um golo de baliza aberta.

Os Deuses da Fortuna troçavam de nós. Ainda a repetição do lance não se tinha extinguido e os colchoneros abriam o marcador, perante a apatia dos defensores portistas.

Felizmente, como o tempo demonstrou, esta equipa tem caracter. Passou pelo inferno e sobreviveu. 3 derrotas seguidas colocaram-na numa situação periclitante. E quando a 4ª, em Kiev, parecia certa, eis que o grito de revolta emitido demonstrou a massa de que são feitos estes indómitos guerreiros. Aí, nessa gélida noite ucraniana, o Porto mostrou que não existem impossíveis, mostrando ser capaz de lutar por um destino melhor.

Madrid assistiu, por isso, apenas à continuação do labor de uma equipa, cada vez mais confiante, com espírito corporativo, dentes cerrados na ultrapassagem dos obstáculos. E eles hoje foram tantos. Leo Franco, defendendo por instinto bolas seladas para golo. Um árbitro britânico, adepto do caseirismo, anulando mal um golo aos forasteiros. Helton, com uma falha monumental, num momento cirúrgico e crucial.

A tudo resistiram os pupilos de Jesualdo, conseguindo obter o empate, na segunda metade, que minimizou as perdidas sobrenaturais da finalização

Para a história, fica o título do As, diário desportivo madrileno. "Un milagre mantiene al Atlético con vida". E, para um bom entendedor, a parte significativa do artigo. "El Atlético viajará a Portugal con posibilidades de superar la eliminatoria, algo inexplicable teniendo en cuenta lo visto durante los noventa minutos. Los hombres de Abel realizaron un partido nefasto que pudo acabar con el sueño europeo si no fuese por la actuación de Leo Franco y la falta de puntería de los de Ferreira. El Oporto pudo certificar su pase a cuartos con facilidad y convertir la vuelta en un puro trámite. Los milagros existen, esta noche en el Calderón ha quedado demostrado".

11 de dezembro de 2008

Sem euforia

Sem euforias. Apenas e só a sensação gratificante do dever cumprido. Depois da tormentosa noite de Londres, a reacção esperada do Porto. Contundente. Vitórias sofridas na Turquia e Ucrânia, finalizando com uma transpirada e digna vitória sobre os gunners.

Primeiro lugar do grupo, 12 pontos, 4 vitórias, números elucidativos de quem é, verdadeiramente, o embaixador luso por essa Europa fora.

Alguns, mesquinhos, argumentarão que o Arsenal se deu ao desplante de trazer uma equipa pouco rodada. Que seja. Problema deles. O Porto venceu. Convenceu. Amealhou o dinheiro em jogo. Aumentou o prestígio. Devolveu, devidamente embrulhado, o sorriso de Wenger.

Aliás, nesta fase, parece-me que o sisudo francês terá cada vez menos vontade de sorrir. 4º lugar na Premiere League, acossado pelo Aston Villa, numa luta titânica pelo último posto de acesso à Champions, e um provável tubarão europeu no caminho, nos oitavos, deverão adiar o eterno sonho de erguer o mais apetecido troféu de clubes do Velho Continente.

Os azuis e brancos, comandados por Jesualdo, continuam o seu caminho. Briosos, dignos, numa exibição sem mácula, carimbando o passaporte para a fase seguinte, assistida por 6 milhões de pategos pela TV.

Com Lisandro, Hulk e Rodriguez em grande, o Porto promete um final de 2008 demolidor.

25 de novembro de 2008

Um clã


E pronto. Um ponto final, rotundo, na história da crise. Pelo terceiro ano consecutivo o Porto garante o apuramento para os oitavos-de-final da Champions. A uma jornada do fim. Noutras latitudes, o feito seria digno de encómios, provocando uma avalanche de elogios, com a turba a festejar ruidosamente o objectivo alcançado.

Na Invicta apenas e só um mero sorriso nos lábios. Aquela reconfortante sensação de dever cumprido. Só. Nada de euforias. De gestos exultantes. Uma postura cordata, de quem sabe o que vale. Hoje, tal como em Kiev. Ou em Londres.

O tricampeão nacional reagiu à adversidade. Levou um soco. Brutal. Derrotado e humilhado na capital da velha Albion, não teve tempo para lamber as feridas. Ouviu invectivas, insultos e apupos. Dos outros, estava habituado. Dos seus, estranhou.

Ao primeiro impacto seguiu-se outro. Duro. Derrota num bastião que se julgava inexpugnável. Em pleno Dragão, soçobrando perante a frieza do Dinamo de Kiev. Sem tempo de respirar, quase como se vivesse afogado num pesadelo interminável, sofreu novo desaire. Leixões. E ainda outro. Naval.

Chegou-se ao ponto culminante da temporada. Era ali, naquele momento, que a galhardia do Porto teria que vir ao de cima. E aquelas camisolas azuis e brancas enfrentaram as adversidades. De forma corajosa. Indómita. Quase como os Descobridores cantados por Camões. De peito feito.

Sofreram, mas venceram. Na gélida Ucrânia. Lutaram até à exaustão, enfrentando demónios interiores, em Alvalade. Tocaram o hino da Champions à turba vinda da cidade Berço. Só para eles imaginarem como seria. Jogar assim. Numa competição destas.

E hoje, na Turquia, foram ENORMES. Um jogo a roçar a perfeição. Um Porto à moda antiga. Coeso. Solidário. Transcendental. Cirúrgico. Implacável.

Lisandro voltou às grandes noites, silenciando o inferno otomano. Fucile demonstrou como deve jogar um lateral. Raçudo. Intransponível. Meireles foi um digno comandante. Apaziguador. Cerebral. Trabalhador. Tomas Costa o perfeito escudeiro. Tacticamente exemplar. Helton seguro. Frio. Glacial.

