18 de janeiro de 2009

É um fartar, vilanagem

Caíram as máscaras. O futebol português está a saque. Literalmente. O assalto à hegemonia do futebol luso, detida pelo Porto, começou anos atrás. Em gabinetes isolados, com manobras de bastidores, preparando cirurgicamente a estratégia de ascensão vermelha ao pódio.

Não se podendo fiar na qualidade da equipa, sistematicamente enxovalhada em palcos nacionais e internacionais, os correlegionários ao serviço da causa optaram por um plano mais elaborado, mas confortavelmente mais seguro.

Tudo começou com o inefável caso do Apito Dourado, parcialmente descoberto por uma imprensa pouco preocupada com os buracos no argumento apresentado. Em todo o seu despudor, as escutas revelaram comportamentos sórdidos do pomposo presidente da Instituição, como ele gosta de referir, mostrando uma imensa teia de interesses, que teve continuação na figura de Ricardo Costa, armado paladino da Justiça, decidindo penas a granel, sem substância, apenas como forma de mitigar frustrações e obliterar a verdade de aparecer.

Se alguns, mais ingénuos, achavam que tudo terminaria com o pífio castigo aplicado as Dragões, rapidamente se desenganaram. O Verão, tórrido fora dos relvados, mostrou a falta de vergonha de alguns, dispostos a humilharem-se por um lugar entre os eleitos.

Arregimentando apoios nos media, que dissertavam de forma pretensamente sábia sobre assuntos do foro jurídico, levaram uma valente bofetada de luva branca, quando a UEFA lhe indicou o verdadeiro lugar: a disputa da Taça para a qual tinham sido apurados.

Nem assim, apesar de tudo, os espíritos mais mesquinhos sossegaram. Um plantel com custo superior a 20 milhões de euros tinha, forçosamente, que dar frutos. Nestas coisas, existe sempre um plano B. Como nem eles próprios se fiam na capacidade desportiva de uma equipa repleta de ídolos com pés de barro, as eliminações patéticas levaram à entrada em cena do desespero.

Este apareceu, ciclicamente, na figura do director desportivo, desvairado em túneis sombrios, usando da coacção sobre os trios de arbitragem, perante a benevolência dos orgãos de decisão, lestos a branquearem as práticas do maestro.

O ponto culminante chegou, ironicamente, numa decisão acertada de Pedro Henriques, ao anular [bem e de forma corajosa] um golo da corja encarnada frente ao Nacional. Foi o pretexto que eles aguardavam, de forma ansiosa. O espectáculo grotesco que se seguiu, na imprensa, deveria ser acompanhado pela célebre bola vermelha no canto superior direito, alertando para a existência de conteúdos impróprios a menores.

A roubalheira, assim caracterizada pelo saudoso Pedroto, atingiu o ponto de não retorno. O desespero, aliado à sensação de impunidade, mostrou a verdadeira face do sistema. E, num curtíssimo espaço de tempo, os assaltos à mão armada vão-se sucedendo, sem que ninguém se lhes oponha.

- Guimarães-Benfica. Nessa Taça da Liga congeminada por Hermínio, o compadrio faz-se sentir. Penalty claro e inequívoco, escamoteado ao Vitória, cometido por Maxi Pereira, quando o marcador assinalava um apertado golo de vantagem para o Benfas;

- Benfica-Braga. A vergonha do ano, protagonizada pelo acéfalo Paulo Baptista, mera marioneta na ânsia de alguns atingirem o 1º lugar. Golo irregular de David Luiz, somado ao penalty [mais um] de Luisão, complacentemente não marcado pelo vetusto juiz;

- Porto-Trofense. O 1º lugar também passava por aqui. E eles sabiam. Golo regular, mal invalidado aos Dragões, a que se juntou, no ocaso da partida, uma grande penalidade, não assinalada, sobre Lisandro. O despautério raiava já o inconcebível;

- Benfica-Belenenses. Novamente a Taça da Liga do amigo Loureiro. Bastava um mísero ponto aos da casa para seguirem em frente. Mas, não fosse o diabo tecê-las, e ao bom estilo de José Veiga [apanhado numa escuta telefónica a escolher árbitros para um Benfica...União da Madeira], a falta de vergonha atingiu o zénite. No último minuto, perante a incredulidade geral, um golo invalidado aos pupilos de Jaime Pacheco, já de si queixoso do penalty não assinalado antes.

O futebol português está, repito, a saque. Até quando?

7 comentários:

dragao vila pouca disse...

Já nem se preocupam em disfarçar. Perderam completamente a vergonha.
Estão tão bem treinados que as coisas já saem com naturalidade e ninguém se espanta.

Bom Domingo e um abraço

lucho disse...

Paulo, tudo dito.

Grande crónica.

Está tudo minado...

AZUL DRAGÃO disse...

...Até que sejam campeões !

O que espero é que o F.C.PORTO mesmo assim , contra tudo e contra todos , não permita que isso aconteça !



Abraço

Bruno Pinto disse...

Paulo,

É, de facto, incrível a quantidade de erros a favorecer o Benfica desde o seu jogo caseiro com o Nacional, do qual resultaram pressões intensas sobre o sector da arbitragem por parte de Rui Costa, LFV e vários jogadores benfiquistas, além da imprensa. Está tudo dito no teu post. Nada a acrescentar.

