13 de setembro de 2007

O "defensor" das quinas

Scolari, passadas 24 horas sobre a agressão, fez o seu mea-culpa. Forçado, é certo, mas um mea-culpa. Ou aliás, um meio mea-culpa, se é que existe isso. O brasileiro, dono e senhor dos destinos da nossa Selecção principal, diz que sim, que fez, mas...

Pois, existe sempre um mas. Ele agrediu, não porque tenha perdido a cabeça, mas porque foi defender - de quê? - Quaresma. Assim, num passe de mágica, o mustang fica no centro do turbilhão. Foi por causa dele que Scolari fez o que fez. O indefeso extremo portista foi salvo de uma tareia monumental pela intervenção divina - lá esta a Nossa Srª do Caravaggio - de Scolari, qual intrépido justiceiro ao serviço do bem. Só lhe falta a capa de super-herói. Bem, não só. O bigode não ajuda muito a imagem cool a que associamos os salvadores do mundo.

Assim, de mea-culpa aquilo não teve nada. Foi um atabalhoado pedido de desculpas, depois de finalmente se ter apercebido da burrada que fez e das consequências que daí podem advir. E pronto. Ponto final. Pelo menos, assim parece pensar Scolari.

Aqui, entra em cena, ou deverá entrar, a entidade patronal de Scolari. A Federação Portuguesa de Futebol. Scolari é um assalariado, principescamente pago. Ao serviço dessa mesma entidade patronal Scolari encheu de vergonha quem mensalmente lhe deposita na conta o chorudo ordenado. Numa Federação que, aparentemente, é regida por princípios morais rígidos, a sanção ao seleccionador deverá ser apenas uma: EXEMPLAR!

Não foi assim com Zequinha, um puto de 19 anos, que ao serviço da Selecção no Mundial, retirou intempestivamente o cartão vermelho da mão do árbitro, numa situação de enorme tensão, ao ver um colega expulso e o descalabro do resultado? A Federação teve contemplação com a idade do atleta ou com o posterior pedido de desculpas do jogador, publicamente assumindo o erro? O final da história vocês sabem: Zequinha foi afastado, digo eu barbaramente, por UM ANO! UM ANO!

Os mesmos princípios éticos da Federação são partilhados pelo próprio Scolari, afastando do seu grupo - o clube Scolari - os penitentes e os que caem em tentação. Foi assim com Maniche, alegadamente envolvido em cenários pouco edificantes, mas nunca esclarecidos, e com Sérgio Conceição, depois do desvario deste num jogo do campeonato belga, em que mimoseou o árbitro com a sua camisola, atirada intempestivamente. Ora, se o grande timoneiro tem pruridos destes, transformando o grupo num rebanho de ovelhas dóceis e fiéis, deve, em qualquer circunstância, sob qualquer cenário, dar o exemplo.

Não me alongando mais neste artigo, fica apenas e só a congratulação intíma que sinto por, desde início, ter mantido a coerência no meu discurso, quando falo de Scolari. Para mim, treinador mediano, execrável na maioria das suas atitudes, indigno de ser o responsável da selecção do meu País. O problema agora é de:

...quem o recebeu de braços abertos,
...quem lhe deu palmadinhas nas costas,
...quem o bajulou até à náusea,
...quem o cobriu de honrarias,
...quem o elogiou ininterruptamente,

Esses agora, que se "amanhem"!

15 comentários:

carlitos disse...

Uma vergonha.
Uma vergonha indesculpável.
Ao nível de um Sá Pinto e de Um João Pinto.
Simplesmente vergonhoso.

PS: Sou um admirador do trabalho do Scolari.

jbs disse...

Também tu?
Sabes, eu prefiro ter um seleccionador que perde a cabeça com roubos e provocações, que ter um que olha para o chão quando os seus jogadores são agredidos - e é algo assim que nos arriscamos a ter se o Scolari sair.
E sinceramente, a meio da primeira parte já eu tinha vontade de dar um par de sopapos ao boi preto, a ver se ele deixava de marcar todos os mergulhos sérvios como falta. Depois daquele golo, e das provocações dos sérvios, compreendo que qualquer ser humano perdesse a calma.

tiago pimentel disse...

Há claramente um problema de padrão comportamental na nossa selecção. Não é só o Scolari. O Scolari é apenas mais um.
Pessoalmente, acho que nos fazia bem (a nós portugueses) e sobretudo às vedetas da nossa selecção apanhar um banho de humildade e falhar o europeu.
Cada vez somos mais vistos na Europa como maus perdedores.
Parecemos aqueles putos que são os donos da bola. Começam a perder, agarram na bola e vão embora. A nossa selecção ou agride os árbitros ou os jogadores ou faz chinfrim. Uma vergonha. Uma vergonha atrás da outra.

bruno sousa disse...

As minhas razões nada têm a ver com a de outros.