Rodriguez, mesmo sem continuar a encontrar o caminho da felicidade, usou as suas armas. Velocidade mesclada com transpiração. Raça misturada com orgulho. Mais do que uma equipa, o Porto foi um clã.

Venceu. Com inteira justiça. Lutando, porque nada lhe é oferecido. Sofrendo, porque só assim o gosto da vitória tem este sabor. Adocicado.

E amanhã uma parte do País vai acordar com uma sensação de mal-estar. Algo indefinido. Quase como se pressentisse uma tragédia. Uma calamidade. Os sorrisos já não serão tão largos. Tão expansivos. NÓS ESTAMOS DE VOLTA! E O MEDO REGRESSOU...

ps: logo do jogo gentilmente cedido pelo Bibo Porto. Thanks!

5 de novembro de 2008

YES, WE CAN!*

Como experiência, não deixa de ser salutar. Três derrotas depois, e a comemoração de uma vitória, sobretudo obtida em tons dramáticos, faz-nos regredir no tempo. Para eras há muito esquecidas. Tempos de míngua. Com triunfos obtidos de quando em vez...

Hoje, quando Lucho introduziu a bola na baliza ucraniana, dando a vitória ao Porto, dei por mim a comemorar demasiado efusivamente, atendendo ao horário nocturno e aos rebentos a dormirem em quartos contíguos. A ânsia por uma vitória. O desejo patente de sermos felizes outra vez.

Serviu, sobretudo, para extravasar a frustração crescente, conferindo algum ânimo a uma equipa à beira do naufrágio.

Não foi um jogo bilhante, por parte dos pupilos de Jesualdo. Longe disso. Doses extras de atitude, crença, capacidade de luta, mas com as limitações que ameaçam tornar-se naturais...

E com a habitual dose cavalar de malapata. Pela enésima vez, nova bola ao poste, numa altura crucial, com o marcador a teimosamente mostrar o 0-0. E, como num qualquer filme de ficção, aquela sensação de déja-vu. Meireles tinha acabado de rematar ao poste. A resposta do Dínamo foi contundente. Golo. Balde de água gelada.

Faço aqui um fast-forward. Para o golo de Rolando. De raiva. Carimbando o grito de revolta de um plantel causticado por críticas avulsas e dedos acusatórios. E, naquele momento, poderá estar a chave para o êxito de toda a temporada. Ali, na cabeçada vitoriosa do jovem central portista.

É fácil agora afirmar isto, mas senti que venceríamos. Premonição ou mera fé de pacotilha, a verdade é que senti-me imbuído de uma crença forte. Os Deuses da Fortuna, tão cruéis ultimamente, fizeram o seu mea-culpa. E redimiram-se...

Nos loucos momentos finais, o Porto esteve à beira do KO. Que, confesso, nos deixaria prostrados num estado de profunda depressão. O futebol, mesmo que visionado por anos a fio, nunca deixa de surpreender. Uma autêntica montanha russa de emoções. Com altos e baixos. Euforia intimamente ligada à depressão.

Bola no poste da baliza de Helton. Coração sobressaltado. Unhas roídas. E depois, a esperança. Aquela cavalgada triunfal de Lisandro. O corpo que se ergue no sofá, esperançoso. O grito que se quer soltar, como possuidor de vida própria. O cruzamento. E o momento mais sublime, sonhado por todos os adeptos portistas, nos últimos dias...

O remate de Lucho a anichar-se, suavemente, mantendo a chama do Dragão a tremeluzir. Estamos vivos. E isso é que interessa.

* com a devida vénia ao seu criador, Barack Obama!

22 de outubro de 2008

Como se diz f**a-**, em ucraniano?


21 de Outubro de 2008
UEFA Champions League 2008/2009 (Grupo G – 3ª jornada)
Estádio do Dragão, no Porto
assistência: 32.209 espectadores
árbitros: Terje Hauge (Noruega), Jan Petter Randen e Kim Thomas Haglund; Kjetil Saelen.

FC Porto: Nuno; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Lino; Lucho «cap», Fernando e Raul Meireles; Mariano, Lisandro e Rodríguez.
Substituições: Fernando por Hulk (46m), Rodríguez por Sektioui (62m) e Mariano por Tomaz Costa (67m).
Não utilizados: Ventura, Pedro Emanuel, Guarín e Farias.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

Dynamo Kyiv: Bogush; Betão, Kiakhate, Mikhalik e Nesmachniy «cap»; Vukojevic e El Kaddouri; Ghioane, Aliyev e Ninkovic; Bangoura.
Substituições: Bangoura por Milevskiy (46m), Ghioane por Eremenko (60m) e Ninkovic por Asatiani (82m).
Não utilizados: Shovkovskiy, Shatskikh, Romanchuk e Zozulya.
Treinador: Yuri Semin.

Disciplina: cartão amarelo a Nesmachniy (32m) e Rolando (65m).
Golos: Aliyev (27m).

É sempre um dia especial. O regresso da prova de elite. Com tudo a que temos direito. A ansiedade crescente. A multidão que se acotovela, na ânsia de entrada no majestoso recinto. O hino que arrepia, na sua lembrança de campanhas épicas. A magia que se solta. É noite de Campeões. Nada mais se lhe compara, no panorama futebolístico actual.

Não será, no entanto, um jogo mediático. Daqueles que movimentam jornalistas em magotes histéricos, com máquinas fotográficas a disparar em cada segundo. O opositor, apesar de respeitado, não é um dos “tubarões” europeus.

