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24 de novembro de 2008

O novo nº 10

Não. Não se assustem. O Porto não contratou ninguém para a posição de 10. Pelo menos, que se saiba. Este que aparece nas imagens é um génio. Uma espécie de Deco, com o talento de Madjer, numa mistura explosiva. Chama-se Kusturica. E é um génio. Já tinha dito?

Realizador jugoslavo, com sangue cigano, autor de obras emblemáticas, daquelas difíceis de enquadrar num género, subvertendo-os. Para quem aprecia cinema, fora do mainstream americano, "Gato Branco, Gato Preto" ou o inesquecível "Underground".

Homem dos sete ofícios, não esgota os talentos no celulóide. Tem uma banda, chamada Emir Kusturica & The Smoking Orchestra, que realiza espectáculos inolvidáveis. Uma autêntica fusão de géneros musicais, criando um ambiente de festa delirante.

Apaixonado pelo mundo do futebol, realizou recentemente um documentário sobre um Deus maior: Diego Armando Maradona. E, tambem aqui, como se constata, o bom gosto não é um filão que se termine de forma abrupta. Aquela camisola 10 que o diga. Quem é o embaixador do futebol tuga, quem é?

9 de julho de 2008

O que realmente importa...

Após uma semana sem tempo, sequer, para passar os olhos pela net, estou de regresso. E foi uma semana com algumas novidades, que isto de ser a silly season tem muito que se lhe diga…

Extra-4 linhas, o que continua a fazer furor é, sem dúvida, os aspectos colaterais dos Apitos. Se na Justiça comum os casos vão sendo arquivados, com direito a doloroso puxão de orelhas à paladina da Justiça e a colocação do rótulo de mentirosa à ex-alternadeira, na justiça desportiva é feita tábua rasa de qualquer norma legal. As decisões são todas elas tomadas com os cachecóis dos clubes do coração ao pescoço, numa denodada procura de reestabelecer o status quo vigente em décadas caídas no esquecimento.

Não deixa de me espantar o afã com que o 4º classificado do último campeonato, vergonhosamente derrotado com uma margem pontual de dois dígitos, continua a colocar na hipótese de ir à Champions. Cheira-me a desespero, para aqueles lados, sobretudo quando o presidente da instituição é apupado pelos seus. A mediocridade procura, de qualquer forma e sem olhar a meios, encontrar uma rota de fuga…

Se alguns esperavam, placidamente, que o CJ analisasse de forma consciente o recurso de Pinto da Costa, imunes a pressões, eu já há muito que tinha perdido a ingenuidade. A reunião de 6ª à noite apenas veio comprovar o que se suspeitava. Era imperioso uma tomada de decisão, desfavorável às cores azuis e brancas, para que se pudesse ostentar esse trunfo [palavras da Bola] na próxima apreciação do TAS. E, para isso, nem que fosse necessário recorrer a métodos pouco ortodoxos. A jogada é a de sempre. Causticar os elementos incómodos, atempadamente, nas páginas dos jornais. Criar a ideia que o presidente do CJ era, à partida, pouco idóneo para desempenhar as funções. E, para isso, utiliza-se a táctica de Goebbels, o ministro de propaganda nazi. Uma mentira mil vezes repetida torna-se em verdade.
Gonçalves Pereira surgiu assim, nas páginas impressas da imprensa diária, como um aliado de longa data de Valentim Loureiro. O motivo: vereador da Câmara de Gondomar.

Sempre me espantou esta celeridade em denegrir que, por afinidade profissional ou outra, tem pontos de ligação com as personagens históricas do Norte. Não importa que Ricardo Costa, o aclamado presidente do CD, seja presença assídua nos camarotes do Estádio da Luz. Pelos vistos, isso não influencia a sua “imparcialidade” estatutária. Mas o facto de Gonçalves Pereira ser vereador em Gondomar já era um sinal de alarme, na demanda dessa Justiça que só interessa invocar quando do agrado dos correlegionários e serventuários da corja. Ficou apenas um pequenino pormenor por esclarecer, que faz toda a diferença.
Gonçalves Pereira é vereador sim, mas da oposição a Valentim. Pelos vistos, algo que deve ter escapado à argúcia de Delgados, Manhas e outros da mesma estirpe.