Estou farto que a selecção do meu país tenha situações destas.

Saltilho, Euro 2000, Mundial 2002, Sá Pinto, Balneário em França, Sub-19 neste verão.

Não acham que já chega????

amaro leite disse...

Scolari mostrou nas intervenções de hoje que é um grande Homem. Grande Honra e grande Humildade. Agora todos temos de nos unir em torno dele e da Selecção. Tenho a certeza que vamos estar no Euro

bruno gomes moreira disse...

Felipão !! Ou Scolari como os gajos gostam . Larga essa porra de Pais e volta para o nosso Brasil !!! Gostariamos de você no Fluminense !!! Esse povo não gosta dos Brasileiros !!!Volta para ganharmos a Libertadores ano que vem !!!Fizeste bem ao dar o soco . mas devia ter acertado as bolas de Sérvio estupido !!!!

Pedro Vagos disse...

Continuo com a minha... acho que aquilo que ele fez, no calor do jogo, depois de ser roubado (sim, que disso, por incrivel q pareça ninguem fala) e após ser insultado o mais certo era qualquer um de nós passar-se e tentar enfiar um soco num cromo qualquer (eu pelo menos conheço um gajo que trabalha num banco, que ferve por muito menos... eh eh ehe)...
Agora... obviamente algum castigo terá que sofrer... e eu acredito que até ao campeonato da europa ele não sentará o cúzinho no banco... a nível interno... se ficar sem o ordenado deste mês... também me parece justo.
Ah! E é tão reprovável tentar espetar um soco no adversário, como rasgar-lhe a camisola e dizer que se espera que ele morra... portanto, quem não atacou um, que não ataque o outro.

Paulo Pereira disse...

Ó Bruno Moreira, "esse povo não gosta de brasileiros"! Dasse! Mas k raio de estereotipo xenófobo é esse? Eu adoro brasileiras, especialmente as de bundinha perfeita. Não gosto é de brasileiros estúpidos, como é o caso do Scolari e parece ser o teu!
Atão nós não gostamos de brasileiros? Fomos nós, portugueses, que vos resgatamos do mato, k vos ensinamos a comer com faca e garfo, a vestirem-se, a fazer alguma coisa de útil, em resumo, fomos nós k vos resgatamos das trevas e não gostamos de vocês?
Rais ta partam!

Paulo Pereira disse...

Ó Pedro,
existe uma tabela com as pontuações do k é reprovável? Comparar um soco a um adversário a um mito criado à volta de uma camisola, em k alegadamente Mourinho esteve envolvido, não lembra ao diabo. Desde logo, pelo mediatismo da questão no caso do Scolari e pela nega peremptória, no caso da camisola, do Mourinho. Mas, mesmo k este último fosse verdade, comparas o incomparável. Mourinho era, na altura, treinador de uma equipa e, a acontecer isso k se relata, foi longe dos olhares, totalmente diferente de um murro assestado perante dezenas de câmaras, num jogo da Selecção nacional, em k o interveniente é apenas o mais alto responsável do clube...

ps: esse teu colega no banco, k ferve em pouca água, se algum dia espetar um sopapo num cliente ou num colega, acontecer-lhe-á o k? Uns dias de castigo, queres ver? É que se for assim...

amorim disse...

Apesar da tentativa de lavagem da imagem na televisão publica, este senhor tem já extenso cadastro de situações parecidas é tudo menos uma pobre virgem

Anónimo disse...

O episódio da agressão a Dragutinovic não é virgem no currículo de Scolari. No passado já aconteceram outras cenas de pugilato do seleccionador, um homem capaz de soltar uma lágrima com a mesma facilidade com que dá um murro quando ferve.

Desde o início da carreira de jogador, aliás, que Scolari é conhecido pelo carácter durão. Ele que era um central forte, implacável e feroz. Os episódios mais marcantes, porém, surgiram já desde que o brasileiro se tornou treinador.

O primeiro, pelo menos entre os mais mediáticos, surgiu em 1995, e teve do outro lado o treinador Wanderlei Luxemburgo. Foi durante uma meia-final da Taça Brasil, disputado no Olímpico de Porto Alegre entre o Grémio e o Flamengo.

Scolari era na altura treinador da equipa da casa e irritou-se com as queixas constantes de Luxemburgo sobre o comportamento dele no banco. No final do jogo, dirigiu-se ao adversário e deu-lhe um encontrão ao qual Luxemburgo não reagiu.

Em 1997, quando já treinava o Palmeiras, numa final do Brasileirão, Scolari teve outra cena que ficou para a história no Brasil. Desentendeu-se com o jogador Valber, do Vasco da Gama, junto à linha e bateu-lhe com a bola a cara.

O episódio mais marcante surgiu porém em 1998. Também no Palmeiras. No final de um treino, Scolari falava com os jornalistas, quando Gilvan Ribeiro, repórter do Diário Popular, lhe perguntou por que não deixava os adeptos ver o treino.