Equipa com historial de sucesso, o Dínamo de Kiev faz jus ao estereótipo das gentes de leste, no seu futebol. Frios. Cerebrais. Implacáveis. Mortíferos. Colectivamente fortes, desenvolvem um futebol feito de passes certeiros, movimentações dinâmicas. Com enorme coesão defensiva.Mas será, por certo, um jogo vibrante. Alegre. Táctico. Feito de jogadas de envolvimento, remates inesperados ou cruzamentos milimétricos. Com emoção. Com impropérios intraduzíveis. Gestos de exasperação. E, esperemos, com celebração. Muita. Porque nada melhor para celebrar o regresso à Europa do que uma vitória. Com espectáculo.

Na antevisão da partida e no tom professoral que o caracteriza, Jesualdo abdicou do suspense. Joga Nuno. Helton out. Joga Lino. Fucile de fora. De Benitez, nem se fala, com o trucidado defesa-esquerdo em Londres a deixar de ser opção. Quanto ao resto, nada de novo, deixando aos suspeitos do costume a obrigatoriedade do controlo da partida e a responsabilidade de alvejar as redes adversárias. Fernando. Lucho. Meireles. Tomas Costa. Rodriguez. Lisandro.

Tudo imutável. Tudo? Nah! Tomas Costa, que se vinha afirmando como pedra basilar no meio-campo, reforçando defensivamente as tibiezas de Sapunaru, dando alento à ala direita na procura do golo, não apareceu na constituição inicial da equipa. Mistérios…

Com a chuva a marcar o ritmo, foi um Porto acutilante aquele que entrou no bem tratado relvado do Dragão. Disposto a tomar conta do jogo, procurando jogar em velocidade, com a bola a ser lançada amiúde para os flancos. Rapidamente se percebeu que a equipa, pela dinâmica que imprimia, mancava. Visivelmente. Era o flanco esquerdo que ganhava em protagonismo, com Lino a denotar a sua propensão ofensiva, aparecendo bastas vezes em posições mais avançadas, ajudando Rodriguez. O flanco direito vivia refém de receios espúrios, com a banalidade de Mariano a aliar-se às dúvidas existenciais do lateral vindo da Roménia.

O domínio, visível, nunca foi suficiente para empurrar os ucranianos para uma defesa porfiada. Equipa com excelente técnica, capaz de gerir na perfeição as transições, foram aguentando golpe atrás de golpe, nunca descurando o contra-ataque, feito essencialmente por intermédio de Bangoura, pleno de força e provocando arritmias constantes a Rolando.

Num jogo agradável de seguir, Mariano procurava justificar, mais uma vez, a sua titularidade, mostrando-se agradavelmente activo. Contudo, o primeiro sinal de golo eminente surgiu no lado oposto. Uma incursão de Lisandro, com os predicados do costume, deixa a bola para Lucho, já dentro da pequena área. A saída desesperada do guarda-redes do Dínamo constituiu a salvação dos ucranianos, desviando o remate do argentino para o poste. Nova manifestação do destino [com esta, quantas é que já vão, em alturas sempre cruciais?], impedindo que os azuis-e-brancos inaugurassem o marcador. Era o sinal mais portista, com Lucho a ser um dos mais inconformados, aparecendo sempre em zonas perigosas.

Pressentia-se o golo. E ele apareceu. Mas para o adversário. Livre para o Dínamo e Aliyev a enviar uma bomba para Nuno. O remate, forte e repleto de trajectórias diferentes, era mesmo assim defensável. Isso mesmo. Defensável. Golpe tremendo nas aspirações, legítimas, à vitória, num golo algo fortuito.O Porto, aparentemente, não sentiu os efeitos colaterais de se encontrar em desvantagem. Lisandro desperdiça o ensejo de empatar, numa fuga pela esquerda. Até ao intervalo, só se viu Rodriguez. A cruzar. A rematar. Sempre impetuoso. Galvanizando companheiros. E, quando o apito do árbitro parecia uma realidade imutável, novo “bruáaaa” de decepção. Cruzamento de Cebola, com a dupla argentina – Lisandro e Lucho – a falhar por milímetros. O triste fado luso acompanhava a equipa para o retemperar de forças.

O intervalo foi bom conselheiro para o treinador portista. Desfez-se dos espartilhos conservadores, mandou às urtigas a tradicional cautela e fez pela vida. Sacrificou Fernando, demasiado apagado, e meteu no jogo a electricidade de Hulk. O Porto tomou de assalto o último reduto do opositor. Com Meireles a desempenhar, e bem, a função de pivot defensivo, conseguindo efectuar na perfeição a transição defesa-ataque, o Porto foi mais equipa, encostando finalmente o oponente às cordas.

Vendo que a equipa, apesar de voluntariosa, estava longe de conseguir ser brilhante, Jesualdo opta por nova e necessária mexida. Tarik, o supersónico extremo, estava prestes a iniciar nova aventura, depois do calvário da lesão. Entendia-se a substituição. O Dínamo, com a atitude defensiva cada vez mais patente, era mais permeável nos flancos. Tornava-se necessário alguém capaz de dinamizar a posse de bola, levando-o até à linha de fundo.

Surpreendentemente, o marroquino entra para o lugar de Benitez. Longe da inspiração que se esperava do uruguaio, mesmo assim é questionável a sua troca, deixando em campo a banalidade de Mariano. Por pouco tempo. Vendo que com Tarik a equipa ficou dotada de maior velocidade e imprevisibilidade, o treinador azul-e-branco opta por nova substituição. Sai Mariano, entra Tomas Costa. De pouco serviu.

