19 de março de 2008

FC Porto - que futuro?

Com o Tri a ser uma certeza, apenas faltando a confirmação matemática para que os foguetes estrelejem nos céus da Invicta, importa fazer uma breve reflexão sobre o que esperar deste Porto, na próxima temporada...

O timoneiro da nau azul e branca será, por certo, Jesualdo Ferreira, obreiro dos dois títulos com que as camisolas aparecem aureoladas. Não sendo uma pessoa que crie uma empatia fácil com os adeptos, é no entanto garante de trabalho e profissionalismo. Com o modelo de jogo perfeitamente definido, internamente o Porto partirá como principal favorito à conquista do Tetra...

Com ou sem Apito Dourado. Com ou sem casos. Não deixa de ser irónico que, nos 3 anos em que o pretenso maior processo de corrupção futebolística abalou os alicerces do futebol indígena, os Dragões tenham amealhado outros tantos títulos de campeões nacionais. Não merecendo os favores da crítica, nem as ofertas prazeirosas dos homens do apito, as conquistas foram alicerçadas em plantéis fortes, numa organização exemplar que faz suspirar de inveja os detractores, elevando o estatuto dos azuis e brancos a um patamar quase inatingível...

Esquecida a temporada de transição pós-Mourinho que, aliada a uma conjugação de factores extra-desportivos [as peças de cristal a trabalharem nos bastidores], permitiu um balão de oxigénio aos encarnados, o Porto rapidamente reassumiu a hegemonia interna, tornando a Superliga uma prova sensaborona, com a ditadura de resultados a fazer os opositores corar de vergonha...

Vendo o estado actual dos rivais, a atravessarem períodos de negrume intenso, não parece de todo descabido afirmar que, desde que não exista um harakiri portista, os próximos anos serão de intenso domínio. O Sporting, algo fragilizado pelo pomposamente designado project finance, que não é mais do que uma reestruturação financeira da dívida monstruosa, mantendo o clube refém da Banca nos próximos anos, irá continuar a viver da aposta em jovens saídos da Academia e da venda das poucas estrelas que lhe restam.

No outro lado da 2ª circular, o Orelhas continua a viver num mundo próprio, feito de ciclos que se renovam sucessivamente, após cada desaire. Percebendo tanto de futebol como qualquer criança de 2 anos, continuará a encetar uma fuga para a frente, procurando fugir ao escrutínio dos sócios. Apesar da boa imprensa, encabeçada pelo servil José Manuel Delgado, que o coloca nos píncaros da gestão, o passivo do clube cresce desmesuradamente, paralelamente à ambição fátua de serem alguém na Europa...

Por isso, a época de 2008/09 deverá ser de consolidação de títulos portistas. A verdadeira "piéce de resistance" será a prova maior do Velho Continente. Aí, onde o Porto tem claudicado nos oitavos de final, moram a ambição dos adeptos e o materialismo da SAD. Que Porto teremos?

Não será difícil de adivinhar que, mal termine a época, o assédio aos jogadores portistas se acentue. Nomes como Bosingwa, Bruno Alves, Lisandro, Quaresma e Lucho serão apetecíveis para emblemas com outro poderio económico. Pinto da Costa lançou recentemente o mote. Quaresma pode sair. Por 40 milhões. Mera bravata do presidente portista ou a assumpção inquestionável de que ele quer um clube que ombreie com os colossos europeus?

A verdade é que, se o Porto quer ter uma palavra a dizer regularmente, na Europa, terá que manter um equilíbrio entre as previsíveis saídas e o reforço qualitativo do plantel. Será por certo uma tarefa titânica manter na equipa Lucho e Quaresma, mas será na capacidade de regeneração das perdas que estará a chave para o sucesso...ou estrepitoso fracasso.

9 comentários:

dragao vila pouca disse...

É um grande desafio que temos pela frente, é por boas razões, mas, é um desafio complicado.
O sucesso desmobiliza...crescer para a Europa não é fácil, dadas as diferentes capacidades económicas e financeiras.Como dar a volta à situação?
Todos temos o dever de contribuir!
Um abraço

Rui disse...

