24 de julho de 2007

Banco dos réus

Como o MST resolveu meter uns dias de férias, o combate azul e branco na imprensa tem sido levado a cabo apenas por um guerreiro da escrita, combatente de muitas batalhas. António Tavares Teles continua a prossecução de uma tarefa iniciada semanas atrás. Desmascarar os pretensos paladinos da verdade que, a coberto de artigos de opinião, vão passando mentiras soezes, como se a impunidade fosse um dado adquirido. Não é. Pelo menos, enquanto continuarmos a contar com gente desta, que oferece o peito às balas. Dá cabo dessa gentalha, António!

1. Em duas páginas a que, muito por certo para se defender em termos jurídicos, chamou de “Humor”, e sem qualquer assinatura de autor, o “Record” decidiu voltar a publicar – já é o terceiro a fazê-lo, depois de Alberto Miguéns no jornal “Benfica” e de Leonor Pinhão na sua coluna d’ “A Bola” – o excerto de uma conversa que, num âmbito perfeitamente jornalístico, mantive com Pinto da Costa – que me deu para O PATO uma notícia sobre Deco – alargando esse seu frenesim à publicação de uma outra conversa entre o mesmo Pinto da Costa e Antero Henrique, chefe do Departamento de Futebol do FC Porto.
2. É certo que quem escreveu esse “humor” teve o cuidado de se prevenir de uma outra forma, adiantando: “Tecnicamente, há duas hipóteses – a) o primeiro interlocutor (Pinto da Costa) oferece uma cacha jornalística ao segundo (eu); b) propõe-lhe uma manobra de chantagem envolvendo o jogador Deco, que seria o último a saber”. O que mostra bem a raça de quem escreveu tal peça…
3. Só que há uma coisa: eu não sou nem arguido nem testemunha no processo Apito Dourado e já estou farto de, há falta de outros argumentos contra mim, ver publicadas estas escutas. Pelo que incumbi o meu advogado de, para além do processo a João Manha (que já aqui anunciei na semana passada) processar igualmente o “Record”. E não com o euro simbólico que pedi a Luís Filipe Vieira (noutro processo em curso) e que vou pedir a João Manha: com uma indemnização a sério que – caso ganhe esse processo, como espero – irá para uma instituição de caridade, de resto já definida. Assim como irei ver o que pode fazer-se relativamente a estas fugas de informação que violam não só a minha privacidade como o próprio exercício da minha profissão, uma grande parte da qual é a busca de notícias, ou “cachas”, como diz o “Record”. Pelo que se puder ser bom a quem permite ou favorece tais fugas, contem comigo.
4. Embora o meu ponto fundamental não seja que publiquem coisas destas, ou que o presidente do Benfica se tenha permitido dizer o que disse a meu respeito. É – isso sim – garantir-lhes que não podem botar pela boca (ou pela caneta) fora todas as aleivosias que lhes vêm à cabeça, ou que (em pura campanha) acham interessante para eles (ou para outros) publicar. Porque – podem estar cientes disso – daqui ninguém leva nada sem pagar em seguida. Mesmo que a Justiça os absolva. Só que esse é um problema da Justiça, não meu.De borla, é que não: banco dos réus, pois claro.
5. Com duas notas a acrescentar. Uma: se um qualquer juiz entender que aquilo que estes fulanos disseram e insinuaram a meu respeito não merece condenação, sentir-me-ei livre (e escudado na lei) para dizer e insinuar a respeito deles o que aqueles que vou levar a tribunal disseram e insinuaram sobre mim. Isso é certo e seguro. A outra: que, uma vez que se demonstra que tudo isto parte de gente do Benfica – Luís Filipe Vieira, João Manha, Leonor Pinhão – com o “Record” a servir de caixa anónima de ressonância, terei de dizer-lhes o seguinte: vejam lá se de vez em quando ganham um campeonatozinho, que isso passa-vos…Por mais que, em tal matéria, eu não possa fazer nada, é claro.
6. Por outro lado: eu bem sei que Ana Salgado pôs em causa – sem na SIC o nomear, é verdade, mas isso porque a pessoa que a entrevistou não lhe pôs algumas perguntas que devia ter-lhe posto – um membro da equipa de Maria José Morgado, no que diz respeito à actuação de Carolina na tentativa de acusação a Pinto da Costa. Para além de que entendo que todo este episódio é efectivamente, de parte a parte, muito triste. Mas não dá para compreender a defesa que a referida juíza faz do seu “team”, como se se tratasse de um grupo imune à prática da menor entorse aos “sagrados” princípios da instrução de um processo. Que diga que ela não quebrou qualquer regra, tudo bem: eu, por exemplo, até acredito nisso. Mas, e os outros? Como pode ela (Maria José Morgado) garantir que eles não quebraram regra nenhuma? E baseada em quê? No que eles lhe disseram, ou até escreveram? Porque achará ela que se eles tivessem violado regras lho iriam confessar oralmente ou por escrito? Será ingénua, a senhora? Não saberá ela, que tanto se empenha (e bem) contra a corrupção nas suas diversas formas, que essa corrupção atinge todas as corporações, se não por igual, pelo menos de forma aproximada? Olhe, eu vou perguntar-lhe o seguinte: não acredita que se Vieira, Manhã, Pinhão (via MP ou não) e “Record” tivessem contra mim outra coisa para além dessa escuta (que lhes foi fornecida do interior do corpo da Justiça) não a teriam já posto a circular?
7. Mais, porém (e é uma pergunta que aqui deixo): em que é que o depoimento de Carolina Salgado vale mais (ou menos) do que o de Ana Salgado? Mas outra pergunta ainda: por que não investigar a fundo o papel de Luís Filipe Vieira e de Leonor Pinhão em tudo isto?
8. A terminar: vou para férias, que bem preciso. Até breve."