O futebol portista, feito de coração mas com cada vez menor discernimento, foi perdendo clarividência. Os sinais de desnorte avolumavam-se, perante a impassibilidade de um adversário que, justiça seja feita, nunca viveu momentos de verdadeiro desespero. Hulk procurava remar contra a maré, enfermando de males ainda não corrigidos. Com uma capacidade de choque acima da média, um remate poderoso e uma capacidade técnica invejável, o brasileiro consegue sempre agitar as águas, mesmo quando teima em ser de um individualismo exasperante. Um diamante com evidentes qualidades para delapidar.

Sem uma verdadeira ocasião de golo, na 2ª parte, o conformismo foi tomando conta da equipa, pese a abnegação do costume. O espectro da derrota, depois de 3 profícuos anos, abateu-se clamorosamente sobre a Invicta. E a noite que se esperava de festa e celebração deu lugar ao mais profundo breu. Nuvens bem escuras que pendem sobre a suposta qualidade de uma equipa que teima em defraudar expectativas…

Notas finais: 3 míseros pontos, 3º lugar no grupo, com duas deslocações a redutos difíceis para realizar, na 2ª volta. Com um encontro caseiro a ser anfitrião dessa verdadeira máquina demolidora de jogar futebol, o Arsenal, que futuro para este Porto bucólico, melancólico e tristonho? Sinceramente, nesta fase, apenas e só o desejo de que se consiga o desiderato mínimo: o apuramento para a UEFA. Aliás, vistas bem as coisas, a única coisa que o clube teria a ganhar, com uma eventual e improvável qualificação para os oitavos, seria o chorudo bónus financeiro. Porque, sejamos sinceros, esta equipa é uma pálida imagem de outras que granjearam respeito na Europa. E, quando assim é, nada melhor do que alimentar as expectativas dos adeptos, jogando num escalão com uma grau de dificuldade bem menor.

Melhor do FC Porto: Raul Meireles. Primeira parte esforçada, segunda parte a demonstrar o quão equivocado estava Jesualdo, ao conceder o beneplácito da titularidade a Fernando. Meireles dinamizou por completo o meio-campo portista. Recuperou bolas, efectuou passes, manteve a clarividência necessária no desenvolvimento das jogadas de ataque, servindo os interesses do colectivo.

ps - Sempre me mostrei convicto nas minhas opiniões. E nunca, felizmente, pedi a cabeça de ninguém. Detesto solenemente os linchamentos mediáticos. Defendi, neste espaço, em muitos comentários, a manutenção de Helton na baliza. Felizmente que Jesualdo não me fez a vontade. Imagino o que se diria do brasileiro se fosse ele o titular, sofrendo um golo num livre a mais de 30 metros da baliza. Ficou provado que o brasileiro não pode, em circunstância alguma, servir de bode expiatória a culpas colectivas.

ps2: Texto e imagem originalmente publicados no Bibo Porto.

30 de setembro de 2008

Um Arsenal de limitações...

LIGA DOS CAMPEÕES - GRUPO G (2.ª JORNADA)
ARSENAL, 4-FC PORTO, 0

Estádio: Emirates, em Londres
Hora: 19:45
Árbitro: Herbert Fandel (Alemanha)

EQUIPAS OFICIAIS

ARSENAL - Almunía; Sagna, Touré, Gallas e Clichy; Nasri, Fàbregas e Denilson; Walcott, Adebayor e Van Persie.
Treinador: Arsène Wenger.
Suplentes: Fabianski; Eboué, Djourou, Vela, Bendtner, Ramsey e Silvestre.

FC PORTO - Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Benítez; Guarín, Fernando e Raul Meireles; Tomás Costa, Lisandro e Rodríguez.
Treinador: Jesualdo Ferreira.
Suplentes: Nuno; Lino, Pedro Emanuel, Stepanov, Lucho, Hulk e Candeias

Não estava muito optimista antes da partida. Já o tinha proferido a alguns amigos. Já tinha veiculado a mesma opinião em alguns blogues azuis. E, infelizmente, os 90 minutos em Highbury apenas serviram para acentuar essa ideia. Foi, claramente, um Porto de trazer por casa. Apenas para consumo interno.

Ninguém esperaria que os pupilos de Jesualdo chegassem a terras de Sua Majestade e encarassem o opositor de peito feito. Na difícil e exigente Premier League contam-se pelos dedos de uma mão as equipas capazes de enfrentarem os comandados de Wenger, olhos nos olhos.

O abismo económico que separa as realidades inglesa e portuguesa ajuda a explicar o potencial de ambos os clubes. Mas não serve de paliativo para exibição tão pobre.

Foi um Porto muito certinho na defesa, com a lição aparentemente bem estudada, aquele que subiu ao relvado. Sem Lucho, com Tomas Costa no lado direito do meio-campo, deixando o centro do terreno para Meireles e Fernando e a esquerda com uma novidade: Guarin, na sua estreia a titular.

Lá na frente, dois vagabundos, com previsível dinamismo na procura do golo: Lisandro e Rodriguez. No papel, até parecia uma boa táctica. A realidade tratou de, rapidamente, mostrar que a mesma poderia ruir como um castelo de cartas.

Com o Arsenal instalado de armas e bagagens no meio-campo portista, a partida foi decorrendo num ritmo vivo, típico dos jogos com sotaque british. Mostrando que a lição de casa tinha sido convenientemente estudada, os principais raides arsenalistas verificaram-se pela esquerda. O lado da defesa onde hoje apareceu Benitez a titular.

Rapidamente o flanco esquerdo foi tomado de assalto, quase como uma espécie de recreio privativo dos atacantes londrinos, onde Guarin não servia de tampão às investidas dos gunners.

Naquele colete-de-forças onde o Porto se instalou voluntariamente, a ligação entre as linhas não existia. Passes desgarrados, tentativas condenadas à nascença de lançar os homens da linha da frente, mostrando a palidez e tibieza de quem já tinha entrado convencido na inevitabilidade da derrota.

