22 de maio de 2008

Justiça Divina, com sotaque british

Foi com um interesse inusitado que acompanhei a final da Champions. Gosto da Premier League. Tornei-me fervoroso adepto do Chelsea, nos tempos do Special One, com direito a compra de camisola oficial [estampada com o nome de...Terry]. E, last but not least, porque a Champions é uma prova única...

Pode ser bela, resplandecente, fazendo-nos sonhar com honrarias e glórias conquistadas, mas capaz de, num ápice, nos mostrar a sua faceta cruel e caprichosa. É uma prova dura, intensa, onde apenas os melhores sobrevivem...mesmo que com uma pontinha de sorte.

Em Moscovo, território do oligarca Abramovich, ela voltou a mostrar ambas. E, no final, só me apetecia colocar um epíteto em Avram Grant, dono do banco dos blues londrinos: o Peseiro israelita...

Com uma imagem cinzenta, apagada, pouco simpática, conquistou aos poucos os fervorosos crentes londrinos. Pegou numa equipa à beira do motim, pós saída de Mourinho, arrostou com as manifestações ruidosas e pouco simpáticas de um público habituado à pose pouco fleumática do nosso conterrâneo, para aos poucos, lenta mas inexoravelmente, colocar a equipa no trilho dos êxitos...

E esteve quase. Faltou apenas um bocadinho. Na Premier encurtando, jornada após jornada, o atraso para os directos rivais. Aquilo que pareca impossível, mera utopia, começou a ganhar forma. O título parecia uma realidade palpável...

Até aos 92' do jogo caseiro com o Wigan. Faltavam míseras 3 jornadas. O Chelsea vencia por 1-0. Emile Heskey, possante avançado dos forasteiros, estilhaçou grande parte dos sonhos, sonegando 2 preciosos pontos...

Mas foi na prova elitista da UEFA que o clube esteve à beira da sua grande vitória. Ultrapassada a besta negra de Mourinho, numa meia-final dramática contra o Liverpool, Avram Grant saboreou o sucesso. A primeira final da Champions chegou, para gáudio do magnata russo...

O israelita, contido até então, começou a soltar umas graçolas pouco edificantes, "picando" Mourinho. E o sucesso parecia não fugir mais, na noite do Kremlin...

Começaram mal, dominados facilmente pelo estrategema da velha raposa, Ferguson de seu nome, num 4-4-2 inesperado. Prestes a soçobrarem, com o 2-0 a rondar perigosamente a baliza de Cech, sentiram o bafejo da deusa da fortuna, empatando a contenda à beira do intervalo, num golo fortuito...

Fizeram depois por merecê-la. Segunda parte de intenso domínio, empurrando os red devils para uma defesa porfiada. A felicidade estava ali, tão perto de ser apanhada. Drogba rematou ao poste. Lampard imitou-o, já no prolongamento, vendo o couro esbarrar na trave...

Resistiram à lotaria dos penaltis. Concentrados, aguardavam pela falha do adversário. Ela surgiu. Pelos pés de Ronaldo. Acendeu-se o rastilho da esperança. Faltava apenas e só um mísero pontapé. Um só. Tão fácil. Um remate certeiro separava o Chelsea da glória europeia e o seu treinador do reconhecimento dos seus pares...

Quando Terry, símbolo do clube, adorado pelos adeptos, autêntico homem de ferro, avançou de forma destemida, o destino do clube estava em jogo. Periclitante, qual artista de circo, em cima de um trapézio sem rede...

Terry chutou. E, naquele momento, o Deus da Justiça Divina despertou. A sua ira fez-se ouvir. E sentir. A bola saiu caprichosamente para fora. E Mourinho foi vingado, da forma mais cruel possível, como se esta saísse da mente de um sádico...

Terry, de quem a imprensa inglesa diz ter sido o Judas que esfaqueou o seu mentor, provocando a saída do Special One, nunca mais esquecerá este dia...

11 comentários:

Dragaoatento disse...

Olá!
De certa maneira estou sintonizado com o que sentes pelo actual técnico do Chelsea e pelo Terry.
Também sou admirador do Special One e penso que os dirigentes do Chelsea despediram um dos maiores treinadores da actualidade!No início da carreira do J.Mourinho no FC Porto chamei-lhe cientista do futebol numa mensagem que escrevi no FC Porto-site.
Mais ou menos por essa razão,torci pelo Manchester e exultei com a vitória deles.
Há no entanto um facto que me intriga e gostaria de saber se conheces o motivo pelo qual o Anderson não foi incluido a equipa de início! Para mim este miúdo foi só o melhor futebolista que passou pelo FC Porto nos últimos anos!E estava com esperança de revê-lo...
Lembras-te do jogo com o benfica,já estavamos a ganhar 2 a 0 quando o carnideiro grego lhe partiu a perna em dois sítios...