Para finalizar, o golpe de mestre. Reunião encerrada, sem tomada de posição, presidente e vice fora da sala, acta feita e, numa intentona que faria corar de vergonha os tempos que se seguiram ao dealbar da democracia neste País, os 5 membros restantes, barricados à revelia numa sala, para fazerem aquilo que interessava a alguns…

Compreende-se, cada vez mais, o porque “de ser mais importante colocar pessoas nos órgão de decisão do que comprar jogadores”. Bem vistas as coisas, as batalhas do futebol português travam-se nos corredores sombrios e nos gabinetes a cheirar a mofo das estruturas federativas.

Ps: O que realmente importa, no meio disto tudo, é mesmo a apresentação dos novos equipamentos. É com eles que vamos vencer o TETRA. E aumentar o ódio que essa gentalha sente por nós…

22 de outubro de 2007

Extra-futebol

1 - A recente crise no BCP, mediatizada pelos media e aproveitada estratégicamente pelos opositores internos e externos do dinossauro Jardim Gonçalves, tem algumas semelhanças com a realidade portuguesa. Se resolvermos entrar numa onda de comparações, bem que o Millennium funciona como uma espécie de mimo do Governo tuga. Existe, em ambos os casos [ambos os dois, como diria o Orelhas], um núcleo duro, assim como uma espécie de bloco central de interesses, que usa e abusa descricionariamente do dinheiro...dos outros. Talvez ainda se assista a uma campanha preparada pela máquina publicitária do maior banco privado português para limitar os estragos que tanta asneira tem feito. Um "Perdoa-me", como nova linha de crédito, com total isenção no pagamento de capital e juros, apregoada como a nova maravilha, pela voz off do novo treinador do Arouca. Quem sabe...

2 - Fim-de-semana negro para a Inglaterra. Os súbditos de Sua Majestade devem ter esgotado as cervejas nos pubs para mitigarem as frustrações desportivas. No sábado, o Mundial de Rugby terminou, com a justa vitória da África do Sul. A Selecção da Rosa, detentora do ceptro mundial, foi derrotada sem apelo nem agravo, numa final parca em emoções. Demasiado táctica, sem qualquer ensaio a abrilhantar a festa e com a nova vedeta mundial, o africandêr Bryan Holland a ficar em branco, logo ele que pratica um jogo excitante, misto de destreza física e força, encarnação do mítico Lomu. Perder uma final deixa sempre um travo amargo nos derrotados, mas os ingleses, depois daquele pontapé milagroso de John Wilkinson à 4 anos atrás, podem dar-se por satisfeitos. Poucos vaticinavam a sua presença na final, para defender o título...

3 - Para terminar, os ingleses viram a "next big thing" automobilística ceder à pressão dos nervos, deixando fugir o título mundial de Fórmula 1. O rookie Hamilton, autêntica pedrada no charco do fechado mundo das vedetas da máxima competição automóvel, fez uma temporada brilhante, batendo recordes, criando expectativas e esbanjando talento. E eu, fã desde a adolescência dos livros do "Michel Vaillant", vi nele um "jovem lobo", ávido de títulos, atacando o mainstream, o feudo dos veteranos. Só que, ao contrário da BD, a vida é mais dura. Os nervos atraiçoaram o jovem talento, nas alturas cruciais, fazendo-o cometer erros que até então pareciam erradicados da sua personalidade. Ganhou Raikkonen, um finlandês moldado na frieza dos fiordes, numa espécie de justiça fnal, ele que parecia o contendor em pior situação, antes do arranque da última prova. Sentiu-se uma lufada divina nas boxes da Ferrari, como que concedendo a graça da vitória a quem tinha sido vítima de maquinações de espionagem. Antes assim do que Alonso campeão...