Tudo poderia ser diferente se, na melhor jogada da primeira metade, Rodriguez não tivesse visto a trave devolver a bola, que levava selo de golo. Numa transição rápida, Meireles combina com Lisandro, que encontra Tomas Costa na direita. Este, lesto, centra na perfeição para a entrada de Cebola. Esteve quase. Mas o quase, na Champions, conta muito...

O Porto extinguiu-se pouco depois. Com espaço, Lisandro fuzila a baliza de Almunia. O guarda-redes espanhol corresponde com a defesa da noite. No camto subsequente, Lisandro encontra um momento de distração da defesa da casa. O remate, à meia volta, é salvo sobre a linha de baliza, por Clichy. E o árbitro deveria ter dado por findo o encontro, naquele momento.

Salvava o Porto de um naufrágio de consequências imprevisíveis. Mas "the show must go on". E o Arsenal, sem acelerar muito, chegou rapidamente aos 2-0.

Se o primeiro tento é fruto de uma jogada de envolvência, o segundo, na marcação de um canto, é de uma infantilidade gritante.

Se a primeira parte acaba sob o domínio intendo do Arsenal, a segunda inicia-se da pior forma para os Dragões. Novo golo, aproveitando nova ingenuidade azul e branca. Van Persie, claro, não perdoou.

E assisti, incrédulo, aos piores 45 minutos como adepto portista. Uma equipa a naufragar, totalmente impotente, vivendo e resistindo com muita sorte à mistura. Apenas o deslumbramento na finalização, juntamente com alguma inépcia, imediram que o resultado atingisse foros de escândalo. O Porto parecia um opositor à beira do KO, totalmente grogue em campo. A humilhação, já de si real, pairava como uma nuvem cinzenta sobre a cabeça dos jogadores portistas.

A partir dos 48 minutos, altura do 3º golo arsenalista eu, não-crente nas coisas da religião, dei por mim a rezar para um fim rápido. E isso diz tudo. Exibição patética, com consequências imprevisíveis para o futuro. Apesar disso, não embarco em "noites de facas longas" ou "caça às bruxas", mas o ambiente estará pesado para os lados do Dragão. E isto antes de uma deslocação a Alvalade. Para a história fica a cruel realidade, patente numa frase do comentador da RTP, Luis Freitas Lobo: "O Arsenal está a divertir-se"!

Pudera, acrescento eu, que até me sinto contente por ter perdido apenas por 4.

18 de setembro de 2008

O arco-íris...

3 milhões pela participação na Champions, mais 400.000 € por cada jogo, acrescidos de um bónus de 600.000 € pela vitória, tal como a de ontem, frente aos turcos. Compreende-se, cada vez mais, porque é que alguns andaram à procura do arco-íris, durante o Verão, em gabinetes de advogados, nos corredores da UEFA, achando que o pote de ouro estava lá, à espera deles. A Champions pela TV deve ser deprimente…

17 de setembro de 2008

Porto X Fenerbahce


É hoje. A Champions está de volta. Num engalanado Dragão lá vamos nós receber uma armada turca, num confronto de grau de dificuldade elevado. A crónica do jogo será feita aqui. Apareça por lá e deixa a sua opinião sobre as incidências da partida.

ps: Imagem retirada do blog A Nação Azul e Branca

28 de agosto de 2008

Sorteio da Champions

O Porto já tem parceiros, no sorteio realizado hoje. Integrado no grupo G, os Dragões têm distinta companhia. Arsenal, Fenerbahce e Dinamo de Kiev.

Não é, longe disso, um grupo fácil. A equipa de Wenger, sobejamente conhecida, foi comedida esta temporada, no defeso, contratando apenas Nasri, o novo menino lindo do futebol gaulês. Viu sair Hleb, mantendo a espinha dorsal da temporada anterior, onde pontifica Fabregas como nome grande de uma equipa que ainda tem Rosicky, Diaby, Gallas, Eboue, Eduardo, Van Persie e Adebayor.

Os turcos, curiosamente compatriotas do Besiktas despachados na última Liga dos Campeões pelos azuis e brancos, são os vigentes campeões em título, orientados pelo técnico campeão europeu Luis Aragones. Única equipa turca em prova na mais elitista competição de clubes, têm vários atletas na Selecção nacional, tendo realizado uma soberba prova na temporada anterior.

O Dínamo de Kiev chega a esta fase de grupos depois de despachar com duas goleadas o Spartak russo. Clientes habituais da Champions, serão um osso duro de roer. Conta com dois aríetes temíveis no ataque: Bangoura e Milevsky.

6 jogos intensos, plenos de emoção e paixão, disputados em ambientes feéricos. Só mesmo na Champions...

ps: Surpreendentemente, o Guimarães ficou no mesmo pote que o Benfica. Como diz o meu amigo VilaPouca, ficaram no pote que os pariu...

27 de agosto de 2008

Cada um tem o que merece

"Cada um tem o que merece". Era este o mantra do Tenente Bastos, rosto patibular inexpressivo, ministrando a doutrina militar na recruta em Mafra. Lembrei-me hoje das palavras marteladas no meu cérebro, no meio de impiedosos exercícios. Quando assistia, com alguma ansiedade, aos últimos minutos do Basileira-Guimarães. Os suiços defendendo-se denodadamente. Os trogloditas do Minho atacando desesperadamente. E o ponteiro dos minutos, lenta mas inexoravelmente, aproximando-se do apito final. Que belo som, aquele silvar do apito.