Anónimo disse...

Também pensei isso, precisamente, vindo-me à cabeça essas lembranças... Assim como, curiosamente, o Mourinho parece estar condenado na Liga dos Campeões a não mais saborar o que não quis festejar quando a teve...
A. P.

Dragaoatento disse...

Olá a todos!
Alguém sabe porque é que o Anderson ainda não se impôs no Manchester?! Será que a lesão na perna deixou marcas físicas e psicológicas?

Paulo Pereira disse...

Não. Aliás, o Anderson integrou-se bem no MU. Teve uma pequena lesão muscular, no inicio, o k retardou o seu aparecimento. Mas, aproveitando a posterior lesão do Scholes, ele jogou, e bem, vários jogos a titular, fora da posição a k estava habituado...

Mas, nesta fase final da época, onde tudo se decidia pro MU, é normal k o treinador tenha optado pelo médio britânico, mais experiente...

AZUL DRAGÃO disse...

Paulo :



Ainda vamos ver o filme
"A maldição de Mourinho "

dragao vila pouca disse...

Ó Paulo o Mourinho tem esses poderes todos?
Mas o Chelsea merecia ganhar.
Um abraço

Dragaoatento disse...

Paulo:
então está explicada a razão pela qual o Anderson não foi incluido na equipa de início!
É incrivel como Técnicos com a categoria do Ferguson e do Queirós, ainda não descobriram/viram que o Anderson dada a sua superior técnica e velocidade de execução (explosão)é essencialmente um fenómeno ofensivo,quando joga na posição de avançado!
Há treinadores que têm a mania de inventar e contrariar o que está à vista de todos...e cá para mim é isso mesmo que eles estão a tentar fazer.Por outro lado acredito que talvez seja bom o Anderson jogar uns tempos como médio para também aprender a dar porrada e a evitá-la,ele que quando joga como avançado é um mártir...

Anónimo disse...

«MESMO HOSTILIZADOS CONTINUAREMOS A GANHAR»
Há-de haver tetra e talvez penta, doa a quem doer, contra tudo e contra todos.



«Só ganhando se cala os adversários»



«A única forma de sermos respeitados é ganhar, ganhar sempre, ganhar tudo. Lutamos permanentemente contra uma imprensa hostil, temos sempre pela frente um País que tem dificuldade em perceber e aceitar por que razão ganhamos tanto, mas vamos continuar a ganhar.»

«Temos ganho muito, ganho com tanta clareza, e é isto: dúvidas, desconfianças, acusações. Ganhamos, e muita gente não gosta, mas vamos continuar a ganhar, porque é a única forma de nos defendermos dos ataques ao nosso mérito. Sei que vem aí mais um ano difícil, mas também sei que vamos ganhar ainda mais, sei que os ataques se vão acentuar, que as dificuldades vão aumentar, mas se não formos campeões por 20 pontos, ganharemos por dez, mas ganharemos. Há tanta paixão no nosso clube e nos nossos adeptos que só podemos continuar a ganhar, por mais hostilizados que sejamos.»

«Podem ter a certeza de que vamos continuar por cima, prometo-vos outra equipa de carácter, a jogar bem. Isso só se atinge com trabalho e mais trabalho, por muito que nos tentem atingir de todas as formas.»

«É impossível estar indiferente no FC Porto, coração e paixão é o que fica com quem passa por esta casa, passa-se rápido de bestial a besta, mas nesta casa somos mais qualquer coisa porque também nos dão mais qualquer coisa. Acreditem, pois, que a motivação é sempre grande, haja o que houver. E acreditem também que continuaremos a ganhar.»
JFerreira nos Estados Unidos

lucho disse...

Tb vi o jogo, tenho tb uma admiração especial pelo Mourinho mas estava a torcer pelo Chelsea de caras. O Ricardo carvalho merecia a Champions. AZAR.

Dragaoatento disse...

Olá!

O Azenha decidiu ir-se embora!
Este facto merece um comentário.
Veja-se www.dragaoatento.blogspot.com

Anónimo disse...

“Ganhámos o campeonato e só por isso ficaria muito satisfeito,
cumprindo um objectivo essencial de cada época. O desgaste é muito grande"

Mourinho em 2004.