Sobre este interessante tema (e o único com interesse neste momento da vida da equipa de futebol) repito o comentario que fiz num blog vizinho:
Tambem eu gostava muito que o porto se virasse em definitivo para a Europa (lutar regularmente por um lugar nos 1/4 ou 1/2 finais da champions) mas receio que isso não vá acontecer brevemente. Isto porque tenho a impressão que no próximo defeso vamos sofrer uma razia ao estilo de 2004! Não só por a cobiça sobre os nossos melhores jogadores começar a ser demasiada para os próprios ignorarem, como tambem por se estar a fechar um ciclo de 3/4 anos em que esses mesmos jogadores andaram a passear a classe por palcos secundários em relação aquilo que podem aspirar. Não me acredito que Lucho, Lisandro, Bosingwa e B.Alves se deixem convencer a ficar por cá caso comecem a aparecer propostas de clubes de 1ª ou mesmo 2ª linha dos campeonatos de Espanha, Inlgaterra ou Italia. Já o Quaresma, acredito que seja o mais facil de segurar, pelo preço irreal que o Porto quer por ele, e muito sinceramente não estou a ver nenhuma equipa das "grandes" a arriscar um valor desses num jogador com tão pouca maturidade para a idade e rodagem que já vai tendo. Aliando a isso, a manutenção de Jesualdo como treinador, cheira-me que o próximo campeonato, infelizmente para nós, não vai "sofrer" tanto da falta de competetividade patente no actual...

Paulo Pereira disse...

Rui,

Sem dúvida k é o k eu mais temo, a repetição do cenário pós vitória na Champions de 2004. Uma razia idêntica colocaria o Porto num patamar de competitividade mais baixo, adiando novamente a construção de uma grande equipa europeia, e tornando a luta pela hegemonia interna mais acesa...

Esperemos k não seja assim. Vamos lá esperar pelo começo da época de vendas...

Bruno Pinto disse...

Já estamos habituados a estas dores de cabeça. Ganhámos sucessivamente, temos uma organização ímpar, os nossos jogadores brilham e valorizam-se, o que provoca inevitavelmente o assédio dos grandes colossos.
A meu ver, o máximo exigível de saídas desse núcleo duro será duas. Mais do que isso é um risco competitivo que não se pode correr. Lisandro para mim jamais poderá ser transaccionado no final desta temporada. O melhor negócio talvez seja mesmo o Quaresma, mas apenas se fôr pelo valor da cláusula de rescisão ou muito próximo disso. Bruno Alves, Lucho e Bosingwa são para manter, mas apenas por valores irrecusáveis e só se fôr apenas um deles, nunca mais. Valores irrecusáveis seriam na ordem dos 25 milhões.
Já agora, que se renove o mais rápido possível com Paulo Assunção, não percebo sequer como se equaciona a hipótese de ele sair.

dragao vila pouca disse...

Paulo e Rui;só há razia quando se fecha o ciclo e este ainda não está fechado.
A sair...o máximo,dois.
Um abraço

AZUL DRAGÃO disse...

Paulo :

Bela análise.

Mas...

Se acreditamos (e eu acredito) no nosso Grande Timoneiro , então ,
a palavra "fracasso" não consta do nosso dicionário !

Um abraço

Anónimo disse...

ao tempo que o Quaresma já está apalavrado com um grande da europa, e por mais um pouco do que pede agora Pinto da Costa

é de todo normal que qualquer atleta pense em sair do Porto, vão ganhar muito mais e ter terão certamente maior visibilidade. O que a mim me interessa é que enquanto cá estão bebam da nossa mística e respeitem o nosso Clube. De resto muito boa sorte para eles todos
O FCPORTO CONTINUARÁ A SER GRANDE E DAR-NOS ENORMES ALEGRIAS PORQUE QUEM DIRIGE O BARCO FICA POR CÁ E MANTEM FIRME O RUMO...
AMORIM

Dragaopentacampeao disse...

Apesar de preferir preservar os melhores jogadores, situação ideal para manter a equipa em alta e se possível proceder a melhoramentos pontuais, sou dos que compreende que a Sad terá inevitavelmente que ceder às investidas milionárias dos "tubarões" europeus.

A razia que se seguiu à época 2003/2004 resultou numa má experiência para o FC Porto em termos competitivos, quanto a mim por imponderáveis de que o futebol é fértil e que não serão fáceis de repetir.

De resto, Pinto da Costa até conseguiu um bom lote de reforços para substituir as cedências milionárias, que fariam feliz um qualquer treinador de classe, que não tivemos e foi para mim a principal causa dessa época atípica.

Seitaridis, Pepe, Diego, Luís Fabiano... todos atletas de grandes capacidades que juntamente com Baía, Jorge Costa, Maniche e Derlei deveriam formar uma nova equipa capaz de ombrear com os melhores da Europa.

A concretizar-se uma nova razia creio que Pinto da Costa responderia com aquisições à altura, garantindo a hegemonia do FC Porto, e agora sem participações nefastas de Del Neri e Couceiro.

Anónimo disse...

Fernando Mota, presidente da Federação de Atletismo

A atleta mais completa? Fernanda Ribeiro. É a atleta mais medalhada do desporto nacional - pista, pista coberta, estrada, corta-mato. Depois, porque é de uma determinação invulgar, pela alegria dela, por ser incapaz de se meter na vida dos outros e porque não tem medo da sombra dos outros campeões e dos outros atletas.