O Vitória minhoto tinha razão em procurar garantir um lugar na milionária prova de clubes, aliando-se ao clube dos intriguistas, tentando conseguir o passaporte para o mundo mágico sem disputar a pré-eliminatória. Eles sabiam porquê. A qualidade futebolística, como ficou bem patente, não dá para mais. E, como dizia o Tenente Bastos, "cada um tem o que merece". Obrigado BASILEIA!

ps: Nem tudo foi mau para os vimaranenses. Os neandertais de Guimarães arranjaram, pelo menos, novos amigos. Podem, nestes serões sensaborões que os esperam, juntar-se numa bela farra à corja encarnada, assistindo à Champions pela tv. O horária, nunca é demais repetir, é às 19:45. Às 3ªs e 4ªs feiras. É que a Champions League, para alguns, só mesmo nas televisões.

1 de agosto de 2008

Fã nº 1

Gotemburgo ou Basileia. Uma destas equipas será a minha, depois de 4ª feira. Mal termine a 2ª mão da 2ª pré-eliminatória da Champions, tornar-me-ei um fervoroso adepto de uma delas. Da vencedora. Até à eliminatória com o Guimarães. Há quem diga que o sorteio favoreceu os vimaranenses. Opiniões. Eu acho o oposto. Ser eliminado pela Juventus, Barcelona ou outro peso-pesado não faria mossa na carapaça dos comandados de Cajuda. Mas ver o sonho de participar na milionária prova de clubes ser estilhaçado por suiços ou suecos trará um amargo de boca difícil de esquecer, para eles. Por isso, allez Gotemburgo ou Basileia!

ps: Sweet revenge:)

16 de julho de 2008

E o prémio Kompensan vai para...


É obra. Perder o acesso à Champions desportivamente já deve custar bastante. Se a essa contundente e humilhação privação de poder disputar a competição mais famosa de clubes, com os melhores da Europa, juntarmos as dolorosas e desesperadas tentativas de resolver o caso na secretaria, consegue-se compreender o "melão" com que os benfiquistas andam...

É compreensível. Pateticamente arrastando-se de tribunal em tribunal, de instância em instância, branqueando o comportamento medíocre da equipa de futebol, a mesma que no início da temporada passada foi apelidada pomposamente de "melhor plantel dos últimos 10 anos", para no fim serem confrontados com o veredicto: NÃO VÃO!

Resta-lhes apenas apanhar um lugar, na 1ª fila, no aeroporto de Lisboa, para assistirem in loco à chegada sebastiânica do novo profeta encarnado, com o rótulo de "um dos 3 melhores nº 10 do Mundo". Talvez ele ainda chegue, num dia de nevoeiro. Até lá, porquê não compram o CD com o hino da Champions League? Sempre podem trautear a música...

- ecos na blogosfera

REALMENTE, DEVE DOER...: Foi um domínio de tal forma avassalador que vocês, este ano, até no defeso conseguiram perder.

O PROBLEMA:O problema agora não é resolver o imbróglio de se terem posto 6.000.000 de infelizes no quarto a sonhar alto para nada, ou apenas para terem mais uma desilusão e daquelas bem grandes. O problema vai ser encontrar uma maneira de estimular e espicaçar uma equipa que ainda não iniciou nenhuma das competições para as quais se conseguiu sacrificadamente apurar (nem taça, nem liga, nem taça da liga nem coisa nenhuma) e já vai completamente derrotada.

QUARTO MILAGRE DE VIEIRA:Ser corrido da Champions pela quarta vez numa só época. Há gente que se supera magnificamente.


A agremiação encarnada e o seu mais recente e triste acólito, o Guimarães (que figurinha!), perderam novamente. Os seus intentos de adquirirem em Secretaria aquilo que não venceram em campo foram, mais uma vez, frustrados pelos órgãos jurisdicionais competentes.Saliente-se que na decisão de hoje o grupo que ostenta a denominação de uma freguesia de Lisboa, o Guimarães (que tristeza!) e a própria UEFA, foram condenados a pagar as custas processuais em partes iguais!Agora basta! É preciso que o futebol regresse ao futebol. Que a época futebolista se inicie como deve ser, com jogos e jogadas dentro dos relvados. Que os clubes envolvidos nesta pantomina, directa ou indirectamente, saibam fazer a sua preparação adequada. E que todos os que gostam de futebol treinem o melhor possível enquanto que os demais se auto-excitam com a ‘novela Aimar’. Certamente que, se assim for, os melhores voltarão a ganhar…


ps: Imagem retirado do Bibó Porto

15 de julho de 2008

Sugestões...

Algumas ideias práticas que os adeptos do Benfica e Guimarães podem aproveitar, nos serões da Champions, agora que a UEFA lhes fez um manguito delicioso:

- aproveitarem para ver futebol a sério, da elite, sintonizando os canais da RTP ou SportTV, impreterivelmente às 19.45 horas de terças e quartas feiras;

- pegarem na cara-metade e realizarem o sarau cultural do costume, que inclui uma voltinha pelo Centro Comercial Colombo ou similar, trajando de preferência o fato de treino, de cores garridas, a peúga branca e, claro, o cordão de ouro, usado ostensivamente por fora do casaco, aberto até ao umbigo, mostrando a barriga proeminente e a farta pelugem peitoral;

- visualizarem a RTP Memória, revendo as finais do tempo do preto e branco, e vibrando como se fosse hoje com os êxitos de outrora;

-
reunirem um grupo de amigos e dedicarem-se a um qualquer jogo de cartas, com cerveja à descrição, muitas car****d** e arrotos sonoros;

- aproveitarem para se dedicarem à pesquisa de mais uns termos jurídicos, preparando já a futura maquinação de entrada na Champions, na próxima época, depois de a realidade se abater contundentemente sobre o clube, com o mais que provável 3º lugar na temporada 2008/09;

- irem para o aeroporto esperarem pelo Pablo Aimar;

27 de junho de 2008

Porque não te calas?