O treinador ficou irritado e respondeu que não tinha sido ele a determinar o treino à porta fechada, o jornalista insistiu que recebera indicação do guarda do recinto, os dois começaram a trocar acusações até que Scolari deu um murro na boca do jornalista.

Dois anos depois, ainda no Palmeiras, Scolari foi apanhado por uma televisão a pedir aos seus jogadores que batessem, cuspindo se fosse preciso, no avançado do Corinthians Edilson, num jogo da Taça Libertadores da América que era decisivo.

Portugal também teve um cheirinho do carácter difícil de Scolari quando se irrita. Numa conferência de imprensa, o seleccionador teve uma reacção agressiva para um jornalista que lhe fazia perguntas sobre Baía, repetindo «você está abusando, você está abusando».

Pobres V.Baía,S.Conceição e sobretudo ZEQUINHA!!!!!!

BRUNO ROCHA disse...

Sobre isto so tenho a dizer e k para mim é verdade k scolari nao goza junto da minha pessoa de grande margem para erro pork nao gosto dele e pork acho k ele nao é grande treinador ainda ontem ouvi um brazuca jornalista dizer o mesmo k o k ele faz e apelar ao emocional ..ora isso é verdade..portugal ta recheado de bons talentos e jogadores o mercado prova-o bem ..o k scolari tem feito e aproveitar bases de trabalho de clubes..de resto é o k se sabe..kto a este caso faço minhas as palavras de JORGE Maia em o JOGO =http://www.ojogo.pt/23-205/artigo658921.asp=

tomás disse...

Tás mais que desculpado. "Perder a cabeça" acontece a qualquer ser humano. Foi grave? Foi! Mas depois do castigo voltará tudo ao normal! Scolari já provou ser um grande treinador: Campeão do mundo, Vice-Campeão Europeu e um 4º lugar no último mundial! Não chega?Vamos unir-nos para irmos ao EURO 2008 e deixar de crucificar Scolari que é um ser humano como qualquer um de nós e tem familia! O primeiro que nunca perdeu a cabeça que tire a primeira pedra......Viva Portugal!

alexandre disse...

Tás mais que desculpado. "Perder a cabeça" acontece a qualquer ser humano. Foi grave? Foi! Mas depois do castigo voltará tudo ao normal! Scolari já provou ser um grande treinador: Campeão do mundo, Vice-Campeão Europeu e um 4º lugar no último mundial! Não chega?Vamos unir-nos para irmos ao EURO 2008 e deixar de crucificar Scolari que é um ser humano como qualquer um de nós e tem familia! O primeiro que nunca perdeu a cabeça que tire a primeira pedra......Viva Portugal!

Anónimo disse...

Até ao próximo soco


Luís Felipe Scolari apresentou, ontem, desculpas públicas pela agressão ao jogador Dragutinovic, da Sérvia. Felipão pediu desculpa aos adeptos, à Federação e à UEFA, mas deixou de fora a vítima da agressão, que foi Dragutinovic, e até a Federação da Sérvia, que também merecia um pedido de desculpas. Não é bonito e acima de tudo soa um pouco a falso.

O que aconteceu anteontem mais não é do que uma longa sucessão de tristes situações de falta de fair-play no futebol português, com a complacência das autoridades futebolísticas e até governamentais. Depois de termos um jogador a agredir um seleccionador (Sá Pinto a Artur Jorge, em 1997), um jogador a socar um árbitro (João Pinto a Angel Sánchez, no Mundial 2002), um trio de jogadores a baterem num árbitro assistente e no quarto árbitro (Paulo Bento, Abel Xavier e Nuno Gomes, na meia-final do Euro 2000), só faltava mesmo um seleccionador dar um murro a um jogador, sob a capa de estar a proteger um seu atleta (Quaresma).

Caso não tenham reparado, estas coisas nunca acontecem nos clubes. Acontecem nas selecções como consequência do clima de impunidade que se vive e que é proporcionado pela Federação.

Ontem, iniciou-se o processo de branqueamento do murro de Scolari. O pedido de desculpas foi o primeiro acto. Logo a seguir, caiu nas redacções um comunicado de todos os jogadores a solidarizarem-se com Scolari. Por estes dias, João Rodrigues (há décadas espécie de presidente-sombra da Federação) iniciará os contactos com a UEFA para conseguir o castigo mais reduzido possível para Scolari. Laurentino Dias voltará a dizer que estas coisas não podem acontecer, que é preciso ter juízo, etc., etc. E até Hermínio Loureiro, que começou o dia a escrever que o rei vai nu, acabou a emendar o discurso, porque se há coisa inaceitável no futebol português é a falta de gratidão, como bem definiu Luís Filipe Vieira, se é que me faço entender... E será que ninguém pensa em agir antes do próximo murro