António Tavares Teles in "O Jogo"

8 comentários:

bruno sousa disse...

Este sempre consegue chamar os bois peo nome, ao contrário do MST. Record, Orelhas, Leonor, Manha e essa corja toda, metidos no mesmo saco. Adorei foi o recado: "vejam se ganham um campeonatozito, de vez em quando". Eh eh eh eh eh eh!

tó mané disse...

Espantosa é a facilidade com que certas coisas são"sopradas" para quem convê, esquecendo o segredo de justiça. Foi assim no Apito Dourado, em que cirurgicamente se foram sabendo coisas e dando cartas aos opositores do Porto e de PC e continua. E depois admiram-se quando dizemos que isto é uma cabala, uma perseguição sem tréguas. Claro k é, e estas coisas só o comprovam...
Já agora, pk é k ninguem investiga a madame Pinhão? Tem algum tipo de impunidade?

bLuE bOy disse...

Artigo de opinião mais corrosivo... que ácido!
Numa palavra: brilhante.
aKeLe aBrAçO,
http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

tiago pimentel disse...

Assim é que é! Contundente e, como já aqui disseram, corrosivo.Ele que desmascare a palhaçada em que isto se tornou. É que, se isto depende de eles vencerem um campeonato, então estamos "lixados". É que eles não vencem porra nenhuma!

Julio Dantas disse...

Bravo António Tavares Teles!É assim que esta corja deve ser tratada,serventuários do SLBosta. A pinhão, o manha e outros que tais.
Os mouros andam desesperados ao presentirem que o apito vai dar em nada, porque está viciado desde o inicio, com o traficante de pneus a morgadinho e a fufa da pinhão a tentarem por todos os meios salvarem uma tramoia do tamanho da torre dos clerigos!
Mas, porque será que os unicos arguidos são todos da cidade do porto.Fosga-se não há corruptos eem lx!!!Os arbitros são todos portistas?!
A mafia está sim em volta desse clube de perdedores, esses srs são os responsaveis pela situação do país. Dor de corno é o que é...

Dragaopentacampeao disse...

Um dragão à maneira!

Tavares Teles é uma voz quase isolada na luta contra os mouros, numa Imprensa inundada por "infiéis" a quem apenas lhes falta o turbante para se mostrarem em plenitude.

Esmagar essa corja é urgente e conto com ATT para lhes dar o troco que merecem.

GM disse...

O ATT é um senhor Paulo!! :) A TVI já retaliou às declarações da Ana Salgado, como não podia deixar de ser correram a branquear tudo aquilo que foi dito... Isto está bonito está...

ABraço

Francisco disse...

Até um benfiquista é capaz de raciocionar que a Srª Drª é das pessoas mais poderosas do País.

A figurinha do Sr Luis Filipe Vieira,
faz-me lembrar um PRIMATA (vulgo chimpanzé), e peço desculpa aos chimpanzés deste mundo. Mas o perfil do Senhor, com a nascente do cabelo muito em cima dos olhos e umas grandes orelhas, provoca-me a sensação de estar a olhar para um MACACÓIDE.
Depois o discurso é sempre o mesmo, estilo cassete gravada, como nós vemos nos decumentários sobre animais ( quando o macaco escolhe no visor apontando o dedo à banana, à maçã, etc.
Se lhe mostrarem a imagem do Pinto da Costa, ele, reconhece o DONO.
E mais teria para dizer, mas já basta!