Fosse este artigo escrito pela nobre pena do Rei Juan Carlos, monarca das terras de nuestros hermanos, e Platini veria a sua incontinência verbal barrada desta forma, rude.

O actual presidente da UEFA, agora empossado no papel de nobre paladino, defensor das virtudes alheias, voltou às luzes da ribalta, atacando novamente, para gáudio da populaça lusa, a inclusão do Porto na Champions.

Fundamentalmente, no discurso agora trazido à estampa, Platini nada de novo profere. Volta apenas a frisar que não vê com bons olhos a participação portista na próxima edição da mais elitista prova de clubes.

É pena. Tinha Platini, apesar do seu notório chauvinismo, na conta de uma pessoa medianamente inteligente. Mas o francês procura, de forma denodada, demonstrar o contrário. Já deveria ter percebido, passado este tempo todo, que a decisão Comissão do CD da Liga de Clubes foi alvo de recurso. O resto é meramente acessório. As discussões jurídicas, entrando no território dos doutorados em Direito, apenas servem para alimentar páginas de jornais. A realidade é apenas uma. Existe um recurso. Ponto. O que significa, grosso modo, que o Porto, seja como entidade ou na figura do seu presidente, continua a pugnar pelo bom nome do clube, recorrendo da aberração proferida por Ricardo Costa e seus pares.

Não deixa, no entanto, de me provocar um sorriso de condescendência esta implicação de Platini pelo azul e branco. Tal como à mulher de César, para ser honesto não basta parecê-lo, proferindo amiúde as suas virtudes na imprensa. Platini construiu todo a aura à volta do seu nome, não apenas por jogadas de génio, mas fundamentalmente pelos troféus conquistados. Muitos deles na Juventus. A “vecchia signora”, secular clube italiano, é comprovadamente um dos maiores corruptos do velho continente.

Até hoje, mesmo qualquer Dalai Lama empossado de toda a paciência do Mundo, já teria achado que o silencio de Platini, sobre os casos de corrupção italianos, é revelador da dualidade de critérios morais que norteia a vida do francês. O Milão, condenado em Itália, jogou a Champions no ano seguinte, vencendo-a de forma incontestada. O mutismo a que a UEFA se remeteu foi suficientemente esclarecedor. O de Platini também.

Ficaria bem ao francês, nesta cruzada agora encetada, recordar publicamente a forma pouca honesta como a sua Juventus conquistou a Taça das Taças ao Porto, com o árbitro da ex-RDA, Adolf Prokop, a ser o principal ponta-de-lança dos transalpinos. Platini, mais uma vez, beneficiou de uma arbitragem pouco isenta para enriquecer o seu currículo como jogador. Depois de o ouvir fazer um mea-culpa mediático, sobre o caso, aí sim, acharia que o francês afinal possui uma coluna vertebral direita.

ps: Seria demasiado fastidioso relembrar que, sem a Juve e os seus cozinhados arbitrais, a aura de grande futebolista de Platini não seria o que é hoje. E é pena. Porque o francês vive de uma mentira. Idêntica aquela Taça dos Campeões, ofertada por mais um clamoroso erro do juiz de campo, na tristemente celebre final do Heysel. Um penalty mentiroso, convertido por Platini, impediu o Liverpool de erguer o troféu.

Caro Platini, porque não te calas?

18 de junho de 2008

É só rir...


A falta de pudor da corja é tanta, que merece mais piedade do que ódio. Desportivamente inaptos, como o demonstra a classificação obtida na última temporada, o "melhor plantel dos últimos 10 anos" procura, com todo o afã, obter na secretaria aquilo que lhe foi impedido dentro dos relvados. A participação na Champions...

Sempre achei que esta polémica, alimentada cirurgicamente, constituia uma oportunidade única para LF Vieira. Contestado por uma enorme franja de adeptos, alimentados por promessas não cumpridas e por sonhos megalómanos que nunca se concretizarão, o presidente da corja viu nesta batalha a derradeira oportunidade de se manter no cargo, ele que já se ameaçou demitir 1539 vezes...

Coacção e pressão desmesurada sobre os orgãos decisores do futebol luso foi a receita encontrada. Coadjuvado pelos acólitos existentes nos pasquins diários e restantes média, denodada e desesperadamente procurou evitar a entrada do tricampeão na Champions, sabendo que com isso desferiria um rude golpe nas pretensões azuis e brancas, quer derportiva, quer financeiramente. Até compreendo que, tanto a corja como o Guimarães, esperassem com ansiedade o veredicto da Justiça. Mas com recato. Com pudor. Com dignidade. Deixando a Justiça seguir o seu curso.

Ambos os clubes ficaram a mais de 20 pontos. A corja terminou a Superliga num paupérrimo 4º lugar, afastada miseravelmente na 1ª fase da Champions [devem ser masoquistas para quererem entrar na prova novamente], humilhada pelo rival da 2ª circular na Taça de Portugal e sobrevivendo à custa de grosseiros erros arbitrais na novel Taça da Liga.

Os vimaranenses, obtendo de forma surpreendente o passaporte para a pré-eliminatória da prova milionária, sentiram no entanto na pele o poderio do Dragão. No jogo caseiro, decisivo para a atribuição da entrada directa na referida prova, a 2ª equipa do Porto derrotou de forma inapelável e contundente os comandados de Cajuda. 0-5.

Por isso, repito, recato e pudor eram exigidos. Mas estamos a falar do futebol português. E da corja. E, pelos vistos, também da equipa da cidade Berço, agora a querer colocar-se em bicos de pés, interessada num castigo ao clube sediado na Invicta.