Entretanto, com a vitória do Setúbal sobre o Nacional, já estamos nas meias-finais da Taça da Liga, juntamente com Benfica, Sporting e, possivelmente, Guimarães. Sempre disse que esta competição devia ser encarada com espírito de conquista. Agora, até atendendo aos adversários, tem de ser mesmo para ganhar.

Tiago Araújo disse...

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Anónimo disse...

23-01-2009 LABAREDAS
Contaminação?

O F.C. Porto Ferpinta lutou até aos últimos segundos pela presença nos quartos-de-final da Taça de Portugal de basquetebol. Contrariando previsões tolhidas pela cor clubística, os Dragões exibiram qualidade e ambição, forçando uma decisão no limite e resistindo enquanto a contenda se manteve na argumentação desportiva. O sucesso tinha tudo para ser azul e branco.

Infelizmente, numa altura em que apenas e só a fortuna podia interferir e desequilibrar a partida, o dedo divino de terceiros contaminou a Taça de Portugal e adiou a decisão para prolongamento. Em escassos segundos, um toque ligeiro no braço foi facilmente detectado, enquanto um contacto claro pura e simplesmente passou despercebido. Para um dos lados houve olho de lince; para o outro uma espécie de cegueira momentânea. Até a realização foi contaminada pela péssima decisão da arbitragem, uma vez que não houve direito a repetição para reapreciação do lance. Não deixa de ser estranho. Ou talvez não…

O desatino parece estar a propagar-se do relvado para os pavilhões, como um vírus que se dissemina ao ritmo da falta de decoro. A tendência e os factos não deixam margem para dúvidas. É a contaminação generalizada. Os Portistas, todavia, estão vacinados. E atentos. A vacina do sucesso deixa-os imunes ao ridículo.

Site do FCP

Anónimo disse...

Comunicado da F.C. Porto – Basquetebol, SAD

Face a uma sequência de ocorrências pouco abonatórias para a modalidade e que culminaram ontem, com decisões incompreensíveis da equipa de arbitragem presente no Benfica-F.C. Porto Ferpinta, dos quartos-de-final da Taça de Portugal, vem a Administração desta sociedade comunicar o seguinte:

1 – A F.C. Porto – Basquetebol, SAD vai vetar a presença nos seus jogos dos árbitros Pedro Coelho e Carlos Santos, tendo em conta o comportamento de ambos no encontro com o Benfica, para a Taça de Portugal, e do último na partida F.C. Porto Ferpinta- CAB Madeira, a contar para a Liga Portuguesa de Basquetebol;

2 – A F.C. Porto – Basquetebol SAD vai ficar a aguardar, expectante e atentamente, pela posição que o presidente do Conselho de Arbitragem da FPB vai tomar, depois de este ontem, no final do encontro, ter pedido desculpa aos representantes do F.C. Porto e ter reconhecido que, dentro das quatro linhas, os azuis e brancos justificaram a vitória. Será interessante constatar se o Eng.º Rui Valente considerará que foi «um crime» assinalar uma falta a dois segundos do fim ou então, crime ainda maior, fechar os olhos a outra mesmo em cima do apito final;

3 – A F.C. Porto - Basquetebol, SAD não pode deixar de chamar a atenção para aquilo que parece ser uma confusão reinante da FPB no que respeita à organização das competições. Além de a Liga ter permitido que já se tenha realizado o jogo Física–Benfica da última jornada do campeonato, quando ainda estamos a entrar na segunda volta, com evidente prejuízo da verdade desportiva, também o incrível aconteceu antes da Final 8 da Taça de Portugal, quando a equipa do F.C. Porto Ferpinta não pôde treinar de véspera no Pavilhão Municipal Luís Carvalho, no Barreiro, para cumprir a habitual adaptação ao recinto;

4 – A F.C. Porto - Basquetebol, SAD constata que os jogos da Liga Portuguesa de Basquetebol não foram alvo de qualquer transmissão televisiva após a realização do Benfica-Ovarense, jogo que motivou troca de “galhardetes” entre a FPB e o Benfica. Face ao contrato existente entre a FPB e Sporttv para a emissão de jogos da respectiva Liga, o F.C. Porto vai exigir da FPB a divulgação das razões da não transmissão de qualquer encontro, após o que se realizou no Pavilhão da Luz.
Esta situação, naturalmente, acarreta graves prejuízos para a modalidade, impedindo os clubes de dar o devido retorno aos seus sponsors e patrocinadores.

5 – A F.C. Porto – Basquetebol, SAD decidiu ainda não participar no próximo «Dia das Estrelas», enquanto a FPB não garantir um seguro de acidentes pessoais e de trabalho para os seus atletas, registando não ter sido ainda ressarcida dos prejuízos materiais resultantes das lesões que os atletas Paulo Cunha e Nuno Marçal contraíram ao serviço do País. Isto para não falar ainda dos evidentes prejuízos desportivos que a situação acarreta ao F.C. Porto e aos próprios atletas;

6 – Perante os factos atrás descritos, A F.C. Porto – Basquetebol, SAD vai aguardar a posição oficial da Federação Portuguesa de Basquetebol, de modo a definir futuras atitudes e posições.

Porto, 23 de Janeiro de 2009

A Administração da F.C. Porto – Basquetebol, SAD