A revelação da UEFA de que, na temporada prestes a iniciar-se, contará com a presença do FCP foi, pois, mais do que uma bofetada de luva branca. Foi mesmo uma estalada sonora, na soberba, na arrogância, na procura de vencer a qualquer custo.

16 de junho de 2008

Quem fica a ver pela TV, quem é?


Não foi preciso esperar muito para saber quem apanhava as canas, depois do foguetório que se assistiu em território nacional, após o anúncio do afastamento do Porto da Champions. O País, varrido por uma onda de euforia, prepara-se agora para um consumo excessivo de anti-depressivos. Os sorrisos, outrora tão espontâneos, esmorecem rapidamente...

Não sendo ainda a decisão esperada, pois o castigo continua pendente, sabe-se já, através do porta-voz da UEFA, que o Porto será o legítimo representante de Portugal na mais elitista prova de clubes. Fez-se, para já, Justiça. Conquistado o direito, dentro das quatro linhas, a participar na mais apetecível prova de clubes do velho continente, apenas pela acção desesperada da corja, que procurava apoderar-se do lugar, mesmo sabendo que a equipa terminou no 4º posto, é que a decisão vinha sendo protelada. Até hoje. A máfia não venceu. A corja foi derrotada. Jogam na UEFA e já não é nada mau.

Valeu tudo. Cairam as máscaras. Mas [e vou soletrar, para perceberem melhor] F.O.D.E.R.A.M-S.E!

Repito, a título gracioso, o anúncio feito neste blog, tempos atrás: Champions League, terças e quartas-feiras, sintonizando a Sport TV 1 ou 2 e a RTP1. O horário é imutável. 19:45 horas. Refastelem-se num sofá e apreciem a competição. Talvez um dia, quem sabe, possam participar. Mas a fazê-lo, que seja por mérito próprio!

ps: Logo retirado do Bibó Porto.

22 de maio de 2008

Justiça Divina, com sotaque british

Foi com um interesse inusitado que acompanhei a final da Champions. Gosto da Premier League. Tornei-me fervoroso adepto do Chelsea, nos tempos do Special One, com direito a compra de camisola oficial [estampada com o nome de...Terry]. E, last but not least, porque a Champions é uma prova única...

Pode ser bela, resplandecente, fazendo-nos sonhar com honrarias e glórias conquistadas, mas capaz de, num ápice, nos mostrar a sua faceta cruel e caprichosa. É uma prova dura, intensa, onde apenas os melhores sobrevivem...mesmo que com uma pontinha de sorte.

Em Moscovo, território do oligarca Abramovich, ela voltou a mostrar ambas. E, no final, só me apetecia colocar um epíteto em Avram Grant, dono do banco dos blues londrinos: o Peseiro israelita...

Com uma imagem cinzenta, apagada, pouco simpática, conquistou aos poucos os fervorosos crentes londrinos. Pegou numa equipa à beira do motim, pós saída de Mourinho, arrostou com as manifestações ruidosas e pouco simpáticas de um público habituado à pose pouco fleumática do nosso conterrâneo, para aos poucos, lenta mas inexoravelmente, colocar a equipa no trilho dos êxitos...

E esteve quase. Faltou apenas um bocadinho. Na Premier encurtando, jornada após jornada, o atraso para os directos rivais. Aquilo que pareca impossível, mera utopia, começou a ganhar forma. O título parecia uma realidade palpável...

Até aos 92' do jogo caseiro com o Wigan. Faltavam míseras 3 jornadas. O Chelsea vencia por 1-0. Emile Heskey, possante avançado dos forasteiros, estilhaçou grande parte dos sonhos, sonegando 2 preciosos pontos...

Mas foi na prova elitista da UEFA que o clube esteve à beira da sua grande vitória. Ultrapassada a besta negra de Mourinho, numa meia-final dramática contra o Liverpool, Avram Grant saboreou o sucesso. A primeira final da Champions chegou, para gáudio do magnata russo...

O israelita, contido até então, começou a soltar umas graçolas pouco edificantes, "picando" Mourinho. E o sucesso parecia não fugir mais, na noite do Kremlin...

Começaram mal, dominados facilmente pelo estrategema da velha raposa, Ferguson de seu nome, num 4-4-2 inesperado. Prestes a soçobrarem, com o 2-0 a rondar perigosamente a baliza de Cech, sentiram o bafejo da deusa da fortuna, empatando a contenda à beira do intervalo, num golo fortuito...

Fizeram depois por merecê-la. Segunda parte de intenso domínio, empurrando os red devils para uma defesa porfiada. A felicidade estava ali, tão perto de ser apanhada. Drogba rematou ao poste. Lampard imitou-o, já no prolongamento, vendo o couro esbarrar na trave...

Resistiram à lotaria dos penaltis. Concentrados, aguardavam pela falha do adversário. Ela surgiu. Pelos pés de Ronaldo. Acendeu-se o rastilho da esperança. Faltava apenas e só um mísero pontapé. Um só. Tão fácil. Um remate certeiro separava o Chelsea da glória europeia e o seu treinador do reconhecimento dos seus pares...

Quando Terry, símbolo do clube, adorado pelos adeptos, autêntico homem de ferro, avançou de forma destemida, o destino do clube estava em jogo. Periclitante, qual artista de circo, em cima de um trapézio sem rede...

Terry chutou. E, naquele momento, o Deus da Justiça Divina despertou. A sua ira fez-se ouvir. E sentir. A bola saiu caprichosamente para fora. E Mourinho foi vingado, da forma mais cruel possível, como se esta saísse da mente de um sádico...

Terry, de quem a imprensa inglesa diz ter sido o Judas que esfaqueou o seu mentor, provocando a saída do Special One, nunca mais esquecerá este dia...